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30 outubro 2014

Mobilidade


O que é aquilo? Não é pássaro nem avião… Meio de transporte de pessoal, também não.

Apenas um escritório de obra que, naturalmente, tem todo o interesse em ser móvel, dado a obra evoluir ao longo uma estrada. É barato, prático, além de também servir para pôr à prova o sentido de equilíbrio dos utilizadores.

O local de trabalho futuro ideal será qualquer coisa assim.

Em Cheraga, Argel.

25 outubro 2014

Não há melhor no mundo

Para a minha última deslocação a Rabat os hotéis habituais estavam cheios. Procurei no “booking” algo razoável em preço e não demasiado exótico. Na viagem de ida perdi uma ligação e faltaria à primeira noite. Telefonei para informar e para me manterem a reserva para o dia seguinte. Tudo bem, teria que pedi-lo por email e, no entanto, debitavam-me a primeira noite. Deram-me o endereço electrónico, tentei duas vezes e a mensagem vinha para trás. Liguei de novo e ao tentar identificar-me, questionaram: “é o senhor a quem vamos debitar uma noite por não vir… ?” Correcto e afirmativo! Dei o meu endereço de email para ver se ao contrário funcionava, mas, de qualquer forma, o meu caso já estava aparentemente bem controlado.


À chegada, no dia seguinte, ainda tentei discutir o débito da noite anterior mas sem sucesso e pediram-me para pagar logo. Paguei, deram-me um recibo, mas a factura recebê-la-ia no último dia apenas… protestei, que não queria ficar à espera e prometeram-me no dia seguinte fazerem-me uma “factura comercial”. Nesse dia seguinte, depois de insistência, lá me produziram a factura “tipo comercial”. Era um simples documento de texto produzido ali no momento e pelo qual esperei cerca de 15 minutos. Protestei que não devia ser assim, ao pagar deviam fazer logo e automaticamente a factura. O senhor diz que não. Que eu ia ter uma factura comercial, que não havia coisa melhor no mundo (para eles não pagarem impostos, presumi eu).

O hotel não era mau de todo. Apenas aquela alcatifa… Ao fim de um longo dia quente e poeirento… não era a visão muito refrescante.

22 outubro 2014

16 setembro 2014

Road show Portugal Global

O Aicep vai para a estrada, ajudar as empresas portuguesas a internacionalizarem-se. Percorrerá o país num contacto próximo com o tecido empresarial. Não se sabe bem como decorrerá na prática, mas a ideia parece boa e de louvar.

O curioso é o calendário: 12 cidades, uma por mês. Começa a 17/9/2014 em Leiria e acaba em 17/9/2015 no Porto. Na prática dá mais dum ano porque Agosto é mês de férias a respeitar, se bem que poderiam ter aproveitado para fazerem Faro…

Não há dúvidas de que esta malta política/funcionário público tem uma noção temporal muito própria… se isto é mesmo importante e premente, qual o sentido de acabar daqui um ano? As empresas das últimas cidades que esperem e aguentem, uma acção por mês é o máximo que se pode. Palpita-me que o “show” anda a usar velhas “roads”… e autoestradas novas é coisa que não nos falta!

08 agosto 2014

Check-in high tech !

Terça-feira passada fui a Lisboa apanhar um voo para Casablanca. Cheguei relativamente cedo, ao fazer o check-in mostrei o meu passaporte e cartão de passageiro frequente da “Royal Air Maroc”, lá disse a minha preferência de lugar e a menina sorridente deu-me o cartão de embarque, anunciando-me que eu não era passageiro frequente de nível básico, já era “silver” e podia utilizar a fila prioritária. Fiquei contente!

Entrei, passei os controlos todos, para as quais a pachorra começa a faltar. Agora até os meus sapatos são suspeitos e devo atravessar o pórtico de segurança em peúgas. Sentei-me para almoçar e fiquei a trabalhar durante o tempo de espera. Apareceu no painel informação de 30 minutos de atraso e quando está quase na nova hora de embarcar, olho para o meu cartão de embarque “silver” e noto que o nome que está lá não é o meu. Também era Carlos, mas o resto não correspondia.

Lá fui a correr para a porta, receando que o voo já estivesse fechado, onde outra menina, depois de me franzir o sobrolho, lá me fez o check-in certo. Como a impressora não funcionava preencheu-o à mão. Como se enganou no lugar, preencheu segunda vez…

No final, o único prejuízo mesmo, foi, ao sair a correr, ter deixado o carregador do PC na tomada junto à mesa onde tinha estado a trabalhar… podia ser pior!

27 março 2014

Deuses na sombra

Há alguns dias assisti a uma sessão de apresentação do livro de Valter Hugo Mãe, “Desumanização”, que não li, e que tem por cenário a Islândia. Uma boa parte do tempo foi dedicado a falar da Islândia em si, das suas especificidades e idiossincrasias. Naturalmente que um país, que é uma ilha, encostada ao círculo polar Árctico e com um inverno em que há 20 horas de sol… por mês, há-de ter muitas especificidades.

Acreditar que debaixo das pedras vivem uns elfos que se devem respeitar, pode ser positivo em termos atitude de protecção do ambiente, mas não deixa de ser viver uma espécie de narrativa fantástica colectiva. Quando uma vez me perguntaram na Bélgica se em Portugal não havia histórias de anõezinhos a viver nas florestas eu respondi: O meu país tem muito sol e a sua luz não deixa espaço para essas fantasias; essas coisas só existem em países sem luz, condenados ao nevoeiro! E também recordo que quando vivi na Bélgica, o que me fazia mais falta era, efectivamente, a luz.

É a noite quem cria os fantasmas, assim como são as limitações que abrem os horizontes do sonho e da imaginação. Talvez seja natural que num país tão fechado como a Islândia seja criado um colorido com o que não se vê. Sob um sol mediterrânico intenso e impiedoso, uma pedra será apenas uma pedra, como diria Caeiro, e a beleza de um céu brilhante reverberando as oliveiras, não dá espaço nem necessidade de se imaginar algo mais escondido debaixo da terra ou entre a sombra das árvores.

No penedo da Lapa, o meu santuário no Alto Douro, a visão é inspiradora e a inspiração e espiritualidade são buscadas olhando do alto para os horizontes abertos e rasgados. Nem de perto nem de longe se pensa nas entranhas de onde sai o majestoso maciço granítico. Não consigo imaginar nenhuma mística num poço, nem sequer no da Quinta da Regaleira. O país está repleto de capelinhas nos mirantes, e tantas delas, senão todas, herdeiras de alguma outra veneração mais antiga. Aliás, o meu penedo tem num cantinho uma covinha escavada com um rasgo para gotejar que me cheira a coisa bem pagã.

Não faz sentido discutir prós e contras de cada um dos cenários, nem é minimamente justo sequer tentar aplicar uma escala de valores a um contexto destes. Aliás, de fantástico colectivo todas as sociedades têm algo, só que à nossa chamamos-lhe “fé”. Parece-me claro que nunca uma terra do sol poder ser idêntica a uma terra do gelo. Por muito que o ambiente artificialmente criado aqueça, arrefeça ou ilumine, a luz materna molda-nos para o bem e para o mal. Tentemos aproveitar a parte do bem.

06 junho 2013

Bê5 - de bandido a clássico

Estarão certamente na memória de muitos neurocirurgiões dos anos 70 e 80. Muito lhes enriqueceram o curriculum quanto a tratamento de traumatismos cranianos!  Juntamente com a também famosa XF17 eram duas máquinas terríveis.

Hoje tem o charme de um clássico !

16 janeiro 2013

Para que serve uma bandeira?

É num atalho que costumo usar no acesso ao hotel habitual a oeste de Argel. Poupa-me uma volta maior e duas barreiras de polícia. É, no entanto, um local em que passo com a atenção desperta e a celeridade possível. Nunca me aconteceu ali, mas é um daqueles sítios em que é provável que, por desfastio, alguém atire uma pedra aos carros que passam. Isolada na berma está uma barraca, loja de conveniência, para tabacos e afins. Ontem estava lá, pendurada não sei como nem porquê a bandeira verde e rubra. Não me pareceu ser um representante da diáspora tuga. Lembrei-me que um dos clubes principais de Argel partilha essas cores nas suas camisolas. Numa altura de uma visita oficial portuguesa coincidente com um jogo importante do Mouloudia, várias bandeiras das quinas que decoravam a cidade acabaram no estádio a encorajar o onze da terra.

Hoje de manhã tomei o atalho apesar de não ser a minha direcção forçado com a máquina em punho e a janela aberta mas era demasiado cedo para a loja estar aberta. Ao fim do dia, já com a luz do dia a morrer, forcei de novo uma passagem desnecessária e aí sim. Parei para disparar uma vez, o tempo de eles darem conta e desatarem a barafustar. Umas centenas de metros à frente fiz inversão de marcha, com a esperança de, apesar de eu ficar do lado desfavorável, tentar outra foto. Não deu nem para afrouxar. O das calças brancas viu-me e correu para a estrada berrando e fiquei a saber que pelo menos não é realmente parte da diáspora tuga.

27 abril 2012

Friday Algerian Fever

Eu não devia estar aqui. Estou num hotel em Palm Beach e que não é o que se imagina pelo nome para quem não conhece, nem o que se imagina pela fama para quem conhece. Não é “a kind of Florida” nem um hotel suspeito, mas sim a melhor relação preço qualidade para hotel num raio de várias dezenas de quilómetros em torno de Argel. Tenho resistido ao estilo das crónicas do pitoresco mas desta vez não escapa.

Hoje pelas 12h45 apresentei-me no aeroporto de Argel para apanhar um voo para Madrid às 15h15, da Air Algérie, donde seguiria para Lisboa e a seguir para o Porto, onde deveria ter chegado um pouco tarde mas ainda a tempo de apanhar o meu pessoal para o fim-de-semana. O check-in estava parado e o pessoal de, pelo menos, 4 voos esperava em fila. Bem, não seria bem uma fila, eram umas 5 ou 6 em paralelo que se interpenetravam e sobre as quais nasciam umas arborescências e desaguavam uns caudais secundários. Ao fim de meia hora soube que havia uma espécie de greve dos controladores aéreos que atrasava a saída dos voos e que o check-in estava suspenso para não saturar a zona de embarque. Ao fim de 1h30 abriram um voo e eu continuei a esperar. Ao fim de duas horas e pico anunciaram então que abriam Madrid. Grande alívio mas de pouca dura. 5 minutos depois ouvi uns oficiais comentarem que Madrid estava anulado. Nestas confusões há uma prioridade: ser o primeiro a chegar ao balcão da confusão, o que consegui. O funcionário achava que só me tinha que dar alternativa até Madrid porque o resto era Tap, mas eu protestei e lá me arranjou um programa em que chegarei amanha à noite a Lisboa e apenas no domingo de manhã ao Porto. O hotel era com outro senhor e este outro senhor diz-me que não, que em caso de greve não é responsabilidade da companhia. E foge para o outro lado do aeroporto e eu vou atrás dele armado em chato mas ele insiste para eu desopilar e me desenrascar.

E aqui tinha um truque rápido na manga. Costumo pedir carro alugado à chegada que devolvo à partida. Quando chego, se tiver a sorte de o atraso do avião ser idêntico ao da entrega do carro, está bem. Senão espero os 20 minutos da praxe, minutos que costumam ter bastante mais do que os 120 segundos habituais. Na entrega é mais stressante. Ou telefono 10 vezes para o homem aparecer a tempo, ou deixo o carro no parque e levo a chave para Portugal, ou deixo a chave a uma “fille” do aeroporto – só tenho que saber qual… e de há uns tempos para cá tenho nova técnica: meto a chave na mala, fecho o carro e deixo-o assim. Infelizmente com os carros mais recentes, estes não fecham com a mala aberta e limito-me a deixar a chave debaixo do tapete da mala e o carro fica aberto… (isto é segredo…!!). Donde que saí de gás para ver se o carro ainda lá estaria e perfeito: foi só abrir a mala e tirar a chave debaixo do tapete e arrancar.A seguir soube pela agência em Portugal que não se entende porque não faço Lisboa Porto no sábado. Há 3 voos depois da minha hora de chegada a Lisboa e com lugares que o senhor não detectou. A caminho do hotel (este tal de Palm Beach) apanho um grande engarrafamento de “passeio de tristes” e com o depósito quase vazio. No final o hotel tem quarto disponível e às 17 horas estou a almoçar 4 espetadas e uma Coca-Cola numa espécie de esplanada em frente a uma espécie de praia. Pedi de peru e vieram de vaca, mas àquela hora a diferença era mínima.

Amanhã vou para o aeroporto cedinho esperando que o tal bilhete seja mesmo válido porque me parece que enganei o senhor quando lhe disse que eram eles que tinham que tratar da alternativa completa da viagem. Quando chegar a Lisboa ou altero o voo para sair no próprio dia para o Porto, ou alugo carro , ou arranjo lá hotel. Seja o que um deus quiser… Só espero não ter um Saturday Lisbon Fever. Oxalá…

08 junho 2010

Coisas úteis


Por estranho que possa parecer há imagens feias, sujas e degradadas que num dado contexto se podem tornar muito agradáveis à vista e tranquilizantes.

E uma recomendação útil. Aquele hábito de ao entrar num restaurante passar primeiro pelo quarto de banho para “lavar as mãos”, no sentido amplo ou restrito da expressão, deve ser evitado e de forma quanto mais premente quanto maior for a distância para o restaurante mais próximo. Acima de 20 km deve ser completamente banido. A referida visita deve ser adiada sempre para o fim da refeição.

Corolário: utilizar num local sujo é exequível; sujo e escuro é que já não.

23 maio 2010

Baratas e estilos

Quando se entra num compartimento que pode ter baratas daquelas que se passeiam apenas no escuro e se escondem da luz, há uma opção a tomar entre três atitudes:
  • Ou acender a luz já preparado para atacar rapidamente, antes que elas tenham tempo de fugirem da luz e desaparecerem da vista...
  • Ou acender a luz e olhar para o tecto, assobiando ou não, dando tempo às ditas cujas de se esconderem e quem não vê pode fazer de conta que não sabe...
  • Ou acender a luz e ficar parado na soleira vendo-as fugirem sem ter tempo e oportunidade de as liquidar, ficando a saber que elas lá estão e que quando se apagar a luz regressarão à arena principal.
E, a cada um o seu estilo, naturalmente...

13 outubro 2009

Dizer sem falar



Berlusconi: Mas que jeitosa que ela é ! Venham daí esses ossos e mais o resto! (E onde é que ele tem fixado o olhar??)
Obama: Bom, bom.... em que é este tipo está a pensar?!Michelle: Toma lá a mãozinha porque mais do que isso não vais tu apertar!
Cena passada durante a última cimeira do G20 em Pittsburgh e publicada na Jeune Afrique de 4 a 10/10/2009

05 março 2009

Um belo conto (do vigário)

O tema é antigo. Já o recebi em cartas, em faxs e, sendo o email um excelente meio de propagação, só estranho não receber mais.

Esta versão tem a guerra do Iraque a explicitar onde desapareceram todos os herdeiros da conta perdida, incluindo velhos, mulheres e crianças, presumo, mas não especifica o país. Costuma ser Uganda ou outra coisa assim terminada em “anda” mas que não “anda”.

O mais giro é o sentido de humor no nome do funcionário bancário: “Bello Nonsenso”. Com o email ego_bello fica é um pouquito narcisista.

E pronto, copio-o na íntegra. Um leitor que queira ficar rico pode contactar o Dr Bello Nonsenso. Se forem mais do que um não há problemas porque ele arranjará certamente tantas contas perdidas quantos os candidatos. Boa sorte!
--

DEAR FRIEND,

STRICTLY CONFIDENTIAL AND GOD BLESS YOU AS YOU READ.

I KNOW THAT THIS MAIL WILL COME TO YOU AS A SURPRISE AS WE NEVER MET BEFORE. I AM THE FOREIGN REMITTANCE MANAGER OF (C.B.N). CENTRAL BANK OF AFRICA, I HOPE THAT YOU WILL NOT EXPOSE OR BETRAY THIS TRUST AND CONFIDENT THAT I AM ABOUT TO REPOSE ON YOU FOR THE MUTUAL BENEFIT OF OUR BOTH FAMILIES.

I NEED YOUR URGENT ASSISTANCE IN TRANSFERRING THE SUM OF ($15.5 MILLION) FIFFTEEN MILLION FIVE HUNDRED THOUSAND UNITED STATES DOLLARS IMMEDIATELY TO YOUR ACCOUNT. THE MONEY HAS BEEN DORMANT (IN-ACTIVE) FOR 3 YEARS IN OUR BANK HERE WITHOUT ANY BODY COMING FOR IT.

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I DON'T WANT THE MONEY TO GO INTO OUR BANK TREASURY AS AN ABANDONED FUND, SO THIS IS THE REASON WHY I CONTACTED YOU, SO THAT MY BANK WILL RELEASE THE MONEY TO YOU AS THE NEAREST PERSON TO THE DECEASED CUSTOMER. PLEASE I WOULD LIKE YOU TO KEEP THIS PROPOSAL AS A TOP SECRET AND DELETE IT IF YOU ARE NOT INTERESTED.

UPON OF YOUR REPLY, I WILL SEND YOU FULL DETAILS ON HOW THE BUSINESS WILL BE EXECUTED AND ALSO NOTE THAT YOU WILL HAVE 40% OF THE ABOVE MENTIONED AMOUNT IF YOU AGREE TO HELP ME EXECUTE THIS BUSINESS. WAITING FOR YOUR URGENT RESPONSE.YOU CAN CALL ME FOR MORE EXPLANATIONS.+234 70 2727 0843.

BEST REGARDS,

DR. BELLO NONSO Ph.D
FOREIGN REMITTANCE MANAGER
CENTRAL BANK OF AFRICA (C.B.N).
E-MAIL: ego_bello@yahoo.com

03 fevereiro 2009

Kayen Hotel Makech



Em árabe “Kayen” significa “há/temos” e “Makech” significa “não há /não temos” (os “a”s lêem-se muito mudos). São palavras usadas com muito frequência, o “Kayen…?” numa interrogativa esperançada e o “Makech…!” em resposta desolada. O título acima poderia ser traduzido então por “Existe Hotel Não Temos”

O Hotel Ritane Palace de 4 estradas, perdão de 4 estrelas, em El Oued, que visto de fora nem parece muito mau, foi crismado “Hotel Makech”, dada a frequência com essa palavra aparece nas respostas às questões colocadas. A foto abaixo de como eu encontrei a sanita do quarto já dá uma ideia do que lá Makech, ou do Kayen que não devia lá estar. Lençóis sem buracos: Makech. O prato da ementa que queríamos: Makech! Água quente para o duche: às vezes Kayen, outras vezes Makech!

Makech comando do ar condicionado. Telefonar para a recepção pelo telefone, daqueles de disco de andar à roda a gerar impulsos… ligação Makech. Tentar o número da telefonista e confirma: comando no quarto Makech! Ligam o aparelho a partir da recepção.

Toalha das mãos no quarto do banho: um dia Kayen, outro dia Makech! Combinação do sabão com a água local: Makech espuma. Saco para a roupa suja Kayen mas abertura Makech. São duas folhas plásticas soldadas em vários níveis que se recusam a abrir e a formar um saco. Uns hóspedes de estada longa contam que serviço de lavandaria Kayen mas a roupa enviada para lavar já há 2 semanas… Makech!





12 dezembro 2008

24 horas em Teerão (II)



A zona industrial a oeste de Teerão impressiona pela dimensão e por uma imprevista indústria automóvel. Não sei que rentabilidade terá mas entre Peugeots mesmo Peugeots e outras marcas ?Saipas? Khodros de aparência estranha e que me contaram terem muito de francês por dentro, o parque parece ser mesmo de origem local. Ao fim e ao cabo foi um avião de Air France que trouxe o íman Khomeny do exílio para aqui para despoletar a grande revolução. Esse agora repousa num impressionante mausoléu bem visível para os visitantes que vão do novo aeroporto para a cidade.

Nota dissonante para a escassez de postos de abastecimento, com filas a estenderem-se por vários quarteirões. Uma hora de espera é normal para encher o depósito.

Passo ao lado os detalhes profissionais da visita, que não cabem aqui, para saltar directamente para o jantar em restaurante típico com música ao vivo. De um lado um grupo a celebrar um noivado. Gente dos 20 aos 60 todos impecavelmente produzidos. Elas naturalmente mais do que eles. Uns penteados alto estilo anos 60 (tipo Sofia Loren?), com o lenço obrigatório, mas assim do alto da cabeça apenas para trás, deixando ver o cuidado penteado. Por vezes escorregavam para a nuca ao abanar a cabeça com a música mas sem perder nunca a postura. Desta vez uma singela cerveja sem álcool e sem gosto a limão e a perplexidade de como pode esta gente ter os líderes que se conhecem.

Regresso ao aeroporto atrasado porque a chuva tinha empoçado as estradas e provocado um acidente a quem nos vinha buscar. Só tivemos que esperar que ele próprio arranjasse o carro e lá seguimos apenas com um farol e o lado direito à frente bastante amassado. A viagem é feita entre o chuveiro de cima da chuva, de baixo da água das poças pisada e do lado, dos camiões ultrapassados. Somente uma vez um deles resolveu fazer uma inversão de marcha na praça da portagem, criando alguma emoção. No final a minha mochila na mala também tinha tido chuveiro. Até à vista Persas.