Depois das duas corridas anuladas pela guerra no Médio Oriente, que assim encontra algumas dificuldades no seu caminho para ser a nova Meca deste caro desporto, a F1 regressa este fim de semana. Após as três primeiras corridas a polémica é grande quanto à razoabilidade das novas regras de gestão da potência elétrica, que provocam alterações abrutas e perigosos na velocidade das máquinas.
Este cenário recorda-me aqueles filmes de competição em que
há dois carros par a par numa longa reta e o herói tem a inspiração de
encontrar mais uma velocidade e espremer mais o acelerador, afastando-se assim brilhantemente
do vilão. É irrealista porque numa corrida a sério, no meio de uma grande reta
vão todas as mudanças metidas e o acelerador já a fundo, sem reserva. As
ultrapassagens a sério, entre carros de desempenho idêntico são feitas nas
trajetórias e travagens nas aproximações às curvas. Ver os exemplos históricos
acima de Villeneuve x Arnoux em França 1979 e Piquet x Senna na Hungria 1986
(desculpem a qualidade das imagens, não encontrei melhor).
Hoje, parece que estamos numa realidade próxima dos filmes
que eram irrealistas. Com os eletrões a serem libertados quando se quer/pode,
qualquer um ultrapassa qualquer um, como quem limpa o coiso a meninos… Dizem
que estas medidas de facilitar as ultrapassagens ajudam ao “espetáculo”…. A sério?
Recordo-me de outro episódio também histórico e também com
Gilles Villeneuve, desta vez em Espanha 1981. Com um carro mais lento do que a concorrência
e uma capacidade de condução muito acima da média, o canadiano aguentou um
comboio de quatro carros atrás dele durante mais de 60 voltas, sem um único erro
e sem permitir a ultrapassagem. O 5ª terminou a 1,24 segundos do primeiro, tão
compacto era o comboio. Com o regulamento atual nem duas voltas o comboio duraria,
provavelmente nem se formaria sequer. DRS em cima e ops, ninguém fica atrás de
ninguém …
Onde está o espetáculo mais interessante e revelador das
qualidades de pilotagem?

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