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04 janeiro 2018

Como todo o mundo é composto de mudança


Nada tenho contra a mudança como conceito em geral, terei uma opinião positiva e negativa quanto a cada mudança em particular e irritam-me as tendências generalizadas de mudança acéfalas e acríticas.

Dentro das mudanças significativas recentes, uma que deixará certamente um antes e depois é a denúncia das situações de assédio sexual. Já abordei o tema antes e o meu aplauso a tudo o que seja limitar e castigar estes abusos. No entanto… no entanto… daí a declarar o Príncipe da Bela Adormecida um predador sexual, como li recentemente, vai uma distância e a ultrapassagem de uma fronteira entre a sensatez e a estupidez.

Por um lado, está-se a ignorar o contexto da fantasia onde as intenções e expetativas estão bem definidas e conhecidas, de ambos os lados. Por outro lado, tentando transpor a situação para uma realidade, que, insisto, não é o caso deste e de outros contos fantásticos (no sentido simples da palavra) e quem os lê sabe bem disso, chamar crime a acordar alguém com um beijo terno… será coisa de quem não sabe nem imagina o que isso é.

O Jorge Palma que se prepare, porque aquele reparo a quem “nunca roubou um beijo” está mesmo a pedi-las. Já deve faltar pouco para ser necessário um termo de aceitação escrito, assinado e reconhecido em notário antes de poder abraçar alguém. Melhor assim do que ao contrário? Sim, mas muito pobres serão aqueles para quem as alternativas se resumem a estes dois tristes cenários extremos.

Acho que qualquer criancinha saberá distinguir o Príncipe em causa de um predador e quem por aí isso teoriza devia receber umas lições de maturidade, nem que seja de uma criança. Invocando a igualdade de direitos e princípios, aproveito para declarar, mesmo sem passar em notário, que se uma princesa me acordar um dia com um beijo, não levarei o assunto a tribunal.

09 dezembro 2011

Uma oportunidade

Todos sabemos que os erros e as falhas são oportunidades para aprender e corrigir e vem isto a propósito da justiça em Portugal. Ao que parece, qualquer processo mediamente complexo e que disponha de meios de defesa suficientes transforma-se facilmente num queijo suíço de tanto buraco que evidencia ou, noutra imagem, é um simples castelo de cartas que qualquer sniper de boa pontaria faz ruir em dois tempos. E podem os casos actuais estarem perdidos. Pode Isaltino Morais continuar a fumar tranquilamente os seus charutos pagos pela conta do seu sobrinho taxista enquanto apela e recorre até onde preciso for; pode Carlos Cruz regressar às câmaras e recuperar o estatuto de vedeta da televisão, pode Dias Loureiro e o restante universo BPN voltarem a ser socialmente frequentáveis e pode até Manuel Godinho pôr uma acção qualquer contra o Estado Português e, quem sabe, ganhar.

Podem estes e outros casos passarem ao lado da justiça mas aproveitem por favor mudar qualquer coisa para nos próximos ser diferente, pode ser? Não que tenha que ser mesmo como naquele país maquiavélico do outro lado do Atlântico em que lida a sentença condenatória o réu é algemado e não vem dar palpites e lançar poeira para os media. Pode não ter que ser assim, mas pode ser muito melhor do que o que é actualmente. Questão de aproveitar a oportunidade para construir algo melhor, mais eficaz e eficiente … e, por favor, não deixem que os futuros snipers sejam os arquitectos do edifício.

21 julho 2011

06 julho 2011

Revolta à vista?

Sem esquecer que a situação de falência a que Portugal chegou foi fundamentalmente consequência de (má) governação nossa, não deixa de merecer alguma reflexão esta questão das agências de notação financeira. Podemos chamar-lhes o que quisermos, até mesmo insultá-las, mas elas “apenas” prestam um serviço a quem tem dinheiro para investir e estes investirão onde e quando quiserem, dando ouvidos a quem bem entenderem.

Eu próprio, se tivesse dinheiro para investir não sei se me sentiria muito confortável em colocá-lo nas mãos do estado Português. E não foi uma figura maior da nossa praça, Silva Lopes, que disse há 3 dias que o empréstimo concedido pela troika era insuficiente e que a prazo a situação de Portugal não seria muito diferente da da Grécia? Depois ainda esperaríamos benevolência por parte das empresas de notação?

O rigor e isenção dessas empresas não estão acima de qualquer suspeita. Sabemos que foram algo permissivas na festa antes da crise, considerando seguras aplicações que eram e foram lixo. Alguém ganhou com isso e alguém perdeu. Cada vez que a dívida soberana de um país é desclassificada, sobem os juros que paga e desvalorizam-se as suas empresas, empobrecendo este no global. Alguém ganha com isso e alguém perde. Não há muito tempo Warren Buffet dizia muito frontalmente que estava em curso uma guerra entre ricos e pobres e que a classe dele, a dos ricos, estava a vencê-la. Está bem, só que há guerras que, ao serem ganhas, deixam o germe da revolta. Muito sinceramente e sem ter nenhuma simpatia ou identificação com as teses anti-capitalistas das esquerdas radicais, acho que alguma coisa vai acontecer um destes dias. Não que no final os pobres venham a ficar menos pobres, mas ao menos terão tido a satisfação e alguma sensação de dignidade em terem mandado àquela parte os ricos arrogantes e gananciosos.

07 janeiro 2011

Notas de um ano novo

Enfim…
"Enfim" não é uma palavra bonita para começar um ano novo (em minúsculas). Nunca tive tanta falta de pachorra para ver telejornais. Uma (pré)campanha para as presidenciais para a qual só apetece dizer : esperamos bem que pior seja impossível. Um candidato (pré)ganhador que só fica bem calado. E para já continua calado sobre as suas acções da SLN … dizem que comprou 1 e vendeu a 2,4, perfeitamente avalizado por um tal Oliveira e Costa. E um BPN com um buraco de vários mil milhões de euros… como é possível? E sou eu (e nós todos) que temos que pagar? E quando foi o empreiteirozito lá dos apartamentos que faliu e que os deixou “pagos” pelos compradores mas na realidade hipotecados ao seu banco? Como não se chamava Oliveira e Costa, não tinha amigos bons e os compradores não eram importantes, lá tiveram estes que pagar duas vezes o preço.
As situações de crise podem ser mobilizadoras, momentos em que se concentram esforços, em que se foca o fundamental rejeitando o acessório, mas este não parece ser. Só vejo ratos estúpidos, egoístas e pouco sérios que se recusam a salvar o navio e ainda não perceberam que a continuar assim o naufrágio está aí a seguir.
Vamos lá a ver se ganho coragem para continuar a escrever por aqui algo de jeito e de diferente. Neste momento, a vontade de correr os ratos a pontapé sobrepõe-se a tudo o resto.

19 abril 2009

Os gafanhotos e o “burro do inglês”



É uma velha história e nem sei o porquê dessa nacionalidade para o protagonista. Um inglês esperto, para poupar, decidiu habituar o seu burro a não comer. Foi-lhe diminuindo a alimentação gradualmente e quando tinha comprovado o sucesso da sua teoria e o burro já estava desabituado de comer, por azar, este morreu!

Lembrei-me desta história ao ler um artigo num dos últimos da “Economist”, que imagem acima publicada ilustrava, sobre o declínio dos “gafanhotos económicos”. Tentando explicar o contexto rapidamente. Ainda não há muito tempo, acreditava-se que os Estados podiam falir e era necessário ter fundos de pensões privados para “garantia” das reformas!!! (e não foi assim há tanto tempo!). Esses fundos bem nutridos pelas poupanças dos muitos crédulos, pela fortuna pessoal de outros, com enormes facilidades de alavancagem financeira e pilotados por “gestores todo-o-terreno” foram comparados às pragas de gafanhotos.

Entravam onde queriam e, friamente, em três tempos, com tratamentos de choque, limpavam as gorduras das empresas ex-públicas ou familiares esclerosadas. Faziam um belo brilharete e revendiam-na, geralmente ao gafanhoto seguinte, com enormes mais valias para grande satisfação dos clientes dos fundos: eram uns craques! O mundo não é a preto e branco e é perigoso generalizar. Algumas intervenções terão sido esclarecidas e com algum enquadramento estratégico sustentável. Mas na maior parte não. Com o objectivo de fazer números bonitos a curto prazo, muitas vezes com a gordura ia também a fêvera, desde que bem paga. Se depois, sem fêvera, a empresa definhasse, isso era irrelevante desde que o efeito surgisse para lá do horizonte temporal da intervenção dos devastadores insectos.

É relativamente fácil descobrir que uma empresa tem um valor de vendas/empregado baixo. É bastante menos evidente concluir que a solução seja simplesmente reduzir o pessoal para acertar o rácio (e até evitei falar em arrogância). Pode conduzir à síndroma do “burro do inglês”. Para criar valor de forma sustentada é necessário conhecer o negócio e ter uma visão que, sem os ignorar, ultrapasse a frieza dos rácios dos balanços e das contas de exploração. Aliás na tempestade actual é fácil entender quem se aguenta melhor. Por isso, pelas dificuldades no mercado financeiro e, porque não, pela quantidade de “burros” que por aí há em cuidados intensivos, os gafanhotos perdem brilho e músculo. Passaremos a ter empresas de sapatos lideradas, será espantoso, por quem entende de… sapatos. Outros problemas aparecerão, mas é um pouco repor alguma justiça neste mundo.

25 abril 2008

Abril

Não gosto de efemérides. E hesitei muito antes de decidir pegar neste tema para o registo de hoje. Mas o 25 de Abril foi mais forte e, mais uma vez, o “Glosa Crua” não resistiu.

Diz o Presidente que os jovens ignoram o que foi esta revolução especial. É um pouco normal. Quem nunca viveu em guerra não dá grande importância ao armistício. O fundamental é que saibam como querem viver hoje e, não sendo manipulados, consigam rejeitar o que foi o “antes”.

Discutir agora os malefícios do verão quente de 75 já perdeu a validade. Na globalidade o 25 de Abril foi um processo quase exemplar e hoje merece a distância e a frieza que a história exige.

Virem os nosso caros políticos, ainda e sempre, aproveitar esta tribuna para pedir contas que só a eles colectivamente incumbem foi triste.

Esperança e fé na mudança, sempre! Mesmo ingénua.

“Grandola, vila morena.... "

16 janeiro 2008

Parabéns a Portugal ?




O desfecho do assunto da localização do novo aeroporto de Lisboa coloca Portugal de parabéns. É extremamente positivo que uma decisão desta relevância tenha sido tomada com uma influência da “sociedade civil” eficaz e admiravelmente integrada e assimilada.

Na opção retida é reconfortante o espaço envolvente disponível. É que um aeroporto não é apenas um sítio aonde as pessoas vão de carro ou de comboio apanhar um avião. Fazendo um paralelo com outro contexto logístico, o do transporte marítimo, hoje um porto é muito mais do que um local de carga e descarga de mercadorias. Viajando entre Antuérpia e Roterdão, encontram-se dezenas de quilómetros de actividades económicas desfrutando da vantagem competitiva de “ter um pé na água”. E, de tal forma, que alguns sectores já dificilmente sobrevivem se não estiverem integrados num porto. A nova fábrica da Renault para veículos de baixo custo que vai para Tanger em Marrocos tinha uma condição inquestionável para a sua localização : Ter um pé na água!

Circulando em volta, por exemplo, do aeroporto de Charles de Gaulle, em Paris, é possível a identificar uma conjunto significativo de empresas ali instaladas de “nariz no ar”. Muito provavelmente veremos em breve toda uma família de actividades que tira vantagens competitivas enormes do facto de estar junto a um grande aeroporto. Por isto, ter em Alcochete esse espaço disponível pode ser muito importante para a criação de riqueza no país.

E, a propósito de promover uma grande infra-estrutura potenciadora do desenvolvimento, voltemos ao campo anterior da água e .... tentemos identificar o que falhou em Sines para não o repetir aqui. Seria catastrófico...!!!

Foto do Airbus A380 extraído do site do fabricante

10 outubro 2007

Causas e Messias



Um dos livros “subversivos” que em tempos idos tive foi o “Diário” de Che Guevara, escrito pelo próprio no último período da sua vida, até poucos dias antes de ser preso e abatido pelo exército boliviano, faz agora 40 anos.

A imagem mais marcante que me ficou desse livro foi a generosidade. Provavelmente que hoje a minha leitura seria diferente, menos inocente. Mas, mais do que essa questão óbvia, talvez valha a pena perguntar o que seria o “Che” hoje e que leitura faria ele, ou um seu “sucessor”, da Cuba actual, ou da Venezuela, ou da Bolívia. Libertadas, é certo, das ditaduras militares da guerra fria mas governadas por “revolucionários” de esquerda, não necessariamente exemplares em termos de respeito pelas liberdades e direitos do homem.

Ter-se-ia tornado o Che um homem do “aparelho”? Penso que não. O seu afastamento de Cuba após a vitória da revolução o indicia.

Seria “Che” um revolucionário em luta contra essas ditaduras populares? E, se o fosse, em nome de quê?

Ou seria puramente um “velhinho” amargurado, vendo a causa pela qual ela tinha estado disposto a dar vida falida?
Ou não teria outra alternativa que não fosse ter morrido como morreu?

Com ingenuidade, claro, nos anos 60 era possível ainda acreditar em causas revolucionárias nobres de alma e ver esta figura quase romântica encarnar como o seu messias.

Qual a causa nobre dos dias de hoje e pela qual haja gente pronta a morrer?
Só estou mesmo a ver o islamismo com Bin Laden como o seu messias ...
Que tempos foleiros estes!

PS: Foto de Alberto Korda

25 abril 2007

É difícil haver outra revolução assim...



Não é muito meu estilo marcar as efemérides, mas esta em particular é bastante especial. Já escrevi em anos anteriores o que significa/significou para mim o 25 de Abril e, nesta fase, isso não muda de forma relevante cada ano que passa. Não vale a pena, por isso, estar a repeti-lo sem haver nada de especial a acrescentar.

Hoje, apeteceu-me somente evocar uma imagem, do filme de Maria de Medeiros, “Capitães de Abril”. A do tanque que, num cruzamento, pára no sinal vermelho. Estava a fazer a revolução mas com cuidado para não provocar um acidente e não magoar ninguém.

Já li, não me recordo onde, que está baseado num episódio real. Mesmo que não o seja, é representativo do espírito do dia.

E é difícil haver outra revolução assim... !

28 fevereiro 2007

Ridicularias

Num daqueles varrimentos do espectro da FM a ver o que por lá há, aterrei numa rádio local de uma dessas terras de vinho verde.

Um locutor com voz meia de banda sonora de filmes dos anos cinquenta, meia de quem descansa de um relato de futebol ia lendo mensagens escritas. E lá vinham as declarações rimadas com procurar, achar, amar e enfim... Sorri com uma ironia a fugir para o desdém de tanta pobreza expressiva e pirosice.

Num segundo tempo, lembrei-me que alguém tinha tido o trabalho de procurar dizer uma coisa bonita ao/à amado/a. Tinha saído foleiro porque talvez não desse mais, mas, como dizia um dos portugueses dos 10 finalistas do concurso dos “Grandes Portugueses”, e este com pleno mérito: todas as cartas de amor são ridículas.

Os grandes poetas escrevem magníficas cartas de amor que são publicadas em livros bonitos e caros; outros escrevem sms foleiros rimados em “ar” que passam na rádio local. Mas, no fundo, no fundo, é a mesma coisa.
Ridículo não é rimar em "ar", mas sim nunca ter rimado...

20 dezembro 2006

E se fosse a refazer...

Está quase a cumprir-se um ano, dia por dia, de um acontecimento que me virou a vida. Foi-me colocada uma questão que tinha duas respostas possíveis. Uma de continuidade, materialmente cómoda e intelectualmente insuportável e outra, complementar, de ruptura. Escolhi a segunda...

Após 3 meses de discussão, negociação e transição, iniciei um período de 6 meses, durante os quais não entrou um único euro na minha conta bancária. Controlei cada cêntimo que saía; cada litro de combustível consumido, cada minuto de telemóvel e cada compra de supermercado. Um custo que nunca questionei foi a assinatura ADSL que me permitiu comunicar, ler o mundo e publicar estas Glosas. Aperfeiçoei a culinária. Escrevi, li e aprendi coisas em atraso, mas sem nunca ficar em dia. Um dia por semana viajei a cantos e esquinas, enriquecendo o meu mapa mental de caminhos e a minha biblioteca fotográfica. Tive tempo inesgotável e disciplina para o usar. Semana após semana, mantive o ritmo dos contactos, reforçando os já feitos, acrescentando outro canal ou inventando outra iniciativa. Vivi uma Primavera de floração incerta com uma ponta de ansiedade e alguma insegurança mas sempre provando cada dia.

No último mês e pico, em que já tinha data para a retoma do fluxo dos euros, comprei a Transalp. Uma excentricidade em jeito de compensação das restrições anteriores. Nesse período, entre Minho, Gerês e Douro, foram 3500 km’s de cores, ventos, calores e cheiros. E foram também uns polegares quase abertos de acelerar e travar os 53 cv.

O ano completa-se por 3 meses baseado no outro lado do Mediterrâneo de gentes e costumes tão diferentes e tão próximos. E, claramente, enriquecedor. E, como dizia o poeta, “E se fosse a refazer, eu refaria esse caminho!”.

01 setembro 2006

Eu tive um sonho

Ao ouvir as catastróficas notícias sobre a possível exclusão das nossas equipas e selecção das competições internacionais, sonhei que teríamos um verdadeiro colapso no nosso futebol profissional.

Que se zangavam todas comadres e que se descobriam todas as verdades. E de tal forma que não se conseguia disfarçar mais e que estourava mesmo.

Que acabava essa “economia” que não gera nada de bom. E não estou a pensar nas vedetas milionárias. Preocupam-me mais os miúdos que têm jeito para dar uns toques na bola. E que, por meia dúzia de toques, por meia dúzia de anos, recebem meia dúzia de tostões fáceis e descuram o investimento pessoal em algo mais sustentável. Sem dinheiro não há vícios e sem dinheiro de origem fácil muito menos.

Sonhei que os recursos e as energias eram dirigidos para desportos, mesmo desportivos, de praticar e não de assistir. Que, por exemplo, a Câmara de V.N. de Gaia tomava a atitude revolucionária de, em vez de financiar centros de estágio para vedetas, promover a prática de desportos “caros” como o atletismo em todas as suas freguesias.

Seria bonito.