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01 março 2014

Uma saída suja

Muito se tem filosofado e especulado sobre o cenário pós-troika, entre a saída limpa e o programa cautelar. No entanto, isso não é o mais importante. O fundamental é reconhecermos que continuarão a ser necessários cortes e dever-se-ia discutir, isso sim, quais a manter e quais a rever. A menos que o fim da tutela da troika seja, na visão de alguns, uma licença para gastar e depois logo se verá.

Saída limpa significa ficarmos sem tutela e dependentes dos tais malvados “mercados” que nos podem emprestar ou não e com condições que dependerão dos seus humores e da sua perspectiva sobre o país. Com um programa cautelar teríamos a manutenção de algum tipo de tutela e ao mesmo tempo alguma protecção contra os malditos capitalistas. No meu ponto de vista, o balanço entre um e outro cenário depende da qualidade de quem nos governa e da sua capacidade de inspirar confiança, fazendo o necessário e o justo.

Neste contexto há duas notícias recentes pouco abonatórias. Uma é mais um episódio do caso dos submarinos, a caminho da submersão judicial final do problema, com as satisfações visíveis nas caras onde deveria estar vergonha. A outra é o recente ressuscitar de Miguel Relvas para o topo do aparelho do PSD. Por tudo o que foi e o que é esta figura, dispensando comentários detalhados, Passos Coelho está a escolher um caminho com muitas nódoas
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04 abril 2013

Nem tudo é mau

Finalmente Miguel Relvas sai do governo. Não é mau, mais vale tarde do que nunca, mas enfim. São uns largos meses de atraso. Será que vai ser substituído por Jorge Silva Carvalho? Irá estudar filosofia para Paris? Não, penso que preferirá ir aprender canto para Milão… ou se calhar para o Redondo!

A maior parte dos condenados do processo Casa Pia entraram na cadeia, voluntariamente. Não é mau, mas presumo que esta boa vontade de se entregaram é capaz de render uns meses menos de prisão efectiva…

E o Isaltino, coitadinho, teve que pedir empréstimo ao banco para pagar os advogados… que banco mais um generoso! Emprestar a um empresário para investir é um cabo dos trabalhos, para um condenado recorrer e recorrer há crédito…. Olha-me para este!!!

24 fevereiro 2013

Questão de respeito

Sou contra todo o tipo de falta de respeito e uma falta de respeito não justifica outra. No entanto, quando o Primeiro-Ministro vem publica e oficialmente manifestar repúdio contra a acção da qual foi vítima Miguel Relvas, esquece uma coisa: o facto de este ser e continuar a ser ministro é uma grave falta de respeito para com os portugueses. Num país em que houvesse um pingo de respeito pelos cidadãos, há muito que, por um décimo dos factos em causa, esse individuo teria desaparecido do Governo. E, Sr. Primeiro-Ministro, a primeira coisa a fazer antes de pedir respeito é respeitar.

31 janeiro 2013

Esperança volátil

Ouço estupefacto que vai ser apresentado um plano nacional de prevenção de suicídio, em que, aparentemente, a principal medida consiste em aumentar o preço das bebidas alcoólicas. E lá ouvi a explicação da sequência fatal: dificuldades, depressão, bebida e suicídio. Assim, se o preço da bebida subir, o suicídio baixa! Desde já recomendo que caso não funcione se passe a proibir as bebidas alcoólicas e certamente se anulará o problema. Que o dinheiro dos meus impostos seja desperdiçado a fazer planos destes, incomoda-me porque isto é estúpido, e muito, e passo a explicar.

Em primeiro lugar, uma muito grande parte do consumo de bebidas alcoólicas não entra nessa sequência e para essa larga maioria será “apenas” mais um aumento de impostos. Em segundo lugar, não me parece que pagar mais 20% ou 30% ou beber menos 20 ou 30% tenha algum impacto relevante. Acho mesmo que isto é insultuoso para quem desesperado entrou nesse caminho.

Não sou especialista no assunto, mas é óbvio que quem chega a esse ponto o fez por perder a esperança e essa, esperança não se consegue recuperar por decreto, nem muito menos por imposto. Há uma batalha neste campo que este governo está a perder e que é fazer as pessoas acreditar. E, para começar, é fundamental acreditarmos que somos governados por gente séria, honesta e íntegra. Não resisto a sugerir, e apenas a título de exemplo, que tirem da televisão Miguel Relvas a falar dos sacrifícios que todos os portugueses suportaram, depois de ele ter feito uma passagem de ano de luxo num hotel chique do Rio de Janeiro. Desculpem-me a ironia mas isto é mais simples, mais eficaz e mais barato do que engendrar estes planos delirantes.

11 dezembro 2012

O homem das botas

Que não é doutor, já sabíamos, que não parece ser ministro também é um facto. Ouvi-o na televisão comentando que António Costa não tem a reeleição garantida, que terá que gastar muita sola em campanha e aconselha-o a verificar urgentemente o estado das mesmas. Sinceramente… nem a um treinador de futebol fica bem esta cantiga, quanto mais a um ministro! 

A seguir ouço o anúncio de mais outro “modelo” de privatização da RTP e que, parece, será de vender 49% e entregar a gestão ao investidor privado. Se me permitem, quando alguém guarda 51% é para manter o controlo. Antigamente o Estado tinha as “golden shares” em que tinha mais poder do que a participação no capital. Agora terá uma dummy ?? share em que com a maioria do capital deixa de gerir. Depois de ter ouvido tantos anúncios de tantos modelos, um canal, ou o outro, a concessão e privatização parcial… não há dúvida que o homem sabe do que fala, muita sola deve ter gasto em tantas andanças. E, ainda por cima, esta última versão das misturas público-privadas é uma coisa da qual a gente aprendeu a desconfiar.

07 novembro 2012

Estamos em perigo !

Vejo no telejornal a história do jornalista que foi preso nos Açores por, depois de ter insultado e de ter tentado agredir Miguel Relvas. Aparentemente, a versão do jornalista é diferente: não foram insultos, foi uma provocação em brincadeira e apenas estava a passar no corredor do quarto de hotel do ministro quando foi duramente abordado pelos seguranças.

Se calhar a verdade não está completamente em nenhum desses dois lado, mas ao ver a figura laroca do So Dotor Ministro, fico preocupado. Qualquer pessoa de bem ao ver aquele Sotor, com aquele (so)risinho parvo à sua frente, corre o sério risco de “mandar uma boca”, que seja interpretada como um insulto, e lá vamos dentro.

Da parte que me toca, garanto que me sinto mesmo em perigo. Espero bem não me cruzar com este senhor. Não pode, não pode, não pode ser ministro ! Haja decoro.

29 julho 2012

Manifestações e ridícularias

Uma parte do PSD ficou muito contente com a fraca adesão às manifestações “anti-Relvas” e entendeu isso quase como um branqueamento do problema. Eu não estive nessas manifestações mas acho que ele devia sair, como muita gente acha, como ele próprio deveria achar. E, se lhes chamam ridículas, seguramente mais ridículo é chamar “Doutor” a Miguel Relvas.

Quem acha que a dimensão do problema é proporcional à dimensão das manifestações está a ser conivente com esta enorme desfaçatez e a correr um risco. Pensemos nos reformados que após terem trabalhado a sério e descontado para a segurança social durante mais de 40 anos, não conseguem pagar os seus cuidados de saúde e vêm gente que após meia dúzia de meses num cargo público meramente representativo recebem, só por isso, uma pensão 2 ou 3 vezes superior à sua; pensemos em quem não consegue pagar propinas, alojamento e custos do estudo dos seus filhos e vê estes licenciados-expresso a sorrirem cinicamente na televisão afirmando que não cometeram ilegalidade nenhuma; pensemos em gente que entrega a sua casa/lar ao banco por não poder pagar as prestações e lê as notícias dos milhões tresmalhados que por aí andam perdidos de BPN’s e submarinos.

O risco é que um dias essas pessoas não irão pedir a exclusão do fruto podre de um sistema que querem e acreditam poder ser são. Um dia essas pessoas perderão o respeito por todo o sistema com consequências imprevisíveis. Se o PSD e o “sistema” no seu todo continuam a apostar no cinismo destas “inocências formais” iremos chegar a um abismo. Pode ser ingenuidade da minha parte presumir que possa ser diferente, mas que vamos para o abismo, vamos.

23 julho 2012

Um amor não correspondido

O senhor que aparece nesta foto de 2004, todo contentinho a sorrir para a objectiva, deliciado por se apanhado em tão distinta companhia teria certamente uma grande paixão pela comunicação social. E tão grande, que até esquece que está numa missa, neste caso em memória de Sá Carneiro, e aquela expressão sorridente e quase cúmplice, não sendo certamente ilegal, não é nada apropriada à circunstância. Por isso não é de estranhar que ele fique bravo quando a comunicação social não lhe corresponde à paixão ou o apanhe em pose menos fotogénica. Os amores não correspondidos são danados, até podem cegar!

15 julho 2012

Hás-de ser Ministro !

E cito do Público:

Duarte Marques, líder da JSD, pediu explicações a Mariano Gago, ex-ministro socialista da Ciência e Educação, sobre a licenciatura na universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias em Ciências Políticas e Relações Internacionais de Miguel Relvas.
Em declarações à TSF, Marques acentuou que é “preciso pedir explicações a quem aprovou esta lei [de equivalências], na altura o ministro Mariano Gago, o ministro mais tempo em funções no nosso país”.
Não vale a pena comentar sequer: está perfeitamente alinhado com os seus antecessores e há-de ser Ministro!!

10 julho 2012

Valores e formação em sentido lato

Uma prece: já nem lhes peço que sejam sérios e exemplares, peço apenas que quando forem apanhados tenham a hombridade de sair de cena com o máximo de dignidade possível para eles e para o país.

É sabido que estava a chegar ao poder uma nova geração de políticos nascidos nas juventudes partidárias e que nunca trabalhara a sério na vida. Agora ficamos a saber que alguns deles, além de nunca terem suado a trabalhar, também nunca suaram a estudar.

Formalmente o problema da estranha licenciatura de Miguel Relevas pode ser imputado a excessiva generosidade ou desorganização da Lusófona, mas isso não deve fazer esfregar as mãos de contentamento com um “a culpa não é minha, eu só aproveitei” a quem tem responsabilidade públicas e exigências de comportamento moral do nível de um ministro. Por muito menos eu enfiava-me num buraco com vergonha de aparecer em público.

Na altura do outro caso, das ameaças à jornalista do Público, no mínimo inaceitáveis, ouvi falar do grande peso político do senhor no governo e esse peso só pode vir da sua capacidade de controlo do partido, que, sendo a actual chave do poder nesta espécie de democracia, devia chamar-se outra coisa que não política. E é que no governo precisamos mesmo de “política” a sério.

Há cerca de um ano, o ministro alemão da Defesa demitiu-se por se ter descoberto que tinha plagiado a sua tese de doutoramento. E se olhássemos para estes exemplos que talvez ajudem a explicar porque eles são ricos e nós não, em vez andarmos de mão estendida, maldizendo e estigmatizando quem tem mais sucesso? E se quando o nosso Primeiro-Ministro for pedir a Angela Merkel mais fundos ou mais tempo ela tiver à sua frente uma notícia sobre este assunto e lhe perguntar: “E o senhor tem a certeza de que estes fundos são aplicados por gente séria e competente?”, o que é que ele responderá? Que é um “não assunto”?

20 maio 2012

Pressão e descompressão

Se um Senhor José telefona a um jornal com ameaças, pode o jornal ignorar a pressão e considerar que não deve reagir nem divulgar os factos enquanto não houver violação de lei. Aceita-se.

Agora, no caso de Miguel Relvas, pela função da pessoa, pelo conteúdo e pelo contexto, a ser verdade, é demasiado grave para ser ignorado com o simples argumento de não haver suposta violação de lei. Não sei se o código penal chama a isto crime, mas no código moral não há a mais pequena dúvida.

Por isso, a quem direito, jornal, governo, ERC e, se necessário for, a própria policia: por favor lavem esta coisa a fundo, porque senão vai ficar um cheiro pestilento que ninguém aguenta.