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21 novembro 2025

Traz-traz, pum ! (vers 3.0)


Num passado em que havia válvulas encaixadas nos circuitos eletrónicos, uma forma de resolver pequenos problemas era dar duas pancadas simultâneas nas laterais, seguidas de uma pantufada no topo.

Com a passagem ao estado sólido, os maus contactos passaram a ser a nível lógico e aí o remédio generalista era desligar, esperar alguns segundos para descarregarem os condensadores e a seguir ligar de novo. Esta receita vers 2.0 tem uma taxa de sucesso assinalável!

Tenho em casa duas colunas da marca Audipro, que se emparelham por wifi. Recentemente o televisor de 16 anos entregou a alma ao criador (japonês), substituído por um sul-coreano e, ao mesmo tempo, também mudei de fornecedor de internet e de router, o que foi stress a mais para o sistema. As colunas ligam-se, emparelham-se, mas a reprodução na secundária é aleatória e fica muda frequentemente.

Contactei o fabricante, indicando nrs de série, esperando que a solução fosse uma atualização de software. Em primeiro lugar, não me queriam responder, por eu não ter guardado os talões de compra, mas mudaram de opinião quando pedi para registarem a minha reclamação no seu sistema de qualidade (costuma funcionar).

Depois de trocadas algumas banalidades, recebi as instruções seguintes:

Tente acionar o interruptor na parte traseira de ambas as colunas durante um período prolongado, desligando e ligando, desligando e ligando, várias vezes.

Se algo ficou "preso", o problema será resolvido após este processo.

Confesso que fiquei muito surpreendido. Ignorava que isto se tratava como um entupimento de canalizações em que se tenta várias vezes, insistindo até a coisa fluir! 😊

31 janeiro 2025

Deep "Sick"


Esta semana passou um furacão nos meios e empresas tecnológicas com a chegada da ferramenta de inteligência artificial chinesa, Deep Seek, mais barata e tão ou mais eficaz do que as congéneres americanas estabelecidas.

Quanto a eficácia, ela será um pouco questionável quanto a temas como “Tiananmen”, devendo-nos isto fazer refletir sobre os créditos que devemos dar à isenção destas máquinas sabichonas em geral.

Quanto a custos, sabemos que tudo o que vem da China é barato, nem se sabendo por vezes as razões de fundo da competitividade. De recordar que a Europa, ferida na indústria automóvel, quer travar o que nesse campo de lá chega, por supostas ajudas públicas ao setor.

Por último, mas não menos importante, estas ferramentas precisam de enormes infraestruturas tecnológicas e bons algoritmos, mas, sobretudo, de informação em quantidade brutal. Como uma simples “start-up” caída das nuvens conseguiu criar e ter acesso a essa biblioteca de dados colossal? Sabendo que ela depois se autoalimenta com os dados que lhes são colocados para analisar e rever, terão consciência os utilizadores que estão a engordar uma enorme base de dados chinesa?

Recordando as dúvidas e entraves colocados à utilização de equipamentos de telecomunicação chineses nas nossas redes, será que embarcar nesta IA “barata” não será potencialmente muito mais grave?

05 dezembro 2024

App 112


Tem sido notícia os atrasos no atendimento às chamadas de emergência e parece que um dos fatores que faz demorar a gestão das mesmas é a indicação do local da ocorrência.

Felizmente não tenho muita experiência direta nestes casos, mas, até numa chamada para a assistência em viagem, sabemos que pode não ser muito imediata e rigorosa a passagem dessa informação, especialmente quando não se está em local urbano.

Curiosamente, enquanto se pode estar a perder um tempo precioso a explicar a localização, o Mister Google e outros que tais estão “carecas” de saber rigorosamente onde estamos e mesmo mais…

Seria difícil ter uma aplicação para as comunicações de emergência que diretamente passasse a localização? Certo, não funcionaria para chamadas da rede fixa e para quem quisesse manter alguma privacidade. Mas, certamente, para uma grande percentagem de casos seria uma grande ajuda em termos de rapidez e eficácia e precisamente nos momentos em que cada segundo conta.

25 março 2019

Quando o software faz tudo


Uma das primeiras coisas que aprendi nos primórdios dos meus tempos de programação foi que num sistema complexo há duas classes de erros. Os conhecidos que se manifestaram e os escondidos que por lá estão e continuarão até um dia se mostrarem. Nunca há certeza absoluta da ausência de “bugs”, por mais testes que se realizem. Obviamente que quanto mais testes, menor a probabilidade. Muitas vezes, o problema nem residirá na implementação da lógica básica, que pode estar certíssima, mas sim na falta de previsão de situações de exceção e de proteção contra inputs incoerentes.

Se estiver em causa um programa que conduz vidas, seja, por exemplo, num automóvel autónomo ou num avião, este princípio assusta um pouco. Se pensarmos nas funções automáticas de proteção, que são supostas evitar estragos e atuar de forma bastante autoritária…

Num voo de teste do Airbus A320, o primeiro avião comercial pilotado “by-wire”, sem ligação mecânica entre os comandos e os lemes, ele despenhou-se tranquilamente numa floresta, naturalmente contra a vontade dos pilotos. O sistema de controlo entendeu que ganhar altitude naquelas circunstâncias seria estruturalmente perigoso para o aparelho e “protegeu-o”, mandando-o ceifar pinheiros. Felizmente na fase de testes.

A recente bronca com os Boeing 737 MAX é apenas mais um problema de um bug não detetado a tempo? Dira que não…

A otimização do consumo de combustível levou à utilização de motores de grande diâmetro, incompatíveis com a posição original dos mesmos na estrutura do velho modelo. O aparelho ficou potencialmente instável, com tendência a “empinar”, podendo entrar em perda. O problema foi corrigido/protegido por… software, que, detetando essa tendência, o aponta para baixo, a fim de não perder sustentação. Tão drástica atuação baseia-se na informação de um único sensor de ângulo. No avião existem dois, mas esta função só lia um, sendo a monitorização dos mesmos e a sinalização de eventuais incoerências uma opção de compra, não incluída na configuração básica do avião. Para ajudar um pouco mais, a Boeing não publicitou essa particularidade, desconhecida dos pilotos, que, ao verem o avião a apontar para baixo sem razão aparente, não tinham nenhuma ideia do que se estava a passar, nem do que fazer para corrigir…

Para lá da ligeireza evidente deste contexto, duas questões de princípio minhas, que pouco entendo, face a estes acidentes tão estúpidos. Como não é possível em circunstâncias tão dramáticas retirar os automatismos e deixar os pilotos pilotarem, se é que ainda o sabem? Entre o automatismo achar que o aparelho está em risco de entrar em perda e os pilotos o verem a picar para o solo, quem deve prevalecer?

Como é possível que, conhecendo o avião a altitude a que está, aceite o mergulho, mesmo supostamente protegendo-o da perda, atirando-o para o chão? Vais cair, ok, mas ao menos estatelas-te a voar como deve ser, não em perda!

Na minha ignorância, parece-me que houve por aqui uns enxertos mal-amanhados e que a culpa não é só nem principalmente do software.


Foto do site da Boeing

25 maio 2018

Tenham medo


- Isto é uma chatice. Receber emails de divulgação por tudo e por nada, alguns até de entidades que mal conhecemos. Não deveria ser permitido enviar assim, sem minha autorização.

- Isto é uma chatice. Receber assim emails a pedir-me autorização para utilizarem os meus dados e poderem enviar-me emails de divulgação.

- Então…? Então lá com os algoritmos e o caraças eles deviam já saber distinguir automaticamente o que quero receber e o que não quero! Isso é que era, sem chatices.

A questão não está no algoritmo. Está em que se/quando eles souberem tanto sobre cada um para poderem fazer essa distinção, sem chatices, tenham medo, muito medo…

27 junho 2017

Ainda o SIRESP


Eu julguei que não ia falar mais do SIRESP tão cedo, mas tornou-se impossível. Deem-me um desconto, já que sou engenheiro de formação e os meus primeiros trabalhos técnicos até tiveram bastante a ver com sistemas onde as comunicações eram críticas.

Este texto começou a germinar hoje de manhã, num tom de ironia. Então, não é que na a cláusula 17 do contrato com o dito é especificado que o SIRESP não tem responsabilidade por falhas em casos de “Força Maior”: tais como: “actos de guerra ou subversão, hostilidades ou invasão, rebelião, terrorismo ou epidemias, raios, explosões, graves inundações, ciclones, tremores de terra e outros cataclismos naturais que directamente afectem as actividades objecto do contrato”. Portanto, um sistema que custou uma pipa de massa, que tem por missão garantir as comunicações em caso de emergência, não tem responsabilidade contratual de funcionar nessas situações?? É um pouco como comprar um guarda-chuva, que não é garantido funcionar em dias de chuva. Isto, no mínimo, é de uma incompetência atroz. No mínimo…

O texto termina agora, ao fim do dia, num tom de absoluta repugnância, face ao comunicado da empresa, publicado no site do governo. Têm o desplante de afirmar que o sistema esteve à altura e não teve interrupções. Provavelmente a altura pedida contratualmente foi alcançada, provavelmente não se plantou a 100% para se poder dizer que falhou… a 100%, mas este comunicado é chamar idiota a uns milhões de portugueses.

Refiro outra vez: “A liberdade consiste, antes de mais, em não mentir. Onde a mentira prolifera a tirania anuncia-se ou perpetua-se.”, Albert Camus.

06 dezembro 2016

Reduz as necessidades?


Os dias de reparação de uma avaria colocaram-me nas mãos um modelo de telemóvel duas gerações atrás do atual. Esta marca tem a facilidade de conseguirmos replicar a configuração de um aparelho e assim o substituto ficou quase igual ao original.

Dentro do quase que não era igual, estava o tamanho até para melhor, mais tamanho de telemóvel. A seguir, a velocidade, incrivelmente mais lenta. Quando o anterior seguia os meus toques a toque de caixa sem protestar, para este não valia a pena dar muitos toques seguidos, era um de cada vez e vamos com calma.

Ora bem, esta limitação tem algo de didático. Será que eu precisava mesmo de dar os outros toques seguidos e andar para trás e para a frente, tantas vezes sem acertar à primeira com o que realmente queria fazer? No caso do substituto diminuído, eu era obrigado a pensar mesmo no que queria fazer e a tentar ir direto ao objetivo, já que o andar para trás e para a frente era penoso.

Aos poucos ou aos muitos, perdemos a noção da limitação das capacidades neste campo dos bits e dos bytes, que agora até já só se medem dos giga para cima. Desdobramos e replicamos informação, sem conta nem medida. A facilidade de clique e desclique, para a frente e para trás, vista ao longe, sem som nem legendas, faz-nos parecer baratas tontas. Por um lado é ótimo não sentir limitações, por outro lado não o gerir é mau. Quando precisarmos, provavelmente não saberemos.

“Reduz as necessidades, se queres passar bem”. Jorge Palma

31 maio 2016

O preço dos bolinhos

Imaginem entrar num centro comercial onde todos os comerciantes sabem o histórico das vossas compras, as lojas onde entraram, os produtos em que tocaram, os livros que folhearam, as roupas que experimentaram e tudo, tudo, tudo...

Por um lado, tem algo de útil. Permite a cada vendedor ajustar a sua oferta às preferências do cliente. Mas será que gostaríamos de ser assim um livro aberto? E se essa informação tiver sido recolhida pelo pessoal do sistema de vigilância, que depois a vendou às lojas?

É mais ou menos isto que ocorre com a nossa navegação na internet. A maioria (todos?) os sites que visitamos deixam no nosso PC um registo – o cookie. Dá jeito, por exemplo, para não precisarmos de reintroduzir os nossos dados de todas as vezes que lá voltamos. Mas os bolinhos também registam por onde andamos e depois reportam-no ao seu mestre. Não é por acaso que após consultarmos informação sobre um dado produto, nos aparece de seguida publicidade a esse mesmo produto noutras páginas, não relacionadas.

Recentemente o Facebook anunciou que vai passar a “seguir” mesmo quem não tenha conta na rede social. Sempre no espírito altruísta de nos “ajudar a termos uma melhor experiência””. Lá clicamos pois naquele irritante botãozinho onde “aceitamos os bolinhos” e alguém irá poder faturar um pouco mais aos seus anunciantes. Não há bolinhos grátis e a informação sobre a nossa vida e opções é cada vez mais uma mercadoria transacionável, mesmo sem o sabermos.

26 maio 2016

Nomadismo laboral


Um destes dias, em Kenitra, Marrocos, depois de concluída a reunião do início da manhã e comprado o bilhete do comboio para Tanger das 11h25, sentei-me numa esplanada ao lado da estação. Abri o computador, liguei-me à internet, respondi às mensagens pendentes, fiz o relatório da reunião da manhã, acompanhei a evolução de umas encomendas e até fiz um desvio pessoal pelo banco.

Entretanto, o transito passava na rua à minha frente, dois engraxadores vieram oferecer os seus serviços e eu continuei, pouco menos do que imperturbável a bater nas teclas. Curiosamente, era o meu 6º local de trabalho improvisado em 24 horas e já sem contar as consultas apressadas ao telemóvel, com um olho a ler e outro a espreitar o próximo obstáculo do caminho. No início da manhã anterior tinha aberto praça na sala de espera de Campanhã, a seguir no comboio Porto – Lisboa, depois num cantinho estratégico do aeroporto de Lisboa que tem uma tomada elétrica ao lado, depois no comboio Casablanca – Kenitra e finalmente no hotel. Desses 6 locais, 5 eram públicos.

Numa reflexão, ao assistir ao à vontade com que abri o PC e me instalei na esplanada, questionei-me. Se estivesse a fazer isto no meu local de trabalho fixo, trabalharia de forma muito diferente? Tirando um certo stress de controlar o relógio para não perder o comboio, a resposta, curiosamente, é: não. Não seria muito diferente. Sem chegar ao ponto de dizer que ficaria perturbado com a tranquilidade, embora, no futuro, quem sabe…

PS. E logo a seguir voltei a montar tenda no comboio Kenitra – Tanger.
E o monitor está escurecido para poupar a bateria...

23 maio 2016

A Uber atenta ao nível


Leio que a aplicação Uber tem acesso ao nível de carga da bateria do nosso telemóvel. Até já “descobriram” que quando a bateria está curta o utilizador está disponível para pagar mais pela viagem. Dizem não estar previsto utilizarem essa informação para as suas tarifas dinâmicas, onde é suposto adaptarem os preços ao nível da procura.

Essa flexibilidade de mercado já provocou uma certa polémica há uns tempos, quando num cenário de toma de reféns em Sidney, em Dezembro de 2014, a procura que o pânico gerou fez disparar os preços.

Eles dizem não preverem utilizar essa informação para dinamizar a tarifa, mas porque raio andam eles a cuscar no que não queremos?!

Tudo o que sabem sobre nós, que ignoramos, irá acabar por nos sair caro… é um palpite meu.

06 janeiro 2016

Já não sou seguido…!?

Na sequência das minhas reflexões e interrogações anteriores, lá fui investigar a origem do delito. Tratava-se da aplicação “maps” do iphone, que eu nem sequer escolhi nem descarreguei, vem no pacote, e que passou a comportar-se assim após uma atualização do sistema operativo.

No lado positivo desta sociedade da informação está a facilidade com que nos podemos informar e rapidamente descobri alguém a dar a receita de como desativar a brincadeira. Depois de descer uns 3 ou 4 níveis de menus, lá encontrei o local onde estavam registados os meus locais frequentes. Uma dúzia deles, onde durmo, onde trabalho, hotéis frequentes, onde almoço, mesmo a cantina afastada cerca de 200 m do gabinete estava tratada separadamente, onde faço compras…. Tudo com data e hora de entrada e de saída!

Aparentemente anulei esta “ajuda”, dado que ele já não se manifesta quando o carro arranca, mas… estará mesmo limpo? Certeza não tenho e nunca irei ter.

Nos primeiros tempos da internet, havia uma opção em que se podia navegar sem o site gravar na nossa máquina o que tínhamos lá feito, gerando os tais “cookies”. Hoje navegar com a opção de bloquear todos os “cookies” é quase impossível e, verdade seja dita, até nos obrigam a dizer que os aceitamos… Retomando as palavras de um amigo mais especialista nisto do que eu:

“O mais preocupante é que os legisladores são uns completos info-brutos. Isto faz com que as ferramentas de controlo legal sejam escassas, ou até inexistentes. Basicamente a recolha de informação é feita descontroladamente e sob uma "capa" de ajuda ao utilizador final.”

05 janeiro 2016

Alguém observa e…

De há uns tempos para cá, e sem que eu tenha feito conscientemente algo nesse sentido, cada vez que arranco no carro, uma aplicação no telemóvel tenta adivinhar para onde vou, calcula o caminho, estima o tempo da viagem e informa-me sobre as condições do trânsito.

Para isto ser possível, estarão a ser gravados algures os meus padrões de deslocação. Isto incomoda-me, por várias razões. Em primeiro lugar não me recordo de ter dado autorização expressa para isso em momento algum. Começou espontaneamente após uma atualização qualquer. Em segundo lugar, os meus padrões de deslocação não são necessariamente um segredo, mas são meus. Não que receie serem usados por ladrões para me assaltarem a casa quando estiver ausente ou aquelas histórias da aplicação “onde está o meu iphone” servir para revelar infidelidades conjugais…!

Incomoda-me “ser seguido” e essa informação ser registada. Se há sempre a alternativa de ignorar estas ajudas e sugestões, este ignorar tem os seus limites. Quando alguém sabe algo (muito) sobre nós, para lá do que a nossa consciência assume, tem uma capacidade de influência maior do que imaginamos.

Já sei que depois de consultar um produto numa loja virtual, é altamente provável receber publicidade dirigida noutras páginas, para me ajudar… Nesse caso, sorrio com ironia, ao identificar a relação causa-efeito. No entanto, há muito mais sugestões dirigidas (e que nos tentam dirigir) menos óbvias.

A minha qualidade de arbítrio depende de uma certa isenção e pluralidade da informação que me chega. Ficará comprometida quando, sem consciência disso, algo me observa … e, parte mais grave, me tenta dirigir! Esta brutal e não autorizada recolha de informação sobre onde passamos, onde almoçamos, o que lemos, etc é uma ferramenta de modulação da sociedade … não controlada.

14 maio 2015

Homem contra máquina


Face à facilidade com que um computador se poderia ter eficazmente sobreposto ao piloto tresloucado da “Germanwings”, dei comigo a discutir com um colega meu que acredita naquilo que se designa por “singularidade tecnológica”: um dia seremos mesmos ultrapassados definitivamente pelas máquinas, mudando irreversivelmente o mundo em nosso desfavor. Este tema da substituição do homem pela máquina tem, muitas vezes, uma abordagem emotiva. Sentimo-nos ameaçados por um robot industrial, que substitui 3 ou 4 pessoas no máximo, se houver turnos, e ninguém se choca com um simples tractor que substitui muito mais gente.

Eu tenho uma posição meia “religiosa” quanto aos limites da máquina face ao homem. Por muitas camadas de programação que existam, por mais capacidade de processamento disponível, no fim, no fim, o computador recebe dados de entrada, compara-os, processa-os e gera uma saída. Num avião, ao sentir uma descida de altitude, o computador pode facilmente actuar e corrigi-la. Se atravessar uma zona de turbulência um dia, pode aprender que aquelas nuvens são instáveis e tentar evitá-las para uma próxima. Não pode, no entanto, espontaneamente inventar um caminho. Pode fazer uma combinação mais ou menos aleatória e definir um percurso, mas um computador não consegue ser verdadeiramente imprevisível e aleatório. Neste ponto o ser humano, para o bem e para o mal, é diferente: inventa genuinamente.

O que também acontece, por vezes, é os humanos misturarem umas coisas já existentes, mais ou menos à sorte, e chamarem-lhe “criação”. Esses estão tramados, porque serão muito facilmente derrotados pela máquina!

29 abril 2015

Sobre HCS e não só


Nota de abertura: Este texto sai fora da linha editorial do blog.

Alguém me chamou a atenção para um vídeo publicado na página da Super Bock sobre o novo armazém automático da Unicer e isso evocou-me uns certos tempos passados.

Vinha ali o ano 2000, que muita mudança (e também aldrabice) gerou nos meios informáticos, além de ter ajudado a baptizar muitos projectos. A nossa plataforma inicial, já com 10 anos, era compatível com o novo milénio, mas não resistia às novas modas. A Microsoft tinha finalmente o NT, a primeira coisa decente por eles feita, que nos parecia servir. Já não era uma coisita, a fazer algumas coisas, mais ou menos pela metade, e sempre a precisar da companhia e supervisão do utilizador. No nosso caso, muitos utilizadores eram simples máquinas e tudo deveria funcionar dia e noite, sem passos em falso, para garantir um sono tranquilo aos humanos.

A parte da informática mais “tradicional” migraria com mais facilidade, ficando inicialmente um núcleo duro com o bom velho VMS (e talvez ainda hoje inigualado) para as coisas sérias: ser o maestro implacável e infalível daqueles bichos todos. Mas era necessário virar a página, deixar para trás a base antiga dos blocos de código com uma boa parte de particularização embutida. Numa página em branco tentou-se, de forma minimalista, primeiro identificar o fundamental, a seguir caracterizar esses fundamentais, depois todas as suas interacções e, no fim, criar os motores para as realizar. A particularização deveria ficar exclusivamente em parametrização. Isto tudo para equipamentos que iriam funcionar abandonados, irrepreensivelmente sincronizados entre a movimentação física e o registo informático e com memória indelével desde a primeira hora (além de existir, também, uma equipa comercial altamente “criativa”).

O boneco espartano acima foi o que saiu da página em branco. O W de “warehouse” passou a H de “handling”, para ser mais abrangente. Depois, houve uma equipa que se atirou ao trabalho com determinação maior do que rottweiler a intruso. Um organismo do meio académico funcionou com um empenho e um compromisso raríssimos no meio. Houve o traiçoeiro sucesso inicial na “Edi” e o quase desespero na “Ina”. Ficou feito, viajou a vários continentes, evoluiu e ainda dura. Apetecia-me recordar alguns nomes da equipa, mas provavelmente ficaria incompleto. Os que por acaso lerem isto, reconhecer-se-ão.

Nota de fecho: Mais importante do que o que foi feito, é sempre o que está por fazer.

Nota pós-fecho: Falta o HMS.

30 março 2015

O homem ou a máquina?

No recente acidente do avião da Germanwings foi possível pressentir com alguma antecedência que iria acabar mal. Existindo tanta tecnologia disponível para monitorização e telecomando, fará sentido que se deixe ir assim um avião contra uma montanha. Deveria um sistema informático local ou remoto sobrepor-se ao piloto? Pensemos numa deriva destas a ocorrer nas proximidades de uma grande metrópole … Para lá das questões de segurança adicionais que tal possibilidade levanta, fica a questão de quem deve primar: o homem ou a máquina?

Curiosamente, o avião em que isto ocorreu, o Airbus A320, até constituiu um marco histórico neste campo. Lançado em 1988, foi pioneiro no chamado “fly by wire” em aviões comerciais. O “manche” perdeu a ligação mecânica com os lemes e passou a ser um simples manípulo (tipo joystick). A sua sofisticação até deu alguns sustos iniciais, quando erros de instrumentação e programação, levaram o computador a contrair o piloto, para “proteger” o avião. Muitos se recordarão do voo de demonstração em Mulhouse, quando um A320 entrou pela floresta dentro em vez de subir (imagem junta).

Automatismos generalizados, podem ainda ter um efeito nocivo de dessensibilização, como no voo Rio-Paris, que em 2009 se despenhou no Atlântico. Um erro num sensor de velocidade baralhou os automatismos. Durante largos minutos os pilotos perdidos não foram capazes de entender o que se passava e deixaram o avião despenhar-se no Atlântico. Se tivessem um pouco mais de sensibilidade de voo e menos o hábito de seguir cegamente o computador, teria sido extraordinariamente simples evitar a tragédia.

O homem é indispensável. A máquina incorpora as regras da experiência, mas, face ao imprevisto, o ser humano é insubstituível. Pode é o exemplar em causa nem sempre ser o ideal.

17 março 2015

Sem partilha

Duma época em que era uma luta conseguir ter dois computadores a partilharem a mesma impressora, passamos a um tempo onde o simples ligar um telemóvel ao pc pode desencadear o envio automático de fotografias, e sabe-se lá que mais, para um servidor nubloso, que nem sabemos bem o que é nem onde está.


A facilidade e a banalização da circulação da informação significa que os nossos dados estão tão resguardados como o interior de uma casa com paredes de vidro. Muitas vezes não temos a noção disso, mas o conteúdo dos nossos computadores é quase público. Basta alguém querer e ter um pouco de jeito.

Daí, aquelas teorias da conspiração duma entidade encomendar uma impressora, uns serviços secretos interceptarem a entrega, inserirem lá uma “coisa” e esta depois enviar para o quartel- general do inimigo cópia de todos os documentos impressos. Ou, noutra escala, o querido oferece à querida (ou vice-versa) um telemóvel armadilhado com um programinha que lhe envia cópia de todos os sms trocados pela cara-metade…

Dizem haver serviços sensíveis que encomendam máquinas de escrever mecânicas, das antigas, para terem a certeza absoluta que não saem cópias não autorizadas. Não tenho a certeza de ser necessário ser tão radical, mas aparentemente as máquinas mecânicas estão a vender bem (melhor do que antes). Para lá do charme da nostalgia, há outro argumento curioso. No PC escrevemos numa janela e temos outras abertas por trás, que nos enviam sinais e com as quais facilmente dividimos a nossa atenção. Na máquina mecânica há uma relação exclusiva com o papel, sem distrações. Não sei o que é mais difícil, evitar cópias não autorizadas ou conseguir atenção exclusiva, mas estou convencido que este mundo que nos solicita a atenção/distrai a toda a hora e nos desconcentra está a operar uma mudança comportamental e de alteração de aptidões preocupante. Há trabalhos onde é mesmo necessário ter concentração exclusiva e há quem já não o consiga.

02 fevereiro 2015

Uber antes do Uber

Quando nos anos 90 me deslocava com frequência à Argentina, explicaram-me existirem duas alternativas para as deslocações urbanas “tipo táxi”. Os táxis formais e os “remis”. A origem da palavra viria do francês “remettre” – entrega. Eram carros particulares que se organizavam, com central de chamadas e tudo, para transportar pessoas, mais barato do que os táxis oficiais. A maior parte dos veículos eram sujos, velhos e decrépitos, mas o sistema funcionava bem. Num país onde a pontualidade não era norma, eles estavam sempre no sítio certo e à hora pedida.

Esta coisa do “Uber” parece-me ser, no fundo, uma versão tecnologicamente evoluída dos “remis” argentinos e, se vão transportar pessoas e cobrar, alguma regulamentação deverão ter. Como pode um conceito que não é novo, apenas troca um telefonista por uma aplicação de telemóvel, ser uma coisa tão extraordinária e transformar-se num fenómeno financeiro? O valor do “Uber” não vem do simples resultado do serviço que presta. Ele é/vai ser “apenas” mais uma brutal base de dados de utilizadores e dos seus hábitos permitindo “oferecer-lhes” outras coisas um dia, para lá do simples transporte. Apenas mais um par de olhos para o “Big brother” que nos segue e nos vende…

No momento do sequestro no café em Sidney, em Dezembro passado, os preços Uber da cidade subiram para o quádruplo. Com a procura a disparar, o aumento de preços serviria para motivar mais veículos a saírem à rua. Uma prova de que a lei da oferta e procura tem limites e alguma regulamentação (e decência) se impõem quando está em causa uma necessidade e não um entretenimento.

15 outubro 2014

Sobre a paragem do “Mais rápido”

Eu, e muitos outros certamente , estou farto de ouvir notícias sobre a falha do Citius sem saber a razão de fundo. É grave que ele tenha colapsado na implementação do novo mapa judicial, mas o diagnóstico mínimo já devia ser conhecido. Aliás, sem isso seria difícil implementar as correcções necessárias. E então? Foi um problema estrutural? – A aplicação não estava preparada de todo/de raiz para a transição? Custa-me a crer que seja esse o caso, seria incompetência a mais. Estava teoricamente preparada mas na prática não? Ou seja, se tivesse sido usada de forma rigorosa suportaria a migração, mas na prática os processos tinham campos de referência em branco e daí ficarem perdidos no novo contexto? Se foi este o caso a responsabilidade é em parte de quem simplificou a sua utilização ao longo dos anos e também de quem tomou teoria igual a prática, que nestas áreas é uma ingenuidade perigosa.

Logo aqui temos dois cenários muito distintos e com responsabilidades de origens e níveis diferentes. Também me surpreende que agora “toda a gente sabia” que não ia funcionar quando na véspera não me recordo de nenhuma notícia específica sobre este potencial problema. Havia sim a corporação a protestar mas na generalidade, como é habitual. E este é um problema das nossas corporações, que as descredibiliza – estão sempre contra as mudanças, a defender o nada acontecer e a esfregar as mãos de contentamento quando algo corre mal. Ideias alternativas construtivas, muito poucas.

A comunicação social faz eco deste cruzar de espadas entre corporação e tutela, o público sabe que houve um problema, que para uns se resolve com a cabeça da ministra e para outros com um pedido de desculpas. É muito pouco, é pobre.

20 agosto 2014

Apple e/em China

Num curto espaço de tempo vi passarem à minha frente duas noticias relevantes sobre a Apple e a China.

- A China excluiu Ipad’s e Macbooks da lista de produtos que as entidades públicas do país podem comprar, por questões de segurança. Foi divulgado a 6/8, salvo erro.

- Cerca de uma semana depois, a 15/8, sabe-se que a Apple começou a utilizar servidores instalados na China para guardar a informação de utilizadores locais. Realçam que tomam muito a sério a segurança e a privacidade dos seus utilizadores

Fico a pensar se será mera coincidência …


Imagem googleada sem referencia original