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01 julho 2017

E ainda o “coiso”…


Não resisti. Pelo que isto representa de “Portugal no seu pior”, pelo “por estas e por outras” é que não saímos da cepa torta.

1)      Para um concurso público desta importância e dimensão, apenas houve uma proposta. Não é normal. Estará relacionado com ter sido definido não apenas funcionalidade, mas também especificada uma tecnologia (Tetra), proprietária de um fornecedor/concorrente (Motorola) e um prazo para entrega de propostas muito curto?

2)      Um governo adjudicou, outro, de cor diferente, readjudicou com redução de preço e de valências. Comprar um veículo utilitário por 50 mil Euros é péssimo negócio; comprar o mesmo por 45 mil é melhor, mas continua a ser mau; comprar em alternativa um “papa-reformas” por 45 mil, é pior a emenda do que o soneto. Porque não se sabe exatamente o que foi alterado tecnicamente na segunda adjudicação?

3)      Em 2005 – 2006 já era claro o lado para o onde o vento soprava, tecnologicamente falando. A tecnologia usada pelas operadoras móveis iria enterrar o Tetra. Hoje isso está mais do que confirmado. Temos e pagamos um sistema frágil, caro e obsoleto.

4)      Das 4 unidades móveis de backup previstas, duas não estavam equipadas, uma tinha sido danificada na visita do Papa, há dois meses, e ainda não estava reparada, e a última estava em revisão na oficina. Isto pode parecer caricato, mas foi antes dramático.

5)      Para suprir a falta das estações móveis, o Estado encomendou agora, a correr, mais duas. É tão bom ter negócios destes. As coisas não funcionam como deviam, o cliente abre os cordões à bolsa e ainda se lucra com isso.

6)      Os donos do coiso dizem que ele “não falhou” e algumas antenas passaram apenas a “modo local”, que parece ser funcionar em “ilha”, sem ligação com o resto do mundo. É esta a performance esperada e necessária de um sistema destes? Vai uma aposta em que, quando a GNR enviou as pessoas para a estrada da morte, o sistema estava em modo arquipélago?

Não coloquei nomes de partidos, porque acredito não existirem diferenças fundamentais entre eles neste campo e parece-me estúpido e desrespeitador das vítimas discutir isto como quem discute penalties e foras de jogo. No entanto, se todos os condutores são azelhas, aquele que vai ao volante no momento do acidente tem responsabilidades acrescidas. Mas está “tudo bem” porque já foi encomendado e realizado um estudo evidenciando que a popularidade do governo não caiu depois disto. Que asco…

27 junho 2017

Ainda o SIRESP


Eu julguei que não ia falar mais do SIRESP tão cedo, mas tornou-se impossível. Deem-me um desconto, já que sou engenheiro de formação e os meus primeiros trabalhos técnicos até tiveram bastante a ver com sistemas onde as comunicações eram críticas.

Este texto começou a germinar hoje de manhã, num tom de ironia. Então, não é que na a cláusula 17 do contrato com o dito é especificado que o SIRESP não tem responsabilidade por falhas em casos de “Força Maior”: tais como: “actos de guerra ou subversão, hostilidades ou invasão, rebelião, terrorismo ou epidemias, raios, explosões, graves inundações, ciclones, tremores de terra e outros cataclismos naturais que directamente afectem as actividades objecto do contrato”. Portanto, um sistema que custou uma pipa de massa, que tem por missão garantir as comunicações em caso de emergência, não tem responsabilidade contratual de funcionar nessas situações?? É um pouco como comprar um guarda-chuva, que não é garantido funcionar em dias de chuva. Isto, no mínimo, é de uma incompetência atroz. No mínimo…

O texto termina agora, ao fim do dia, num tom de absoluta repugnância, face ao comunicado da empresa, publicado no site do governo. Têm o desplante de afirmar que o sistema esteve à altura e não teve interrupções. Provavelmente a altura pedida contratualmente foi alcançada, provavelmente não se plantou a 100% para se poder dizer que falhou… a 100%, mas este comunicado é chamar idiota a uns milhões de portugueses.

Refiro outra vez: “A liberdade consiste, antes de mais, em não mentir. Onde a mentira prolifera a tirania anuncia-se ou perpetua-se.”, Albert Camus.

21 junho 2017

SIRESP


SIRESP é a sigla para “Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal” e, desde há uns bons anos para cá, que, quando vejo noticias sobre o mesmo, há um alarme que me dispara, do género, vamos lá ver o que foi desta…

De facto, o longo tipo de decisão, envolvendo diferentes “maiorias”, o para trás e para a frente, complica e simplifica, adjudica e anula, parecia configurar uma disputa de dentinhos afiados por um saboroso manjar. Um sistema com este nível tecnológico, ter sido contratado a uma tal de “Sociedade Lusa de Negócios”, faz questionar qual o valor acrescentado (retirado?) da mesma e a natureza dos critérios de adjudicação.

Infelizmente, não se trata apenas de uma extravagante fonte cibernética nem de uma autoestrada redundante. Trata-se de um sistema que “TEM” que funcionar com níveis de disponibilidade e fiabilidade elevados, já que disso dependem vidas.

Agora, no caso da tragédia de Pedrogão Grande, ele volta de novo. As pessoas apanhadas na estrada, foram-no 4 horas depois do fogo começar e não estavam numa florestal qualquer. Estava numa das principais estradas nacionais da zona. Aparentemente, nessa altura, as comunicações entre os bombeiros e a GNR não estariam a funcionar, porque o SISREP estava em baixo. As suas antenas tinham ardido…

Ora bem, um sistema de “emergência”, e uma das nossas maiores emergências é desta natureza, incêndios, baseado em antenas no terreno, sem meios/canais alternativos imediatamente operacionais, e onde é preciso esperar que chegue e seja colocada em serviço uma estação móvel, não me parece muito adequado a este tipo de emergências. Eventualmente, mesmo com todas as comunicações operacionais, o resultado na EN236-1 poderia ter sido o mesmo, dada a especificidade das condições climatéricas, mas que a ausência de comunicação não ajudou, pelo contrário, disso não há dúvidas.

Conforme a respetiva simpatia clubística, alguns irão realçar a natureza PSD da SLN e outros o facto de Costa ter sido o ministro que o adjudicou. No entanto, a doença, infelizmente, não tem cor partidária exclusiva.

30 dezembro 2015

Uns mil milhões...

Falarem-me em distâncias entre estrelas com 15 zeros ou 20, para mim é igual. Está muito para lá do que as minhas referências podem comparar. Com os mil milhões de euros também era assim, até há pouco.

No entanto e apenas nesta quadra natalícia vimos o buraco do Banif, aí de uns 2 mil milhões na conta dos contribuintes e uma migração do Novobanco para o BES de outros 2 mil milhões, de dinheiro de investidores que deixou de estar garantido e que passará a ser certamente calote. Curiosamente, os 3 grandes do futebol anunciaram contratos de venda de direitos, tudo somado a ultrapassar também os mil milhões de euros.

Num trabalho recentemente apresentado no “Expresso” estima-se que os calotes na banca portuguesa, as imparidades, basicamente haveres que não se haverá por o devedor não poder pagar, chegarão aos 40 mil milhões. Sendo o PIB nacional de cerca de 170 mil milhões, isto significa que para o equivalente a quase 25% da riqueza gerada anualmente no país, alguém vai ficar arder!

Não há fogo que não escalde. Ou os contribuintes como no BPN e agora no Banif, ou os investidores, grandes e pequenos. Sobre o cenário contribuinte, não vale a pena comentar ou acrescentar o que quer que seja, dado o estado atual das contas públicas e todas as limitações e restrições que este governo lá vai reconhecendo, lentamente (excluindo os funcionários públicos, a página está a virar, mas muito poucochinho). Se são os pequenos investidores, lá os temos a protestar na televisão e a insultar o governo (se calhar alguns até achavam a esmola um pouco grande, mas resolveram não desconfiar). Sendo queimados os grandes credores, como agora no BES retardado, podemos dizer para já ser justo a maldita finança e os asquerosos mercados terem a sua conta (desde que não afete o fundo de pensões de ninguém)?

Para lá dos casos de polícia diretos, há os casos de polícia indiretos como fazer duas autoestradas paralelas, separadas por algumas centenas de metros… que alguém há-de de pagar, ou não. Tanto as vigarices claras e diretas, como as obras inúteis, os brincados caros, o clientelismo e incompetência na administração pública, como… a lista é interminável, tudo isto tem um custo… que não se paga. Obviamente que uma parte da economia real, pouco atendida e em contexto adverso, também colapsou e ajudou ao buraco… não são tudo escândalos financeiros.

Como irá o país em geral e o nosso sistema financeiro em particular digerir estes 25% do PIB mal parados, quando a dívida pública está nos 130% do PIB? Vamos imaginar até que a “Europa” vai ser generosa, que os financiadores institucionais internacionais vão continuar a acreditar na nossa banca, mesmo depois de levarem um calote, e que recomeçamos a zero, com as contas limpas!

Quando vemos a “agenda política” atual, os temas destacados, as polémicas ardentes, fico com a noção clara de não termos aprendido nada. Mesmo com uma improvável prenda de Natal, daqui a uns anos estaremos iguais, se não mudarmos OS VALORES E A CULTURA!

27 dezembro 2015

Sobre salvar os bancos

O Sr. José depositou as suas poupanças no banco, que prometeu devolvê-las passado 6 meses, acrescidas com alguns juros. O banco emprestou o dinheiro ao Sr. António que prometeu devolvê-lo passado 6 meses, com mais uns juros.

Ao fim dos 6 meses, o Sr. António está falido e não consegue devolver o dinheiro ao banco, que assim fica atrapalhado para cumprir o seu compromisso com o Sr. José. Este é um problema sério, porque o capital de um banco é bastante inferior à totalidade dos fundos que movimenta.

Assim, quando um banco é “salvo”, não se trata propriamente de salvar os seus donos, mas sim os “Josés” que não gostariam nada de perder as suas poupanças. Se um banco, como agora o Banif, chega a esse ponto, fundamentalmente uma de três coisas terá ocorrido:

1) Foi fruto da sua atividade “normal”. Ter um cliente que não paga, acontece em qualquer sítio e a situação recessiva atual proporciona muitos “Antónios” falidos.

2) Foi incompetência da gestão do banco, que não teve prudência suficiente na gestão dos seus produtos e clientes

3) Foi algo de doloso, como o exemplo do BPN, em que o banco fez circular dinheiro por um círculo de amigos/influência, sem a mínima preocupação de solvabilidade nem garantias. Lembram-se do senhor Oliveira e Costa a vender e a recomprar ações da SLN, com valorização completamente arbitrária?

Assim, antes de se barafustar histrionicamente contra o “salvar os banqueiros”, à custa dos contribuintes, antes de criticar a inação do governo anterior, a precipitação do atual ou a inépcia da supervisão, eu queria mesmo era saber se foi apenas azar do negócio, incompetência dos gestores ou aldrabice descarada…

A diferença entre os vários cenários é muito grande e é fundamental continuar a haver “Josés” a acreditar e a colocar poupanças nos bancos, para eles emprestarem a “Antónios” (sérios), que assim investem e criam riqueza.

02 maio 2014

Eu não quero os Miró

Não entendo tanto assanho e agitação contra a saída do país da colecção Miró, ex-BPN. Em primeiro lugar é de realçar que a sua compra não foi feita com fundos próprios de alguém. Foi mais uma parcela do saque aos dinheiros públicos que tanto está a custar limpar. Por isso, há alguma justiça em os vender e reembolsar o contribuinte que não foi tido nem achado nem representado na transacção inicial. Depois, qual o significado de ter uma colecção do pintor catalão em Portugal? Algum, mas não muito…

E se o produto dessa venda fosse aplicado a restaurar, conservar e promover património genuinamente português em risco? Culturalmente será muito mais relevante e prioritário ver a nossa herança cultural salvaguardada do que ter aqueles quadros algures numas salas em Lisboa.

17 abril 2014

É mesmo uma teia

Não gosto de embarcar em teorias da conspiração especulativas pouco fundamentadas, mas o caso do BPN e todos os seus “episódios” parece não deixar dúvidas que este descalabro de custo inacreditável para o contribuinte é mesmo fruto de uma conjugação de interesses de alto nível que se protegem mutuamente. É espantoso como foi possível fazer rodar e desaparecer impunemente tanto dinheiro. Não é necessário recordar que entre os tantos que se aproveitaram está o actual Presidente da República, ao ter trocado com Oliveira e Costa uns papeizinhos de valor arbitrário sem fundamento económico. Depois da nacionalização precipitada ainda está por fazer o balanço da recuperação dos activos e dívidas e da reprivatização, mas as expectativas são baixas. Aliás, nem me surpreenderia que os antigos ou os novos donos colocassem uma acção ao Estado Português por qualquer coisa mal cosida no processo e ganhassem.

Aliás, o último episódio tem a ver precisamente com as acções judiciais em curso. Veio a público recentemente que os mesmos advogados representam o Estado no processo de recuperação de activos e também os antigos donos no processo de impugnação das condenações de que foram alvo pelo Banco de Portugal por prestação de contas falsificadas e outras trapalhadas. Para lá do que possa estar formalmente descrito como definição de conflito de interesses, esta é uma situação muito anormal e ainda por cima num caso tão sensível como este. É fácil adivinhar uma enorme promiscuidade, pouco higiénica e potencialmente lesiva de uma das partes. Por acaso, ou sem acaso, as condenações em causa até estão em bom caminho de prescreverem todas. Ora bem, se um mínimo de moralidade e sentido ético deveria levar os responsáveis a assumir o erro, pedir desculpas e corrigir imediatamente, pelo menos nas aparências, aqui não é o caso. Como é que alguém responsável pode argumentar que, sendo o Banco de Portugal uma entidade autónoma do Estado do Português, são assuntos independentes e que o que o seu fornecedor de serviços jurídicos faz em paralelo não lhe diz respeito? Por favor, não insultem a nossa inteligência nem continuem a utilizar o nosso dinheiro assim.

23 outubro 2013

Uma grande incorrecção moral

Ficará certamente para a história o eufemismo de Rui Machete. Ao chamar “incorrecção factual” a uma afirmação que falta à verdade, esta não deixa de ser uma mentira. Cavaco Silva resolveu também dizer que nada tinha tido com o BPN, para lá do depósito de algumas, parcas, poupanças. Ora bem, todos sabemos que teve acções da dona do BPN, que as comprou e revendeu à própria, com um lucro absolutamente injustificado e sem substancia económica que o sustentasse. Uma “esmola” enorme da qual ele, reputado economista, aparentemente, não desconfiou minimamente. Da forma como foram transaccionadas, aquilo não eram acções reflectindo melhor ou pior um valor económico subjacente, eram uns simples vales nos quais o Sr. Oliveira e Costa colocava um valor ao seu livre arbítrio.

Essa prenda oferecida simpaticamente pela SLN/BPN, é uma parcela, pequena em valor mas enorme em significado, do enorme buraco que andamos todos a pagar horrivelmente. Cavaco Silva não demonstra sequer a humildade e o discernimento de assumir: “Aceitei, mas reconheço que algo estava errado no processo!”. Se quisesse ter alguma grandeza, até podia, de alguma forma devolver, esse lucro. Mas não, está tudo correcto e formalmente irrepreensível. E eu fico arrepiado de pensar que se amanhã houver um novo BPN, tudo isto pode acontecer de novo porque não houve nada de errado. Isto é assustador e mau demais para ser verdade!

29 março 2013

Onde acaba um banco?

Com a solução final para o “Chipre” algo de fundamental mudou na visão do que é um banco. Não devem ser os contribuintes a pagarem sempre os buracos e muito concretamente não devem suportar o mau resultado de operações financeiras obscuras e mal sustentadas. Eu até estou de acordo. Quando um processo “tipo Dª Branca” (ou BPN) estoura, não deveria passar pela cabeça de ninguém pedir ao erário público para compensar os “investidores”.

O princípio de expor os investidores ao risco estará muito certo, mas apenas e quando estes possam distinguir claramente à partida se estão a colocar o dinheiro num banco a sério, regulado e tutelado, ou num esquema esquisito. E convém não esquecer que vivemos num mundo de esquemas mirabolantes em que se “cria valor” comprando e vendendo promessas, apostas e previsões, sendo muito fácil chegar a um ponto sem sustentação económica e que facilmente estoura!

Para o mesmo mal bancário, o remedido foi sendo diferente. Quando estourou na Irlanda, o refinanciamento passou pelo Estado que ficou tutelado; quando foi em Espanha os fundos entraram directamente na banca, agora no Chipre parte vem dos próprios depositantes, aparentemente porque há muitos deles pouco recomendáveis. Mas este remedido só é justo se aplicado unicamente aos maus da fita e o critério dos 100 K Eur será muito longe do perfeito.

Para o futuro, o relevante é permitir que os depositantes estejam bem informados de onde estão a investir/colocar as suas poupanças. Aquela “boca” de insinuar que os bancos dos países tutelados podem sofrer ao mesmo tratamento, associando o risco da dívida soberana ao risco do sistema financeiro, é, no mínimo, precipitada. No limite é desonesta e interesseira: “Coloquem as vossas poupanças apenas nos nossos bancos fortes dos nossos países fortes!”. Pensarão estes arrogantes iluminados que a Europa, incluindo a “Europa deles”, sobrevive incólume a tamanhas barbaridades?

E cá fico cheio de curiosidade, tentando imaginar qual será a solução improvisada para quando um dia acontecer um problema análogo no Luxemburgo ou no Liechtenstein!

19 março 2013

Alucinaram !

Nestes tempos tormentosos que a Europa tem vivido, parecia existir um princípio sacrossanto que era a necessidade de garantir a todo o custo a estabilidade e a credibilidade do sistema financeiro, para não condenar a economia. Os bancos são assim um negócio muito especial. Quando ganham o resultado é entregue aos seus accionistas, quando perdem o contribuinte repõe a perda. Este princípio foi usado em má tradução no caso do nosso BPN que, nunca é demais repetir, é apenas um enorme caso de polícia e que enquanto não for cabalmente investigado e julgado será uma mancha indelével para quem foi responsável e deixou acontecer e para quem depois não o conseguiu esclarecer. Voltando à credibilidade do sistema financeiro, o que se propõe fazer no Chipre com os depósitos bancários é uma alucinação! Para lá da legitimidade de este saque, que mais parece saído dos tempos medievais em que os senhores feudais tinham um poder discricionário absoluto sobre os bens dos seus súbditos, que dizer das consequências de tal precedente? Independentemente da forma final e dos montantes que possam ser levantados antes, que irá acontecer no dia seguinte com o restará nos bancos? Não irá ser objecto de levantamento maciço para o caso de um dia alguém se lembrar de uma segunda dose? E os bancos assim esvaziados irão aguentar-se? Será que iremos ver esse dinheiro sacado dos depósitos particulares, regressar posteriormente aos mesmos bancos como capitais públicos!? Alucinaram!!

Vamos supor que esta receita é a correcta e só não foi aplicada antes nos outros países porque só agora se descobriram as suas supostas vantagens e assim não há razão para falar em tratamento desigual por o momento ser diferente… Não! Esta medida só pode ser proposta e eventualmente aplicada a um pequeno país. Nunca um responsável de um país “grande” alguma vez na vida ousaria sequer em falar nela para o seu próprio país, nunca! E isto constitui naturalmente uma diferença de tratamento entre países inaceitável. Por falar em experimentalismos económicos em pequenos países, lembrei-me de uma alucinação anterior, a da alteração na TSU em Portugal.

No fim, será que com esta e outras asneiras irá existir uma crise de confiança no Euro e este vai cair? Espero bem que sim. Há cerca de 3 ou 4 anos que isso já deveria ter acontecido para permitir o relançamento económico. Eu sei que a Alemanha não o quer por estarem mais altos, mas esquecem-se de que estão assentes na mesma placa tectónica!

04 novembro 2012

Refundar

Quando não se sabe o que fazer, baralha-se e torna-se a dar. A palavra “refundação” avançada por Passos Coelhos estes dias soa-me a baralhar. A ideia de convocar o PS para discutir ideias e propostas parece-me positiva. Se este diz e repete que há alternativas, não tem mais que fazer do que se sentar à mesa de trabalho e apresentá-las e discuti-las. É muito mais interessante do que simplesmente o anunciar e repetir em jantares de família, para as respectivas ovações da praxe.

Mas, da mesma forma como a ideia peregrina de Passos Coelho de fazer uma revisão constitucional não servia para nada, também penso que não temos que refundar nada. Apenas fazer bem o que tem que ser feito. A solução não é cortar 5%, 10% ou 20% a todos os funcionários públicos. O problema é não se cortar 100% naquilo que é realmente redundante e, para isso, não é preciso refundar nenhum estado, basta trabalhar a sério sobre o assunto e ter convicção e coragem. Eu não me importo de pagar impostos para uma sua redistribuição séria pela educação, saúde, justiça, segurança e todas essas coisas que devemos ter independentemente do saldo da conta bancária. Agora, não estou disposto é a pagar coisas que custam o dobro do que deveriam custar, não estou disposto a ver o esse dinheiro que ganhei ir parar à Suíça, pagar o escândalo do BPN, as generosas consultadorias dos grandes concursos públicos e por aí fora. Para isso, insisto, não é necessário refundar o Estado, a menos que ele esteja tão podre que não tenha cura. Neste caso também não seriam os protagonistas actuais os adequados a tal missão e isso era uma conclusão muito perigosa.

29 julho 2012

Manifestações e ridícularias

Uma parte do PSD ficou muito contente com a fraca adesão às manifestações “anti-Relvas” e entendeu isso quase como um branqueamento do problema. Eu não estive nessas manifestações mas acho que ele devia sair, como muita gente acha, como ele próprio deveria achar. E, se lhes chamam ridículas, seguramente mais ridículo é chamar “Doutor” a Miguel Relvas.

Quem acha que a dimensão do problema é proporcional à dimensão das manifestações está a ser conivente com esta enorme desfaçatez e a correr um risco. Pensemos nos reformados que após terem trabalhado a sério e descontado para a segurança social durante mais de 40 anos, não conseguem pagar os seus cuidados de saúde e vêm gente que após meia dúzia de meses num cargo público meramente representativo recebem, só por isso, uma pensão 2 ou 3 vezes superior à sua; pensemos em quem não consegue pagar propinas, alojamento e custos do estudo dos seus filhos e vê estes licenciados-expresso a sorrirem cinicamente na televisão afirmando que não cometeram ilegalidade nenhuma; pensemos em gente que entrega a sua casa/lar ao banco por não poder pagar as prestações e lê as notícias dos milhões tresmalhados que por aí andam perdidos de BPN’s e submarinos.

O risco é que um dias essas pessoas não irão pedir a exclusão do fruto podre de um sistema que querem e acreditam poder ser são. Um dia essas pessoas perderão o respeito por todo o sistema com consequências imprevisíveis. Se o PSD e o “sistema” no seu todo continuam a apostar no cinismo destas “inocências formais” iremos chegar a um abismo. Pode ser ingenuidade da minha parte presumir que possa ser diferente, mas que vamos para o abismo, vamos.

17 julho 2012

A Europa acabou ?

Apesar de o Euro ter sido concebido com regras apenas para os dias de Sol, tem manifestado uma capacidade de resistência formidável nestes dias de tormenta. Com tanta trapalhada e diz/desdiz, faz/desfaz dos líderes europeus, é impressionante como a sua cotação permanece em alta. Apenas estão mal os níveis dos juros que se cobram aos elos mais fracos de cada momento. A resposta da Europa tem sido não pelo “princípio”, mas sim pela natureza, dimensão e capacidade reivindicativa daquele que em cada momento está nesse papel de elo mais fraco.

Quando no dia 9 de Junho Rajoy anunciou uma “muita vantajosa linha de crédito” para os seus bancos problemáticos, frisando que não era um resgate e evidenciando uma diferença de tratamento inaceitável para o problema tão idêntico ao da Irlanda, eu pensei que a Europa estava mesmo a acabar. Depois os Eurocratas vieram dizer que não senhor, que a garantia do empréstimo passava pelo Estado Espanhol, ficando célebre a ironia do: “Tu (Rajoy) dizes tomate, eu digo resgate”. Com o resultado futuro dessa operação, apenas anunciada, a colocar o défice público espanhol em níveis pouco saudáveis, os mercados carregaram e os juros da dívida pública de Madrid subiram para valores insustentáveis. Aí os Eurocratas inventaram que afinal poderia sim, ser uma ajuda directa à banca espanhola, sem penalizar as contas públicas do país. No mínimo estranho: por alma de quem, quem põe o dinheiro lá, de que forma e com que garantias? Mais uma coisa “dita e inventada” na última hora de uma cimeira sem se saber como se implementa. De realçar que sendo o objectivo tapar buraco existente, um estrago já feito, estes fundos não irão facilmente gerar valor para o respectivo reembolso. Como resultado, os “mercados” não acalmaram e os juros continuam lá em cima… e agora, que se inventará mais?

Diz-se que a génese do problema da banca espanhola está no rebentar da bolha de especulação imobiliária, daí o paralelo com a Irlanda. Mas não é bem assim. Os bancos espanhóis geridos seriamente como o Santander e o BBVA não estão a arder. O buraco principal está nas “caixas” que “geridas” politicamente à toa com negócios, negociatas, por amigos e afilhados torraram milhões e milhões. Ou seja, é um cenário algo próximo do nosso famigerado BPN, que o povo português está e continuará a pagar estoicamente. Não seria óptimo que o buraco do BPN fosse tapado directamente por fundos europeus de forma indolor para o Estado e o contribuinte português? Entretanto o povo espanhol tem mostrado nos últimos dias que não aceita passar a ser mais pobre. Têm todo o direito de protestar e pelos vistos têm uma capacidade reivindicativa fantástica, mas eu não pago o orgulho deles e se calhar os alemães também não. Com tomate ou com resgate estes espanhóis estão a fazer mais mal à Europa do que os gregos!

07 fevereiro 2012

Nada de novo

Depois de um longo intervalo apetece dizer “nada de novo” em jeito de desculpa. E, realmente, apenas confirmações do que se sabia… vamos por partes.

Cavaco Silva – as limitações eram conhecidas, as expectativas baixas mas agora não sobra nada. Não temos mesmo “Presidente” e por vários efeitos cumulativos – queixar-se da redução das pensões no principio, dizer que não chegam quantificando uma e omitindo a mais elevada (não sabe quanto somam mas sabe que não chegam), recusar o principio básico que a todos é pedido de ajustar o que gasta ao que ganha e referir as poupanças, sabendo que uma boa parte dessas “poupanças” foi a negociata das acções da SLN/BPN que estamos todos a pagar, é dose a mais para uma intervenção só: o homem “morreu”.

Inverno árabe – depois da Primavera de esperança tunisina, do Verão quente líbio e do Outono “democrático” egípcio dos islamistas e salafistas, temos o Inverno sírio. Se no início até se podia acreditar que na base estava um movimento genuíno e popular, a guerra na Líbia mostrou que algo mais havia para além dos cartazes, as eleições provaram que a alternativa democrática é o islamismo, mais ou menos moderado, se é que existe essa variante, e a Síria é o seguinte. Al-jazira, Qatar.. há aqui uma força “externa” que “ajuda à democracia”. O Ocidente entrou a contra-gosto neste comboio na Líbia e agora está num comboio desconfortável e não sabe que fazer… Entretanto, há centenas de sírios mortos por semana mas vítimas são apenas os pobres palestinianos…

Corolário: os mortos no campo de Port Said e o que se seguiu. Se é apenas ódio “tribal” transladado ao futebol é preocupante; se é algo mais e é mais preocupante. A solução é a democracia ?

Europa – Já perdi as contas às cimeiras e às formulações e reformulações dos “fundos”. Senhores: a Europa no seu global está mais pobre e assumam isso. Se, apesar das aldrabices gregas, os lá do Norte continuam a achar que a solução é deixar cair os membros gangrenados estão enganados e vamos definhar todos.

Carnaval, pelos vistos. Pelos vistos a tolerância de ponto é um direito adquirido; pelos vistos a falta de disponibilidade dos funcionários públicos condena as celebrações – há assim tantos funcionários?!; e, pelos vistos, uma dia a mais ou a menos não faz diferença – claro que não, quando há gente excedentária que apenas precisa de acelerar um pouco depois para compensar.

09 dezembro 2011

Uma oportunidade

Todos sabemos que os erros e as falhas são oportunidades para aprender e corrigir e vem isto a propósito da justiça em Portugal. Ao que parece, qualquer processo mediamente complexo e que disponha de meios de defesa suficientes transforma-se facilmente num queijo suíço de tanto buraco que evidencia ou, noutra imagem, é um simples castelo de cartas que qualquer sniper de boa pontaria faz ruir em dois tempos. E podem os casos actuais estarem perdidos. Pode Isaltino Morais continuar a fumar tranquilamente os seus charutos pagos pela conta do seu sobrinho taxista enquanto apela e recorre até onde preciso for; pode Carlos Cruz regressar às câmaras e recuperar o estatuto de vedeta da televisão, pode Dias Loureiro e o restante universo BPN voltarem a ser socialmente frequentáveis e pode até Manuel Godinho pôr uma acção qualquer contra o Estado Português e, quem sabe, ganhar.

Podem estes e outros casos passarem ao lado da justiça mas aproveitem por favor mudar qualquer coisa para nos próximos ser diferente, pode ser? Não que tenha que ser mesmo como naquele país maquiavélico do outro lado do Atlântico em que lida a sentença condenatória o réu é algemado e não vem dar palpites e lançar poeira para os media. Pode não ter que ser assim, mas pode ser muito melhor do que o que é actualmente. Questão de aproveitar a oportunidade para construir algo melhor, mais eficaz e eficiente … e, por favor, não deixem que os futuros snipers sejam os arquitectos do edifício.

19 setembro 2011

Questão de Democracia?

Pedro Passos Coelho disse que a ocultação da dívida na Madeira é grave mas que é o PSD da Madeira e o seu eleitorado quem deve tirar conclusões. Não disse, como a sua antecessora, que a Madeira era um exemplo de um bom governo PSD. No entanto, acho que este problema não pode ser apenas democrático a ser sancionado com o resultado, oxalá negativo, das eleições. Da mesma forma como o resultado das últimas presidenciais não branqueia as suspeitas sobre o benefício indevido que Cavaco Silva terá tido com a SLN/BPN.

Para o eleitorado madeirense, numa perspectiva muita pragmática, esta habilidade de A. João Jardim permitiu trazer para a região mais dinheiro. Serão os princípios de ética e moralidade suficientes para o sancionar como espera Pedro Passos Coelho? Tenho sérias dúvidas.

Tem que haver uma forma clara e expedita de sancionar estas ilegalidades. Se tiverem impacto negativo no eleitorado também não me choca demasiado. A responsabilidade na democracia deve ser a 360º. Duas reflexões finais. O factor tempo é fundamental e se pensarmos que estamos num país que ao fim de uma década ainda não conseguiu colocar na prisão violadores de menores. Do ponto de vista preventivo ou há aqui um problema sistemático de autonomia a mais e/ou fiscalização a menos… ou há outras falhas para lá da original do governo regional.

01 setembro 2011

Os ricos e as taxas

Acabadas as férias nada de especial a anotar. Mesmo ministro cobrador vir anunciar que arranjou mais uma forma de nos meter a mão no bolso não constitui novidade… Ao menos com o Sócrates ainda se enumeravam os PEC … agora já perdemos a conta, é todas as semanas uma nova… já não chega! ?! Como é que se pára isto? Anunciam-se cortes futuros na despesa… e enquanto não se corta, lá se vai cobrando mais de toda a forma e feitio.

Entretanto, os políticos desta desorientada Europa encontraram um chavão populista para animar a malta.” Vamos taxar os ricos!”, que é como que dizia há uns anos: os ricos que paguem a crise. Para já é só anúncio, não sei se concretiza, pelo menos cá em Portugal. Quem tem mais rendimentos (declarados) já paga mais em percentagem e em valor absoluto, naturalmente, mas se é pedido um “esforço adicional”, esse suplemento deve tocar a todos. O argumento de que essas novas taxas podem fazer fugir os capitais… é bem verdade, como também é verdade que aumentar o IRS e reduzir o rendimento disponível pode fazer emigrar gente, subir o IRC pode fazer cancelar investimentos criadores de riqueza e de postos de trabalho e subir o IVA pode proporcionar a organização de excursões a Espanha para encher a despensa, como em tempos se fazia do interior para os hipermercados.

Quanto aos ricos, há ricos e ricos e não me refiro ao nível cultural ou de responsabilidade social. Se alguém colocou tudo o que tinha num projecto arriscado que ao fim de uns anos resultou, que criou postos de trabalho, que desenvolveu conhecimento e que neste momento contribui para o aumento da riqueza do país, não me importo que esteja rico. Agora aqueles que compram acções A ao início da manhã para trocar por B meia hora depois, com a promessa de recomprar à tarde e apostando na expectativa de …. Esses, não são investidores, são especuladores e o enriquecimento por este meio tem que ser travado e taxado. Por falar em acções, ricos e taxar, lembrei-me daqueles papeizinhos a que se chamavam acções da SLN aos quais o Sr Oliveira e Costa atribuía um valor de venda e de compra arbitrário, sem nenhuma sustentação económica subjacente e que enriqueceram muita gente… Esses deviam ser taxados a 100% (é preciso fazer um desenho?).

16 julho 2011

EUA, Portugal e Grécia… e Europa

Teoricamente os EUA estão a um passo de dar um calote aos seus credores e Obama veio a público realçar que os EUA não são a Grécia nem Portugal. E tem razão, independentemente de ser um pouco estranho ele sentir a necessidade de o afirmar assim em público. Acredito que os EUA não terão um hospital público com 45 jardineiros para 4 arbustos como acontece na Grécia e também acredito que lá um BPN não seria pago pelos contribuintes. Descontando esse tipo de diferenças, o fundo é o mesmo: o estado gasta acima das suas receitas e precisa de pedir mais dinheiro emprestado. Convém recordar que se o problema actual é o aumento do limite de endividamento ter que ser aprovado pelos Republicanos e estes estarem em braço de ferro com a administração Obama, a despreocupação com o défice das contas públicas já começou nos bons velhos tempos da administração Bush.

Mas há uma outra diferença, e a principal, entre os EUA e Portugal. É que eles têm nas traseiras da sua administração uma máquina de produzir dólares, que põem a trabalhar à velocidade que entenderem, vendendo essas notas ao resto do mundo sem grandes dificuldades. Essa é a diferença fundamental. Na europa (em minúsculas) temos o Euro e até poderíamos fazer algo parecido, mas a Sra Merkel e afins, preocupados com os eleitores dos seus quintais, continuaram a achar que o problema da Europa é apenas o dos jardineiros gregos e dos BPNs portugueses e insistem que tudo se resolve com disciplina e austeridade. A austeridade e o equilíbrio das contas públicas não são uma opção, são uma necessidade, mas enquanto ficarmos apenas por aí vamos continuar fundamentalmente diferentes dos EUA.

10 janeiro 2011

A estratégia do Coelhinho

Estava calado na toca há uns tempos. Agora que a pressão para a entrada do FMI em Portugal aumenta e começa a cheirar mais forte, ele veio ao terreiro dizer o que pensa e deixar-nos entender o seu itinerário programado (in english road-book).
1. Virá o FMI
2. Isso demonstra a falha do governo do PS (até aqui estou de acordo)
3. Por isso devem ser realizadas novas eleições
4. Que provavelmente o PSD ganhará
5. E o PSD governará com a tutela do FMI
6. As medidas impopulares indispensáveis serão mantidas e até agravadas, mas ficarão na conta do FMI e de quem é responsável pela sua vinda para cá
7. Confortável ?
Pode ser uma posição “confortável” mas não era disso que precisávamos….
E ainda Cavaco e as acções da SLN
Pode não ter sido ilegal, fiscalmente correcto e poderá não ter existido nenhum favor antes ou depois. Agora, Cavaco Silva é economista e querendo ser sério deveria questionar a substância económica do valor das acções. Quando estão em bolsa, terão por vezes comportamentos ilógicos mas é público e livremente transaccionáveis. Neste caso, mais não parecem do que uns meros “vales” para os quais Oliveira e Costa arbitrariamente atribuía um valor, sem substância económica subjacente. Por essas e por outros é que o BPN tem o buraco que tem e que todos vamos pagar. O facto de haver gente importante envolvida terá sido o que determinou não ter tido um tratamento de mera “Dona Branca”?

07 janeiro 2011

Notas de um ano novo

Enfim…
"Enfim" não é uma palavra bonita para começar um ano novo (em minúsculas). Nunca tive tanta falta de pachorra para ver telejornais. Uma (pré)campanha para as presidenciais para a qual só apetece dizer : esperamos bem que pior seja impossível. Um candidato (pré)ganhador que só fica bem calado. E para já continua calado sobre as suas acções da SLN … dizem que comprou 1 e vendeu a 2,4, perfeitamente avalizado por um tal Oliveira e Costa. E um BPN com um buraco de vários mil milhões de euros… como é possível? E sou eu (e nós todos) que temos que pagar? E quando foi o empreiteirozito lá dos apartamentos que faliu e que os deixou “pagos” pelos compradores mas na realidade hipotecados ao seu banco? Como não se chamava Oliveira e Costa, não tinha amigos bons e os compradores não eram importantes, lá tiveram estes que pagar duas vezes o preço.
As situações de crise podem ser mobilizadoras, momentos em que se concentram esforços, em que se foca o fundamental rejeitando o acessório, mas este não parece ser. Só vejo ratos estúpidos, egoístas e pouco sérios que se recusam a salvar o navio e ainda não perceberam que a continuar assim o naufrágio está aí a seguir.
Vamos lá a ver se ganho coragem para continuar a escrever por aqui algo de jeito e de diferente. Neste momento, a vontade de correr os ratos a pontapé sobrepõe-se a tudo o resto.