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11 setembro 2025

Recentemente Chegado ?


O senhor acima representado chama-se Eduardo Teixeira e foi durante algumas décadas figura de proa do PSD em Viana do Castelo e no Alto Minho.

Chegou a deputado por esse partido em duas legislaturas (2011 e 2019). Apresentou-se à liderança da Câmara Municipal de Viana por duas vezes, sem conseguir entusiasmar nem convencer o povo.

Em 2024 passou para o Chega, entrando de novo para o Parlamento, para outra bancada, feito que repetiu nas últimas legislativas. Agora vai ser candidato de novo à Câmara de Viana, pelo seu novo partido.

Antes de mais, este e outros apresentarem-se ao eleitorado para 4 anos no Parlamento e escassos meses depois, já estarem de potencial saída para outro “combate” eleitoral, é defraudar os eleitores. Não é caso único, infelizmente…

Depois qual a “mudança” que este senhor se propõe realmente trazer, para lá da cor das bandeiras nas arruadas? Do pouco que o ouvi, não vi nada de novo nem entusiasmante…

25 fevereiro 2019

Não me batam


Sim, não achei graça nenhuma à imagem típica de Cristina Ferreira trajada à vianesa. Para lá dos detalhes de dobrar o lenço para a frente ou para trás, se o ouro é quadrado quando devia ser redondo, descentrado ou simétrico, há ali uma postura “urbana” a visitar o tradicional que me irrita. Como com os trajes “populares” das marchas dos santos “populares” que vejo como uma aproximação ao “povo” leviana, desrespeitosa e não consentida.

Este meu incómodo com o falar do povo não se limita a estas coisas ligeiras de gosto duvidoso. Há poesia, alguma mesmo de enorme qualidade literária, que quando entra em panegíricos idílicos de serras, searas, roupas de linho e réstias de romarias, me provocam um pouco o mesmo efeito. Desculpem lá, não me batam…

Por simples e rude que possa parecer o mundo rural e respetiva cultura tradicional, não deverá ser traduzido como um simpático postal ilustrado engraçado, nem pintado como uma macedónia de coisas basicamante castiças, nem sublimado em sinfonia de perfumes bucólicos. Ele comporta coisas pouco engraçadas, outras chocantes e os odores não são todos agradáveis. Lidar com a rudeza é tarefa bastante delicada…

Agora, aproveito, e não me batam, a todos os que se indignaram com a tal dita figura, olhem por favor, com esses mesmos olhos, para outras coisas que por aí se vêem, a saber, a exemplo, trajes masculinos e música.


Foto DR, JN

12 fevereiro 2019

Ressurreição em Viana do Castelo


Há cerca de cinco anos, José Maria Costa, Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, depositou uma coroa de flores na mesa onde ia ser assinado o contrato de subconcessão dos estaleiros da sua cidade. Segundo ele, estar-se-ia a assistir a um momento fúnebre. É forçoso reconhecer que após anos e anos de gestão pública desastrosa, das quais o Atlântida foi um exemplo muito representativo, os estaleiros estavam em estado de coma, muito mais próximos da morte do que da vida.

Por estes dias, foi lançado ao mar o décimo sexto (16º) barco construído depois desse enterro, terão sido reparados mais de 200 e há 1200 empregos. Independentemente da discussão sobre se o modelo e o processo foram os mais interessantes e conduzidos da forma mais adequada, claramente, se houve morte, os estaleiros a seguir ressuscitaram. Será que José Maria Costa ainda se recorda dessa sua vigília sofrida quando participa nos festejos atuais. Será que já não se recorda ou terá aprendido?

Sobre ressuscitar e aprender, ouço o nosso PM dizer que o Governo está a reavaliar o modelo previsto para as participações do Estado nas indústrias de defesa, que constituem um ativo estratégico. Para lá da dificuldade em ver a real importância estratégica da reduzida indústria existente … é que não aprendem, ou não querem aprender.

Falta de vergonha, pelo menos, essa ressuscita sempre.

07 setembro 2017

Gente do mar


Nasci perto do mar e raramente me afastei dele. Não tão próximo a ponto de lhe sentir o cheiro, mas o suficiente para ouvi-lo durante a noite. Na prática para o não ouvir, dado que só o ouve efetivamente quem a esse ruído de fundo não está habituado. No verão, durante um mês, passava umas dez horas por dia na praia da Aguda. Na altura ainda não havia restrições com os UV’s. Conheci e batizei os seus rochedos, hoje afogados em areia por uma daquelas obras que parecem projetadas por quem ignora o mar.

Apesar desta proximidade, há a gente da terra e a gente do mar. Numa estatística caseira e improvisada recordo muito poucas famílias mistas. Os pescadores e as vareiras eram uma comunidade à parte, vivendo numa linha estreita, donde eles saiam para o mar, para pescar, e elas para a terra, para vender o peixe. Não me recordo de tensões nem de nenhum sentimento de hostilidade, nem sequer de antipatia. À parte umas considerações sobre hábitos higiénicos (sem mais precisão), as pessoas respeitavam-se, mas pertencendo claramente a mundos diferentes.

Lembrei-me de tudo isto ao fotografar a procissão ao mar nas festas de Viana deste ano, donde extraí a foto acima, está um pequeno álbum nesta ligação, dizendo a mim próprio: Gente do mar! :)  

23 abril 2017

Festival de Folclore Internacional do Alto Minho


Foi em 2011 que para mim começou, embora já existisse há muitos anos. Apareci lá com a 50mm quase a estrear e foi talvez a primeira vez que puxei por ela a sério e muito inseguro. O espetáculo foi interrompido pela chuva e quando retomou, com o palco encharcado, foi para exibições atípicas e sossegadas.

No final, a organização pediu-me para partilhar algumas fotografias, coisa que, quando se começa, nunca se sabe bem onde acaba, :) . A partir daí, nunca falhei nenhuma das edições seguintes e a minha aprendizagem fotográfica deve muito ao FFIAM.

Sei agora que o Festival deixará ser o que era, afogado na pequena política que grassa na politiquice em geral. Se é verdade que tudo tem um fim, é de realçar ser por estas tacanhezas, por estes patéticos pequenos poderes que somos e seremos pequenos, não é pelas piadas parvas de um holandês.

Fica-me a satisfação e o gosto de ter dado a foto para a cartaz da última edição e agradecer a quem o fez durante todos estes anos e … a quem me ajudou a fotografar melhor. A vida continua, mais assim ou mais assado.

29 agosto 2016

Folclorite Aguda em Viana do Castelo


As danças, trajes e cantares tradicionais portugueses são ricos, vivos e vistosos. De certa forma isso constituiu uma infelicidade. É sabido que nos tempos do Estado Novo foi feita uma promoção do país e da alegria e riqueza de cá viver, usando e abusando dessa tal espetacularidade, em prejuízo do rigor e do respeito pela verdadeira cultura tradicional.

Posteriormente, principalmente a partir da década de 80, foi feito um esforço de correção de alguns hábitos consagrados pelos grupos folclóricos, anacrónicos quanto à época supostamente representada, que é a dos finais do século XIX, início do século XX, pré-implantação da República. Esses erros incluem a estilização (e mesmo a invenção) de alguns trajes, exposição indecorosa (para a época) de atributos femininos e são particularmente relevantes na área musical, a nível de naipe de instrumentos e na forma como são tocados, com evidente resistência a serem corrigidos.

Recentemente na romaria da Sra Agonia, em Viana do Castelo, terra muito ciosa das suas tradições e preservação das mesmas, vi um grupo, supostamente autentico, deliciar o público com uma versão “folclórica” do “Havemos de ir a Viana”, popularizado por Amália Rodrigues. Está bem que o povo gosta e adotou a música, independentemente da sua origem. Está bem que quando um dia se revisitarem as músicas populares desta época estará lá certamente “os peitos da cabritinha”, mas, no mínimo, com outros trajes… espero.

Há uma fronteira entre o domínio criativo de inspiração popular e o trabalho autêntico de reconstituição de tradições. Essa fronteira pode ser atravessada, mas com sinalização clara e não nesta promiscuidade leviana. Trabalho cultural deve ser sério e não uma palhaçada que não merece o mínimo respeito. O povo merece mais.

26 julho 2016

FFIAM




Se fotografar a sério é com uma focal fixa, foi no Festival de Folclore Internacional do Alto Minho de 2011 que eu usei a minha primeira fixa, 50mm f/1.8, a sério.

O FFIAM é uma parte significativa do meu percurso de aprendizagem. Para este ano escolheram uma foto minha da edição do ano passado para o cartaz do evento.

08 maio 2016

Uma novidade


No (excelente) programa “Visita Guiada” que foi para o ar na RTP2 na passada semana, o tema foi o barroco da igreja da Misericórdia de Viana do Castelo. No final do programa foi explorada a eventual relação entre aquele barroco específico Vianense os trajes tradicionais da região.

As fotos foram minhas, escolhidas da página do Grupo Etnográfico de Areosa. Um momento alto da minha atividade fotográfica e penso que dificilmente superável!

26 agosto 2015

Choveu na festa


Terminaram as festas da Sra da Agonia deste ano em Viana do Castelo, marcadas pela chuva e não só. Uma manifestação popular desta dimensão é e deve ser feita principalmente pelo povo. É absolutamente impossível e irrealista presumir que possa ser organizada da mesma forma como se produz um simples concerto musical. Dentro do orçamento para a sua realização uma parte significativa e largamente maioritária do contributo deve vir das “vontades” do povo, que até são gratuitas.

Parece, no entanto, não ser essa a tendência recente, dado o desenvolvimento de uma tutela pela autarquia, excessiva aos olhos de muitos. Particularmente polémica este ano foi a burocratização do Desfile da Mordomia, talvez o ponto mais alto e mais impressionante do programa, pela obrigatoriedade duma pré-inscrição. Se a preocupação com o rigor nunca deva ser pouca, precisamente por isso uma simples fotografia prévia é fraco garante do mesmo.

Um momento bastante constrangedor foi precisamente o controlo da entrada no referido desfile em que uns seguranças pesadamente trajados (a rigor) exigiam, sem cerimónias, o salvo-conduto às mordomas que se apresentavam na entrada. Recolhiam-no com determinação, como se estivessem a receber os cartões de consumo devidamente carimbados na saída de uma discoteca (que raio de festa…!). Ironicamente, o rigor aqui começava e acabava na simples existência de um papel.

Há certamente um equilíbrio a encontrar entre espontaneidade e organização e numa escala destas não existem soluções sem senão. De uma coisa tenho, no entanto, a certeza: não é por decreto.