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10 novembro 2016

Trump, Bush, Lula e Sanders

Contra todas as previsões e racionalidades, Trump ganhou. Ou, talvez, tenha sido antes Hillary quem perdeu, por desgaste da imagem e descrédito nos simples eleitores, saturados do sistema vigente. Se do lado Democrata estivesse um antissistema como Sanders, o seu resultado teria sido melhor do que o de Clinton e eventualmente venceria? Um cenário não menos inquietante…

Como vai ser na prática a ação de um líder assustadoramente diferente do modelo e dos valores tradicionais, que estamos habituados a ver? Encontro algum paralelo, noutra latitude geográfica e politica, com a eleição de Lula da Silva no Brasil em 2003. Um sindicalista ex-operário que destronou as famílias tradicionais do sistema. Hoje, vendo à distância, e como as investigações em curso vão levantando, a rutura com o “sistema” não foi assim tão significativa como inicialmente previsível.

Trump está mal preparado, talvez não muito diferente de George W. Bush, apenas com a diferença de que esta pertencia a uma dinastia do sistema e tinha mais tento na língua. O problema principal com Bush veio dos seus conselheiros, decididamente maus conselheiros. A esperança é que a prática de Trump, e no discurso da vitória já mostrou mais tento na língua, seja suficientemente influenciada por conselheiros razoáveis, o que quer que isso seja exatamente, esperando bem que não venham da mesma cepa.

O problema maior é que, depois do populismo falhar, a fase seguinte é muito imprevisível e incontrolável.

07 julho 2016

O depois da mentira


O relatório Chilcot, divulgado esta semana na Inglaterra (ou Grã-Bretanha ou Reino Unido...) veio comprovar aquilo de que já se suspeitava há muito tempo. Que a invasão do Iraque de 2003 foi uma birra, ou outra coisa, dispensável. Que não havia nenhuma ameaça séria naquele momento e que a via negocial não estava esgotada. Publicado em 2011, o livro “A Era da Mentira” de Mohamed Elbaradei, antigo Diretor da Agencia Internacional de Energia Atómica e Nobel da Paz em 2005, é também bastante elucidativo sobre esse embuste e outros assuntos contemporâneos da mesma temática.

Ficou também agora evidenciada a ausência de uma preparação séria para o “dia seguinte”. De recordar que o que se passa hoje no Iraque, nomeadamente as tensões sectárias que ajudaram à nascença do chamado estado islâmico são, em parte, ainda a consequência dessa falta de previsão.

A divulgação deste relatório, numa altura em que Donald Trump aparece como sério candidato à presidência dos EUA, deveria ser objeto de uma reflexão especial pelos eleitores americanos.

Ficamos à espera da publicação de algo análogo em França, se tal for possível, sobre o envolvimento desta no derrube de Khadafi. Enquanto o UK se deixou enganar ou foi enganado pelos EUA; na Líbia a França interesseiramente e falsamente foi atrás de outros, por acaso não europeus nem ocidentais.

É comum referir que o Iraque com Saddam e a Líbia com Khadafi estavam “melhor” do que ficaram depois das respetivas “libertações”. Isso é verdade, mas significa que essa parte do mundo só se controla e está estável debaixo de regimes ditatoriais e repressivos? Não deveria ser assim mas, pelo menos, poderíamos ter aprendido que a doença não se cura com envio de tropas e mísseis. Não aprenderam. Na Síria apenas só não estamos aí pelo apoio do Irão e da Russa ao regime, mas os danos já são irreversiveis.

02 março 2016

Obama e Guantánamo


A poucos meses do término do seu segundo mandato, Obama voltou a falar do encerramento da famosa prisão. A associação destas duas palavras, ou a falta dela, durante 8 longos anos, é um indicador muito significativo sobre a isenção da informação que nos chega.

Não pretendo atacar especialmente Obama. De uma forma geral os seus mandatos foram incomparavelmente melhores do que os do seu antecessor e vejo com alguma preocupação as sondagens atuais e as perspetivas futuras.

A minha questão é: tentem fazer um esforço de pesquisa e vão ler o que diziam tantas vozes destacadas deste mundo sobre Guantánamo e George W. Bush há 9-10 anos atrás. “Vergonha” seria a palavra mais macia…

Ora bem, o, por acaso, também Nobel da Paz está a terminar o segundo mandato sem ter efetivamente conseguido acabar com aquilo. Porque estão calados aqueles que, pelo mesmo motivo, apedrejavam Bush sem descanso? Não faltará um pouco de coerência?

Se nas próximas eleições for eleito um republicano (rezando a todos os santinhos para não ser D. Trump), iremos voltar a ouvir falar duma “vergonha mundial inaceitável”?

15 dezembro 2015

Medo sim, mas de quê


O último número da “Economist” destacava o aumento da extrema-direita populista, supostamente jogando com o medo e incluindo agora (?) a vertente da segurança. Foto de capa com D. Trump, M. Le Pen e V. Orban, aqui copiada.

De acordo com o artigo, um cenário economicamente recessivo cria insegurança, medos, xenofobia e é campo fértil para um perigoso populismo radical. Propunha a sua receita habitual: abrir fronteiras, globalizar, livre circulação de bens e pessoas. Isso cria riqueza. A prosperidade matará então os medos, secando o populismo xenófobo.

Da Hungria não conheço nada, mas julgo existir por aqueles lados xenofobismo a sério. Dos USA também sei pouco, mas reconheço ser assustador ver um Trump a presidir uma superpotência, especialmente se tiver conselheiros do calibre dos de G.W. Bush.

Sobre França, que conheço bastante melhor, afirmo. Sim, existe xenofobismo puro; sim, durante a II Guerra o colaboracionismo foi muito relevante; sim, as ideias na fundação da FN são preocupantes. No entanto, claramente, não é o xenofobismo primário fruto da falta de prosperidade, que o tal reforço de globalização supostamente resolveria, que levou 30% dos eleitores para a extrema-direita.

Na causa está certamente a incompetência e hipocrisia dos políticos tradicionais, mas não só. Quando, e é apenas um exemplo adequado à época, a população se choca por a autarquia suspender as iluminações de Natal nas ruas, em nome de uma laicidade politicamente correta, isto não é xenofobia, mas pode ser capitalizado nesse sentido.

A vitória da direita tradicional na segunda volta das regionais francesas é uma vitória de Pirro. Atribuir um carácter “pestífero” aos radicais, decretando que devem ser cirurgicamente isolados de qualquer exercício de poder é algo desrespeitoso, sobretudo quando representam 30% dos eleitores e ineficaz a prazo, dado estarem a subir consistentemente, com fundamentos para continuar…

O “Economist” que me desculpe, mas para lá das questões económicas, na Europa, também contam as culturais.

11 setembro 2011

A amálgama do pós 11 de Setembro

Pois… eu não gosto de efemérides e até tinha planeado passar ao lado desta, mas não resisti. Sei bem onde estava na altura mas isso interessa pouco, como também sei que a 11/9/2006 estava a apanhar um avião para me instalar de armas e bagagens na Argélia.

Quanto ao de 2001, acho que ele criou/cria muitos equívocos quanto à relação do mundo ocidental com o Islão. Por um lado, uma negativa pela identificação dos atentados com os muçulmanos em geral e subsequente desconfiança e repulsa; por outro lado uma simpatia e compreensão de outra facção para com quem está a ser injustamente ostracizado. Vamos por partes … a Al Qaeda é uma organização que não se pode identificar com a globalidade do Islão. É terrorista como o foram as Brigadas Vermelhas e ainda o é a ETA. A grande maioria dos muçulmanos não se identifica com ela, apesar de não lhes ficar mal uma condenação mais clara e rotunda destes actos. Mas, por muito perigosa que seja a ameaça da Al Qaeda, existe um arsenal de legislação, polícia e tribunais para a combater. Com mais ou menos vítimas a lamentar o desfecho é claro como o foi para as Brigadas Vermelhas e é/será para a ETA.

No entanto, para o Sr Dupont e o Sr Smith o seu problema com o Islão não está nos potenciais atentados da Al Qaeda. Está em um dia, pela evolução demográfica e pelo princípio da democracia serem impedidos de tomar um pastis ou um pint à luz do dia, a menos de x metros da mesquita mais próxima. O Sr Silva ainda não imagina isso…

PS: E rever aqueles momentos com G.W. Bush bloqueado sem saber como reagir após receber a notícia é revelador da capacidade de discernir e agir do homem...

11 janeiro 2008

Kind of too late, Mr Bush, no?!



É um pouco patético ouvir agora este presidente dos EUA dizer, em visita de puxar brilho a fim de mandato, que quer ver um acordo de paz concluído entre Israel e os palestinianos antes de deixar a Casa Branca.
Sim, é um desejo bonito, mas.... onde estava essa vontade no passado e em especial no seu primeiro mandato, quando ria todo contente e arrogante ao lado de Rumsfeld e Cias, enquanto Colin Powell andava por aqueles lados completamente desapoiado, tentando dar um mínimo de continuidade ao trabalho desenvolvido pela administração Clinton?


Foto do site do “El País”

10 junho 2006

Pelas famílias, tudo!




A exposição, propositada ou acidental, de um seio de Janet Jackson durante a transmissão da final do campeonato de futebol americano em 2004 constituiu um enorme escândalo nos USA e custou aos proprietários da CBS 550 000 dólares. Equivalem a cerca de 440 000 euros ao câmbio actual.

A partir de agora será pior. Por unanimidade no Senado e larga maioria na Câmara dos Representantes foi aprovado o “Broadcast Decency Enforcement Act”. Trata-se de um novo pacote legislativo contra a difusão de indecências que, entre outras medidas, multiplica por dez o montante das sanções.

Contente ficou a “Parents Television Council”, organização cristã conservadora, que tem incentivado as denúncias das obscenidades difundidas. De uma centena de queixas e 48 000 dólares de multas aplicadas em 2000, passou-se em 2004 para 1,4 milhões de queixas e 8 milhões de dólares em multas.

Contente também ficou George W. Bush, manifestando o seu agrado pelo “reforço das famílias” que a nova legislação permitirá.

Sobre os conteúdos violentos, para já nada. Aparentemente é mais grave para a estabilidade das famílias que os menores vejam um seio nu feminino do que as imagens brutais e desumanas de espancamentos, esquartejamentos, violência gratuita e outras barbaridades. Aparentemente, é mais pernicioso para o desenvolvimento equilibrado das crianças a imagem de dois corpos nus do que os jogos em que se ganham pontos a roubar automóveis e a atropelar e esmagar inocentes peões.


Nota: A fotografia não é da minha autoria! Foi extraída do sítio do "Le Monde", assim como a informação de suporte ao texto.

10 julho 2005

Querem apagar a luz


Tenho visto com alguma frequência notícias sobre umas investidas preocupantes no sistema de ensino nos USA. Alguns candidatos a herdeiro de Torquemada, acham que Darwin e a evolução são uma treta e que o mundo foi criado por um ente superior todo-poderoso. Aproveitando a onda beata Bushiana actual e a influência que as autarquias, naturalmente politizadas, têm sobre os conselhos de administração das escolas, os manuais de biologia recebem autocolantes avisando os alunos de que a evolução é apenas uma teoria entre várias outras.

Definitivamente a igreja não aprendeu que a sua intervenção na ciência esteve, está e estará sempre condenada ao fracasso. No início, quando o homem via os trovões, não encontrava explicação para os mesmos. Aqueles que tinham dificuldade em conviver com esse desconhecido, atribuíram o fenómeno ao deus do trovão. Quando se descobriu como se formam as cargas electrostáticas nas nuvens e como se descarregam, o deus do trovão ficou desempregado.

Não se sabia porque é que “o Sol girava em volta da Terra”. A igreja explicou que deus todo-poderoso assim o tinha entendido e assim tinha criado o mundo. Quando Galileu ilumina a questão, a descoberta é dramática para a igreja. Reacção: apagar a luz, queimar livros, matar pessoas.

Sempre que a religião for utilizada para “explicar” o desconhecido por quem convive mal com ele, o resultado é só um. Cada avanço da ciência que explica o até então desconhecido é um recuo correspondente da igreja. Por isso a igreja teve na história tantas tentações para manter a escuridão. A luz tira-lhe força e, por isso, é sua inimiga natural.

Estes desenvolvimentos nos USA são declaradamente uma manobra de reduzir a luz e de regredir para a escuridão e no local mais perigoso: nas escolas. Curiosamente, nalguns países, o fanatismo islâmico actual foi plantado nas escolas por professores fundamentalistas.

19 maio 2005

Ridículas paradas

Ao ver a fotografia de Putin e Bush, todos bonitos, a avançar e a acenar no automóvel clássico, pensei que estariam a inaugurar um parque temático. Mas não. Fazia parte das comemorações do fim da II Guerra Mundial. Nestas comemorações há alguma coisa desajustada.

Independentemente de na sua origem directa, ter estado uma figura perigosa e sinistra, a II Guerra Mundial não foi uma guerra dos bons contra os maus. A Rússia? Foi dos maus no início e dos bons no fim? Como outras, esta guerra foi “apenas” um conflito de interesses ocorrido numa altura em que os exércitos eram os argumentos geo-estratégicos de primeira linha. Obviamente que nem é necessário perguntarem-me qual o “interesse” que eu prefiro.

Também de referir que os EUA não entrarem na guerra para ajudar a Europa, nem por princípios éticos ou morais. Entraram em defesa dos seus próprios interesses políticos e económicos. Como prenda, no final, receberam uma mina de ouro sem fundo. Na conferência de Breton Woods, ficou decidido que a moeda mundial de referência seria o dólar americano e que eles poderiam imprimir tantos quantos quisessem. Durou formalmente até 1973.

Parece-me patético que 60 anos depois ainda se fale de vitórias. Que se ignore que houve barbárie de ambos os lados e que, só por exemplo, o bombardeamento de alvos exclusivamente civis para desmoralizar o adversário foi Roterdão e também foi Colónia; foi Londres e também foi Dresden.

Mais grave. Parece-me ainda não esclarecido o que foi colectivamente o nazismo. Não é um louco sozinho que arrasta um país instruído. Durante anos funcionou uma grande máquina tenebrosa. Essa máquina teve a adesão activa, efciente e dedicada de muita e muita gente da Europa das luzes.

É assustador que 60 anos depois seja necessário legislar para proibir partidos xenófobos e manifestações neo-nazis. E que essas simpatias não se resumam só a jovens zaragateiros. Não se pode dizer que seja por falta de informação. Quanto mais não seja pelo canal, deformado é certo, dos filmes, toda a gente viu campos de concentração e a sua brutalidade insana.

Visitei Bergen-Belsen. Pouco há de material. Somente um ar de chumbo que nos sufoca com milhentas interrogações.

Por tudo isto, estas comemorações deviam centrar-se nas interrogações que permanecem e não em ridículas paradas.