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15 agosto 2025

Barbie apagada na cidade-luz


O filme Barbie, independentemente da qualidade e do apreço que poderemos ter por eles em termos exclusivamente cinéfilos, tem um histórico de polémicas por supostos atentados à moralidade e promoção da homossexualidade, pelo menos na ótica de certas culturas, estando mesmo proibido nalguns países.

Na passada semana foi objeto de uma nova censura. Uma projeção ao ar livre, promovida por uma autarquia foi cancelada porque um grupo de fundamentalistas, que se opunham à exibição, ameaçaram abortar a projeção pela força.

A sessão foi então anulada por preocupações de segurança (medo...). Passou-se na Arábia Saudita, Qatar, Argélia …? Não, foi em França, Noisy-le Sec, a uma escassa dúzia de quilómetros do centro da cidade-luz e da catedral de Notre-Dame.

Se a condenação clara deste facto dispensa qualquer “nuance”, e o mesmo deveria ser objeto de séria preocupação, é extraordinário como o presidente da câmara, comunista, considera que a amplitude das críticas é injustificada e desproporcional, assim como a sua “apropriação” pela extrema-direita racista e islamofóbica (estará a fazer contas para as próximas eleições !?). Se condenar veementemente estas derivas inaceitáveis no nosso modelo social é ser extrema-direita…

Quanto a alianças entre comunistas e islamistas, basta olhar para o Irão e o que aconteceu aos progressistas depois da vitória da revolução “comum”.

Uma pequena provocação: os LGBT+ que arvoram bandeiras da Palestina, têm consciência da inconsistência da sua posição?

09 dezembro 2017

Vistas da cidade


Não, não é de bom tom confundir romantismo com geografia, nem encher ou cuspir da boca chavões sobre a cidade das luzes, ou do amor, etc e tal.

O certo é que em qualquer passagem por ali, havendo algum tempo disponível, as solas trabalham todo o tempo que puderem. Poupo os detalhes dos locais concretos, mas, na cidade tão grande, acabam por ser quase sempre os mesmos. Como se houvesse uma necessidade de rever e sentir, confirmar que está ali, aquilo, aquelas coisas indubitavelmente parte do nosso mundo, em sentido restrito.

Uma cidade excessivamente centralizadora num país que se vê sempre mais do que é. Que consegue combinar na mesma identidade referências antagónicas como Versailles e a Revolução; Voltaire e Napoleão. Racionalmente, França tem uma caraterização difícil, por ambiguidade. Tanto uma real “mania das grandezas”, ostentação e culto do imperial, como, supostamente, o berço dos ideais de fraternidade e igualdade. Tudo isto vive e convive harmoniosamente no “C’est belle la France!”.

A dita influência cultural francesa, da qual tantos se reclamam recetores, por mim tem algo de placebo. Estará talvez aí a sua força, o permitir o nascimento de tantas correntes, supostamente herdeiras de uma certa visão do mundo, na prática mais filhas de um albergue espanhol (perdão a ambos os países).

Bom, tudo isto começou e acaba para dizer que gosto muito de deambular por Paris.

06 dezembro 2017

Natal luz


Numa cidade-luz onde poucas ou nenhumas iluminações de Natal preenchem o espaço público, “diversité oblige” (um dia descobrir-se-á que toda esta correção, se calhar está errada), os narizes retraem-se ao contacto com o frio matinal.

No passeio à frente, narizes grandes e pequenos colam-me às montras animadas das galerias, transbordantes de sons e cores de Natal, ou do que lhe queiram chamar, mas bonito e caloroso.

No passeio atrás, uma idosa sentada, encolhida com o frio, com uma caixa de cartão no chão da rua, onde pede especificamente cheques refeição. Tem a companhia de uns gatos enroscados, imóveis e retraídos.

No mesmo passeio, dois turistas (?) de prancha na mão desenham calmamente o quadro. Têm todo do tempo do mundo, a senhora e os gatos estão absolutamente estáticos, tipo natureza morta.

Tirei a foto constrangido, muito a correr é certo, de longe, sem grandes preocupações técnicas e com um resultado sofrível. Talvez o desenho dos senhores tenha saído bem, tempo não lhes faltou… e descontração.

17 novembro 2015

Hipocrisia e culpa?

Como não é fácil encontrar algum tipo de atenuantes ou pseudo-justificações para o que aconteceu em Paris no passado dia 13, os habituais “contrários/do contra”, lá tiveram que vir dizer qualquer coisa contra a solidariedade manifestada cá na Europa, pelo que aconteceu na Europa.

Porque no dia anterior ocorreu algo idêntico no Líbano, com pouco destaque, quase que ignoramos as situações recorrentes na Nigéria, etc… esta solidariedade tem algo errado… Sinto-me à vontade para contestar, até porque não são poucas as vezes que tenho recordado por aqui as enormes tragédias pouco mediatizadas. De facto, nenhum homem é uma ilha e, continuando com a imagem de John Donne, os sinos quando dobram é por todos nós.

No entanto, é óbvio e inevitável sentirmos muito mais a morte de um familiar do que a de alguém desconhecido do outro lado da planeta. Em Beirute raros já lá estiveram e poucos terão uma ideia de onde fica exatamente. Por Paris, muitos já lá passaram e não falta quem aí tenha amigos e família. O choque é certamente maior. Que esse choque não faça esquecer os outros dramas do mundo, é uma coisa; que se invoque a esse propósito “hipocrisia”, condenando e até culpabilizando uma reação solidária genuína é que… valha-nos a razão!

14 novembro 2015

Se eu hoje estivesse em Paris


Se eu hoje estivesse em Paris, teria ido jantar a uma esplanada. Em seguida iria ouvir música ao vivo, ou numa sala formal, ou num pequeno bar da “cité bergere”, como o Limonaire, onde no fim circula o chapéu e cada qual paga o que entender.


Faria isso em homenagem aos mortos de ontem. Para deixar claro aos energúmenos que os assassinaram que eles não podem nem irão mudar a nossa forma de viver. Essa seria a maior derrota.

Ao mesmo tempo, gostaria que secassem aquela gente, que realmente os isolassem, que os interesses geostratégicos no Médio Oriente deixassem de permitir qualquer contemporização com isto. Gostaria que não fosse tão fácil ir da Turquia para a Síria e voltar. Gostaria de ter a certeza de que o dinheiro que pagou esta aventura assassina não é o mesmo que paga as grandes encomendas à indústria militar francesa. Não sei se é, mas gostava de ter a certeza.

Também gostaria de ver uma mão firme e implacável contra todos os lugares reais e virtuais onde se apela ao ódio, onde se cultiva o radicalismo e se criam estes alucinados.

Se eu estivesse hoje em Paris, estaria, de uma certa forma, a celebrar.

24 novembro 2014

Presunção de injustiça?

José Sócrates desperta paixões. Para as negativas é motivo de júbilo ele ter sido detido; para as positivas é um choque e impõe-se uma relativização/teoria da conspiração e até uma certa “presunção de injustiça”. No entanto, quem já foi passar um simples fim-de-semana a Paris, questiona-se certamente como um ex-servidor do Estado pode ter ou obter fundos para viver lá um ano inteiro como ele viveu.

As reações oficiais, responsáveis, apontam para a necessidade de separar a justiça da política e está certo, mas talvez apenas por agora … Ou Sócrates está/sai inocente, ou o problema pode chegar à política, sobretudo se se provar que a origem dos fundos em causa está dalguma forma relacionada com as suas anteriores funções de ministro e primeiro-ministro. Pior ainda será se ficar evidenciado que estes fundos tresmalhados não constituem um caso pontual mas sim sistémico.

A prudência oficial dos outros quadrantes políticos pode ter mais a ver com os vidros nos telhados do que com os “princípios”. Neste momento quero acreditar que a justiça tem fortes razões para agir como agiu e que algumas televisões terem estado no aeroporto será efeito de bufaria individual e não institucional. Não sabemos detalhes nem temos que os saber hoje, mas insinuar ou afirmar que não havia necessidade de o deter é, no mínimo, pouco fundamentado.

21 novembro 2012

Europa, querida Europa

Quiseram as circunstâncias que me decorresse uma semana por terras da Europa que já não pisava há uns tempos, entre alguma nostalgia, satisfação e estranheza. Vamos por partes. Madrid, porta do Sol – Um SUV da protecção civil passa lentamente entre o povo que circula. A particularidade é a marca e modelo, BMW X3, e apetece dizer: “Não há necessidade…!”. Ao mesmo tempo há vitimas de acções de despejo que se suicidam atirando-se das janelas dos apartamentos que têm de entregar ao banco. Não há protecção civil que as salve, nem mesmo com um X3, por mais rápido que seja.

Paris – Metz – A A4, o nevoeiro, as referências a Verdun, aquelas vinhas de Champanhe tão a norte que não entendo, e a Lorena terra de ninguém da frente Franco-Prussiana.

Metz – Há catedrais fantásticas como esta. Também uma igreja monumental de planta simétrica, curioso, ah pois!, é dos templários! Le Beaujolais nouveau est arrivé! E pronto lá estão eles a vender aquele vinho de S. Martinho a preço forte, a japoneses e afins. É como o nosso Mateus Rosé – apenas para quem não sabe o que é vinho. E na quinta-feira à noite, gente na rua de forma imprevisível para paragens tão setentrionais. Será que a tradição estudantil da festa nesse dia é generalizada?

Beauvais – Se aquilo é “Paris”, então podemos pôr um aeroporto em Cabeceiras de Bastos e chamar-lhe “Porto – Cabeceiras”. Eu sabia que não devia confiar no GPS. Desde o centro até lá, atravessando a horrível periferia norte de Paris foi mais uma hora a somar à hora e tal previstas. Pensava encontrar um restaurante simpático, acolhedor mas não foi assim. Basicamente sítios, poucos, com gente a beber cerveja, já a sentir-se a proximidade flamenga e um certo olhar frio para quem tem cor de pele diferente. Ou será preconceito e trauma meu? Entrei e saí de dois sítios no centro e acabei por trincar qualquer coisa num daqueles restaurantes plásticos ao largo da estrada, iguais em todo o lado.

Europa, querida Europa…

24 julho 2009

O centro



Pode estar constantemente pejado de turistas poluidores visuais e sonoros.

Pode não haver pachorra para tanto espanhol a cacarejar altíssimo pelas ruas, japoneses frenéticos e brasileiros deslumbrados.

Pode ser irritante ouvir as tias e os tios no aeroporto a desabafarem “Nem imagina como estava a Louis Vuitton hoje à tarde!!”. “Ah sim? Mas qual delas?” E discutem como grandes connaisseurs as diferenças entre os várias locais de cada marca (não é qualquer um que atinge este nível!).

Podem os parisienses serem em geral uns arrogantes de nariz empertigado.

Pode haver tudo isso e muito mais, mas quer queiramos quer não, aquela agulha representa o centro de um certo mundo.

15 janeiro 2009

Será da idade?

Diz-se que com o avançar dos anos ficamos mais rezingões e com menos pachorra para aturar contra-tempos. Não sei se isso será mesmo assim; pelo menos os grupos de turistas reformados que por aí circulem demonstram muitas vezes um nível de paciência assinalável…

Esta semana vim à Argélia, na minha visita mensal. Como não tinha a agenda estabilizada e a famosa crise diminuiu a frequência dos voos por Espanha, resolvi vir via Paris, que ainda tem voos diários.

Detesto o aeroporto de Charles de Gaulle. Visualmente muito frio e desconfortável. O velhinho e decrépito Orly é mais humano e simpático. O voo da ex-Portugália chega ao terminal 1, que, apesar de umas pinturas novas, parece tirado de um filme barato de ficção científica dos anos 60. Não sei bem como são, mas associo-os a decorações assim "futuristas passadas", com tapetes rolantes a subirem, a descerem e a cruzarem-se no espaço, cada qual bem envolvido pelo seu tubo plástico.

No meio da ligação deveria existir um almoço. Como os controlos de segurança em Paris tendem a serem desesperantemente longos, achei melhor almoçar depois de entrar e depois de me informar de que “sim, lá dentro há restaurantes”. No dito controlo de segurança: sapatos fora, cinto fora! Mas o meu cinto não toca! Tire na mesma, pode ter algo escondido. Ora bem se posso ter algo escondido no cinto não detectado no pórtico, mais depressa o esconderia numa costura das calças, dado ainda não termos chegado à fase de passar em cuecas.

Depois de repor o cinto, o casaco os sapatos e tudo, lá vou à procura dos restaurantes. Duas coisas meio self-service, meio bar, sendo necessário lutar para não comer de pé. Por uns módicos 12 euros pode-se ter um prato quente a partir de um tabuleiro plástico que se coloca num microondas, depois de furar a película de cobertura, depois de partir o garfo plástico na manobra e depois de esperar 10 minutos que o cliente anterior acabasse de aquecer os seus.

O famoso Dilbert dizia numa das suas famosas e esclarecidas irónicas reflexões que somos muitos cuidadosos a tratar do nosso automóvel, apenas usando lubrificantes e combustíveis 100% como deve ser, enquanto que para o estômago enfiamos qualquer porcaria desde que minimamente energética e digestível. Pois… acreditamos mais na resistência do nosso organismo que ainda tem muitos órgãos importantes não substituíveis nem recicláveis do que na do automóvel. Questão de bom senso, de prioridade ou de insanidade?

21 outubro 2007

Um olhar português

Se é verdade que a raça (pode-se usar esta palavra?) portuguesa é fruto de uma grande miscigenação com grande variedade de cores, cabelos e íris, também é verdade que há qualquer coisa de característico e cúmplice no olhar que muitas vezes nos permite pressentir, em qualquer lugar do mundo, quando estamos face a um patrício.

À saída do aeroporto de Orly espero pelo táxi que me levará ao hotel nas traseiras do outro aeroporto, Charles de Gaulle. Vou especulando interiormente sobre o tipo de carro e de motorista que me sairá na rifa. Chega a minha vez e há algo no pestanejar do taxista que me faz estar quase certo sobre a sua nacionalidade. Após um telefonema meu dentro do carro que me trai a origem, pergunta-me ele se venho do Porto e que tempo por lá faz.

Vamos conversando ao longo da longa viagem e conta-me que está em França há 41 anos e que só espera que a esposa atinja também a idade da reforma para ir ocupar a tempo inteiro a sua casa na terra. Está contente por a França não ter passado à final do campeonato do mundo de Rugby. Não teria pachorra para aturar os festejos histéricos que não o deixariam trabalhar. Nota-se que não tem pachorra em geral para aquele país. Conta-me da filha que por aquelas terras gaulesas ficará, que se casou na “mairie” em França mas na igreja foi em Portugal. E vai-me contando ainda pequenas histórias das suas idas a Portugal e outras sobre o mesmo tema que passageiros que transportou lhe foram contando.

Já na área do aeroporto de Charles de Gaulle, nas suas traseiras, uma raposa lindíssima, tal qual o Dentuça da Disney, na placa interior de uma rotunda, fita espantada os faróis que a iluminam. Acha o meu motorista que ela não terá problemas de sobrevivência ali porque é uma zona com muitos coelhos. Efectivamente, 200 metros à frente, 3 orelhudos estão perdidos na berma da estrada. Ninguém diria que estamos na periferia de um dos mais movimentados aeroportos da Europa.

Chegados ao meu hotel, despeço-me desejando-lhe um bom retorno definitivo a Portugal. Ela suspende o movimento em curso de me retirar a bagagem da mala e com os olhos pisqueiros diz-me: “Sabe.. aqui, quando chega o frio, às vezes, dá assim uma vontade de um bacalhau, de umas favas...!”

12 julho 2005

Notas de viagem – Paris e Marrocos, 28 a 30 Junho

Paris by GPS - Eu tinha uma ideia do acesso ao hotel mas algumas dúvidas sobre o percurso depois da saída da auto-estrada. O taxista, que até nem era português, resolveu usar o GPS. Logo de entrada, o esparguete de vias mostrado no monitor, não prenunciava nada de bom. Seleccionou o caminho mais curto por estrada nacional, semáforos, rotundas e zonas residenciais com lombas redutoras de velocidade. Ainda tentei sugerir a auto-estrada mas o homem estava inamovível. No fim descontou-me 70 cents do preço marcado no taxímetro. Em compensação mostrei-lhe como apanhar a auto-estrada em 300 metros.

Paris, esplanada refrigerada - Há sempre alguma inovação. Ventoinha na esplanada que asperge água, difundida à frente das pás. Mais uma vez os táxis de 2 rodas. Curiosamente com condutora feminina.... ai ai! Pode ser muito bom, cuidadosa, ou muito mau, azelha. Meio-termo é difícil.

Cité, centro do centro - Parque de estacionamento do Tribunal de Comércio. No lado direito 2 Jaguares; no lado esquerdo 3 sem-abrigo com a instalação dos seus colchões e demais trastes. Calor insuportável. Pior só mesmo pagar 3,60 Eur por 25 cl de água Vittel numa esplanada. Se não é recorde, está perto.

Casablanca by old táxi - Táxi do aeroporto para o hotel. Foi um grande carro há 30 anos atrás. Mercedes 220 D muito, demasiado, esforçado. A 2 km de hotel pára com sobreaquecimento. Debaixo da tampa do motor já tem um recipiente com água. Lá deita umas gotas no radiador fumegante. A porta do condutor não abre por fora para o homem reentrar. Pancada para descer o vidro e já está, abre por dentro. Está tudo controlado. Avançamos com o ponteiro no máximo e umas valentes aceleradelas nos semáforos. Chegamos. Um transeunte pede boleia ao táxi para o centro mas não tem sorte. Pelos vistos é normal os táxis em serviço darem boleia.

Sqala, porto de Casablanca - Restaurante no antigo forte restaurado pelo sultão após a reconquista aos Portugueses. As guaritas eram-me familiares.

Kenitra - Passagem rápida. Não deu para avaliar quantas das dezenas de cegonhas que aí estavam em Janeiro já terão regressado, nem quantos dos milhares de patos e afins ainda estarão na enorme lagoa de água de doce junto à costa.

Mexilhões descascados - São marés-vivas e os rochedos mostram os seus mexilhões. Na estrada entre Moahemedia e Casablanca estão na berma à venda, à temperatura ambiente, ao pó e ao Sol e já descascados. Só para corajosos de último grau.

Antiga Mazagão – Agora El Jadida, muito agradável. Aposto que daqui a 10 anos, os implantes turísticos terão crescido como peste de cogumelos. Há um quarteirão português ainda com “ruas...” mas não deu para ver. A visita ficou pela zona industrial e por um restaurante em frente à esplanada da praia.

Pequena aventura aeronáutica - Regresso por Lisboa num dos famosos Beechcraft da Regional Airlines. 19 lugares todos corredor e janela em simultâneo. Aspecto geral do avião mal cuidado, falhas de pintura, manchas de óleo, etc. WC’s nauseabundos e decrépitos. Logo à saída de Casablanca não havia água para lavar as mãos. Para se proteger do Sol, o comandante coloca dois folhetos das instruções de segurança (?!) na janela à sua frente e à sua esquerda, tapando-lhe completamente a visão. Colocou-os pouco depois de sair de Casablanca e retirou-os algures na Costa da Caparica, já depois de passarmos o cabo Espichel.
Ao esperar pela entrega da bagagem à chegada vi uns remendos de borracha no bordo das asas, com as pontas descoladas. A hélice girava, empurrada pelo vento ao lado das nossas cabeças!

Tudo isto na mesma semana em que soube da realização do “Whisky, Romeo, Zulu”, um filme sobre o acidente com o avião da Lapa em Buenos Aires em 1999 em que morreram 70 pessoas. Uma companhia privada de um país pouco regulamentado, na prática, e com vários desrespeitos pelas normas de segurança à mistura.

10 junho 2005

Notas de viagem – 2 a 10 de Junho de 2005

Paris no rescaldo do referendoTambém que ideia foi esta de pedir um “sim” a um povo que, mesmo quando acha que está bem, prefere responder pela negativa dizendo “Não está mal”. Se houvesse eleições agora? Não é claro o resultado. Talvez Le Pen, se fosse uns 20 anos mais novo... Mau, Mau! Falta de seriedade dos políticos, défice de representatividade dos partidos “normais”, dificuldades de conjuntura e eleitorado mimalho vai, um destes dias, ter um fim triste. E não só em França. Veja-se o Vlaams Blok na Flandres.

Inovação em Paris – Táxi de luxo de duas rodas. Grandes motos para transporte de pessoas rapidamente em ziguezague pelo meio do trânsito. Se os condutores forem do tipo taxista que sabemos, será emoção ao nível de montanha russa.

Sindelfingen – Junto à principal fábrica da Mercedes, a sul de Estugarda, entra na estrada um novíssimo classe B. Depois de desacelerar, ao retomar o esforço, lança belas nuvens de fumo branco. Realmente, os Mercedes já não são o que eram...

Danúbio frio – Às 8 da manhã, 5 graus, em Junho, na zona em que o Danúbio é um riacho. Este rio que consegue filar milhares e milhares de quilómetros para leste, fugindo sempre, sempre, ao Mediterrâneo.

Lago de Constança – Vinhas nas margens. Deveria arranjar-se outro nome para o produto destas videiras. Chamar-lhe vinho, confunde. Um dirigível sobre o lago em Friedrischafen. Evocando o local do conde Zepplin e de um dos maiores engenheiros do século XX: Dornier. Que fez desde dirigíveis a foguetões.

Empresário de 70 anos Os políticos actuais não têm curriculum nem experiência profissional séria. “Nascem” e fazem carreira dentro do aparelho dos partidos. Não temos petróleo nem riqueza de outras matérias-primas. A nossa principal fonte de riqueza tem que estar na massa cinzenta. O sistema de ensino actual, pouco exigente, está comprometer a nossa riqueza futura. No passado, quando um aluno tinha uma má nota/comportamento era responsabilizado; agora vão os pais à escola responsabilizar os professores. Curiosamente, ou não, falava da Alemanha.

Jantar em Hamburgo na margem do Alster Os ministros são mal pagos para a função e a responsabilidade que têm. “Safam-se” com outros esquemas. É difícil motivar um bom profissional unicamente com o vencimento oficial. Em contrapartida os deputados são demasiado numerosos, deveriam ser reduzidos para metade, e a maior parte ganha demais para o que faz. Especialmente a segunda metade que lá está a mais. Curiosamente, o meu interlocutor falava da situação na Alemanha.

Rebanhos nos aeroportos – Chegou a estação em que moles de turistas vagueiam apreciando lentamente as belezas que os aeroportos têm para mostrar. Que se plantam relaxadamente, a monte, em frente aos balcões de registo em amena cavaqueira como se estivessem a sair da missa. E fica-se com cara de parvo sem saber se nos devemos pôr atrás deles sem saber bem para quê ou se devemos perguntar um a um o que estão ali a fazer e se não se importam de se organizarem um pouquinho...