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01 março 2026

Sócrates não tem culpa…

Na medida em que o seu julgamento não chegou ao fim, o Sr. Pinto de Sousa não pode ser considerado formalmente culpado, mas está a fazer tudo para que o processo não se conclua a tempo e, disso, tem certamente culpa.

É impressionante como há gente, com tempo de antena, com coragem e descaramento para afirmar que este rodízio de advogados não é da responsabilidade do réu. A culpa é de o processo ser desproporcionalmente grande e o senhor não tem culpa dos seus advogados entrarem em desacordo com a juíza (!?) ou ficarem doentes.

Como é evidente, com tantos meios e custos envolvidos na sua defesa, com tanta litigância em tantos foros, o senhor não depende certamente de um único causídico, à mercê de uma qualquer corrente de ar. Sócrates só não apresenta oficialmente em tribunal um advogado conhecedor do processo porque não quer. Porque não quer que o processo se conclua a tempo de evitar as prescrições e quem nos tenta convencer do contrário não é honesto…

 

09 janeiro 2026

Segurando o PS


A degradação do nosso regime (não só do nosso, mas por hoje focamo-nos aqui) e a erosão dos partidos tradicionais são, a prazo, um retrocesso e um risco para o sistema democrático em que nos habituamos a viver, em liberdade.

Por muito eco que as propostas extremistas possam ter em gente séria, bem-intencionada e com motivos concretos e válidos para estar desiludida com o “sistema”, é evidente que a sua eventual colocação em prática não irá nada resolver, muito pelo contrário.

Os radicais de esquerda podem invocar bons-sentimentos e projetos de uma humanidade mais justa e generosa, mas a sua implementação sempre falhou, tanto na vertente económica, sem geração de riqueza não há milagres, como no próprio campo que lhes é teoricamente caro, o da liberdade. Os de direita, podem apelar à salvaguarda de valores tradicionais e uma certa ordem e segurança, mas também trazem o risco de uma discriminação injusta e até violenta.  Em ambos os casos, a prazo, não haverá tolerância, segurança e sucesso.

Parece-me claro que o modelo que funciona melhor é o atual e o problema não está nos seus princípios, mas sim nos seus intérpretes. Dentro dos protagonistas recentes que se distinguiram pelas piores razões, está obviamente o PS. Falamos de Sócrates e dos seus órfãos e afilhados, assim como dos coitados por ele “enganados”, que nada viram. Também não há anjos, longe disso, mas o PS leva a medalha de ouro (?!) de longe no campeonato da degradação e descredibilização do nosso sistema.

A candidatura de AJ Seguro às Presidenciais não é certamente um toque mágico que tudo pode resolver, mas o seu sucesso, que sinceramente gostaria de ver acontecer, seria um grande passo na regeneração de um dos partidos fundamentais do nosso regime. Sou eu a ser otimista, mas às vezes é preciso.

06 dezembro 2025

Não sabia, mesmo?


O nome de Afonso Camões pode não ser conhecido de todos, mas quem acompanhou a novela socrática lembra-se dele. Joker (pau para toda a colher) e general prussiano que nunca se amotina (caninamente fiel ao chefe), características especialmente relevantes quando se pede “arranjem-me um emprego”. Para quem na altura nada ouviu, os motores de busca rapidamente podem levar-lhe os detalhes dos fatos em questão.

Quando o nome de Gouveia e Melo se perspectivou como um fácil ganhador das presidenciais, não faltaram “moscas” a aproximarem-se, atraídas pelo aliciante perfume do poder. Faz parte da natureza humana.

Seria função do candidato e/ou de quem o assessoria fazer a filtragem entre os apoios que trazem currículo e os que trazem cadastro (mesmo sem condenação e transito em julgado…). Não parece ter sido muito seletivo. Logo na plateia da sua apresentação se via gente com algum cadastro.

O apoio recentemente anunciado por José Sócrates era dos que inequivocamente traziam “cadastro”. Foi repudiado pelo candidato, mas lançou algum interesse sobre as eventuais presenças de “tralha socrática” naquele navio.  E, surpresa! Entre outros nomes vem essa figura de Afonso Camões, mandatário em Castelo Branco.

Instalada a polémica, o fiel socrático recua, publicando um comunicado, prontamente copiado, “a pedido”, na página oficial do almirante. Imagem acima e disponível aqui. Além de elegâncias linguísticas como referir a “dor de corno” de quem o ataca, o pobre Camões alega estar a ser perseguido por causa de uma escuta ilegal (lá está, foi verdade, mas como não serve para condenar, ele permanece inocente) e de uma ligação de juventude ao antigo primeiro-ministro, E sei que podemo-nos sentir “forever young”, mas, nas minhas contas ele teria mais de 50 anos quando foi apanhado nessa escuta e nessas manobras…

Falta de filtragem inicial, foi distração ou pior, terem feito o favor de copiar um comunicado deste teor na página oficial é amadorismo …. ou pior

19 novembro 2025

Com o senhor Sousa


Pelas práticas habituais na abreviação dos nomes, o senhor devia ser conhecido por José de Sousa, mas, assim como Albuquerque vale mais do que Silva, Sócrates, mesmo em nome próprio, supera de longe o Sousa. Sim, estou a falar de um ex-primeiro ministro que anda há vários anos a destratar e a humilhar a justiça portuguesa, pondo em causa o Estado de direito.

Evoca-se que o nosso código penal é demasiado generoso nas garantias asseguradas aos acusados e que estes com fundos e bons advogados conseguem fazer longas gincanas processuais, fragilizando e destruindo os processos no fundo e nos prazos. Sabemos que um código não se muda num dia, mas quais as iniciativas tomadas, entretanto, para evitar futuras gincanas socráticas? Acha-se que está mal, mas não se avança para corrigir. Falta de capacidade, coragem ou de vontade?

Até que ponto o aparelho judicial faz sempre tudo o necessário para ser eficaz e justo, mesmo com o generoso código existente? Sobre a delirante decisão instrutória de Ivo Rosa nesta operação Marquês, que motivou tanta bondade?

Quando lemos os detalhes da operação Lex e, ainda por cima, vemos um juiz do supremo a ser investigado por um procurador, o tal em tempos nomeado para procurador europeu com um CV adulterado, não ficamos muito tranquilos.

Tudo parece, e o parecer pode ser o que é ou não, existir uma elite que se defende mutuamente à sombra de cartões partidários ou de outra filiação eventualmente mais discreta. Quando este nível não se consegue regenerar e inspirar confiança à população, não sei se virá um ou três sucedâneos de Salazar, mas a prazo uma rutura torna-se inevitável e não será bonito.

12 setembro 2025

Um Escárrio


A nomeação de Vítor Escária para diretor do ISG parece noticia de 1 de abril, dia dos enganos. Certo que ele ainda não foi condenado a nada, mas que cidadão integro e transparente esconde milhares de euros no seu local de trabalho, já não referindo a falta de respeito pelo local específico onde isso ocorreu.

Uma instituição de ensino superior deverá ter superiores exigências quanto à sua reputação e credibilidade, coisa que não está aqui evidente, a menos que o objetivo seja transformar a mesma em Instituto Superior de Gestão do Lóbi, com especialidade em gestão de dinheiro vivo. Será que o Pagamento ao novo diretor também circulará transportado em caixas de vinho. Qual o valor de Vítor Escária? O seu silêncio?

Estou a imaginar uma pergunta de um teste elaborado pelo Doutor Escária no seu domínio de especialidade: “Indique e justifique as situações em que é vantajoso manter dinheiro vivo escondido”. Fico muito curioso em conhecer as eventuais respostas.

Tudo isto cheira tão mal, que até dá vómitos.



Atualizado em 14/9 com o recorte da publicação no "Público". Sendo curiosamente retirada a interrogação quanto ao valor de Vitor Escária estar eventualmente no seu silêncio...!

15 julho 2025

O processo que falta


Dentro deste vergonhoso folhetim da operação Marquês, parece-me faltar um processo, que seria o da família de Carlos Santos Silva contra o próprio.

Alguém “emprestar” centenas de milhares de euros e realizar outras “liberalidades”, com tanta informalidade e ausência de seguranças, a um individuo desempregado, sem ativos relevantes, só pode significar que por demência ou outra incapacidade qualquer ele está irresponsavelmente a desbaratar o seu património.

Para isso existe uma figura legal que se chama, salvo erro, inabilitação e que visa proteger os bens de alguém que declaradamente se mostra incapaz de o fazer. Na minha opinião, e de acordo com a “narrativa” apresentada, estariam reunidas todas as condições para Santos Silva ser inabilitado pela sua própria família.

11 julho 2025

Saber ou não saber


Quando em 2017 Pedro Sanchez se lançou á reconquista do PSOE, efetuou um longo périplo pelo país, no seu automóvel, acompanhado por três figuras próximas: José Luis Ábalos, futuro todo-poderoso ministro do “Fomento”, Santos Cédran homem forte da organização do PSOE e Koldo Garcia, o motorista, e posteriormente assessor de Ábalos.

Para lá de partilharem essa volta à Espanha a promover Sanchez, essas três figuras estão a braços com a justiça, gravemente implicadas num enorme escândalo de corrupção e de outras más práticas, relacionadas com o partido e o governo. Pedro Sanchez diz angelicamente que nada sabia e que para o futuro será mais prudente na escolha dos seus colaboradores próximos.

Por cá temos um ex-primeiro ministro em tribunal e esperemos que o processo seja rápido porque de espetáculos asquerosos já estamos cheios. Está bem que ainda não foi jugado, porque o tem tentado impedir de todas as formas, mas quem cabritos vende e cabras não tem… Além de outras práticas pouco habituais a quem gasta transparentemente o que ganhou decentemente.

No caso português, o problema parece ser apenas com o líder, e todos os seus colaboradores próximos nada viram, nada sabiam. Um mundo de diferença, ou talvez não…

13 fevereiro 2025

Seguro e o partido invisível


O PS é um partido histórico da nossa democracia, por onde muita gente passou ao longo de todo este tempo, uns mais recomendáveis de que outros. Apesar de alguns posicionamentos recentes a alinhar com a esquerda “dura”, é um partido com largo espetro eleitoral. É de estranhar que nas últimas duas décadas nunca tenha conseguido apresentar um candidato presidencial forte e respeitável, que conseguisse agregar uma parte significativa do seu eleitorado.

Para as próximas, António José Seguro reúne todas as condições e não é Augusto Santos Silva que nos irá convencer do contrário. Dificilmente se encontrará no seu percurso político algo que possa ser objeto de rejeição, pelo contrário. Apontem-lhe um defeito de caráter? Poderia ser o tal grande candidato que tem faltado ao PS.

O problema e o pecado de Seguro foi ter associado o PS a certos interesses e a um partido invisível existente na sociedade portuguesa. A ser falso, hoje ninguém daria importância ao que um derrotado tinha estranhamente argumentado uma vez. A ter um fundo de verdade é incómodo para os eleitores de base, que certamente não apreciarão agendas escondidas. Será também desconfortável para as elites relacionadas, que preferirão perfis mais amenos.

Por isso, para alguns, Seguro não “tem perfil”… eu acho que tem

28 janeiro 2024

Brincar com a justiça


Sou certamente parte de um largo número de portugueses que assistiu atónito às decisões e justificações do juiz Ivo Rosa em abril de 2021, quanto ao que fazer com o processo e julgamento de José Sócrates, especialmente pelos critérios para a contagem da prescrição, (des)valorização seletiva de testemunhas e mais outras bizarrices.

Certo que a aplicação das leis tem detalhes e procedimentos que só os iniciados no tema dominam. No entanto, o resultado terá de ser lógico e entendível pelo cidadão comum, sob o risco de passarmos para o domínio da (in)justiça.

Estes dias, soubemos que a Relação anulou e reverteu uma boa parte das decisões desse abril de 2021. Certo, ficamos com a sensação de mais justiça, mas… quase 3 anos perdidos!? Como é possível que umas simples decisões de um simples juiz, possam ter atrasado um processo desta importância por quase 3 anos. É injusto.

Já vimos que José Sócrates não quer ser julgado, mas não devia ser assim tão simples brincar com a justiça portuguesa. Discursos sobre a necessidade de mudar não faltam, mas uma coisa são discursos, outra são ações. Há mesmo vontade de mudar algo?

12 janeiro 2023

Degradação do regime


O que vimos acontecer no passado domingo em Brasília é indiscutivelmente inaceitável num regime democrático. Acho que podemos dizer com segurança que o tempo das revoluções e pronunciamentos é definitivamente passado no Brasil.

Podemos ver semelhanças com o ataque ao Capitólio de 2021, assim como entre Trump e Bolsonaro, apesar de este não ter, pelos menos assumidamente, apelado à sublevação. Também parece haver em comum que as instituições do Brasil foram/serão suficientemente sólidas para controlar a situação e retomar a normalidade.

Há uma diferença importante que, sem desculpar nem relativizar a gravidades dos fatos, convém referir. Lula não é Biden. Biden não chamou genocida a Trump, não tem o passado judiciário do brasileiro, recordando que este, se se “safou”, foi pela forma e não pelo fundo.

Lula foi eleito, democraticamente, dentro da legalidade, tem toda a legitimidade, mas isso não apaga a repulsa que devem sentir muitos brasileiros. Imaginem, num paralelo, que Sócrates se safava judicialmente e voltava ao poder. A reação, e certamente que a solução, não passaria por invadir o Parlamento, mas o respeito pelas instituições não seria o mesmo. Não é tão cedo que o Brasil se irá pacificar, nem a atual responsabilidade é principalmente de Bolsnaro, apesar de todos os seus defeitos. Por muito tempo haverá brasileiros que não reconhecerão Lula como um presidente que merece o cargo. Se isso justifica e desculpa partir assim a louça, é claro que não.

03 fevereiro 2022

Virar da página

A grande surpresa da maioria absoluta do PS nas últimas legislativas e este isolamento do PS nos comandos do país tem aspetos positivos e negativos. O fato de não depender e não precisar de negociar com partidos que advogam modelos retrógrados e falidos é, à partida, benéfico.

Por outro lado, o fato de ter menos contas a prestar é um perigo, que a última maioria absoluta dos mesmos ainda recorda, para quem se quiser recordar. No entanto, tenho dificuldades em identificar uma situação abusiva nos últimos 6 anos em que os seus parceiros tenham eficazmente criticado e travado entusiasmos socialistas. Desde que os rebuçados pedidos fossem distribuídos, os parceiros estavam felizes.

Vamos, portanto, esperar, de pé e atentos, para ver o que este PS sem o lastro da geringonça quer fazer. Gostaria de pensar que ela “desgironçou” de vez. Aquela fantasia da irmandade de esquerda era isso mesmo, uma fantasia. Vamos a ver, mas se começarmos por ver uma “socranete” como Presidente da Assembleia da República, começamos já bastante mal

06 julho 2021

Entre peão, cavalo e rei


Os problemas que Joe Berardo está a encontrar com a justiça, fazem suspirar um “mais vale tarde do que nunca”. Poucos terão simpatia pelo senhor, especialmente depois da arrogância que ele demonstrou.

Ele está a ser questionado, se bem entendo, pelas formas “ardilosas” com que se esquivou a responder pelos empréstimos recebidos. Aqui estará a questão penal. No entanto, esta história, desde a sua génese, é uma crónica de uns calotes anunciados, dentro de um jogo de xadrez onde ele não foi simples peão, também não foi o rei, eventualmente cavalo.

Não vale a pena reenumerar a falta de razoabilidade económica e o risco inaceitável destes empréstimos da CGD, feitos a ele e a outros cavalos, para controlo do BCP. Um empréstimo normal assenta em garantias sólidas e tem subjacente uma rentabilidade que permita o reembolso com juros. É absurdo imaginar as ações do BCP na altura a cumprirem as duas condições.

O que é certo é que este jogo de xadrez custou milhares de milhões de euros ao contribuinte, estupidamente assim queimados, em vez de terem contribuído para financiar criação de riqueza.

Este jogo de xadrez teve um rei, José Sócrates, que não resistiu politicamente ao descalabro; penalmente ainda estamos para ver. De resto, os seus bispos e torres ainda por cá andam em funções e sobre estes desmandos e desastres nada fizeram, nada viram.

Se hoje já podemos ir ao banco, seria bom que o resultado fosse diferente.

14 abril 2021

O Marquês o os ausentes


Uma das verdades proferidas por Ivo Rosa na famosa comunicação de 9/4, foi de que José Sócrates estava a ser acusado de atos, que, mesmo primeiro-ministro, não poderia ter praticado sozinho, por não estarem na sua competência direta. Ou seja, a ter ocorrido, haveria mais gente envolvida. Daí, ter inquirido os próximos do arguido e tomado boa nota das respostas negativas obtidas. Ilibar um presumível criminoso a partir do simples testemunho de potenciais cúmplices é ingenuidade ou outra coisa. Ter valorizado o testemunho de Paulo Campos e desvalorizado o de Luis Campos e Cunha é uma coisa estranha.

Pode a justiça ficar, pelo menos para já, apenas com o branqueamento de capitais, já não é mau de todo. Mas a sobrevivência do regime precisa de mais. Precisa de saber porque e para quê circularem aqueles milhões de euros a montante das entregas de Santos Silva, que tão mal cheiram, e quem direta ou indiretamente esteve envolvido nesse processo. É difícil, mas a alternativa é a podridão.

 Entende-se que os diretamente visados tudo neguem e os restantes envolvidos, por agora não incomodados, façam de mortos, à espera que passe. O que não se entende é que comuns cidadãos, coletivamente lesados, rejubilem por não se conseguir averiguar o que se passou com o seu/nosso dinheiro.

10 abril 2021

Marquês a quente…

 

Ivo Rosa entende que C. Santos Silva corrompeu J. Sócrates com 1,7 milhões de Euros, mas o processo não avança apenas porque prescreveu. Apesar disto, este declara-se mais puro do que a Branca de Neve.

Supostas intervenções imputadas a J. Sócrates, não são tomadas em consideração porque estariam foram do âmbito e da competência individual do Primeiro-Ministro; a acontecer não poderia ter sido ele, apenas… e o testemunho dos seus colaboradores próximos é validado.

 J. Sócrates não terá passado recado a Lula da Silva sobre a PT, já que as datas das cimeiras e os encontros oficiais agendados entre os dois líderes não o teriam permitido. Já ouviram falar em telefones e outros canais e intermediários?

Certamente é e será difícil julgar a corrupção, pelo menos na nossa máquina judicial, mas, apesar de tudo o que foi para já anulado, ficou claro e evidente que foram apanhados!


13 outubro 2020

O dia em que o PS morreu


 

Após o 25 de Abril, o PS tornou-se rápida e claramente o maior partido português. Para lá da empatia e bonomia de Soares, havia um grande desejo de mudança, de progresso e de justiça social, mas em contexto ocidental. Sábia a escolha do povo. Era a vontade de uma coisa assim tipo Suécia, quando o outro partido, que na altura ainda não se chamava social-democrata, para muitos cheirava um pouco à antiga senhora.

Hoje, esse PS está morto e não é questão de lamentar a ausência dos fundadores, não foram santos e limpos como muitos imaginam. E ao executor darei um nome: Sócrates. Se não há virgindade antes do mesmo, a escala deste é outra e a sua herança assusta. Independentemente do resultado do processo que corre na justiça, ele está politicamente acabado, mas tanta trafulhice não é nem pode ter sido obra de um homem só, por mais poderoso que fosse. Houve Sócrates e houve companhia.

E à morte darei um momento. Quando António José Seguro foi saneado pela companhia.

E hoje podemos passar a certidão. As mudanças na Procuradoria Geral da República e no Tribunal de Contas, para lá de coisas de importância formal menor, como Vitor Escaria no gabinete do PM, atestam que a companhia está pujante e bem instalada. Atestam que o se o cancro até pode ter nascido com Sócrates, não morreu com o seu afastamento.

O PS, tal como muitos o viam em 1974, está definitivamente morto e ai, ai os populismos! São uma séria ameaça.

Imagem: versão impressa no Público de hoje.


22 setembro 2018

Quando não basta ser

A não recondução de Joana Marques Vidal como PGR pode ter muita lógica e muitas justificações. A apresentada pela PR da “homenagem à vitalidade da democracia” é algo patética.

Sem questão de fundo formal a impedir a recondução e sem nenhuma razão objetiva decorrente do desempenho de Joana Marques Vidal, esta decisão do governo foi tomada porque lhes apeteceu.

Pode até estar tudo muito certo e o desempenho da nova PGR continuar na linha da atual, mas no momento em que escaldam tantos processos com gente importante e muito próxima dos atuais inquilinos do poder, este apetite pela mudança parece muito, muito mau.

05 maio 2018

Mais vale tarde?


Ao fim de mais de três anos, o PS entendeu e aparentemente assumiu que uma coisa é ser inocente face à lei e outra coisa é ser decente. O padrão de vida de José Sócrates após sair do governo e a forma como se financiava eram, são e serão indecentes. Deixo de lado os restantes casos de polícia que a justiça julgará. Pertencem a outro campeonato que ainda não acabou.

Da mesma forma que saber-se que um ex-ministro recebeu de uma entidade privada uma renda antes, durante e depois de estar em funções via uma offshore, não dá direito a cadeia imediata, mas o mínimo dos mínimos da decência e do respeito pelo país e suas instituições é vir a público confirmar ou desmentir. Permanecer calado pode ser juridicamente correto, mas é indecente.

Fico confuso com uma coisa: o Galamba que agora fala em “vergonha” pela situação é o mesmo que avisou J. Sócrates de que estava a ser investigado? Como neste campo da comunicação este pessoal nunca faz nada por acaso, fico curioso: o que mudou para eles mudarem?

30 julho 2017

Este homem é de esquerda!


A extensão típica destes textos é largamente insuficiente para elencar todas as coisas esquisitas por onde o mundo de Ricardo Salgado viajou. A maior parte das pessoas informadas já terá uma ideia e, se não tiver, uma simples pesquisa permite encontrar matéria mais do que suficiente para passar a ter. Poucas operações polémicas no país foram estranhas ao Sr PDT (Patrão Deles Todos).

Recentemente veio dizer, muito aristocraticamente, como convém a alguém de tal estirpe, que não é por culpa dele que há lesados do G/BES. Ele tinha intenção de pagar… só que a provisão acabou por ir parar a outro buraco. Também teria tido intenção de pagar aqueles 900 milhões extorquidas à PT e que desvalorizaram a empresa, agora tão na mira da classe política, mas por outros motivos, politicamente mais relevantes? Sim, porque para os nossos políticos uns milhares de milhões a mais ou a menos é irrelevante, alguém acabará por pagar; agora a propriedade dos meios de comunicação social é assunto muito mais sensível.

O mais curioso, sem dúvida, é o Sr PDT afirmar (crítica ou elogio?) que nenhum outro governo lhe teria tirado o tapete como fez Pedro Passos Coelho. Se outro governo tivesse aceite lá colocar mais uns mil milhares, seriam mais uns mil milhares evaporados. À luz do maniqueísmo vigente, entre pafiosos e geringonceiros, só posso concluir que Ricardo Espírito Santo, afinal, é um homem de esquerda!

13 setembro 2016

O fundamental e o acessório

Parafraseando uma expressão humorística de um personagem de Herman José, “não havia necessidade” da entrevista que o juiz Carlos Alexandre deu à SIC. No entanto, por inoportuna e infeliz que seja, deveria servir para ser explorada em favor da “narrativa” da perseguição a José Sócrates?

Independentemente do desenlace do processo, da personalidade do juiz e do tempo que demore, todos os portugueses sérios e com alguma vergonha na cara deveriam, no mínimo dos mínimos, guardar distância de um ex-primeiro ministro que, saído do cargo, assume um nível de vida incompatível com os seus rendimentos oficiais conhecidos e com uns circuitos financeiros muito típicos dos do dinheiro sujo.

Não importa qual o partido, não interessa quem é o juiz. José Sócrates é um personagem que envergonha o país e as suas instituições. Não será o único, certamente, no entanto qualquer tipo de defesa tribal ou relativização do escândalo em função de uma entrevista ou do restaurante onde almoça o juiz, é desonestidade e subdesenvolvimento social. Depois venham dizer que a culpa da “austeridade” é toda da troika e dos alemães. Que por cá, tirando uns ranhosos armados em justiceiros, os nossos são todos bons rapazes, a quem o país muito deve.

18 março 2016

Entre a legalidade e a moralidade

A recente nomeação ministerial de Lula da Silva é absurda e vergonhosa. Mesmo estando ele inocente e a motivação do ato fosse genuinamente política, este passo, neste momento, é um descrédito brutal para o governo/sistema politico brasileiro.

A divulgação das escutas comprovativas do espírito real da manobra é provavelmente ilegal e, como princípio, dificilmente aceitável. As fugas de informação seletivas são uma ferramenta de manipulação terrível e não deveriam ser permitidas num Estado de Direito.

Na prática sabemos que a luta pela conquista da opinião pública passa muito pela divulgação dirigida de informação, muitas vezes supostamente confidencial. Neste caso, a publicação das escutas foi fundamental para clarificar, no momento devido, o verdadeiro objetivo da nomeação de Lula. Apetece dizer que o interesse público justificou o atrevimento. Pode-se?

Com alguma analogia, a divulgação das escutas a José Sócrates, do seu padrão de vida em Paris, dos seus reabastecimentos em espécie, foram também muito importantes para o público entender (quem quiser entender) que há ali algo a “cheirar mal”, independentemente do resultado jurídico final (nunca se sabe quando uma vírgula a mais ou a menos anula provas fundamentais).

Os cidadãos precisam de conhecer quem os governa, implicando isso um escrutínio elevado das práticas dos políticos. A divulgação das “imoralidades” relacionadas com o bem público é de interesse público. Respeitando todas as presunções de inocência e a proteção de privacidade deveria ser possível atender legalmente a essa necessidade.