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13 julho 2022

Poder – a disputa e o exercício


Uma coisa é disputar o poder e defendê-lo quando ele é precário; outra coisa é exercê-lo quando na respetiva posse. Uma coisa é disputar o leme; outra coisa é navegar.

Há vários exemplos de líderes que se aplicaram com sucesso na conquista e que falharam redondamente depois. Há algum tempo, Cavaco Silva recordou a herança da sua maioria absoluta. É certo que se trata de uma figura pouco empática. Mais rapidamente se perdoa a Soares injuriar um polícia no exercício das suas funções do que a Cavaco por comer bolo-rei atabalhoadamente. Inquestionável é constatar a herança significativa na organização do país deixada por este último.

Penso que estamos atualmente a viver um momento em que, conquistado o poder e anulados os inimigos, o governo está perdido sem saber como o exercer. Que ficará para a história como legado de António Costa, de positivo? Em que aspetos o país no final da corrente legislatura estará estruturalmente melhor do que estava em 2016? Tenho dificuldade em hoje identificar e sérias dúvidas sobre o que possa ainda chegar. Espero estar enganado.

02 setembro 2017

Assim estamos


Não tenho nenhuma simpatia por Cavaco Silva. Acho-o culturalmente mal preparado e com grandeza curta. O episódio das escutas foi das coisas mais grotescas dos últimos anos da nossa vida política e o seu discurso de vitória na reeleição foi assustadoramente abusivo. Tem amigos com casos de polícia, sim, mas nem sequer é campeão nesse campo, dentro dos ex-Presidentes da República.

Há uns dias saiu do retiro para fazer umas declarações públicas, à Cavaco, que não deveriam surpreender muita gente. Podia ter falado de outras coisas, noutro registo, mas foi coerente com o que nos habituou. Ora bem, se é verdade que o conteúdo das suas afirmações é razoavelmente assertivo e merecedor de atenção e discussão, são muito curiosas as criticas que ignoram o fundo, centrando-se no argumento de que “um ex-PR não pode/deve falar assim” e vindas daqueles que toleravam e até aplaudiam todas as diatribes de Mário Soares. Ou seja, clubite acrítica, uma vez mais.

Assim estamos e assim não andamos.


Foto: Lusa

07 janeiro 2016

Presidenciais em banho-maria


Estas presidenciais, apesar do número significativo de candidatos e da situação particular do país, nunca como recentemente, após as legislativas, se pesou e discutiu tanto o real poder do PR, estão mornas e não aquecem.

A chamada direita, supostamente minoritária, tem um único candidato, supostamente independente, que entende precisar de piscar um olho à esquerda e ali lançar também a sua rede. Calculista e especulador de cenários por natureza, deve ter uma espécie de calculadora virtual onde faz contas do tipo: se eu disser “a”, ganho “y” votos, “check!”. Já só me falta “z”. Que poderei dizer a seguir para conseguir esse “z”? Esquece-se um pouco de que queremos um “Senhor” PR e não um “esperto reguila”…

A chamada esquerda passa por uma crise existencial quanto à função presidencial. Se após as eleições de Outubro se fartou de dizer e gritar que Cavaco Silva não tinha mais do que aceitar e calar o que saía do “seu” parlamento, desvalorizando bastante a figura do PR, como pode agora um candidato de esquerda convictamente bater no peito e dizer: “Se eu for eleito faço e aconteço… !”? Também não se entende a sobreposição de candidaturas, especialmente entre o BE, o PCP e Sampaio da Nóvoa e custa-me bastante entender como um verdadeiro independente consegue angariar e gastar 500, 600 ou 700 mil Euros na campanha.

Face à situação precária da geringonça e da sua condução perigosa anunciada pelos timoneiros e tutores, necessitamos de um PR com muito juízo…. E quem é que ali aparenta ter mais juízo e carregar menos interesses às costas … independentemente da idade? (é uma pergunta…)

11 novembro 2015

Ai Portugal


Digo e repito: não tenho simpatia nem afeto e muito menos interesse associado a qualquer partido político. Tenho alergia a inúmeros políticos, de todos os quadrantes. No entanto, governar o meu país e construir aquele que será o dos meus filhos, é demasiado sério para ficarmos entretidos e satisfeitos a atirar pedras e a fazer piadas brejeiras sobre quem nos governa. Usem esse registo para quando falarem dos treinadores de futebol. Pode não ser elegante, mas os efeitos são limitados.

Há 4 anos o Estado estava a escassos passos de não ter dinheiro para pagar salários e reformas. A culpa não foi todo do PS, mas ele estava ao leme. O primeiro-ministro da altura apareceu entretanto com largas manadas de cabritos, sem se lhe conhecerem as cabras. O acordo com quem na altura nos emprestou o dinheiro, que desesperadamente necessitávamos, foi negociado e acordado em primeira linha com o próprio PS. A fatura veio depois, para quem a merecia e para quem não a merecia.

Acreditei eu que tal etapa constituiria uma vacina e uma aprendizagem. Infelizmente, o PS de hoje destrui essa oportunidade. Este discurso do “vamos acabar com a austeridade”, como se esta tivesse sido uma opção da direita à qual eles foram alheios, não é sério. Reverter nacionalizações e concessões para permitir continuar a haver uma greve todos os meses, choca quem sua o seu trabalho.

Digo e repito: a minha preocupação principal não é eu trabalhar mais 4 ou 5 anos ou perder 10 ou 20% da minha reforma. A minha preocupação principal é o país que irão encontrar os meus filhos e a restante geração dos 20 anos. O seu futuro depende pouco da reposição das pensões, dos salários da função pública e muito menos das greves nos transportes. Depende de haver gente empreendedora, que acredita no país e que nele investe. É com profunda tristeza que vejo alguns esfregando as mãos de contentamento, porque os empresários “agora vão vê-las!”. Nem todos serão gente boa, é certo, mas com este clima, é muito provável que os meus filhos e muitos outros fiquem a ver navios…!

25 outubro 2015

Uma ficção

O PS apresentou-se às eleições em coligação com a CDU e o BE. Foram os mais votados mas sem maioria absoluta. A PAF ficou em segundo lugar e o PNR teve um resultado surpreendente. Passos Coelho diz ao PR que tem um acordo com o PNR para um governo com maioria parlamentar.


O PR, que é Manuel Alegre, não considera esta alternativa e indigita António Costa, como sempre se fez em 40 anos do regime atual. Aproveita para assinalar que dificilmente aceitará um governo onde existam partidos incompatíveis com os seus princípios.

É certo que Manuel Alegre tem uma voz mais bonita do que Cavaco Silva, mas, centrando-nos nos princípios, aqueles que hoje apedrejam Cavaco Silva, que diriam neste cenário hipotético? Criticariam também a atitude de Manuel Alegre, ou aplaudiriam (os meus radicais são mais fofinhos do que os teus)? Neste caso, estão a agir não por princípio, mas por interesse. Não são coerentes, pois não!

PS: Relativamente a este acordo de esquerda, até agora só ouvimos medidas de aumento da despesa pública. Logo que possível, por favor expliquem as parcelas previstas para o outro lado do livro contabilístico.


Imagem do DN

12 junho 2014

Manifestar ou desrespeitar

Ficaram-me duas imagens marcantes deste último Dia de Portugal. Uma é o estranho apagão de Cavaco Silva e seria importante esclarecer os portugueses sobre o que se passa realmente com o seu Presidente. Outra é a imagem de Mário Nogueira sorrindo satisfeito de orelha a orelha com a barulheira feita pelos manifestantes, que muito perturbou as cerimónias. Inquirido pela comunicação social disse, e cito de memória, que em democracia as pessoas têm direito a manifestarem-se livremente.

Ora bem, se num próximo congresso ou manifestação ele estiver a discursar e aparecer um grupo ruidoso de antagonistas a assobia-lo e a insultá-lo, será que ele continuará a defender o tal “democrático direito à manifestação” ou denunciará violenta e veementemente uma “falta de respeito pela democracia”? Pois é, certamente referirá a falta de respeito, com razão, e eu não vejo porque uma manifestação sindical deve merecer mais respeito do que a celebração do Dia de Portugal, muito pelo contrário.

Quem ateia fogos, presumindo que a direcção do vento o há-de levar para longe do seu jardim, está a correr um risco muito grande e a esquecer-se de que nunca deu bom resultado brincar ao pirómano.

28 abril 2014

Não temos cura

Estando a malfadada troika de saída, um período que em discurso oficial até já foi absurdamente comparado à ditadura salazarista porque quem devia pensar antes mesmo de falar, e com um cheirinho a eleições ao virar da esquina, já se vê vontade de festa em todos os quadrantes. Seguro quer acabar com os cortes e era interessante ele concretizar como seria o seu orçamento sem eles. Cavaco Silva vem falar no dividendo do crescimento que permitiria aliviar a austeridade e, como ele até é economista, eu gostava de ver essas considerações quantificadas. Até o inefável MarcAntónio refere estarmos a caminhar para um “espaço de liberdade”.

É de recordar que os dados da última execução orçamental apontam para um défice de 4%. Ou seja, o Estado recebe 100 e gasta 104. A dívida pública continua, portanto, a aumentar, apenas a um ritmo mais moderado. Se tivéssemos um superavit (palavra muitíssimo rara) de 10%, e reduzindo cortes se passasse para 3 ou 4%, sempre de superavit, poderia fazer sentido. Mas não é assim. Apesar de todos os cortes o saldo continua negativo!

Mas isso não interessa. Aliás, é curioso que se a situação não melhorasse, pedir-se-ia para acabar com a austeridade porque não estava a resultar; se a situação melhora pede-se para acabar porque melhorou. Falando em coerência, eu gostaria muito de ver o revoltado e revoltoso Mário Soares a ler hoje em público o que ele dizia quando era primeiro-ministro em 1977 e 1983 e o FMI por cá (m)andava. Seria extremamente interessante, se bem que algo embaraçoso para ele.

Quase apetece dizer à troika: “Não se vão embora porque os que cá ficam não nos sabem governar…”, ou então, triste e pragmaticamente, “Adeus e até breve!”.

23 outubro 2013

Uma grande incorrecção moral

Ficará certamente para a história o eufemismo de Rui Machete. Ao chamar “incorrecção factual” a uma afirmação que falta à verdade, esta não deixa de ser uma mentira. Cavaco Silva resolveu também dizer que nada tinha tido com o BPN, para lá do depósito de algumas, parcas, poupanças. Ora bem, todos sabemos que teve acções da dona do BPN, que as comprou e revendeu à própria, com um lucro absolutamente injustificado e sem substancia económica que o sustentasse. Uma “esmola” enorme da qual ele, reputado economista, aparentemente, não desconfiou minimamente. Da forma como foram transaccionadas, aquilo não eram acções reflectindo melhor ou pior um valor económico subjacente, eram uns simples vales nos quais o Sr. Oliveira e Costa colocava um valor ao seu livre arbítrio.

Essa prenda oferecida simpaticamente pela SLN/BPN, é uma parcela, pequena em valor mas enorme em significado, do enorme buraco que andamos todos a pagar horrivelmente. Cavaco Silva não demonstra sequer a humildade e o discernimento de assumir: “Aceitei, mas reconheço que algo estava errado no processo!”. Se quisesse ter alguma grandeza, até podia, de alguma forma devolver, esse lucro. Mas não, está tudo correcto e formalmente irrepreensível. E eu fico arrepiado de pensar que se amanhã houver um novo BPN, tudo isto pode acontecer de novo porque não houve nada de errado. Isto é assustador e mau demais para ser verdade!

07 fevereiro 2012

Nada de novo

Depois de um longo intervalo apetece dizer “nada de novo” em jeito de desculpa. E, realmente, apenas confirmações do que se sabia… vamos por partes.

Cavaco Silva – as limitações eram conhecidas, as expectativas baixas mas agora não sobra nada. Não temos mesmo “Presidente” e por vários efeitos cumulativos – queixar-se da redução das pensões no principio, dizer que não chegam quantificando uma e omitindo a mais elevada (não sabe quanto somam mas sabe que não chegam), recusar o principio básico que a todos é pedido de ajustar o que gasta ao que ganha e referir as poupanças, sabendo que uma boa parte dessas “poupanças” foi a negociata das acções da SLN/BPN que estamos todos a pagar, é dose a mais para uma intervenção só: o homem “morreu”.

Inverno árabe – depois da Primavera de esperança tunisina, do Verão quente líbio e do Outono “democrático” egípcio dos islamistas e salafistas, temos o Inverno sírio. Se no início até se podia acreditar que na base estava um movimento genuíno e popular, a guerra na Líbia mostrou que algo mais havia para além dos cartazes, as eleições provaram que a alternativa democrática é o islamismo, mais ou menos moderado, se é que existe essa variante, e a Síria é o seguinte. Al-jazira, Qatar.. há aqui uma força “externa” que “ajuda à democracia”. O Ocidente entrou a contra-gosto neste comboio na Líbia e agora está num comboio desconfortável e não sabe que fazer… Entretanto, há centenas de sírios mortos por semana mas vítimas são apenas os pobres palestinianos…

Corolário: os mortos no campo de Port Said e o que se seguiu. Se é apenas ódio “tribal” transladado ao futebol é preocupante; se é algo mais e é mais preocupante. A solução é a democracia ?

Europa – Já perdi as contas às cimeiras e às formulações e reformulações dos “fundos”. Senhores: a Europa no seu global está mais pobre e assumam isso. Se, apesar das aldrabices gregas, os lá do Norte continuam a achar que a solução é deixar cair os membros gangrenados estão enganados e vamos definhar todos.

Carnaval, pelos vistos. Pelos vistos a tolerância de ponto é um direito adquirido; pelos vistos a falta de disponibilidade dos funcionários públicos condena as celebrações – há assim tantos funcionários?!; e, pelos vistos, uma dia a mais ou a menos não faz diferença – claro que não, quando há gente excedentária que apenas precisa de acelerar um pouco depois para compensar.

01 setembro 2011

Os ricos e as taxas

Acabadas as férias nada de especial a anotar. Mesmo ministro cobrador vir anunciar que arranjou mais uma forma de nos meter a mão no bolso não constitui novidade… Ao menos com o Sócrates ainda se enumeravam os PEC … agora já perdemos a conta, é todas as semanas uma nova… já não chega! ?! Como é que se pára isto? Anunciam-se cortes futuros na despesa… e enquanto não se corta, lá se vai cobrando mais de toda a forma e feitio.

Entretanto, os políticos desta desorientada Europa encontraram um chavão populista para animar a malta.” Vamos taxar os ricos!”, que é como que dizia há uns anos: os ricos que paguem a crise. Para já é só anúncio, não sei se concretiza, pelo menos cá em Portugal. Quem tem mais rendimentos (declarados) já paga mais em percentagem e em valor absoluto, naturalmente, mas se é pedido um “esforço adicional”, esse suplemento deve tocar a todos. O argumento de que essas novas taxas podem fazer fugir os capitais… é bem verdade, como também é verdade que aumentar o IRS e reduzir o rendimento disponível pode fazer emigrar gente, subir o IRC pode fazer cancelar investimentos criadores de riqueza e de postos de trabalho e subir o IVA pode proporcionar a organização de excursões a Espanha para encher a despensa, como em tempos se fazia do interior para os hipermercados.

Quanto aos ricos, há ricos e ricos e não me refiro ao nível cultural ou de responsabilidade social. Se alguém colocou tudo o que tinha num projecto arriscado que ao fim de uns anos resultou, que criou postos de trabalho, que desenvolveu conhecimento e que neste momento contribui para o aumento da riqueza do país, não me importo que esteja rico. Agora aqueles que compram acções A ao início da manhã para trocar por B meia hora depois, com a promessa de recomprar à tarde e apostando na expectativa de …. Esses, não são investidores, são especuladores e o enriquecimento por este meio tem que ser travado e taxado. Por falar em acções, ricos e taxar, lembrei-me daqueles papeizinhos a que se chamavam acções da SLN aos quais o Sr Oliveira e Costa atribuía um valor de venda e de compra arbitrário, sem nenhuma sustentação económica subjacente e que enriqueceram muita gente… Esses deviam ser taxados a 100% (é preciso fazer um desenho?).

21 abril 2011

Nada de novo

Talvez não seja bom sinal entender que não há nada de novo, mas vejamos:

- Tolerância de ponto hoje à tarde. Não sei quantos milhões custa, mas do ponto de vista do princípio é muito dificilmente justificável; na situação actual do país é escandaloso. Ou será que produzimos riqueza suficiente para nos podermos permitir um descansozito extra?

- Vencimentos dos militares. Foi um verdadeiro drama terem recebido a 21 em vez de a 20. No contexto actual das finanças públicas faz soar alarmes, mas por favor… E aquele representante de uma associação qualquer deles a dizer, com um tom levemente ameaçador, que eles têm por missão fazer cumprir a lei, independentemente de quem a desrespeita. Já chegamos onde?!? Será que no próximo dia 20 eles se apresentam no banco de metralhadora em punho para “fazer cumprir a lei”?

- Na Hungria acham mal que as crianças não tenham peso eleitoral. E, então, discutem incluir na constituição o dar a cada mãe dois votos. Duas questões: as crianças aceitam passar assim procuração a um progenitor? E, nesse caso, porquê a mãe e não o pai ou, sei lá, meio voto para cada um? Tanta idiotice junta!

- O Presidente Facebook. Não sei se é por dificuldades de expressão directa ou por querer ser moderno, mas corremos um risco: se o Facebook fechar, o nosso presidente apaga-se. Ou será que já não está apagado? Alguém se lembra de ele dizer (postar?) qualquer coisa de certeiro, oportuno e que acrescente algo? No melhor dos casos só vejo banalidades.

- Entrevista recente de Medina Carreira sobre o próximo governo. Não interessam os “modelos”, apenas é importante não gastar o que não temos. Programa do governo é irrelevante; o importante é saber quem serão os 3 ou 4 ministros chave e que sejam competentes, que tenham trabalhado na vida e que não tenham roubado! O homem é um lírico!!

- O Real Madrid volta aos títulos com dois portugueses chave. Deve gerar alguns sentimentos contraditórios numa certa alma castelhana.

- Ainda no futebol. Sou eu, contribuinte, quem paga aquela polícia toda por causa de uns excitáveis, excitados por uns dirigentes broncos e irresponsáveis? Não estou de acordo!

- O PS ultrapassa o PSD numa sondagem?!? Sugestão: convidem agora o Coelho da Madeira para ser deputado, com a condição de lhe dar a presidência de qualquer coisa, para ver se melhora…

- Ajuda externa. Essa já a temos há muito tempo com maior ou menor custo. O que vamos ter agora é “governo externo”, o que, face ao histórico, pode nem ser mau de todo. O PC e o BE são contra. Toda a gente tem direito a ter a sua opinião, mas as opiniões não são reconhecidas como assinaturas em cheque.

- Aqui junto ao meu local de trabalho, numa zona industrial, uma avenida que até nem envergonhava ninguém está a ser “requalificada” no âmbito do plano do Metro do Porto, que até só a toca numa parte inicial. Vai ficar mais bonita, é certo. Aquele granito que estão a pôr no separador central e no lancil dos passeios é realmente bonito, mas… havia necessidade?

- A Finlândia e a solidariedade europeia. Antes de mais, o mecanismo em curso não é uma dádiva; é um empréstimo. Em condições especiais, é certo, mas a reembolsar. Quanto à solidariedade, num espaço único tem que haver coesão. Lisboa não pode ficar com toda a riqueza gerada em Lisboa e aldeia lá do fundo da serra que se amanhe com a sua. Mas, ao fim de 25 anos de “coesão” e tantos “fundos perdidos” é justificável que ainda precisemos de tanta “ajuda”? Deverá existir uma solidariedade, leia-se transferência de fundos, permanente entre os “ricos” e os “pobres”? Os “ricos” são ricos porque trabalham mais e os “pobres” são pobres por serem preguiçosos e aldrabões?

E, por hoje, chega!

PS: A CP está em greve…!

24 janeiro 2011

O cão, a caravana e os outros

Dizia o candidato Cavaco Silva em campanha que os “ataques baixos” que lhe eram dirigidos deveriam ser ignorados porque “o cão ladra e a caravana passa”. E acrescentava que só apenas após o fim da campanha teria tempo para ler o que diziam sobre ele.
A campanha acabou, recém-reeleito e tendo entretanto lido, ou não, os ditos ataques, apressou-se a dizer que a “verdade venceu a calúnia” e que a “honra venceu a infâmia”. Afinal parece que sempre prestou alguma atenção aos latidos, que não os esqueceu e que até tem vontade de ajustar contas. Para lá das banalidades de circunstância a mensagem pouco conseguiu fugir disto. O peso relativo destas “conclusões” no discurso de vitória foi enorme e preocupante.
Senhor Presidente, o facto de ter ganho as eleições não o branqueia de nada. Se as alegadas “calúnias” tinham fundamento, continuarão a tê-lo, independentemente das fontes ou das motivações, e o senhor como qualquer cidadão terá que responder por isso.
Ou será que agora que a caravana parou, “vozes de burro não sobem ao céu”?
PS:
Alegre: Epílogo de uma derrota anunciada
Nobre: O mérito de não ser dos “aparelhos”. É algo, mas não mais do que isso.
Francisco ? como se chama?: a vitória é difícil mas é nossa.
JM Coelho: E que se fará agora com aquela votação na Madeira? Grande imbróglio!
Defensor Moura : ….

16 janeiro 2011

Estaremos em guerra?

Num fim de manhã tranquilo de domingo, vejo que nessa manhã decorreu uma reunião (urgente?) entre o Presidente da República e o Ministro da Defesa, num hotel de Lisboa (tinha que ser num hotel, para eu pagar?).
No final, o PR, naquele seu sorrisinho que eu não consigo classificar, respondeu que em geral não comentava o conteúdo das suas reuniões com o governo e, nesse contexto, também não tinha nada a dizer ao público sobre aquela. Ou seja, há uma reunião supostamente urgente num domingo de manhã entre o PR e o Ministro da Defesa e para os cidadãos, não há nada a dizer nem a comentar.
Tenho um palpite que o Tridente está avariado e assim o maravilhoso submarino não estará operacional para travar a entrada do FMI pela barra do Tejo. Realmente, a ser assim, é grave.
Enfim, se fossemos um país em que houvesse contas a prestar responsavelmente entre governantes e governados, não haveria caixinhas destas: “queres que eu conte, mas eu não conto!”
Assim, irei adormecer com a ligeira sensação de que podemos estar a entrar em guerra ao dobrar da esquina.. . Alguma razão importante e grave tem que existir para tal reunião dominical.

13 janeiro 2011

Será que ele está bem?


Até agora já sabíamos o que podíamos (não) esperar de Cavaco Silva, mas ao menos podíamos contar com alguma estabilidade no bom e no mau sentido.
Ultimamente, não o entendo. Ele sabe (ou deveria saber) que está reeleito – à primeira ou à segunda. De que lhe serve esta agressividade toda dos últimos dias? Também não sabe quais as funções do Presidente da República, como os outros? Foi contagiado? Não é óbvio que só tem a ganhar em ficar calado e deixar correr o calendário?
Às vezes aquele olhar parece-me estranho. Parece-me transmitir uma coisa que não digo aqui, mas que seria a ultima coisa de que precisávamos mesmo… E, a propósito, penso naquele discurso de “justificação” do caso das escutas, daquela coisa de sair da República Checa de carro na altura do vulcão, naquele retorno precipitado a Lisboa antes de terminar a cimeira Ibero-Americana da Argentina aquando da confusão do espaço aéreo espanhol porque “tinha que estar em Lisboa”… Será que ele está bem???

10 janeiro 2011

A estratégia do Coelhinho

Estava calado na toca há uns tempos. Agora que a pressão para a entrada do FMI em Portugal aumenta e começa a cheirar mais forte, ele veio ao terreiro dizer o que pensa e deixar-nos entender o seu itinerário programado (in english road-book).
1. Virá o FMI
2. Isso demonstra a falha do governo do PS (até aqui estou de acordo)
3. Por isso devem ser realizadas novas eleições
4. Que provavelmente o PSD ganhará
5. E o PSD governará com a tutela do FMI
6. As medidas impopulares indispensáveis serão mantidas e até agravadas, mas ficarão na conta do FMI e de quem é responsável pela sua vinda para cá
7. Confortável ?
Pode ser uma posição “confortável” mas não era disso que precisávamos….
E ainda Cavaco e as acções da SLN
Pode não ter sido ilegal, fiscalmente correcto e poderá não ter existido nenhum favor antes ou depois. Agora, Cavaco Silva é economista e querendo ser sério deveria questionar a substância económica do valor das acções. Quando estão em bolsa, terão por vezes comportamentos ilógicos mas é público e livremente transaccionáveis. Neste caso, mais não parecem do que uns meros “vales” para os quais Oliveira e Costa arbitrariamente atribuía um valor, sem substância económica subjacente. Por essas e por outros é que o BPN tem o buraco que tem e que todos vamos pagar. O facto de haver gente importante envolvida terá sido o que determinou não ter tido um tratamento de mera “Dona Branca”?

18 julho 2010

Amor com amor se paga

Presidenciais 2006

O candidato oficial do PS, Mário Soares, não faz o pleno do eleitorado do partido, nem do chamado flutuante (a que eu prefiro chamar eleitorado crítico). É ultrapassado e humilhado por um independente, Manuel Alegre. Há uma franja do eleitorado que não se revê nem em Alegre nem em Soares e dá a vitória na primeira volta a Cavaco Silva, tornando-se este o primeiro Presidente da República eleito depois do 25 de Abril apoiado oficialmente apenas pela direita.

Presidenciais 2011
O Presidente em exercício, que parece ainda não ter entendido bem a sua função e o que se espera dele, esbraceja quase desesperado para não ter a humilhação de ser também o primeiro a não ser reeleito para o segundo mandato. Bastaria ao PS ter apresentado alguém como Jorge Sampaio, António Guterres ou Jaime Gama para Cavaco já ter as malas feitas. Mas não. O anterior independente, Manuel Alegre, é agora o oficial do PS mas, por motivos diversos, também não fará o pleno. Mário Soares ainda não digeriu a humilhação e não o apoia. Parece mesmo é desejar um “Manuel Alegre” para o Manuel Alegre actual.

Se Fernando Nobre não fazia sombra suficiente, surge agora Defensor Moura que anuncia só querer encher a actual terra de ninguém à direita de Alegre e assim impedir nova vitória de Cavaco Silva à primeira volta. A história não se repete porque da segunda vez é a farsa.

Resumindo e concluindo: vamos ter umas presidências bastante pobrezinhas...

25 abril 2010

A digestão democrática

Comemora-se por cá o 25 de Abril, já a chegar ao entediante, não fosse uma vez mais Cavaco Silva a mostrar a sua debilidade institucional dizendo não estar surpreendido que “sejam muitos os que se mostram indignados com os prémios, salários e compensações que, segundo a comunicação social, são concedidos a gestores de empresas que beneficiam de situações vantajosas no mercado interno”.

Ora bem, o presidente da República não tem meios para esclarecer e clarificar quais são os bónus desses gestores? Deixa o ónus da afirmação na comunicação social ? Na posição dele, naquele momento, não pode citar uma afirmação da comunicação social desta natureza, sem se envolver no seu fundo: sem a caucionar nem a refutar.

E a propósito de posturas e mensagens, Aguiar Branco, confirmou que seria seguramente melhor líder do PSD do que Passos Coelho, mas isso é outra história.

No momento em que comemoramos tranquilamente o 25 de Abril e a transição para a democracia, consolidada e pacificada, a Espanha está de novo a ferro e fogo com a herança do franquismo. Em breves palavras, durante a transição democrática a Espanha decretou uma amnistia para os crimes do período quente e negro. Recentemente Baltazar Garzón entendeu que, à luz do direito internacional, esses crimes não prescrevem nem podem ser amnistiados e abriu processos. A direita espanhola que o odeia pelo caso Gurtell, que ainda não parou de causar cacos em altos círculos do PP, entende que ele está errado e à luz do direito espanhol abre-lhe um processo que o poderá suspender até à reforma...

Que se passa nesse país que não consegue olhar fria e racionalmente para um passado duas gerações atrás, sem desatar aos berros? Há mesmo duas Espanhas irreconciliáveis?

Se o direito espanhol se sobrepõe ao internacional, porquê apenas em Espanha? Para que serve então o Tribunal Penal Internacional de Haia? Que pensará, por exemplo, o presidente do Sudão, Omar Al-Bashir que recebeu, justamente é certo, um mandato de captura desse tribunal pelos crimes que cometeu no seu país? Só para o terceiro mundo é que existe aplicação da "justiça internacional" ?

Seria engraçado se Baltazar Garzón fosse interditado em Espanha e reabrisse os processos em Haia...

18 fevereiro 2010

O homem é fino...

Se um dia o acusarem de ter feito o que previamente tinha anunciado não fazer, ele dirá: eu nunca disse que não o faria, eu disse sim é que nunca o façaria e desafio qualquer um a provar que eu alguma vez o tenha facido!

Facer uma gafe qualquer um pode facer, agora, depois de estar faceita continuar a falar como se nada façosse, sem o detectar nem reagir, essa é que já é uma grande falta de .... (e aceitam-se adjectivos).

01 outubro 2009

Falta o cão

De regresso à base depois de uns dias atribulados ouvi em diferido a famosa comunicação de Cavaco Silva sobre o caso das escutas. É má demais para ser verdade. Em vez de pôr claramente o assunto preto no branco, o PR só levantou poeira. Que é que interessa a formalidade de que ninguém pode falar em nome dele e de que não é crime um assessor ter uma opinião? Não é crime alguém pensar que o sol gira em torno da terra, mas há funções e posições cuja responsabilidade não é compatível com a divulgação de opiniões fantasiosas infundamentadas e não justificadas

O cenário de um assessor de confiança vir em nome do presidente pedir expressamente a um jornal para publicar uma suspeição deste calibre é muito grave. Pode não haver um enquadramento jurídico que a condene mas não é compatível com uma sã “coluna vertebral”, indispensável ao órgão Presidência da República.

Acha estranho o email ser publicado 17 meses depois... mas não acha estranho a notícia do Público ter saído 17 meses depois, sendo que é essa notícia que realmente está na génese do problema?

Sobre as suas acções há um monte de silogismos: “por causa disto, fiz aquilo..” que me ultrapassam completamente. Ou sou burro, ou ele, ou julgará que a audiência o é.

No final, a história das debilidades do seu correio electrónico. Ao apresentá-lo assim o que quer dizer? Que se calhar pode estar a ser espiado? Se é esse o caso, explique melhor porque de charadas e indirectas já estamos cheios; se é apenas um “preciso de actualizar o meu antívirus!” é bom que o faça, mas não devem existir muitos países no mundo em que um PR vem solenemente dizer ao país que os seus informáticos são uns nabos.

Relativamente ao conteúdo do famoso email o que toda a gente quer saber é:

1. O assessor do PR foi falar ao Público por sua encomenda ou não? Claro que não o assumirá, e desfia-nos a encontrar provas! Não sendo esse o caso também não haveria motivos para “fazer alterações na casa civil” – seria uma enorme injustiça!
2. O assessor inventou a trama toda por sua iniciativa? Devia ser severamente julgado e não simplesmente transferido de funções preventivamente!
3. Foi tudo invenção dos jornalistas.... hummmm. Que a Presidência o assuma então e veremos então a resposta de L. Alvarez.

Antes das eleições, eu dizia que o PR é uma espécie de guardião da democracia. Está lá para intervir apenas quando for necessário, não antes e achava que Cavaco Silva não tinha esse perfil. Iria tentar ser interveniente e não apenas guardião. Confirma-se e confirma-se também que não tem mesmo nível para ser Presidente. Falta um cão para controlar o presidente.

21 setembro 2009

Não aconteceu nada – é só fumaça!

Foi com uma frase deste tipo que Marcelo Rebelo de Sousa caracterizou o caso das escutas. Dá-se um puxão de orelhas ao assessor e pronto: não se fala mais no assunto! Oh Sr Professor! O que diria o Senhor se o assunto fosse do outro clã ou até mesmo do seu, mas não assim em cima das eleições? Não haverá aqui mais nada a explicar!??

E o Sr Director do Público que de manhã acha e acusa que somente os serviços secretos poderiam ter entrado no sistema informático do jornal (está a precisar de umas aulas básicas de “segurança em informática é apenas uma questão de tempo e empenho” - até um puto teimoso consegue entrar na Nasa) e a seguir, diz que não, que “detectaram” a saída do email do jornal. Diz o provedor do mesmo jornal que ele e outros jornalistas tiveram o seu correio electrónico hierarquicamente devassado – provavelmente dentro do âmbito da acima referida acção de detecção.

E diz a Dra. Manuela, sempre um passo atrás dos acontecimentos, já depois do desmentido, que não quer viver num país em que o Director de um jornal de referência é espiado! Oh minha senhora: os seus assessores não ouvem as notícias nem lhes actualizam os discursos? E viver num país em que o Presidente da República organiza o lançamento de sibilinos mísseis institucionais deste calibre, não a incomoda?

E diz o Dr Paulo Rangel que não vê no PS solidariedade com os jornalistas do Público! A título de quê é que esta solidariedade deveria ser prestada é que não entendi. Porque se merecem alguma é contra serem objecto de maquinações dos assessores. Na prática não o merecem porque por motivos não explicados, dispararam o míssil mesmo antes das eleições e esquecendo-se de referir que a “pista” da Madeira já tinha sido investigada e não tinha dado nada.

Ontem no telejornal vi lá o Dr Jorge Sampaio e pensei: se este homem se candidata às próximas presidenciais que acontecerá ao PR actual? Conseguirá a proeza de não conseguir fazer os dois mandatos?

Hoje o Dr Cavaco Silva transfere o assessor para outras funções, talvez seguindo o conselho do Prof. Marcelo. Só que esta fumaça deixou cinzas e não vale a pena soprar ou varrer para debaixo do tapete. Vão ficar agarradas às solas dos sapatos do PR.