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22 novembro 2020

Unamuno



Foi a este e ao Cervantes que Adolfo Correia da Rocha foi buscar o nome próprio para juntar à planta brava da montanha, Torga, e criar o seu pseudónimo literário.

Passando ao lado da polémica dos seus apoios e desapoios, posições tresmalhadas ou coerentes e se o franquismo o matou e depois solenemente enterrou, ou não… e concentrando-nos no que fica de fundamental, a obra.

Num destes dias longos de fim de semana caseiro reencontrei a "Névoa” entre os meus livros. É um daqueles em que quase com pena vemos aproximar-se o final da obra e do prazer de uma leitura que não se quer ver terminada.

Magistral. Muito bem escrito e sendo relativamente curto, tem uma profundidade e abrangência enormes. Dentro da simplicidade de muito discurso direto, são 200 páginas sem palavras complicadas. Mas que de imagem em imagem, quase linearmente, sem saltos nem surpresas de arrebatar, nos despe e mostra a simplicidade da complexa condição humana.

Bravo, senhor Miguel.

21 dezembro 2017

E Boas Festas :) !


Era uma pequena cidade do interior, de ruas estreitas, calçadas a pedra miúda, onde ainda não tinha chegado a estilização das iluminações esquisitas e ou envergonhadas. Não que estas fossem espetaculares, eram até bastante simples, mas evocavam-me um tempo que parece querer desaparecer. Acima das golas subidas pelo frio, entrava nos ouvidos o “Silent Night”, ou “Noite de Paz”, conforme o gosto. Numa varanda privada, um presépio mostrava-se ao público, inundando e baralhando de cores a camara do telefone.

Tudo normal, nestes tempos de frio e de noites longas, onde nos encolhemos para atravessar mais um inverno. Tudo normal, sentir esta soalheira brisa de luz e música nesta quadra onde é suposto nascer a boa vontade. Tudo normal, antes de hibernar receber um pouco de calor, do outro.

Para acabar o dia de hoje, não o hoje em que escrevo, mas o hoje que foi ontem, quando este texto nasceu, recebi inesperadamente dois “…e Boas Festas!!”, com sorrisos grandes, bonitos e genuínos. Tudo certo, quando assim é, verdadeiro. Obrigado e em Paz sigamos, pela noite grande.

17 setembro 2017

Andores de Santa Tecla

Fica na margem esquerda do rio Neiva, já relativamente próximo da foz. Uma simples capelinha num pequeno sobressalto de terreno verdejante e arborizado, com o bucólico rio ali a seus pés e uma presa e respetiva azenha logo acima. As minhas primeiras aventuras remadoras, muito incipientes, foram ali.

Um destes dias, depois de alguns quilómetros a pedalar e quando serpenteava às escondidas com o Neiva desde Forjães passei lá, vi uns andores cá fora, à sombra das árvores, generosamente floridos e marquei regresso para a tarde, devidamente equipado.

Lá estava uma banda de respeito, curiosamente com alguns músicos que já vi a tocar em orquestra sinfónica, as criancinhas representando as várias Nossas Senhoras e as autoridades, esperando para participarem e abrilhantarem a procissão. Uma festa como deve ser. Curiosamente, cruzei-me com e encarei o presidente da câmara, que conheço dos cartazes. Fez um cumprimento de quem me conhecia, apesar de eu não aparecer em cartazes, e, educadamente, respondi. Aparentemente, isto andar com duas câmaras aos ombros inspira respeito aos políticos!

Bonita a festa… Mais detalhes dos andores aqui.

29 abril 2017

Dança


Na praça aquecida ao Sol, uma rapariga pôs-se a dançar
Ela roda continuamente, como as bailarinas da antiguidade
Na cidade muito quente, homens e mulheres sonolentos
Espreitam pela janela esta rapariga que dança ao meio dia

Assim, certos dias parecem uma chama aos nossos olhos
Na igreja onde eu ia, chamar-lhe-iam o Bom Deus
O enamorado chama-lhe o amor, o mendigo a caridade
O Sol chama-lhe o dia e o homem bravo a bondade.

Na praça vibrante de ar quente, onde nem sequer um cão aparece
Ondulante como erva ao vento, a rapariga saltita, vai e vem
Nem guitarra nem pandeireta para acompanhar a dança
Ela apenas bate palmas para marcar a cadência

Assim, certos dias parecem uma chama aos nossos olhos
Na igreja onde eu ia, chamar-lhe-iam o Bom Deus
O enamorado chama-lhe o amor, o mendigo a caridade
O Sol chama-lhe o dia e o homem bravo a bondade.

Na praça onde tudo está tranquilo, uma rapariga pôs-se cantar
E o seu canto plana sobre a cidade, hino de amor e de bondade
Mas na cidade demasiado quente, para não mais ouvir o seu canto
Os homens fecham as janelas, como uma porta entre mortos e vivos

Assim certos dias parecem uma chama nos nossos corações
Mas nunca queremos deixar brilhar o seu brilho
Tapamos as orelhas e fechamos os olhos
Não apreciamos muito os acordares
De um coração já envelhecido

Na praça um cão ainda uiva, porque a rapariga se foi
E como o cão uivando a morte… choram os homens a sua sina!

Para marcar o dia, mais uma tradução livre… de quem…? 
Só podia ser do grande Jacques !
"Sur la Place"

05 abril 2017

E é sempre a primeira vez


Obrigado Rui Veloso e Carlos Tê pelo belo hino a esta “Porto Calle”, que tantos anos depois ainda e sempre nos emociona. Sim, “Porto Calle”, porque separar as duas, só por bacocada política, muito pequenina para a grandeza do local.

Onde praticamente não há palácios, porque de nobre só o atributo no mui claro lema. Preguiçosos, presunçosos e parasitas não são bem-vindos, contas pagas na hora e sem complicações e, mesmo no auge das trevas, a inquisição foi impedida de queimar gente nas ruas.

O milhafre ferido na asa, parece que voltou a voar, mas mais do que as distinções e as classificações e o ser o mais isto ou o mais aquilo, a primazia não está na beleza, que é como os chapéus, há muitas; o fundamental é saber ser livre, como tantas vezes o demonstrou.

11 março 2017

Perdões



Não sei mais que dizer como introdução a mais um belíssimo texto descoberto, deste grande senhor, Jacques Brel. E penso que este Cupido e Psique, vistos no Louvre, ficam bem na ilustração do mesmo, quanto mais não seja por antítese.


Perdão por aquela rapariga que se fez chorar
Perdão por aquele olhar que abandonamos rindo
Perdão por aquele rosto que uma lágrima mudou
Perdão por estas casas onde alguém nos espera
E depois por todas estas palavras que dizemos de amor
E que utilizamos como moeda
E por todos os juramentos mortos ao nascer do dia
Perdão pelos nunca, perdão pelos sempre

Perdão de não ver mais as coisas como elas são
Perdão por ter querido esquecer os nossos vinte anos
Perdão por termos deixado esquecidas as lições
Perdão por renunciar às nossas renúncias
E depois por nos enterrarmos a meio das nossas vidas
E depois por preferir a paga de Judas
Perdão pela amizade, perdão pelos amigos

Perdão pelos lugares que nunca cantam
Perdão pelas aldeias que já esquecemos
Perdão pelas cidades onde ninguém se conhece
Perdão pelos países feitos de sargentos
Perdão por ser daqueles que não querem saber de nada
E por não ter cada dia ainda tentado
E perdão ainda e depois perdão sobretudo
De nunca saber quem nos deve perdoar.

14 fevereiro 2017

Dia perigoso

Hoje é um dia perigoso… para ir a um restaurante. Há um sério risco de ser confrontado com uma ementa de S. Valentim; pior do que isso, numa sala decorada à S. Valentim ou, mesmo muito pior ainda, viver uma situação muito deprimente, caso coincida com um jantar junto com um colega de trabalho. Acho que desta última, pelo menos, estou safo.

Saindo um pouco deste merchandising da data (e uso o english mesmo de propósito), se houver um sorriso de alguma forma que gere outro sorriso, já chega.

E para esquecer, ou recordar, que não há nada de mais maravilhoso do que um olhar que tenta conquistar outro e nada mais, mais menos, do que um olhar que considera o outro conquistado.

31 janeiro 2017

A infância por Brel


O Senhor Jacques Brel, que eu aprecio há muito tempo, de quem tenho a obra completa há vários anos, continua, de vez em quando, a aparecer e a conseguir surpreender-me.
Para falar assim da infância, é preciso ser-se um grande adulto ! 

A infância, quem nos pode dizer quando acaba, quem nos pode dizer quando começa, não tem nada a ver com a imprudência, é tudo o que ainda não está escrito.

A infância que nos impede de a viver, de a reviver infinitamente, de viver a retornar no tempo, de arrancar o fim do livro.

A infância que pousa nas nossas rugas, para fazer de nós velhas crianças. Eis-nos jovens amantes, o coração cheio, a cabeça vazia. A infância, a infância.

A infância é ainda o direito de sonhar e o direito de voltar a sonhar. O meu pai era pesquisador de ouro; o problema é que o encontrou.

A infância, é meio-dia cada quarto de hora e quinta-feira cada manhã. Os adultos são desertores, todos os burgueses são índios.

Se os pais conhecessem a infância, se os mais pequenos amantes soubessem, se por acaso eles conhecessem a infância, nunca mais haveria crianças, nunca

23 dezembro 2016

Natal plural


É nesta mesma lareira, e aquecido ao mesmo lume, que confesso a minha inveja de mortal sem remissão por esse dom natural, ou divina condição, de renascer cada ano, nu, inocente e humano como a fé te imaginou, Menino Jesus igual ao do Natal que passou.
(Miguel Torga).

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. Das mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada.
(David Mourão Ferreira).

Natal... Na província neva. Nos lares aconchegados, um sentimento conserva os sentimentos passados. Coração oposto ao mundo, como a família é verdade! Meu pensamento é profundo, estou só e sonho saudade. E como é branca de graça a paisagem que não sei, vista de trás da vidraça do lar que nunca terei!
(Fernando Pessoa).

Natal é sempre o fruto que há no ventre da mulher
(Ary dos Santos)

28 fevereiro 2016

Perímetro mágico (Sul)


Continuando...

Do lado Sul do rio mágico (poupando repetir o nome), a estrada foge descaradamente para sul. É um abuso! Rapidamente estamos fora do Douro e já a cheirar a Beiras.

Ao regressar para o norte, logo que possível, ir a correr rever e cumprimentar o rio. Ali para os lados de Almendra, há um desvio obrigatório: a estação, desativada, de CF do mesmo nome. Um anfiteatro abandonado, uma praia fluvial de barcos perdidos, o edifício cai em ruinas e os carris vão desaparecendo levados por outras ações, menos da natureza. Apenas lá chegar e parar para respirar o local vale a pena. Se possível acrescentar uma caminhada pela antiga linha.

Segue-se o arranjadinho Castelo Melhor, local de uma das saídas para as visitas das tais gravuras. Na descida, a vista sobre Erva Moira, do outro lado do rio, é de ficar calado. Antes de Foz Coa, subir à capela de S Gabriel e já começo a ficar sem adjetivos para caraterizar os locais. Se depois de ver o Museu de Foz Coa, que vale tanto o edifício/local como o recheio, mergulhar em ziguezague apertado até… ao rio. Que mais poderia ser… !

26 fevereiro 2016

Perímetro mágico (norte)


Grosso modo, saindo de Torre de Moncorvo até Freixo de Espada à Cinta, pelo largo, correndo a seguir o Douro internacional até Barca de Alva, avançando até Foz Coa, pelo largo, e regressando ao ponto de partida, fica definido um perímetro muito especial. É por lá que serpenteia o meu percurso das amendoeiras nesta altura do ano, mas também vale a pena na primavera, no verão, ou em qualquer altura. Como é habitual, quanto pior a estrada, mais interessante a paisagem.

Começando pelo lado norte do Douro, tanto estamos a beijar o rio junto ao cavalinho de Mazouco, como logo a seguir respiramos devagarinho no alto do assombroso Penedo Durão, guardado pelos seus grifos e demais passarada. É o limite leste dum acidente geológico que vai acabar a oeste na ribeira do Mosteiro. Se no penedo a coisa é simples, apenas uma parede vertical com cerca de 300 m de altura, na outra extremidade é mesmo um acidente. Precisava de lá ir com um geólogo para me traduzir o significado de tanta rocha subida, descida, curvada, aflorada, dificilmente entendida como resultado de um fenómeno natural. De um lado da ribeira corre uma estrada com uma vista única no país (que eu conheço). Não me lembro de ver em mais nenhum local uma garganta quadrada assim … do outro lado, a calçada de alpajares que, não sendo um fim do mundo, é do que mais parecido se pode encontrar.

Para acabar, sair de Barca de Alva na margem norte do rio, sim há lá uma estrada, subindo e respeitosamente abrindo a vista sobre o rio e as suas colinas a sul até terras de Castelo Rodrigo. A estrada e os viajantes podem perder-se pela serra de Moncorvo ou vir depois encostar ao rio e acompanhar carinhosamente a albufeira do pocinho até à barragem do mesmo nome.

Continua...


19 fevereiro 2016

Mais um neo clássico


A Renault anunciou um novo modelo (até mesmo uma nova marca) inspirado nos míticos Alpine Renault dos anos 60, como a fotografia acima evidencia. Desconhecendo-se ainda o sucesso que encontrará, até por se dirigir a um público relativamente restrito, este revisitar do clássico francês recorda os casos de sucesso anteriores do Mini inglês, do Carocha alemão e do Fiat 500 italiano.

Estas iniciativas não se restringem aos automóveis. Na área da fotografia, por exemplo, a Fuji e a Olympus tiveram um enorme sucesso com novos (bons) modelos de “look” retro.

Será que as marcas possuem um património afetivo que com a evolução negligenciaram e numa dada altura descobrem existir ali um valor a recuperar? E o desenvolvimento e rentabilização dessa riqueza passa obrigatoriamente por uma descontinuidade, que permita posteriormente identificar e caraterizar o “antigo”?

Será que isto acontece por a moda ser tipicamente cíclica? Penso que não, pelo menos no caso dos automóveis. Há demasiada emoção e paixão para ser apenas questão de “hoje diferente de ontem”. O caráter cíclico manifesta-se mais na alternância entre linhas redondas/vincadas, cintura alta/baixa...

Será que as linhas “antigas” tinham uma linguagem muito mais expressiva e uma identidade mais forte do que atualmente? A otimização dos espaços e da performance deixou pouco espaço à criatividade…? Será que isto é um caso de nostalgia pura, do “antigamente é que era bom”? Talvez, mas, por exemplo, entre os atuais utilizadores do Fiat 500 quantos nem sequer tinham antes ouvido falar do original?

Pondo o assunto noutra perspetiva. Quando daqui a 40 anos um construtor automóvel pensar em fazer uma versão “retro” de um modelo marcante, que poderá escolher dentro do parque atual? Excluindo o mítico (fica sempre bem este adjetivo…) Fiat Múltipla, muito pouco consensual, quais são os modelos hoje na estrada, que acenderão uma luzinha e um sorriso nostálgico quando forem revistos dentro de umas décadas? Assim de repente, apontaria o Honda Civic, tipo pequena nave espacial… E os modelos que se destacarão serão simplesmente os que correspondam a um “look” que entretanto desapareceu, questão de alternância simples, ou serão os que despertam, e despertarão, paixões, questão de linguagem forte?

É de realçar que o parque de veículos dos anos 60 e 70 apaixonantes (míticos?), passíveis de serem revisitados, está muito longe de esgotado. Assim, no imediato, e para colocar ao lado deste neo Alpine, que tal um neo Stratos? Uau!!! Por falar em Alpine e Stratos, de uma coisa estou certo: dos carros que atualmente vemos a ganhar ralis, não ficará nenhum para a história da paixão.


Foto da promoção oficial da Renault

10 novembro 2015

Males que vêm por bem

Ou, dito doutra forma: há bens que chegam por acaso. Quis o azar que há uns dias atrás, ao fazer as malas um pouco à pressa, deixei para trás o material de leitura… Bom, o aeroporto de Lisboa até tem uma loja da Fnac…

Na dita loja, o material exposto em destaque, basicamente da categoria das “novidades”, não entusiasmava muito. A escolha era entre títulos bombásticos em capas de cores fortes e títulos pindéricos sobre capas pirosas…

Felizmente, lá ao fundo, estava uma estante com edições de bolso e uma coleção muito mais afastada da chamada espuma dos dias… Recordou-me os tempos em que eu ia juntando os trocos para os trocar por edições baratas de capa mole. Hoje eles ainda lá estão vivos na estante, apesar de não muito vistosos e com o papel já muito amarelado.

A escolha recaiu sobre um autor até agora virgem para mim: Machado de Assis e o seu “Dom Casmurro”. A sua função “biblo” na estante não será grande coisa, mas também não foi caro. No fundamental, ufa…! Que bela surpresa e que excelente história tão bem escrita. Uma das coisas boas deste mundo é haver sempre algo extraordinariamente bom, pronto a nos surpreender (desde que não nos baralhemos com o aspeto das capas).

24 março 2015

11 março 2015

A não fotografia do ano


Ainda não são 8 horas da manhã e rolo há mais de uma hora na estrada Rabat – Beni Mellal, quase sempre sob nevoeiro, daqueles que tornam difícil qualquer ultrapassagem, por mais longas que sejam as rectas. Alguns quilómetros antes de Romani, anuncia-se uma mudança. O Sol quer romper e ainda bastante horizontal.

À minha frente ilumina-se um pano de fundo branco e brilhante. Como se se tivesse aberto uma janela a toda a altura e largura do cenário, jorrando uma luz intensa, dando um aspecto fantasmagórico ao contraluz das arvores na berma da estrada.

O mais impressionante está para vir a seguir. Um grupo de gente a trabalhar no campo, curvados, de frente para a parede de luz. Parece uma celebração. Atónito, abrando, apreciando aquela visão incrível, para desespero do “grand táxi” colado atrás de mim, já antes irritado pela minha velocidade no nevoeiro. Saboreio a imagem e penso: que fotografia fantástica isto dava…!

Rolo mais umas centenas de metros, pressionado pelo “grand táxi”, pensando se volto mesmo para trás ou não, para o registo precioso. Não voltei e ganhei o lamento de ter perdido a fotografia do ano… Fiquei com a imagem gravada e acrescentei-lhe uma mensagem: nem tudo na vida necessita de ser fisicamente registado. A beleza indiscutível dispensa registos obsessivos: basta a sua recordação na nossa memória.