Mostrar mensagens com a etiqueta Ridículo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ridículo. Mostrar todas as mensagens

08 maio 2026

A culpa é dos States


Sim, os EUA não são de forma nenhuma um ator angelical e puro na geopolítica mundial. Particularmente o seu atual Presidente deixa muito a desejar quanto a ética e princípios, mas daí a colocá-los na primeira linha das responsabilidades por todas as desgraças do mundo, vai a distância de uma generalização abusiva.

Recentemente vimos uma inacreditável “pérola” desse “desporto” de culpar os EUA de tudo e mais alguma coisa. Judite de Sousa, que por formação e currículo tinha obrigação de saber o que diz e medir as suas palavras, veio afirmar que “O Japão atacou Pearl Harbour porque levou com dois bombas atómicas”. Não está apenas em causa a discrepância cronológica do ataque japonês ter ocorrido em 1941 e os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki em 1945.  O primeiro evento foi um ataque surpresa, sem declaração prévia de guerra, que precipitou a entrada dos EUA na guerra; o segundo foi o momento final que levou à capitulação do Japão.

Penso que nem Donald Trump poderia afirmar tal barbaridade, sendo de realçar que ele não tem formação superior em História, como esta famosa jornalista e comentadora … É absurdo e estúpido demais para ser verdade.

Dir-se-ia que as nossas TVs têm mais espaços de comentários do que comentadores habilitados para os preencher. Que crédito podemos dar a esses palpitadores “todo-o-terreno” que por ali pululam?

09 março 2026

Adeus, Marcelo


Diz o povo que quem muito fala, pouco acerta e esta é uma frase que associei a Marcelo Rebelo de Sousa desde os seus tempos de comentador. As minhas expetativas para o seu desempenho como Presidente da República sempre foram baixas.

Agora, na saída, é curioso visitar a galeria de imagens do seu reinado. Há certamente uma vertente de contacto humano com toda a população e episódios de informalidade, que vão de o PR se querer colocar ao nível do cidadão comum a extremos desconcertantes. Uma grande popularidade e receções entusiastas, inclusive nos Palops.

Agora, e eu passo sempre rapidamente aos “agoras”, a vida não é apenas feita de sorrisos e selfies, pelo menos para quem aspira ou tem por missão ser mais de que figurão em redes sociais. Que guardamos na memória de uma intervenção de MRS profunda e notável? Certo que fez muitos discursos e neles passou mensagens “corretas”, mas…

Mas a imagem que fica é de um MRS mais preocupado com a sua promoção, imagem e correspondente popularidade do que com os verdadeiros interesses do país. Estarei a ser injusto? Talvez, mas da galeria de memórias do seu exercício, guardamos muitas memórias simplesmente visuais e muito pouco de projetos estruturais.

Para não fugir à tradição, a Marcelfie final com o governo é representativa e absurdamente caricata. Parece de uma reunião de antigos alunos que se juntam alegres e animados para a fotografia final do encontro. Muito riso, pouco siso e há momentos em que os sorrisos passam a ridículos. Sobre sorrisos, também me chocou uma visita a um cemitério militar português em França, com Macron e Costa, onde os dois portugueses caminham sorrindo contentinhos, sem o mínimo respeito pelo significado do chão que pisavam.

O que faltou mesmo nas galerias de imagens que vi foi a enigmática (marcelática) visita ao Beco do Chão Salgado em novembro de 2023. O processo e execução dos Távoras foi um episódio sinistro de abuso de poder e injustiça, abominável em várias dimensões. Abordar o assunto e o local sem ser claro e frontal é inaceitável. Enviar recados e insinuações diretas naquele local foi de uma ligeireza e irresponsabilidade institucionais brutais. Talvez a maior memória da falta de conteúdo (sério) que me fica deste senhor vaidoso, manipulador e… algo tonto.

30 dezembro 2025

Se o ridículo matasse, este país estava morto

No boletim de voto das Presidenciais de 2021 constava um senhor chamado Eduardo Nelson da Costa Batista, um candidato fantasma, já que quando o TC chumbou a sua candidatura os boletins de voto já estavam impressos.

Seria previsível que depois de tão ridículo falhanço, tivessem sido tomadas medidas para evitar repetições. Parece que não. Para 2026, as eleições seguintes às de 2021 parece que vamos ter não um, nem dois, mas três candidatos fantasmas nos boletins.

Coisas que acontecem quando a incompetência e impunidade são muitas. E fico por aqui, para não entrar pelos palavrões! Não criem uma cultura de meritocracia no aparelho do Estado, que estamos bem. Tudo funciona da melhor forma possível, dadas as (podres) circunstâncias.

Nota adicional: Aqui, há 5 anos eu esperava ingenuamente que não seria repetível...

17 novembro 2025

Um ativo em 2ª mão


Imaginem que alguém trespassa um stand de venda de automóveis em 2ª mão e diz ao comprador. Têm aí 50 automóveis, que valorizamos a 100 mil euros, mas não sabemos bem o seu estado. Vamos contabilizar a venda a 100 mil euros e se depois os vender por menos, assumimos e pagamos a diferença.

Neste contexto estão a ver o novo proprietário motivado a tentar vender os automóveis pelo melhor preço e obter os 100 mil euros? Claro que não, está pouco preocupado com isso, porque a receita está garantida. Aqui ainda estamos num domínio minimamente honesto.

Se passarmos à desonestidade, então o senhor esperto irá vendê-los a um amigalhaço, ou a si próprio indiretamente, por 20 mil, para depois revender por 80 ou 100, ficando com algum “lucro” no negócio, à custa do inocente que montou este negócio, com todo o risco do lado dele.

Imaginamos agora que não é um simples stand com um stock de automóveis, mas uma instituição financeira com um stock de créditos e de imóveis? Os mesmos riscos estão lá, apenas a escala é diferente. Acrescentemos que o vendedor, o tal que compensa a diferença, é o Estado Português, todos nós?

Será um pouco escandaloso, não? Foi e está a ser o caso da privatização do Novobanco. Estava-se mesmo a ver que isto ia acabar como estamos a ver nas notícias, não?


Atualizado a 30/11/2025 com cópia da publicação no "Público"


28 setembro 2025

Noticias da flotilha


Quatro semanas passadas, sendo duas a duração anunciada da viagem de Barcelona a Gaza, atualizo a informação.

Depois de Barcelona, Barcelona, Menorca, Túnis e Bizerte, Portopalo (sul da Sicila), pararam em Kufounisi (pequena ilha ao sul de Creta). Parece que o “Family” navio almirante, por aí ficou. A flotilha, aparentemente agora liderada pelo Alma Explorer navega para sudeste e não irá para Chipre, como sugeriu o governo italiano.

Quanto à composição da flotilha e dos navios que aparecem a navegar em conjunto, nunca vi mais de 8 a 10 e, nesta altura, com a paragem do Family estarão pelos 8, os da imagem, um pouco longe dos anunciados 50…

21 setembro 2025

Continua a não estar fácil


Três semanas passadas, sendo duas a duração anunciada da viagem de Barcelona a Gaza, e face a alguma falta de informação sobre a evolução da flotilha, tento informar…

Depois de Barcelona, Barcelona, Menorca, Túnis e Bizerte, houve uma estadia no sul da Sicília, em Portopalo. Aparentemente, entretanto, parece que o “Family”  (teoricamente apontado para Barcelona...) zarpou para leste. A última atualização que encontro nos sites habituais, indicam que estará ancorado algures entre a Sicília e Creta.                     

Como simples sugestão minha, poderão ainda ancorar em Creta e a seguir em Chipre, antes que a preciosa ajuda humanitária possa tentar, finalmente, chegar a Gaza…

14 setembro 2025

Não está fácil


Depois de ter saído há 2 semanas de Barcelona, para uma viagem de 2 semanas até Gaza e 2 semanas passadas, o histórico do navio principal da flotilha, “Family”, é: voltou a Barcelona, esteve em Menorca, esteve ao largo de Tunes e agora está há uns dias acostado em Bizerte, conforme mostra o site de seguimento de navios. Na imagem satélite, a zona turística contígua parece simpática.

Esperemos que os mantimentos transportados tenham prazo de validade suficientemente longo…

01 setembro 2025

A flotilha da liberdade e respetivas coerências


Vi na televisão uma reportagem sobre a partida da flotilha de Gaza de Barcelona. Para começar, uma espécie de conferencia de imprensa. Quase todos com o keffiyeh, mas aos ombros apenas, não a envolver a cabeça da forma tradicional, talvez para não evocar Arafat, ou não serem acusados de apropriação cultural, ou talvez apenas porque com aquele calor é mais confortável não embrulhar a cabeça. Ignoro se irão propor essa nova forma de utilização às palestinianas de Gaza. A senhora que fazia de pivot (imagem acima) usava também uns simpáticos calções que serão certamente entusiasticamente adotados no destino.

Falou uma senhora, Ada Colau, em catalão, Barcelona oblige, que aparentemente era entendida e aplaudida…Falou também Mariana Mortágua (com o lenço aos ombros, claro), algo enervada. Ou nervosa... não vá, caso chegue a desembarcar, o Hamas descobrir as suas opções de “género”…

No final umas imagens de Greta Thunberg, já a navegar no navio “Family”, registado na Madeira, e que não me pareceu ser de todo neutro em emissões de CO2. Curiosamente nos sites de seguimento do tráfico marítimo, ele aparece neste momento ainda em Barcelona.

Tudo super coerente !

21 junho 2025

E se Adérito Lopes fosse trolha?

Toda violência é condenável e um ato concreto pode ter atenuantes ou agravantes conforme o contexto e as motivações em causa. Todo o cidadão tem o dever de ser protegido e de obter justiça, independentemente da sua situação social ou outra. Não há castas.

Quanto à recente agressão ao ator Adérito Lopes, parece-me haver claramente uma diferenciação difícil de justificar. Foi um ato condenável, sem a mínima dúvida, mas entre todas as agressões e crimes que infelizmente ocorrem diariamente, porque este teve direito a tanta ressonância? Se Adérito Lopes fosse um trolha a entrar num estaleiro e agredido no mesmo contexto, as reações seriam as mesmas?

Podemos dizer que sendo um ator, ligado à cultura, há um simbolismo especial. Então a agressão a Filipe Araújo, vice-presidente da CM do Porto, foi um ataque ao poder local, a merecer a mobilização solidária de todos os autarcas…?

Outra diferenciação tem a ver com a identificação do agressor. Quando se trata de um membro de uma comunidade eventualmente polémica, como africano, cigano ou imigrante, há um cuidado cirúrgico da comunicação social em omitir esse detalhe, para evitar “generalizações”. Quando se trata da extrema-direita, chega a ser noticiada a simples especulação de “com suspeitas de ligação à…”.

Que fique claro que abomino todo o tipo de iniciativas “musculadas”, independentemente da cor dos atores, mas quando há esta desproporção no tratamento dos casos, estamos perante uma diferenciação da justiça conforme as castas em jogo e, a prazo, acabamos a “beneficiar o infrator”.

01 junho 2025

Ainda o sistema no SNS


Sobre os escândalos com as cobranças abusivas feitas por alguns médicos no SNS, fala-se de problemas e necessidade de correção no “sistema”.

Toda a gente que já lidou com situações em que a pessoa que não consegue responder às necessidades em horário normal é premiada com remuneração majorada em horas extras, sabe que há um risco enorme de ela procurar criar e manter condições para maximizar e aproveitar essa oportunidade. Também qualquer um com simples bom senso sabe que alguém registar os seus créditos sem validação terceira/hierárquica é uma porta escancarada para a falta de escrúpulos.

Para lá das correções necessárias, certamente, no “sistema”, vejo outro problema “sistemático”. As pornográficas folhas de salários desses médicos não foram vistas com ninguém com “olhos de ver”, independentemente do “sistema”? Gerir não é apenas aplicar regras definidas e enquanto elas forem cumpridas está tudo bem. Não! Gerir é estar atento e ter o “radar” ligado para escrutinar o que se passa e o que merece intervenção. A inação com estas situações não se desculpa pelas deficiências do “sistema”. É incompetência ou conivência.

12 dezembro 2024

D Gouveia e Meio – O Almirante Perfeito


Acho que todos já viram aquelas revistas/boletins municipais em que há uma fotografia, pelo menos uma, com o senhor “Prasidente” em todas as páginas, noticiando o que começou a fazer, o que está a fazer, o que acabou de fazer ou o que está a pensar fazer…

Parece que esse vírus atacou para os lados da revista da Armada, cujo último número com o atual Chefe do Estado-Maior é, digamos que muitíssimo, dedicada ao senhor que parece querer ser “Prasidente” desta nossa República.

O cúmulo da descaradez, chegando mesmo ao grotesco, é o bonacheirão almirante aparecer desenhado ao lado do determinado D. João II, que na opinião do mui isento editor da revista, não hesitaria em trocar ideias com o putativo Prasidente, quase um seu espiritual herdeiro. Efetivamente, se o Príncipe Perfeito dispusesse dos atuais drones da nossa marinha, Bartolomeu Dias teria tido muito mais facilidades em dobrar o maldito cabo.

Toda a imagem é de um caricato indescritível.

Quem ficou dobrado e arquivado no meu arquivo de gente de pouca confiança foi quem se ridicularizou desta forma. Enfim, ao menos ficou claro.

21 novembro 2024

Inclusividades

A presidenta foi uma ausenta. Doenta, com febre ardenta. A agenta ficou contenta. Pareces uma estudanta, disse-lhe a tenenta…

E, por respeito a Camões, por aqui ficamos.

Se calhar ainda virá um dia em que se possa dizer que um presidento esteve ausento.

04 junho 2024

Afinal havia outra…

Ao vermos a horrorosa imagem de Luis Camões na moeda comemorativa dos 500 anos, imaginamos que será uma “experiencia” única, sem antecedentes nem subsequentes, tão consensual parece ser o absurdo e o ridículo de tal representação.

Mas não, afinal… havia outra!

No átrio principal do Palácio de São Bento, no nosso mui nobre Parlamento português há uma escultura, do mesmo artista, largamente aparentada com a moeda. Presumo que tenha dado direito a um bom desconto na conceção da segunda “obra de arte”…!

Aqui podem ver uma tentativa de explicação da mesma, mas apenas para quem for mesmo muito intelegentio… 

 

02 junho 2023

E porque não esvaziar-lhes o barco ?

Acho gira a imagem acima que documenta um protesto climático realizado há algumas semanas por uns ativistas no porto de Sines.

É uma imagem plena de significado. O pessoal protesta, mas não dispensa as comodidades. Vamos exigir o fim do petróleo, mas avançamos numa barcaça movida a gasolina… não podiam ter ido num barco a remos…? Com aquele grande motor, poluente, estão mesmo a pedir que alguém vá lá abrir a válvula e esvaziar-lhes o pneumático, como andam por aí a fazer aos SUVs.

Em tudo o que se vê na fotografia, barco, vestes e coletes dos ativistas, muito pouco ou mesmo nada não terá um poço de petróleo na origem. Estrutura do barco – podiam ter usado uma canoa em madeira, construída manualmente. As roupitas podiam ser de algodão biológico (em oposição ao sintético!?), mas não seriam tão quentes nem adequadas ao mergulho posterior. Os coletes, serão de cortiça? E a faixa e a respetiva pintura?            

Fazem-me lembrar aqueles fundamentalistas islâmicos que maldizem e atacam tudo o que é ocidental e infiel, mas, para o fazerem, não se inibem de usar telemóveis, internet, automóveis, aviões… e a lista é infindável.

Comecei por dizer que acho giro, mas não, acho caricato e incoerente e, sobretudo, evidenciador que não é com reivindicações infantis assim que vamos salvar o planeta. 

02 abril 2023

É crime, digo eu


Recordo-me de uma época em que havia edições dos Lusíadas censuradas, nomeadamente quanto ao relato do encontro dos bravos navegadores com as Ninfas da Ilha dos Amores. De facto, passagens como a seguinte podem chocar puritanos zeladores de almas inocentes:

De uma os cabelos de ouro o vento leva

Correndo, e de outra as fraldas delicadas;

Acende-se o desejo, que se ceva

Nas alvas carnes súbito mostradas;

Uma de indústria cai, e já releva,

Com mostras mais macias que indignadas,

Que sobre ela, empecendo, também caia

Quem a seguiu pela arenosa praia.

Entendo que hoje não deve passar pela cabeça de ninguém censurar desta forma a genialidade e a beleza do grande poeta. Isso seria um crime. Não faltam, no entanto, zelotas de outras causas e pudores que já não se limitam a cancelar e a procurar limitar e proibir produções culturais e artísticas “incorretas”. Chegaram ao ponto de “corrigir” obras de outros tempos, em profundo desrespeito pelo público e pelos autores. Coloquem lá uma bolinha vermelha, preta, rosa ou outro sinal qualquer, mas deixam a obra como foi criada. Ou então, escrevam claramente na capa “Edição objeto de censura ideológica”. Caso contrário, é crime, digo eu!

18 julho 2022

O gosto de proibir


Neste espírito de só nos lembrarmos de S. Bárbara quando troveja, também só pensamos na floresta e nas matas quando elas ardem e aí lembramo-nos que é necessário fazer alguma coisa. Dentro dessas coisas e meios, que nunca são os suficientes, podemos lembrar-nos do belo negócio dos helicópteros Kamov, há anos inoperacionais e sem atar nem desatar.

É importante regulamentar as atividades nas áreas florestais quando o risco é elevado, mas o proibir eventos que podem ser bem enquadrados e monitorados, parece mais um fazer para dizer que se fez do que uma significativa redução de risco. Quantas ignições foram registadas em tais contextos? Vamos fechar todos os parques de campismo não urbanos?

Se um dos problemas de fundo é o abandono do interior e respetiva inatividade económica, certo que não serão os festivais de verão que os irão revitalizar estruturalmente, mas retirar de lá os palcos e trazê-los em Lisboa é simbólico qb.

Regras são necessárias, mas não precisam de ser proibições cegas. A menos que os confinamentos e outras restrições decretadas nos últimos tempos tenham desenvolvido o gosto pelo proibir. É sempre fácil proibir; se isso é construtivo, é outra questão.

28 junho 2022

Os meses sem “R”

Dizem que pode ser arriscado comer bivalves nos meses sem “R”. Parece que hoje com a evolução da análise e acompanhamento da toxicidade das águas, já nos podemos deliciar com umas ameijoas à Bulhão Pato em pleno verão sem risco.

Como novo risco temos o bacalhau à Brás, que poderá ter salmonelas se não for bem cuidado. Julgo que os riscos de intoxicação alimentar vão bem para lá deste, mas a novidade é ficarmos também a saber que devemos evitar adoecer nos meses sem “R”, porque, ao contrário do das ameijoas cujo riso está controlado, o nosso SNS descontrola-se nessa época.

Enfim, coisas da natureza e, no caso do SNS, duma natureza organizativa deficiente. O verão é um período diferente, onde a maior parte das pessoas goza férias, onde as organizações que necessitam de manter continuidade para isso se preparam e onde, naturalmente, as rotinas de cada um serão diferentes. Obviamente que se já em situação normal o SNS está deficiente, nesse período é ainda mais complicado. Um cidadão lambda pode afirmar que é melhor não adoecer no verão; agora que quem tem (i)responsabilidade apele à população para não ficar doente nos meses sem “R”, é surreal. Falta aqui algo mais do que os “R”.


13 março 2022

Falta de propriedade intelectual


Anda viva a polémica sobre uma deputada que, enquadrada no Parlamento em regime de exclusividade, teria auferido de uma remuneração pela participação num programa de televisão, incompatível com o respetivo estatuto.

Deixando de lado as excitações com este caso concreto, a cor do pecado e a admissibilidade da inocência por ignorância da lei, há algo de muito curioso aqui. Dar palpites escritos em jornal é compatível, mas verbais na televisão não. Tem lógica? Não!

Aparentemente, a remuneração pela escrita enquadra-se nas remunerações provenientes de propriedade intelectual, objeto de exceção no tal estatuto da exclusividade. Pode-se entender e aceitar que um criador com obra registada e que passe a deputado não tem porque deixar a receber os direitos respetivos, especialmente se essa criação tiver origem no passado. Agora, a remuneração por uma coluna de opinião política, feita e paga no momento, está muito longe desse contexto.

Nós exigimos aos deputados que pensem e quem pensar um mínimo não consegue justificar essa validação, se não e apenas pelo forçar de um buraco na regulamentação, oportunamente cavado em benefício próprio.

Tenham respeito pelo nosso discernimento e, por favor, dêem-se ao respeito. É melhor do que depois chorar o crescimento dos populismos.


16 março 2021

Um novo apartheid


Tempos e países houve onde se separavam as pessoas pela raça, por exemplo, escolas para uns e outras escolas para os outros. Houve quem tivesse sonhado e lutado por um mundo onde direitos e oportunidades não dependeriam da cor da pele; onde essa ideia de dividir seres humanos por uma coisa chamada cor ou raça seria um anacronismo a eliminar.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e vemos hoje polémicas quanto a quem pode ou não traduzir o poema de Amanda Gorman, pronunciado na tomada de posse de Joe Biden. A tradução de um texto literário e especialmente de um (bom) poema, onde há duplos sentidos, imagens evocadas e uma elegância de frases a cumprir, não é como ser um figurante porta-estandarte. Requer um bom conhecimento da língua origem e um excelente domínio da língua destino. A escolha de um tradutor deve ser determinada pela capacidade e mérito e não pela cor da pele ou o género.

Depois do tempo em que se aplaudia quem tinha belos sonhos, passamos a um tempo em que nos querem fazer mergulhar num pesadelo triste e sombrio: o de um apartheid cultural.

03 janeiro 2021

Somos todos Vitinho ?!




O Vitinho passava na televisão a uma hora certa com uma mensagem que dizia às criancinhas: “Está na hora da caminha, vamos lá dormir”. As recorrentes e abrangentes restrições decretadas nestes tempos parecem-me num nível de tratar o povo todo como “Vitinhos”. Em março de 2020, quando a pandemia disparava sem se saber onde iria parar, na surpresa e incerteza generalizadas pode-se aceitar um grandes/incertos males, grandes (tentativas de) remédio.

Hoje, continua a ser necessário regulamentar comportamentos e estabelecer restrições, mas já deveríamos estar num ponto mais afinado e seletivo, menos bruto. Certo para alterações de horários de funcionamento, certo para limitar reuniões, políticas e outras, certo para impor distanciamentos, desinfeções e máscaras, mas … impedir a circulação ou a travessia de fronteiras concelhias é abusivo quanto aos direitos e excessivo quanto aos efeitos. Se, por exemplo, um sábado à tarde me apetecer ir ao Gerês apanhar ar, apenas isto, não estou só por isso a potenciar o alastramento do Covid-19.

Alguém aceitaria ser linearmente proibido de conduzir ao fim de semana para limitar acidentes rodoviários? Há regras elaboradas com esse objetivo, mas não são de cortar o mal e a raiz. Existem vários exemplos de comportamentos individuais irresponsáveis que podem pôr em risco terceiros, mas mal estaríamos se o tratamento fosse a castração sistemática e um polícia em cada esquina! Não, não queremos ser Vitinhos!

Atualizado em 04 01 com imagem da publicação no "Público".