Mostrar mensagens com a etiqueta Média. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Média. Mostrar todas as mensagens

08 maio 2026

A culpa é dos States


Sim, os EUA não são de forma nenhuma um ator angelical e puro na geopolítica mundial. Particularmente o seu atual Presidente deixa muito a desejar quanto a ética e princípios, mas daí a colocá-los na primeira linha das responsabilidades por todas as desgraças do mundo, vai a distância de uma generalização abusiva.

Recentemente vimos uma inacreditável “pérola” desse “desporto” de culpar os EUA de tudo e mais alguma coisa. Judite de Sousa, que por formação e currículo tinha obrigação de saber o que diz e medir as suas palavras, veio afirmar que “O Japão atacou Pearl Harbour porque levou com dois bombas atómicas”. Não está apenas em causa a discrepância cronológica do ataque japonês ter ocorrido em 1941 e os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki em 1945.  O primeiro evento foi um ataque surpresa, sem declaração prévia de guerra, que precipitou a entrada dos EUA na guerra; o segundo foi o momento final que levou à capitulação do Japão.

Penso que nem Donald Trump poderia afirmar tal barbaridade, sendo de realçar que ele não tem formação superior em História, como esta famosa jornalista e comentadora … É absurdo e estúpido demais para ser verdade.

Dir-se-ia que as nossas TVs têm mais espaços de comentários do que comentadores habilitados para os preencher. Que crédito podemos dar a esses palpitadores “todo-o-terreno” que por ali pululam?

20 abril 2026

Y Viva España


Vejo nas notícias em Portugal que o nosso Presidente da República está em visita oficial a Espanha, encontrando-se com o Primeiro-Ministro e o Rei. É a sua primeira viagem oficial ao estrangeiro.

Vou espreitar os jornais “hermanos” que acompanho, El País e El Mundo, deste até tenho assinatura, e na página principal nem sinais de AJ Seguro. Resolvo fazer uma pesquisa à palavra “Portugal” e os resultados são os da imagem. Incrível! Dois dos principais media espanhóis ignoram absolutamente a visita (a menos que esteja tão escondido que não vi).

De uma forma geral, Portugal é notícia em Espanha em três situações.

  • a)       Quando aqui ocorre uma desgraça
  • b)       Quando aqui ocorre algo de embaraçoso/vergonhoso
  • c)       Quando lá ocorre algo de embaraçoso/vergonhoso, em Espanha, e eles resolvem autoflagelarem-se dizendo: Vejam que até Portugal consegue fazer melhor do que nós

Curioso… e representativo

13 novembro 2025

Também tu BBC ?


Dois altos dirigentes desta empresa pública com imagem e histórico de excelência, num país onde as responsabilidades são assumidas com seriedade, demitiram-se na sequência de uma manipulação na edição de um discurso de Donald Trump. Este, no fundo, agradece o favor que lhe fizeram. Infelizmente não é caso isolado, já que muitos jornalistas decidiram ser cavaleiros de nobres causas, em vez de profissionais de informação. Quem é pago para produzir informação deve produzir informação, em vez de ser ativista pelas suas convicções. Quem compra informação, espera receber informação e não doutrinamento.

Para além de descredibilizarem estes órgãos de informação que, nestes tempos de desinformação fácil e abundante, são mais do que nunca necessários para a sanidade e objetividade na opinião pública, estas cruzadas ideológicas têm um efeito absolutamente oposto pela assimetria evidente e descarada no tratamento dos temas.

Por exemplo, num caso de polícia envolvendo uma “minoria”, esses detalhes factuais são omitidos, para não provocar generalizações abusivas. Noutros casos é promovida a notícia a simples “suspeita de ligações à extrema-direita”.

Por cá as atitudes sobranceiras nas entrevistas a André Ventura não o diminuem, pelo contrário. Acabam por ser uma bênção para o seu projeto de poder. Muitos jornalistas precisam de voltar à escola (não à madraça).


Atualizado em 14/11/2025 com a publicação no "Público".


15 agosto 2022

Palpites e mais palpites


No passado mês de junho decorreram as eleições legislativas em França. Têm a particularidade de cada lugar ser conquistado individualmente, por maioria, a uma ou duas voltas, como nas nossas presidenciais. Existe uma prática de que um ministro em funções que falhe a eleição no seu círculo deve abandonar o governo, falta-lhe legitimidade. Em Portugal o sistema é diferente e a prática também. Não quiseram eleger Fernando Medina como presidente da câmara de Lisboa? Gramem-no agora como ministro!

Medina acabou de contratar um ponta de lança para a comunicação, um galáctico, com vencimento superior ao do ministro. Enfim, Sérgio Figueiredo pagou a Medina para dar palpites na TVI; agora este paga a Figueiredo para dar palpites no governo. Palpite com palpite se paga.

Para lá deste antecedente, é curioso como o ministério das finanças necessita assim dum craque em comunicação… Medina já demonstrou no passado ter problemas em geri-la, mas não seria preferível que este Governo privilegiasse a realização em detrimento da comunicação? Por exemplo, fazer chegar os fundos do PRR às empresas que deles necessitam, de preferência ainda antes da próxima pandemia?

25 fevereiro 2019

Não me batam


Sim, não achei graça nenhuma à imagem típica de Cristina Ferreira trajada à vianesa. Para lá dos detalhes de dobrar o lenço para a frente ou para trás, se o ouro é quadrado quando devia ser redondo, descentrado ou simétrico, há ali uma postura “urbana” a visitar o tradicional que me irrita. Como com os trajes “populares” das marchas dos santos “populares” que vejo como uma aproximação ao “povo” leviana, desrespeitosa e não consentida.

Este meu incómodo com o falar do povo não se limita a estas coisas ligeiras de gosto duvidoso. Há poesia, alguma mesmo de enorme qualidade literária, que quando entra em panegíricos idílicos de serras, searas, roupas de linho e réstias de romarias, me provocam um pouco o mesmo efeito. Desculpem lá, não me batam…

Por simples e rude que possa parecer o mundo rural e respetiva cultura tradicional, não deverá ser traduzido como um simpático postal ilustrado engraçado, nem pintado como uma macedónia de coisas basicamante castiças, nem sublimado em sinfonia de perfumes bucólicos. Ele comporta coisas pouco engraçadas, outras chocantes e os odores não são todos agradáveis. Lidar com a rudeza é tarefa bastante delicada…

Agora, aproveito, e não me batam, a todos os que se indignaram com a tal dita figura, olhem por favor, com esses mesmos olhos, para outras coisas que por aí se vêem, a saber, a exemplo, trajes masculinos e música.


Foto DR, JN

09 janeiro 2019

Sobre a liberdade

Sem ter a mínima simpatia ou proximidade com extremistas, sejam de direita, sejam de esquerda, muitíssimo menos quando a essas ideologias se junta a violência, não adiro a esta vaga de indignação pela entrevista a Manuel Machado na TVI.

Começo por ignorar aqueles para quem o problema está basicamente em isto se passar no extremo errado e até admirarem e incensarem os seus heróis, especialmente os que tiveram a coragem de “lutar a sério”.

É aceitável dar um microfone e tempo de antena a um xenófobo agressivo ou a um revolucionário violento? Se o problema é um eventual passado criminoso, não faltam por aí entrevistas a criminosos condenados ou não, com pena cumprida ou. Se o que for dito constituir uma ilegalidade, será caso de polícia, mas deveríamos dispensar censuras prévias ad hominem.

É muito mais perigoso um tempo de antena, onde cada um diz o que lhe apetece sem contraditório imediato. Uma entrevista bem conduzida pode ter um efeito didático, pondo a nu as fragilidades, incoerências e inviabilidade desses propósitos. Acredito ser eficaz e mesmo necessário para combater os tais ditos populismos.

Não defendo a opção de colocar uma mão à frente dos olhos das gentes, como se faz com as criancinhas, para não verem uma cena violenta ou escaldante na televisão – “Ó meu filhinho, tu não podes ver isto… devia ser proibido!!”. Os que se veem como grandes educadores das massas, deviam recordar que o povo não é criança e que a história demonstrou que com essas práticas, no final, quem sofre é sempre a liberdade… e o resto.

05 dezembro 2017

Saber rir


Sendo muito riso sinónimo de pouco siso, não saber rir é sintoma de um grave problema. É inquietante alguém não rir e particularmente preocupante não conseguir rir de si próprio. Estas reflexões sobre o ambiente do riso, a sua grandeza e a sua pobreza, ocorreram-me ao recordar-me de um programa humorístico passado, de audiência obrigatória na televisão, o “Contra-informação”.

Julgo que seria consensual a sua aceitação pelos portugueses em geral, quiçá reconhecendo um toque de excesso aqui e acolá, mas pouca ou nenhuma indignação despertava aquele humor. Se hoje houvesse “Contra-informação”, seria tão pacífico? Declaradamente, penso que não.

Já não se ri como soía e muito especialmente sobre essa classe que tanto a isso se presta, os políti(queiros). No tempo do programa, era “normal” ridiculariza-los e apanharem todos, pela mesma moeda. Os efeitos clubísticos ficariam em achar mais graça a umas passagens e, no limite, ignorar outras. Não estou a imaginar um coro de indignação nas redes socias (que não existiam, pelo menos na dimensão atual) com a caricaturização de um Primeiro-Ministro.

Hoje, acredito que seria diferente. As dinâmicas tribais direita-esquerda, ou o que quer que lhes quiserem chamar, estão mais fechadas e intolerantes. Há uma identificação muito mais forte com a fação, uma solidariedade militante, com a correspondente miopia sectária, sendo o resultado a incapacidade de rir do próprio e não aceitar ironias.

Não sei de quem é a culpa, poderia especular, mas uma sociedade que não consiga rir de si própria é … muito perigosa.

11 novembro 2017

As redes sociais ameaçam a democracia?


Este era o título da capa de um “The Economist” recente, de onde extraí a imagem. Ao confirmar-se a influência pró-ativa da Rússia nas últimas eleições americanas, parece ter ficado muita gente histérica e indignada, numa de “não pode ser!”, “É preciso fazer alguma coisa!!”.

A propaganda e a manipulação da informação não são ciências novas nem específicas da Rússia. Sempre existiram. Um país tentar condicionar a opinião pública em terceiros, de forma direta ou camuflada, não é nenhuma novidade e não deveria espantar ninguém.

A internet e as redes sociais trazem uma diferença na forma. Constituem enormes amplificadores de “opiniões” e de noticias falsas e verdadeiras. Facilitam a difusão e a camuflagem. Mas tanto o fazem para o “mal” como para o “bem”, neste último caso na denúncia de situações e na mobilização para causas que a comunicação social tradicional ignora, especialmente em regimes controlados.

Assim, a simplificar, a internet está para a informação como a globalização está para a economia. Curiosamente, o próprio “Economist”, quando aborda questões e polémicas relacionadas com os aspetos negativos da globalização, reais ou percecionados, costuma acabar sempre no mesmo acorde: a globalização permite criar mais riqueza globalmente e, a prazo, é isso que conta. Até lá, são apenas alguns sobressaltos.

Embora eu não tenha uma posição tão liberal, do quanto mais aberto melhor, acho que neste caso da informação, quanto mais melhor. Acredito mesmo que a brutal diversidade de fontes de informação só pode, a prazo, melhorar o conhecimento da sociedade sobre si própria e sobre a humanidade. Todos sabemos que há mentirosos e manipuladores neste mundo. Antes estávamos expostos a meia dúzia, agora estamos expostos a umas centenas ou milhares, pelo tal efeito de amplificação. Teremos que nos habituar a isso. O controlo efetivo do que se publica na internet nunca, mas nunca pode ser efetivo nem eficaz, sobretudo num quadro de Estado de Direito onde estamos enquadrados. Vejam os Estados de Não Direito que bem a tentam controlar de todas as formas e feitios, cega ou seletivamente, à bruta ou à fina… e nem eles conseguem.

Significa que tudo é/deve ser permitido? Não. Haverá sempre um enquadramento legal a respeitar, mas, dada a dimensão deste universo,
é impossível ser completamente abrangente. É ainda de recordar que os “beneficiados” não são sempre os “Trumps”.

18 maio 2016

Para onde vamos?

Discordar de uma ideia, contestar um ponto de vista, criticar uma decisão tem/deve ter uma base racional, podendo originar uma discussão construtiva, por mais antagónicos que sejam os pontos de partida. Outra coisa será classificar os “outros” de corja, talibans e sei lá que outras formas mais de deseducação e de insulto.

As redes sociais e as caixas de comentários nas notícias on-line permitem inúmeros fóruns de grande alcance e com registos indeléveis, sendo importante ter sempre presente a diferença entre pronunciar um desabafo entre três amigos e registá-lo publicamente. Para evitar o pingue-pongue das agressões verbais e tristes desrespeitos, exige-se contenção e elevação (leia-se também educação), exigência tanto mais elevada, quanto maior a responsabilidade pública e política de cada individuo.

A infelicidade nos tempos que correm é que esse vírus, do gatilho ligeiro, contamina desde o simples cidadão até senhores deputados (e passo ao lado dos snipers “profissionais”, que parecem popular o meio), alastrando a uma velocidade surpreendente (viral?).

A frequência da utilização de expressões conclusivas do tipo “está tudo dito” é sintomática da recusa do diálogo e do contraditório. Dispara-se e espera-se que com eficácia suficiente para abater definitivamente o adversário. Se não for o caso e ele ainda estrebuchar, carrega-se nova bazuca! Eu sei que é impossível eliminar estas posturas, apenas peço aos senhores com responsabilidades acrescidas para tentarem dar o bom exemplo.

08 maio 2016

Uma novidade


No (excelente) programa “Visita Guiada” que foi para o ar na RTP2 na passada semana, o tema foi o barroco da igreja da Misericórdia de Viana do Castelo. No final do programa foi explorada a eventual relação entre aquele barroco específico Vianense os trajes tradicionais da região.

As fotos foram minhas, escolhidas da página do Grupo Etnográfico de Areosa. Um momento alto da minha atividade fotográfica e penso que dificilmente superável!

28 outubro 2015

Cheira mal

O senhor José Sócrates cheira mal. Vamos esquecer, por agora, o enquadramento jurídico estrito, dado que ainda não foi julgado e, até lá, beneficia da presunção da inocência.

No entanto, para um ex-político, e supostamente até de esquerda, é obsceno o nível de vida por ele praticado, ainda por cima às custas de um amigo que, se empresta dinheiro assim, deveria a família solicitar a sua inabilitação imediata.

Foi o senhor testar os seus dotes oratórios e galvanizadores de audiência a Vila Velha do Rodão, fazendo-se prazenteiramente acompanhar pelo diretor de um dos principais jornais nacionais, concretamente Afonso Camões do JN, e queixou-se da existência de um “poder oculto”, envolvendo alguns jornalistas. Certamente Afonso Camões, o tal que, quando ainda estava na Lusa, teve o cuidado de o avisar de que estava a ser investigado não faz parte desse grupo.

A sua defesa conseguiu rapidamente proibir o grupo Cofina de publicar notícias (explosivas) recorrendo a elementos do processo. Formalmente está certo, mas há aqui um detalhe a evidenciar. De acordo com o discurso anterior do “não há nada”, seria mais previsível uma acusação de difamação.

Tudo isto cheira tão mal, que nem dá vontade de chegar perto. Não tenho nenhuma simpatia pelo Correio da Manhã, mas o país tem o direito de conhecer os detalhes do modo de vida de um seu ex-primeiro ministro, sobretudo quando eles parecem tão desproporcionados face aos rendimentos previsíveis.

Seria bom e muito higiénico que todos os socialistas sérios tivessem a dignidade de fugirem à abordagem clubística desta vergonha e privilegiassem a primazia dos princípios.

17 julho 2015

Socializando…


Hossein Derakhshan foi um dos mais relevantes bloggers iranianos na década passada, tendo supostamente atingido as 20 000 visitas diárias. Acabou por ser preso em 2008 pelas razões que se pode imaginar serem imaginadas pela justiça.


Após 6 anos de prisão sem computador e sem internet foi libertado. Disseram-lhe que tinha que estar nas redes sociais para ter visibilidade. Assim fez, mas desiludiu-se com a nova internet. Diz ele que acabou a “idade dourada” dos blogs. Antes, as pessoas escreviam e liam (liam!!!), discutiam ideias e confrontavam opiniões. Cada qual frequentava os locais que entendia, por sua própria iniciativa e escolha.

Acha o facebook uma espécie de televisão. A maior parte dos utilizadores limita-se a ver o que lhe passa à frente, imagens, pequenas frases e filmes que se lançam automaticamente. Digerem o que lhes é sugerido em grande passividade e, sobretudo, pouco leem. Colocar um simples link para um texto externo quase não tem efeito. O ambiente é muito fechado, sendo difícil num post chamar conteúdos externos variados.

É curiosa a imagem de comparar a internet antiga a uma biblioteca e a atual a um televisor: passar de uma ferramenta de conhecimento e formação para simples entretenimento. De fato, tem sempre muito mais sucesso o filme de um homem a correr em cuecas (aquela coisa do viral…) do que um texto sério, por mais pertinente e bem escrito que esteja.

Em cada casa há espaço para livros e televisor e, no fundo, como a água benta, cada qual toma a quantidade que quiser…

16 julho 2015

Europa na 2

“Borgen”, nos corredores do poder e dos média na democracia dinamarquesa e “Engrenages” no quotidiano do sistema judicial e policial francês. Até mesmo, noutro nível, “Príncipe” na tensão de um enclave europeu “bi-cultural” no norte de África e “Gamorra” na brutalidade da mafia napolitana. A qualidade do enredo e das interpretações não é homogénea, nalguns casos até se suportam dificilmente algumas coisas mal feitas ou forçadas. Além de terem passado na RTP2, têm em comum serem produzidas e filmadas na nossa Europa. Indubitavelmente a dizerem-nos muito mais do que um “CSI” qualquer, mesmo quando criticamos as partes fracas. Mais… ?

12 junho 2015

Os 10 milhões

Se eu tiver uma casa que vale 100 mil euros e associada a ela uma dívida ao banco de 40 mil, poderei esperar despachar as duas por cerca de 60 mil euros… Mas se, para a mesma casa, a dívida for de 200 mil, se calhar ainda tenho que pagar algo para alguém ficar com as duas, não será?

Este é o caso da TAP. O valor da empresa é largamente inferior à sua dívida e esta foi assumida, proporcionalmente, pelo comprador. São umas centenas de milhões de euros negativos que transitam do Estado para o novo dono. Daí que o valor adicional a pagar seja baixo, os tais 10 milhões.

Quando se fazem destaques e manchetes resumindo a privatização da TAP a este valor, é ignorância ou tendenciosidade. Independentemente do ponto de vista de cada um, e confesso que não entendo tanta embirração com este processo agora, quando no caso da ANA, muito mais sensível, nada se disse, informar não é manipular.

23 março 2015

Não quero ser VIP, mas…

As trapalhadas em torno da lista “VIP” das finanças ficarão, como é hábito, em fumo, fumaça, frases feitas, bocas, piadas e bicadas. Reflectindo um pouco sobre o fundo da questão: no mundo actual deixamos registo e rasto de tudo o que fazemos; se juntarmos uma certa tendência coscuvilheira de tantos e, para os mediaticamente expostos, a sede de estórias da comunicação social, podemos estar a caminho de uma sociedade irrespirável.

Não sou nem quero ser VIP, mas não gostaria que alguém no meu banco andasse a registar e a divulgar quanto e onde gasto, passo a passo; também não gostaria de ver em local público o registo das minhas passagens de via verde e das minhas chamadas telefónicas. Não por ter algo a esconder, mas pelo simples princípio de que a minha qualidade de vida passa por não ver a minha vida assim devassada.

Estas questões não se restringem, no entanto, à cusquice básica. Ninguém gostará que a sua actividade profissional seja seguida e disponibilizada aos seus concorrentes… Informação é poder. Se alguém souber mais sobre mim do que vice-versa, fico em desvantagem.

Tanta coisa de que eu não gostaria, tendo todo o direito a não gostar e para as quais as garantias parecem tão fracas. Da mesma forma como existe a figura de “pessoa politicamente exposta”, obrigando os bancos a procedimentos mais apertados, não me choca existir uma lista de pessoas mediaticamente mais expostas, eventualmente a necessitarem de mais protecção. Bastava ser claro no objectivo, no âmbito e não cair em trapalhadas… e, no fim, é bom recordar que o problema existe.

19 janeiro 2015

Contas certas?

Surpreendeu-me o resultado do estudo do professor da FEP, Óscar Afonso, sobre a economia não registada (paralela), quantificada a 26,81% do PIB.

Mais curioso fiquei ao ouvir declarar terem sido usadas “metodologias científicas, testadas, validadas, certificadas e a primeira versão do índice foi submetida à publicação de um artigo numa revista científica internacional e foi aceite”.

A quantificação da macroeconomia é algo que me intriga e arrisquei tentar ler e entender o trabalho académico… que, até invoca dois métodos! Um diz simplesmente que a economia não registada é a soma de várias parcelas, indicador x ponderação, tão simples quanto isso. De acordo, mas… estarão lá todos os indicadores relevantes, sem omissões nem redundâncias, e qual a ponderação certa para cada um? Como arbitrar as ponderações, fruto de um contexto cultural, naturalmente evolutivo? Ainda, se, por exemplo, o “factor” “factura da sorte” não for incluído na série, pode concluir-se legitimamente que esta iniciativa teve efeito nulo!?

O outro método, monetário, pareceu-me inicialmente ter uma base menos arbitrária. Se eu levantar 100 euros no multibanco, gastar 80 euros a atestar o depósito e 20 num restaurante sem factura, há aqui 20% não registados – bingo! Mas, se com os meus 20 Euros, o dono do restaurante for ao mercado comprar batatas, o lavrador pagar com eles a quem lhe cavou a terra e este depois os entregar ao electricista, já são 4 transações de 20 Euros não registadas e não vejo forma de “ver” e medir quantas vezes isso ocorre …

As curvas obtidas serão provavelmente publicáveis em revistas internacionais, mas, pelo menos, o destaque mediático dado a estes 28,61% parece-me claramente inflacionado.

14 janeiro 2015

Confusões de liberdades

Com estes acontecimentos de Paris, de que toda a gente fala, incluindo eu, vamos um pouco a de confusão em confusão.

Liberdade de expressão – muitos dos “neo-Charlies” não serão assim tanto pela liberdade de expressão. Gostaria de saber por onde andavam muito deles quando a caricatura de J. Paulo II com o preservativo no nariz dava direito a petição na Assembleia da República. O que toda a gente estará é contra a acção cometida que, de tão bárbara, é de repudiar independentemente do jornal ter ou não ultrapassado limites de liberdade de expressão.

Liberdade de circulação – quando a polícia me manda parar e me pede a carta de condução e os documentos do automóvel, não está a restringir a minha liberdade de circulação. Está a fazer um controlo supostamente útil. Especialmente se um dia nos roubarem o carro, vamos desejar existirem muitos controlos desses. Um reforço de controlo da circulação de pessoas na Europa não me incomoda. É despropositado presumir constituir uma restrição da liberdade de circulação. Acho muito bem que os suspeitos perigosos vejam a sua facilidade de circulação limitada.

Liberdade de culto – Dizer genericamente islão e muçulmanos são assim ou assado é extraordinariamente redutor. Há um problema “geopolítico” que alimenta o terrorismo; há um problema de integração cultural perigoso de ignorar e há gente integrada que não causa problema nenhum. E este capítulo não cabe todo num parágrafo.

PS: Estou a tentar que este espaço não se torne mono-temático, mas não está fácil. Digamos que será um efeito de ter vivido na Argélia.

07 janeiro 2015

Amálgama de emoções e reflexões

Hoje foi lançado em França um romance de título “Soumission”, situado num futuro próximo em que após ser eleito um presidente muçulmano, há uma mudança dramática no cenário social do país. Polémica não falta, evidentemente. Há mesmo quem o considere inoportuno. Uma obra literária de ficção pode ser boa, má ou péssima… agora inoportuna?!?

Hoje 12 pessoas são assassinadas na redação do jornal satírico “Charlie Hebdo”, já abundantemente ameaçado pelos radicais islâmicos. Não se inibia de publicar imagens caricaturais de Alá e Maomé, quando, segundo o Islão, o simples facto de os representar já é pecado grave.

Há reações de repúdio e de condenação veemente de todos os quadrantes, incluindo de muçulmanos, naturalmente. Mas também se ouve um inaceitável considerando: o facto de eles terem ultrapassado uma linha perigosa ser um factor agravante a não ignorar... Não, nunca! O jornal não tem o direito de, eventualmente, difamar ou insultar, mas há leis para isso, que não são “Kalashnikov” por conta própria. Que se segue? O director do jornal, assassinado, dizia “preferir morrer de pé do que viver de joelhos”. A busca de uma certa dignidade e homenagem aos mortos pede resposta. Vão os restantes média fugir da auto-censura fatídica, dizer “somos todos Charlie” e republicar as imagens polémicas? Mas, se isso acontecer, a sensação de insulto do outro lado não irá aumentar e extremar posições?

Quem provocou esta carnificina não foram simples rufias de rua desenraizados. Podem ter sido utilizados, mas os que organizam e disponibilizam os meios, são outros. É ir atrás deles de todas as formas e feitios, não necessariamente colocando tropas armadas nas ruas e aeroportos. Essas medidas visíveis são apenas para a fotografia e de pouco servem, como os que supostamente protegeriam este jornal o provaram.

É necessário desfazer a amálgama entre estes “movimentos” criminosos e a prática religiosa de uma boa parte da população mundial. Conciliar liberdade de expressão, mesmo de dizer disparates, com a noção de respeito mútuo é um grande desafio, exigindo uma maturidade que não passa por decreto. A melhor resposta a um insulto é ser-se superior ao mesmo; a melhor forma de reagir a uma agressão é secá-la na fonte, com determinação e sem fraqueza. Uma boa parte desse trabalho incumbe aos muçulmanos responsáveis.

Nota 1; A imagem acima é uma das últimas caricaturas publicadas pelo jornal, trágica premonição
Nota 2: A imagem é a de um terrorista, simplesmente !

23 setembro 2014

Cidade das tradições

Este fim-de-semana decorreu em Lisboa uma interessante iniciativa do Inatel denominada “Cidade das tradições”. Na ficha do evento até aparecia a RTP como parceiro. Eu contava que transmitissem algo, eventualmente até em directo. Temas e motivos de interesse não faltavam, na minha opinião pelo menos.

Durante a tarde de domingo fui espreitando o écran mas não vi nada em nenhum canal… filmezecos e a pimbalhada do costume…!! É este o papel cultural dos média …? É muito pobre, não é?

14 outubro 2013

Do que se foram lembrar…

A ideia que o Governo teve de arredondar para cima a famosa contribuição audiovisual para o pessoal dar uma ajuda suplementar à RTP, sem passar pelo orçamento de Estado, nem foi má de todo. Veio-nos recordar que essa taxa ainda existe. Do eventual desalinhamento entre pagadores e utilizadores nem vale a pena falar. O importante será falar sobre o princípio. Eu não me importo de contribuir para um canal próximo da actual RTP2, independentemente do enquadramento dessa contribuição. Agora, a RTP1 actual, não a distingo dos outros canais puramente comerciais. Recordo um estudo de mercado recente que recomendava à RTP ter menos informação e mais entretenimento, ao que esta concordou, tendo manifestado a intenção de passar a ter uma “grelha mais divertida”. Aproveito para sugerir um programa, divertido e basta-me sugerir com o título: “Famosos em cuecas!”. Sucesso garantido e como nem cobro direitos, acredito ser possível poupar os impostos dos contribuintes nessa produção e sem ser necessário criar uma outra taxa no gás ou nos telemóveis.

Um detalhe muito curioso é a dita taxa, que não corresponde a um produto ou serviço de consumo, ser objecto de IVA. Eu não sou fiscalista, mas cheira-me, e muito forte, que é abusivo aplicar este imposto a esta taxa. Eu sei que se não fosse por aqui, sacariam de outra forma e, se calhar, em termos líquidos, o resultado final seria o mesmo. No entanto, é importante que os conceitos e os princípios não sejam manipulados tão descaradamente. E, já agora, espero bem que esta minha reflexão não dê ideias de aplicar o dito cujo IVA a outras taxas e impostos, porque, aí sim, daria para RTP’s e muito mais!