Há algumas décadas atrás discutia-se e negociava-se a compra
de submarinos para a Marinha Portuguesa (o tal negócio que depois ficou famoso…)
Faziam parte do pacote negocial as chamadas contrapartidas, ou seja, a parte do
negócio a ser feito por empresas locais e outras repercussões económicas para o
país comprador.
Um dos consórcios concorrentes, o francês e, por acaso, o
que não ganhou, sugeriu que construíssemos na Efacec Automação e Robótica parte
do simulador de pilotagem do submarino, utilizado para a formação dos
tripulantes. Assim, fui visitar a escola de submarinos francesa em Toulon, onde
pude ver vários simuladores, reproduzindo o posto de pilotagem de diversas gerações
de submarinos (desculpem-me os submarinistas se o vocabulário não está a ser rigoroso).
Havia nitidamente três gerações e ambientes. A primeira, aí
dos anos 60, muito analógica, com mostradores de ponteiros e tudo muito
espartano. A segunda que situaria a partir dos 70, já com alguma eletrónica e
sobretudo enormes painéis de interruptores retro-iluminados que, quando ocorria
um problema, pareciam uma árvore de Natal (monocromática, a vermelho…) de
tantas coisas a piscar em simultâneo. Finalmente a última geração, já
informatizada, onde a informação era tratada e o fundamental corria bem visível
num monitor, percebendo-se mais facilmente o que estava a ocorrer.
Lembrei-me disto recentemente ao “pilotar” um enorme Boeing 777. Apesar de ser um simulador estático, conseguia-se sentir um efeito de imersão e a sensação de que dirigir algo tão complexo pode ser tão simples… quando a rota está lançada e nada de imprevisto acontece. O problema estará sempre nos imprevistos e o grande desafio é, de facto, prever os imprevistos…






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