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19 janeiro 2015

Contas certas?

Surpreendeu-me o resultado do estudo do professor da FEP, Óscar Afonso, sobre a economia não registada (paralela), quantificada a 26,81% do PIB.

Mais curioso fiquei ao ouvir declarar terem sido usadas “metodologias científicas, testadas, validadas, certificadas e a primeira versão do índice foi submetida à publicação de um artigo numa revista científica internacional e foi aceite”.

A quantificação da macroeconomia é algo que me intriga e arrisquei tentar ler e entender o trabalho académico… que, até invoca dois métodos! Um diz simplesmente que a economia não registada é a soma de várias parcelas, indicador x ponderação, tão simples quanto isso. De acordo, mas… estarão lá todos os indicadores relevantes, sem omissões nem redundâncias, e qual a ponderação certa para cada um? Como arbitrar as ponderações, fruto de um contexto cultural, naturalmente evolutivo? Ainda, se, por exemplo, o “factor” “factura da sorte” não for incluído na série, pode concluir-se legitimamente que esta iniciativa teve efeito nulo!?

O outro método, monetário, pareceu-me inicialmente ter uma base menos arbitrária. Se eu levantar 100 euros no multibanco, gastar 80 euros a atestar o depósito e 20 num restaurante sem factura, há aqui 20% não registados – bingo! Mas, se com os meus 20 Euros, o dono do restaurante for ao mercado comprar batatas, o lavrador pagar com eles a quem lhe cavou a terra e este depois os entregar ao electricista, já são 4 transações de 20 Euros não registadas e não vejo forma de “ver” e medir quantas vezes isso ocorre …

As curvas obtidas serão provavelmente publicáveis em revistas internacionais, mas, pelo menos, o destaque mediático dado a estes 28,61% parece-me claramente inflacionado.

24 novembro 2009

O Vinil está de volta?


Há por aí uns cartazes anunciando que ele está de volta. Não sei se os discos de vinil estarão mesmo a regressar em força mas que a oferta aumentou recentemente, é bem verdade. Porquê? Por moda de alternância, tipo saia curta – saia comprida, porque as capas são maiores e muito mais giras, por snobismo de seguir um caminho diferente do do rebanho principal?

Quando se banalizaram os CD’s era previsível que o vinil iria encolher até um reduto muito reduzido dos anti-digitais e estagnaria assim numas tribos muito especificas e selectivas, mas sempre a descer e sem alguma vez inverter a tendência. Basta recordar a facilidade e rapidez da degradação dos discos e agulhas, a pouco autonomia e a inflexibilidade na sequência de escuta. Para ouvir algo selectivamente lá andava a agulha a subir e a descer no meio do disco com fortes probabilidades de deixar uma “assinatura” no local da aterragem.

O CD resolveu essas limitações todas. A menos que avariasse de vez, reproduzia sempre da mesma forma. Com a frequência da codificação e síntese para lá do limite detectável pelo ouvido humano e com equipamento decente acho difícil que se possa dizer objectivamente que o resultado seja inferior ao conseguido pela agulha roçando no vinil. Perfeito, portanto, não? Se calhar o problema será mesmo esse: é demasiado perfeito e repetitivo. Ou seja, a agulha não passa sempre de forma igual, os mini-micro, ou grandes, risquinhos que vão nascendo dão um resultado variável no tempo que nunca é uma fotocópia perfeita como no digital. A agulha acrescentará até um timbre, uma vibração própria, acepticamente retirada do digital perfeito e que agradará a alguns.

Para lá do snobismo, será que os puristas do analógico buscam precisamente um som que não seja perfeito, que não seja clonado, que seja vivo, que tenha “ruído”, que assim se torne mais humano? Não sei. Pode é ser uma oportunidade para fazer evoluir os sintetizadores digitais e acrescentar lá um vibrato e uns arranhões aleatórios!!!

25 setembro 2008

Is Life Random ?

Não, não é hábito por aqui descambar para os palavrões anglo-saxónicos (que raio de maneira de não dizer simplesmente “ingleses”), mas uma vez não são vezes. E um “será a vida aleatória?”, apesar de mais longo, não vai tão longe.

Existe em ambientes de programação uma função “Random/Randomize”, que recorrendo a um algoritmo, incluindo seguramente a data, gera um número supostamente aleatório. Bom, no fundo, no fundo nunca será completamente aleatório porque nenhum computador sabe devolver um “número qualquer”, verdadeiramente aleatório. Terá sempre alguns dados de entrada, só que trabalhados e baralhados de tal forma que o resultado parece mesmo, mesmo aleatório.

Este tipo de função seria indispensável, por exemplo, para criar uma “slot machine digital” minimamente credível. Eu, no entanto, não me lembro de a ter utilizado alguma vez. Quando é necessário um valor para uma variável qualquer, por pouco importante que seja, parece-me sempre preferível adoptar um critério qualquer, por muito secundário que seja. Se parece ser indiferente ir pela direita ou pela esquerda, há-de sempre existir um critério de desempate, quanto mais não seja memorizar que da última vez se foi pela esquerda para da próxima se ir pela direita.

Por isso e outras coisas, sempre achei estranha a função de reprodução de música em sequência aleatória. Um álbum tem uma sequência bem definida e choca-me ouvi-lo de forma diferente.

Isto mudou quando me rendi recentemente ao meu leitor de MP3. Inicialmente limitava-me a ouvir “álbum” a “álbum”, um pouco como quem coloca CD’s no leitor e os troca após a reprodução. Agora tenho usado a reprodução aleatória e curiosamente tem um resultado interessante. É um pouco estranho ter assim um Carlos do Carmo entre Génesis e um Leo Ferre, depois do Chico Buarque chegarem os Pink Floyd, ou o Jorge Palma ligar com o Astor Piazolla e seguir para Moody Blues. Uma coisa é certa: cria uma surpresa agradável. Olhando melhor notei que chamam ao modo “reprodução aleatória inteligente”. Como nunca sei o que quer dizer inteligente nestes contextos, fico sem saber se é mesmo, mesmo aleatório.