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03 fevereiro 2023

E as crianças, senhores?


A greve, no seu conceito geral, é feita por trabalhadores contra o seu empregador, provocando-lhe quebra de rendimentos. As fábricas e as atividades económicas param. Tem lógica esta causa-efeito quando o prejuízo fica em quem tem o poder de atender às revindicações.

Depois, há as greves dos serviços públicos, onde os principais prejudicados não são as entidades patronais, mas sim inocentes cidadãos, tomados como reféns numa disputa que não lhes diz respeito. Podem ter grande impacto mediático, pela desordem causada, mas há aqui alguma perversidade e o bom-senso devia limitar a sua frequência e duração.

Por estes dias assistimos a prolongadas greves no setor do ensino, em que os reféns não são cidadãos que podem perder um dia de trabalho por falta de transporte. São estudantes, com um currículo já fragilizado pelos efeitos da pandemia, e que podem perder algo dificilmente recuperável.

Não me cabe aqui desenvolver considerações sobre justezas e injustiças. Apenas referir que este extremar de posições e a falta de vontade/capacidade de encontrar uma solução razoável ou, pelo menos, decretar tréguas de negociação é uma pesada irresponsabilidade.

A migração, apenas de quem pode, para o sector privado, a fim de garantir formação de qualidade aos seus filhos, é uma consequência natural e uma brutal injustiça. Põe em causa o princípio da igualdade de oportunidades, algo que deveria ser garantido na teoria e na prática.

19 agosto 2019

Mínimos e máximos, veraneantes e pacientes

Acabou, ou está suspensa para já, a famosa greve dos camionistas de matérias perigosas. Terá sido das mais noticiadas e seguidas antes, durante, veremos ainda o depois, e, ao mesmo tempo, com uma secundarização enorme do que estava mesmo em causa: quais as reivindicações exatas, qual a parte “justa”, qual a parte abusiva e desproporcional, se o processo de negociação estava bloqueado ou não, etc.

O importante foi até que ponto a greve afetaria as intenções de voto no partido no poder e a vontade de ir à praia do povo em geral. É óbvio que existem uma série de serviços fundamentais a precisarem de serem garantidos, mas a fasquia foi colocada bem acima, para não perder os votos de quem queria ir à praia. Assistimos a um esforço enorme do governo para, na prática, evitar que a greve afetasse efetivamente os eleitores, perdão os cidadãos. Pode-se discutir se faz sentido ou não, se tamanha anulação do seu efeito põe em causa os fundamentos do conceito e o exercício do seu direito ou se há sectores em que não pode haver greves a sério.

Uma coisa que eu teria gostado era de ver esta determinação aplicada às greves cirúrgicas, dado que, ainda por cima no estado de saturação do SNS, adiar intervenções cirúrgicas é bastante mais grave do que o pessoal não ter combustível para ir à praia. Aparentemente haverá mais votantes veraneantes do que pacientes.

18 abril 2019

Que tudo corra bem…

Soma e segue. Ou falta de competência, ou de empenho, ou de discernimento, ou de escrutínio, ou… mas... cada vez mais se confirma termos à nossa frente uma máquina de Estado cuja eficácia e excelência parece confinada à mui nobre atividade de cobrar impostos, além de gerir o dia a dia. Reformas, coisas pensadas a sério… mesmo um organismo privado que ousou fazer contas e apresentar umas questões sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, foi chutado para canto pelo ministro da tutela. Tudo está bem até a inevitabilidade ou as redes sociais obrigarem a fazer qualquer coisa.

A reação do governo à greve dos motoristas de matérias perigosas, não materiais, informem lá o Ministro que quis falar e se enganou várias vezes no nome, foi mais um exemplo de ir comprar as trancas depois de a casa estar arrombada. Está bem que não morreu ninguém, nenhuma ambulância ficou parada na estrada com um ferido grave, como também no caso do helicóptero do Inem despenhado em Valongo, não morreu mais ninguém, mas já houve tragédias a sério e a sensação e o amargo na boca têm o mesmo sabor: em cima do joelho e atrás do prejuízo.

Fica, e só como exemplo, o anedótico da forma como foram decretados os serviços mínimos para o abastecimento de combustíveis: 40% para a grande Lisboa e o grande Porto. Em primeiro lugar, como depois se corrigiu, 40% não é suficientemente específico. Seria necessário definir, de preferência estar pré-defiido, os pontos específicos e as regras de acesso, restrições e prioridades. Depois a limitação às duas grandes metrópoles diz muito sobre o conceito de “país” que vai naquelas mentes.

Que tudo corra bem, já que cada vez que algo corre mal ficamos entre a tragédia e o caricato.

15 dezembro 2017

A Autoeuropa não fecha?


Não tenho acompanhado o detalhe dos desacordos na Autoeuropa, mas não posso deixar de comentar aquelas posturas de “A Autoeuropa não fecha!!”, como se isso fosse um dado adquirido e o esticar a corda nunca pudesse conduzir a tal desfecho.

Recordo uma situação que conheci bem. No início da década de 90, a Bélgica tinha cinco (5) grandes fábricas de automóveis. Dessa altura até agora:

1997 – Fechou Renault, Vilvoorde – cerca de 3000 empregos diretos.
2010 – Fechou Opel, Antuérpia - cerca de 2500 empregos diretos.
2014 – Fechou Ford, Genk – cerca de 4000 empregos diretos.
Sobrevivem apenas duas fábricas: Audi em Bruxelas e Volvo em Gent.

Esta sequência serve para ilustrar não ser assim tão raro e improvável uma fábrica desta dimensão fechar. No nosso caso, temos a agravante de um eventual fecho da Autoeuropa representar praticamente o fim da indústria automóvel em Portugal, dada a dimensão reduzida da PSA Mangualde, como também reduzida era a Opel Azambuja. Neste ponto, não é demais realçar o quanto esta indústria, para lá dos números objetivos, é uma escola e um exemplo estruturante no tecido empresarial do país.

Pela sua dimensão a Autoeuropa não morrerá de um dia para o outro, mas, sem paz social, definhará. Independentemente das responsabilidades concretas, é irresponsável presumir que estes conflitos são inconsequentes. Podem não matar no imediato, mas moem.

Inquestionável é que mesmo sobrevivendo esta à pancada, fica altamente improvável vermos a instalação de outra Autoeuropa em Portugal. E que dava muito jeito, dava…

18 setembro 2017

Pafiosos serão!


Ainda não percebi bem o contexto da contestação dos enfermeiros, mas já me apercebi que alguns, que percebem tanto quanto eu, já decretaram que são todos uns pafiosos, o que tem toda a lógica, já que essa designação engloba qualquer um que conteste ou questione a bondade do nosso atual governo, independentemente dos motivos ou da (in)justeza do desacordo.

Não que devam ser cancelados os direitos cívicos dos membros de tal corja, mas não se perdia nada. Penso que ainda não foi aventado o possível envolvimento da CIA, como no caso da exotérica sublimação das armas de Tancos, nem a cumplicidade da Justiça que, cada vez que investiga alguém da tribo sagrada, é porque pafiosa será.

E, já agora, este problema com os enfermeiros não tem nada a ver, em grande parte, com aquela garantia de que repor as 35 horas para a função pública não teria custos acrescidos para o Orçamento?

25 maio 2016

Será que o bloqueio está no local certo?


França está a ferro e fogo com a contestação social à nova lei laboral. Uma das ações mais visíveis e com maior impacto é o bloqueio às refinarias e consequente escassez de combustível nos postos de abastecimento. Para lá da questão se este tipo de “cercos e ferrolhos” se enquadram numa greve, parece-me que eles estão a bloquear os locais errados.

Estando em causa questões e direitos laborais, eles deveriam bloquear antes os portos por onde chegam produtos fabricados em países onde não há direito à greve, onde não existe proteção social dos trabalhadores, sem condições mínimas de higiene e de segurança nos locais de trabalho, etc, etc … As fábricas europeias e o emprego associado estão a regredir pela transferência de produções para esses países, naquilo que se costuma chamar "dumping" social. 


Protestar contra perda de direitos de trabalho individuais quando as empresas perdem mercado para países onde quase não há direitos, é um pouco suicidário, na minha opinião.

Às tantas, aqueles coletes vermelhos vistosos até terão até sido produzidos num local com um custo de trabalho bem inferior ao francês…


Foto do "Le Monde"

13 janeiro 2016

Cepa torta, garantida


Apanhei esta imagem curiosa na estação do Metro de Lisboa do Aeroporto e fiquei impressionado com a força de S. Sebastião. Numa segunda leitura, e dado estar em território propício, imaginei Jerónimo de Sousa a escrever a António Costa: “Para sua segurança, não ultrapasse Santo Arménio!”

Estou chocado com o anúncio da greve geral na função pública pela reposição imediata das 35 horas, assim como estarão chocados muitos do que suam para ganhar a vida, incluindo, presumo, mesmo alguns funcionários públicos. Senhores: é isto uma prioridade da nação?

Esta suposta nova era, do fim da chamada austeridade, parece ser mais uma reposição do “estatuto” da função pública do que outra coisa. Realmente, são eles os grandes beneficiários do desapertar do cinto. Será justo ou apenas consequência da sua “forte expressão sindical”? A ser o segundo cenário, é bastante injusto. Onde ficam, por exemplo, os pensionistas, cuja melhoria das condições de vida era a prioridade e a urgência que justificou a construção desta geringonça bizarra?

Preocupa-me ainda este perfume de ligeireza, de tudo ser possível, de tudo o que foi feito é para ser desfeito/revertido/anulado, insuficientemente fundamentado e ignorando que depois da embriaguez vem a ressaca. Em resumo: a lógica de conquista e manutenção de poder, não especificamente de quem lá está agora, ignora os interesses do país a prazo. Enquanto assim for, teremos cepa torta garantida por vários anos.

13 outubro 2015

Boa viagem na Air France

No passado dia 5, foi notícia a imagem dos dirigentes da Air France em fuga com as camisas rasgadas, depois de serem atacados por empregados furiosos, após estes terem conhecimento de um “plano social”, que incluía a supressão de quase 3000 postos de trabalho.

Os sindicatos lamentam, mas compreendem; ao fim e ao cabo a supressão de postos de trabalho é também uma violência; quem semeia ventos, colhe tempestades, etc.. Consideram a interpelação posteriormente feita pela polícia aos agressores como uma intimidação ao movimento sindical e até fizeram um sketch cómico sobre o assunto que a imagem acima documenta.

Ora bem, eu viajo regularmente, muitas vezes em rotas operadas também pela Air France, e já não me recordo da última vez que entrei num avião deles. Por uma razão simples: escolho a opção viável mais barata e a Air France está sempre fora de preço. Entretanto, a empresa perde dinheiro e afunda-se. Este mundo está a mudar e esta intransigência social não augura nada de bom. Uma parte do último prejuízo foi devido à greve dos pilotos, em contestação contra o desenvolvimento da filial low cost do grupo.

Portanto, podem continuar a ficar chocados, a ironizar e a compreender tudo e mais alguma coisa, mas, se nada mudar, o mais provável é acabarem todos sem camisa.

13 dezembro 2014

Se forem insultados, não estranhem

Os funcionários da TAP estão a planear uma greve para a época Natalícia, com o objectivo de “sensibilizar o governo” para não avançar com a privatização. Provavelmente nunca trabalharam fora de Portuga e possivelmente nem sequer passaram por outra empresa que não esta e pública. O efeito da sua acção de sensibilização não afecta apenas os portugueses que estão lá fora, mas para esses, é muito triste.

Não neste momento, mas já vivi fora de Portugal por duas temporadas e sei e entendo o que é vir passar o Natal à terra. É organizado com muita antecedência. Não é fácil depois arranjar bilhetes e muito menos com preço em conta. O tempo planeado em Portugal, para estar com a família, reencontrar amigos, rever o sol e o mar, a comida cá feita e colocar a respirar uma casa hibernada é precioso. Qualquer percalço que ponha em risco ou afecte esse tempo é dramático. Todos os potencialmente afectados com esta acção de sensibilização estarão a dirigir palavrões a esses funcionários e com razão.

Mesmo que acabe por ser apenas pólvora seca e a greve não se concretize, o pessoal que se lembrar disto vai para o ano evitar escolher a TAP. Com a vinda à terra no Natal não se brinca, mesmo até preferindo à partida usar um avião em que já “cheira” um pouco a casa.

O resultado desta “sensibilização” é que o governo deve mesmo vender a TAP e rapidamente. A continuarmos assim ainda vai acabar por ter que pagar para alguém ficar com os destroços duma empresa que os seus funcionários, não exclusiva mas determinantemente, estão a destruir.

02 julho 2012

NAV – Digam-me que não é verdade

Estou com sorte. A greve da NAV foi desconvocada o que me permitiu viajar hoje sem os percalços e incertezas a que já me tinha habituado.

Parece que houve um princípio de entendimento entre o Ministro da Economia e o pessoal da NAV para estes não serem abrangidos pelos cortes na função pública, pela sua especificidade. Pelos vistos, eles debitam os seus serviços proporcionalmente aos seus custos e se reduzirem os custos, reduzem as receitas. Sendo uma larga maioria dessas receitas de origem externa, os cortes na NAV conduziriam a uma redução dessa receita, o que seria um prejuízo para o país. Se é mesmo assim, é um modelo de negócio fantástico que eu pensava já não existir: quanto mais gastar, mais recebo. Sendo assim, sugiro que a cada funcionário da NAV se ofereça um Jaguar e umas férias na Polinésia. Resolvemos uma boa parte da nossa crise e sem o mínimo sacrifício! E, por favor procurem, caso haja outros casos similares, é aproveitar.

Obviamente que para quem usa o espaço aéreo português, sejam empresas portuguesas, seja quem quer vir cá ou trazer gente para o que quer seja, esses custos não são um detalhe e afectam a competitividade do país, algo que o Ministro da Economia não deve certamente ignorar!

27 abril 2012

Friday Algerian Fever

Eu não devia estar aqui. Estou num hotel em Palm Beach e que não é o que se imagina pelo nome para quem não conhece, nem o que se imagina pela fama para quem conhece. Não é “a kind of Florida” nem um hotel suspeito, mas sim a melhor relação preço qualidade para hotel num raio de várias dezenas de quilómetros em torno de Argel. Tenho resistido ao estilo das crónicas do pitoresco mas desta vez não escapa.

Hoje pelas 12h45 apresentei-me no aeroporto de Argel para apanhar um voo para Madrid às 15h15, da Air Algérie, donde seguiria para Lisboa e a seguir para o Porto, onde deveria ter chegado um pouco tarde mas ainda a tempo de apanhar o meu pessoal para o fim-de-semana. O check-in estava parado e o pessoal de, pelo menos, 4 voos esperava em fila. Bem, não seria bem uma fila, eram umas 5 ou 6 em paralelo que se interpenetravam e sobre as quais nasciam umas arborescências e desaguavam uns caudais secundários. Ao fim de meia hora soube que havia uma espécie de greve dos controladores aéreos que atrasava a saída dos voos e que o check-in estava suspenso para não saturar a zona de embarque. Ao fim de 1h30 abriram um voo e eu continuei a esperar. Ao fim de duas horas e pico anunciaram então que abriam Madrid. Grande alívio mas de pouca dura. 5 minutos depois ouvi uns oficiais comentarem que Madrid estava anulado. Nestas confusões há uma prioridade: ser o primeiro a chegar ao balcão da confusão, o que consegui. O funcionário achava que só me tinha que dar alternativa até Madrid porque o resto era Tap, mas eu protestei e lá me arranjou um programa em que chegarei amanha à noite a Lisboa e apenas no domingo de manhã ao Porto. O hotel era com outro senhor e este outro senhor diz-me que não, que em caso de greve não é responsabilidade da companhia. E foge para o outro lado do aeroporto e eu vou atrás dele armado em chato mas ele insiste para eu desopilar e me desenrascar.

E aqui tinha um truque rápido na manga. Costumo pedir carro alugado à chegada que devolvo à partida. Quando chego, se tiver a sorte de o atraso do avião ser idêntico ao da entrega do carro, está bem. Senão espero os 20 minutos da praxe, minutos que costumam ter bastante mais do que os 120 segundos habituais. Na entrega é mais stressante. Ou telefono 10 vezes para o homem aparecer a tempo, ou deixo o carro no parque e levo a chave para Portugal, ou deixo a chave a uma “fille” do aeroporto – só tenho que saber qual… e de há uns tempos para cá tenho nova técnica: meto a chave na mala, fecho o carro e deixo-o assim. Infelizmente com os carros mais recentes, estes não fecham com a mala aberta e limito-me a deixar a chave debaixo do tapete da mala e o carro fica aberto… (isto é segredo…!!). Donde que saí de gás para ver se o carro ainda lá estaria e perfeito: foi só abrir a mala e tirar a chave debaixo do tapete e arrancar.A seguir soube pela agência em Portugal que não se entende porque não faço Lisboa Porto no sábado. Há 3 voos depois da minha hora de chegada a Lisboa e com lugares que o senhor não detectou. A caminho do hotel (este tal de Palm Beach) apanho um grande engarrafamento de “passeio de tristes” e com o depósito quase vazio. No final o hotel tem quarto disponível e às 17 horas estou a almoçar 4 espetadas e uma Coca-Cola numa espécie de esplanada em frente a uma espécie de praia. Pedi de peru e vieram de vaca, mas àquela hora a diferença era mínima.

Amanhã vou para o aeroporto cedinho esperando que o tal bilhete seja mesmo válido porque me parece que enganei o senhor quando lhe disse que eram eles que tinham que tratar da alternativa completa da viagem. Quando chegar a Lisboa ou altero o voo para sair no próprio dia para o Porto, ou alugo carro , ou arranjo lá hotel. Seja o que um deus quiser… Só espero não ter um Saturday Lisbon Fever. Oxalá…

14 março 2011

Custos de transporte

Se o gasóleo sobe, isso reflecte-se naturalmente na estrutura de custos dos transportadores. Se eles não o conseguem absorver só existe uma solução e que não é de forma nenhuma específica deste sector: reflectir o impacto no preço de venda. Evidentemente que não é fácil porque os seus clientes não estarão muito receptivos, mas não há outra forma lógica de tratar o assunto.
Vir ao “Estado” pedir compensação é fazer com que todos os contribuintes financiem por igual o custo do transporte dos iogurtes, das resmas de papel, dos detergentes e de tudo o resto. Eu não estou de acordo. Se o custo do transporte de um produto sobe, é a sua cadeia que o deve gerir e repercutir, conforme o mercado permitir.
Um sector que prefere chantagear os contribuintes em vez de negociar com os seus clientes, não é são. Muito menos sãos são certos discursos que recordam que “não se responsabilizam pela violência”, como se essa violência fosse uma fatalidade inevitável. Isso tem um nome muito feio.

16 novembro 2008

Já chega, não?

Eu, e muitos outros creio bem, já não tenho pachorra para seguir o “conflito” dos professores. O que está a acontecer é uma tentativa de mudança organizacional de um grupo bastante horizontal, “professores há só uns”, para uma estrutura com alguma hierarquia e de uma fase em que a “evolução na carreira” era feita escolhendo individualmente algumas acções de formação mais ou menos simpáticas para uma gestão de desempenho e de desenvolvimento estruturada. Está em causa sair de uma zona de conforto e a reacção à mudança é típica e previsível, sendo que o rigor na condução desse processo é a única forma de ele não se desfigurar completamente em três tempos.

Não sei dizer o quão perfeito ou deficitário é o modelo contestado. Só me parece que com tanta gente organizada e esclarecida era mais produtivo avançar com sugestões concretas e completas de revisão incremental ou radical do que este negacionismo básico que se vê pelas ruas. Sabendo todos que desde há vários anos o sistema de ensino exige claramente mudanças profundas, alguém se lembra de ver propostas minimamente consistentes e inovadoras apresentadas pela classe ou pelos seus sindicatos nos últimos anos? Não, a luta é sempre para recusar, suspender e anular. E passo ao lado daquela subtil pérola do “professores avaliados, alunos prejudicados”.

Enquanto os professores preocupados com a imperfeição do seu sistema de avaliação e sem a mínima sombra de dúvidas sobre o recebimento do seu salário no final do mês cruzam o país de autocarro e lutam na ruas com cantilenas de “hora” a rimar com “ir embora”, existem empresas que lutam por conseguir encomendas, executá-las e sobreviver com o resultado obtido; existem recém-licenciados que lutam por conseguir realizar riqueza para si e para o país; existe gente em encruzilhadas terríveis para as quais uma das suas últimas preocupações seria o trabalho burocrático ou a imperfeição da ficha de avaliação. Estes não estão em “zona de conforto” e não pretendo concluir que toda a gente deveria ir para uma zona de desconforto e de precariedade para dar valor ao que é fundamental.

O que pretendo dizer é a situação actual dessas empresas e dessas pessoas é, em grande parte, resultado do sistema de ensino. E, o que o sistema de ensino de hoje, determina fortemente o que o país vai ser amanhã. Se estamos todos de acordo sobre isso, haja humildade e acabe-se com a “festa”.