19 abril 2017

Quando o PR for grande


Passando respeitosamente ao lado da tragédia em si, que, apesar da espetacularidade da mesma e da sensibilidade do local, nem é propriamente de dimensão extraordinária, nem sei que diga daquela coisa de PR ter ido a correr para Tires. Será como aqueles que, quando lhes cheira a acidente, se aproximam para verem melhor…? Ou será que o PR gostaria de ter sido bombeiro e assim sublima uma vocação desatendida?

Se amanhã cair um automóvel numa ravina em Cebolais de Cima, provocando 5 mortos, o PR também sai para lá a correr? Ou, o Presidente de todos os portugueses, tem mais sensibilidade pelo que se passa na órbita de KasKais? E, se por acaso, o acidente até tivesse um contexto criminoso, eventualmente terrorista, era sítio para um PR ir a correr espreitar?

Sinceramente, esperemos para ver o que ele será quando um dia for grande.


Foto googleada

18 abril 2017

Coerências e deficiências


Que uma certa esquerda admire e aplauda Cuba, que venere a figura de Fidel Castro, apesar de todos os atropelos à liberdade e outras deficiências do regime, parece-me miopia.

Que uma certa esquerda continue a manifestar alguma compreensão e solidariedade pela desgraça em curso na Venezuela, parece-me cegueira.

Agora, que uma certa esquerda, “tradicional”, continue a apoiar e a reconhecer-se na Rússia dos dias de hoje, isso já me custa muito mais a classificar. É que a Rússia atual, dominada pelos oligarcas, não tem nadinha a ver com aquela coisa do comunismo, bom ou mau, utópico ou pragmático.

Os valores por que se rege o país são claramente mais próximos do capitalismo selvagem do que da ditadura do proletariado e sem o mínimo cheirinho de justiça social ou outra.

Senhores e senhoras, camaradas cunhados naquele molde da cintura industrial, a perfilhar e a apoiar um regime que gera e apadrinha Abramovitchs e afins, com os seus iates de luxo e demais extravagancias milionárias… há aqui qualquer coisa que me escapa!

14 abril 2017

Diferenças


Gostamos muito de dizer mal dos alemães, daqui a 50 séculos ainda os estaremos a estigmatizar pelo nazismo, apesar de eles terem resolvido essa sua herança de uma forma quase exemplar, e invocaremos muitas outras coisas, mais do campo da inveja do que do campo do racional e dos princípios.

Ficamos escandalizados por um holandês, daqueles piorzinhos, que gostaria de ser alemão, mas não o é, vir lembrar que receber ajuda também implica obrigações. O dinheiro que recebemos não foi para mulheres e copos, principalmente. Mas algum foi para os copos lá no sul de Espanha onde muitos dos nossos bravos chavalos não viram nada de especial em termos de estragos, apenas paredes riscadas… o que, aparentemente, é uma coisa perfeitamente normal.

Voltando aos alemães, temos nas notícias destes dias a solidariedade dos adeptos do Mónaco com o ataque ao Borússia e os alemães a abrirem as casas e a oferecerem hospitalidade aos monegascos. Foi bonito e uma bofetada de luva branca aos energúmenos que acham que conseguem mudar o nosso mundo. Neste caso, mudaram para melhor.

Por cá, vimos os adeptos de um clube da minha cidade, com o qual (clube) não me identifico, cantarem qualquer coisa como “Ai quem me dera que o avião da Chapacoense fosse do Benfica”. Coisa pontual e não significativa? Não! Vejam o Canelas, do meu concelho (bolas!) e o seu registo de incivilidade de há largos meses e que só se “descobriu” agora, depois de enviarem um árbitro para o hospital.

Continuemos, portanto, a fazer piadinhas com a Sra Merkel e a insultar o Sr Schauble, os culpados disto tudo, que vamos bem…

07 abril 2017

Assad é bruto, mas…


Assad usou armas químicas contra civis, ultrapassando uma linha vermelha e os EUA decidiram que a coisa não podia ficar impune.

Tão simples assim? Consciente de que o que sei será bastante menos do que o que não sei, não consigo deixar de colocar algumas questões. Assad é bruto, mas não estúpido. Qual a vantagem militar deste suposto ataque? Justificaria o risco, confirmado agora, de escalar a intervenção dos EUA, desequilibrando as forças em seu desfavor? Acharia ele que esta provocação seria ignorada pela nova administração americana, muito mais “pró sunita” do que a anterior?

A intervenção direta da Rússia, desde há uns meses, mudou o sentido da guerra. O enfraquecimento do antes poderoso e sempre ignóbil “Estado Islâmico” é consequência disso. Os sunitas do Golfo e da Turquia apreciariam muito uma participação mais ativa dos EUA e conseguiram-na. Será Assad assim tão estúpido, a ponto de ter dado este enorme tiro no seu próprio pé?

Mesmo sendo estúpido e criminoso, o seu enfraquecimento vai reforçar o “Estado Islâmico” e essa nublosa chamada “oposição síria”, que aplaude a intervenção americana com todas as mãos e pés, e que inclui Al-Qaedas e outros grupos radicais islâmicos, aparentemente financiados pelo Golfo. Eu, no lugar do Diabo, a ter que escolher entre os dois cenários maus, não duvidaria.

Não é muito claro o que será a Síria depois de uma derrota militar de Assad, mas coisa decente nunca será. Exemplos ilustrativos até já os há e aí ainda nem sequer se sabe como normaliza-los minimamente.

PS: E para o Iémen, nada …?

05 abril 2017

E é sempre a primeira vez


Obrigado Rui Veloso e Carlos Tê pelo belo hino a esta “Porto Calle”, que tantos anos depois ainda e sempre nos emociona. Sim, “Porto Calle”, porque separar as duas, só por bacocada política, muito pequenina para a grandeza do local.

Onde praticamente não há palácios, porque de nobre só o atributo no mui claro lema. Preguiçosos, presunçosos e parasitas não são bem-vindos, contas pagas na hora e sem complicações e, mesmo no auge das trevas, a inquisição foi impedida de queimar gente nas ruas.

O milhafre ferido na asa, parece que voltou a voar, mas mais do que as distinções e as classificações e o ser o mais isto ou o mais aquilo, a primazia não está na beleza, que é como os chapéus, há muitas; o fundamental é saber ser livre, como tantas vezes o demonstrou.

04 abril 2017

A banalização do terror


Londres há pouco mais de uma semana e agora Moscovo. Curiosamente, se o luto e a consternação ficam, o choque é menor. É banal… inevitável. E isto tem um aspeto positivo – o valor dos atos destes energúmenos diminui. Da inevitabilidade fica a banalidade da barbaridade.

É tão elevado, digno e pleno de alto significado chacinar pessoas que apenas normalmente apanham um transporte público para ir trabalhar, ganhar o dia!

Sois uma grande merda!!!


Foto Googleada