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06 maio 2023

Mergulhar no pântano


Em 2001 António Guterres atirava a toalha ao chão, demitindo-se para evitar “um pântano político, que minaria as relações de confiança entre governantes e governados”.

Nos tempos atuais vivemos também uma quebra nas relações de confiança e uma incapacidade de o PS efetivamente governar, mas para pior. Já passamos de uma sucessão de casos e casinhos para um contínuo de tricas, truques e rasteiras palacianos, sem ética nem princípios, sem seriedade nem integridade.

À incapacidade de dotar o governo de gente capaz, com um mínimo de experiência de vida, visão e dedicação à causa pública, o PM resolveu mergulhar no pântano, esperando que o PR o tirasse de lá, podendo sempre fingir que para ele estava tudo bem e que se de lá foi içado, terá sido até contra a sua vontade.

Não foi essa a opção do PR, que resolveu deixar o Governo continuar a enterrar-se no pântano. Se este já tinha dificuldade em se coordenar e atuar, a partir de agora vai ser pior. Pode ser uma espécie de “merecido castigo”, mas no final o maior prejuízo será para todo o país.

Ao embuste inicial do consulado Costa, com o “virar da página da austeridade” e a “culpa pela troika ser do Passos”, está agora a tentar vender-nos uma “normalidade formal”, absolutamente “anormal nos princípios” e trágica para a futura cultura política e práticas governativas. Que na próxima consulta popular haja discernimento.

06 outubro 2016

Felizmente má marioneta

Há uns largos anos vi um cartoon em que o SG da ONU era uma espécie de marioneta comandada por 3 ou 4 senhores do mundo. A particularidade era cada qual ter os seus fios e seu próprio comando. Assim, o desgraçado, penso que na altura seria Boutros-Ghali, estava todo torcido, uma perna para cada lado e de braços cruzados, para grande desespero dos tais senhores que exclamavam: “Este tipo não faz nada de jeito”.

É uma imagem bastante representativa e, de certa forma, feliz. Por um lado o SG tem um poder limitado e sofre enormes pressões; por outro lado é positivo não haver um senhor que o possa controlar. Isso seria o fim da organização. Melhor todos dizerem “este tipo não faz nada de jeito” do que um deles dizer “este tipo faz tudo o que eu quero”.

Neste contexto, a manobra de última hora, pouco cristalina, revela uma atitude extraordinariamente perniciosa e sectária. Não se excitem os “esquerdas” com este falhanço infeliz da direita. Se o favorito fosse de direita e a esquerda tentasse algo de idêntico, ouviríamos o mesmo, apenas em espelho. Posso estar a especular excessivamente e gratuitamente, mas a última coisa de que precisamos são politiquices sectárias de “connosco” ou “contra nós”, relativamente ao SG da ONU. Infelizmente vivemos um tempo em que a luta pelo poder num contexto em mudança está a radicalizar posições.

Há e terão que existir sempre valores de nível superior a politiquices, muito especialmente quando recheadas com tiques populistas. Acredito que António Guterres consiga voar mais alto do que esses mal crescidos.

03 outubro 2016

Posso revelar?


Nem todos possuem fontes que permitam um espaço semanal de revelações em horário nobre, mas, desta vez, eu trago uma boa. O meu amigo Hans, funcionário numa chancelaria de Além Reno, contou-me a razão das reviravoltas de última hora no processo de escolha do próximo secretário-geral da ONU. E passo a ficcionar:

Diz ele que há umas semanas a Frau Angie apareceu extremamente nervosa depois de um sonho, pior, de um pesadelo que teve. Viu ela a Fraulein Todwasser numa conferência de imprensa a apresentar em primeira mão as linhas orientadoras futuras da ONU. Considerando a proximidade entre o partido do candidato favorito e as Todwasser, ela achou aquilo uma espécie de aviso e de premonição.

Bem lhe tentaram explicar que o candidato favorito não era daqueles socialistas neo-marxistas, era dos antigos, melhor, dos intermédios, parece que até ia à missa, não sendo e forma nenhuma previsível que ele precisasse ou utilizasse o apoio das Todwasser. A Frau Angie continuava desconfiada. Depois de o líder deles ter andado tão excitado a tsiprar, ela já não confiava muito naquela gente e pediu a opinião a uns amigos, que conheciam um pouco o país. Estes conheciam basicamente as praias do sul, mas lá lhe contaram que o geringoncismo pós-eleitoral do partido tinha surpreendido muita gente, mesmo uma parte do seu eleitorado.

É certo e sabido que se há coisas que os alemães não suportam são imprevistos. A Frau Angie disse então: Não pode ser. Que avance a Cristalina, se não conseguir passamos à Depuralina. Não podemos, de forma nenhuma, correr o risco de ver a ONU geringonçar.

30 setembro 2016

Segredo desvendado

O processo de escolha do novo secretário-geral da ONU estava a correr bem e muito sério. O nosso sério e boa pessoa António Guterres parecia estar bem lançado e com um favoritismo indiscutível.

Mas, eis que de repente, tudo se baralha. Para evitar a nomeação de A Guterres vai aparecer uma búlgara apoiada em força pela direita europeia, parece que também pela Rússia, e subvertendo todo o processo e descredibilizando o mesmo e até colocando sérias questões de legitimidade ao eventual futuro mandato da senhora. Porquê?

Ora bem, eu estou em condições de revelar (o Marques Mendes que se cuide com a concorrência) qual a razão para tanta agitação e excitação. Ao que parece, Angela Merkel teve um grande pesadelo. Sonhou ouvir a Mariana Mortágua a anunciar as linhas diretrizes do orçamento da Onu e, ao acordar, disse: Isto não pode acontecer!

18 julho 2010

Amor com amor se paga

Presidenciais 2006

O candidato oficial do PS, Mário Soares, não faz o pleno do eleitorado do partido, nem do chamado flutuante (a que eu prefiro chamar eleitorado crítico). É ultrapassado e humilhado por um independente, Manuel Alegre. Há uma franja do eleitorado que não se revê nem em Alegre nem em Soares e dá a vitória na primeira volta a Cavaco Silva, tornando-se este o primeiro Presidente da República eleito depois do 25 de Abril apoiado oficialmente apenas pela direita.

Presidenciais 2011
O Presidente em exercício, que parece ainda não ter entendido bem a sua função e o que se espera dele, esbraceja quase desesperado para não ter a humilhação de ser também o primeiro a não ser reeleito para o segundo mandato. Bastaria ao PS ter apresentado alguém como Jorge Sampaio, António Guterres ou Jaime Gama para Cavaco já ter as malas feitas. Mas não. O anterior independente, Manuel Alegre, é agora o oficial do PS mas, por motivos diversos, também não fará o pleno. Mário Soares ainda não digeriu a humilhação e não o apoia. Parece mesmo é desejar um “Manuel Alegre” para o Manuel Alegre actual.

Se Fernando Nobre não fazia sombra suficiente, surge agora Defensor Moura que anuncia só querer encher a actual terra de ninguém à direita de Alegre e assim impedir nova vitória de Cavaco Silva à primeira volta. A história não se repete porque da segunda vez é a farsa.

Resumindo e concluindo: vamos ter umas presidências bastante pobrezinhas...

19 novembro 2008

Democracia, disse ela?

Muito recentemente contava eu aqui que o silêncio era de ouro e que Manuela Ferreira Leite parecia ter começado a delapidar o seu tesouro. Acertei mais do que imaginava.

Esta do interregno não democrático de seis meses vai-lhe custar muito caro. Aquela malta não perdoa. Mesmo pensando igual ou pior, afirmá-lo em público é pecado capital, sujeito a um coro de castigo a todas as vozes possíveis e imaginárias.

Um regime democrático não pode ser suspenso assim mas o equívoco, penso eu, está no que MFL quis dizer com “democracia”. Se “democracia” é equivalente a toda a hora e a todo o momento não contrariar a opinião da maioria da população, então realmente teremos um grande problema. Aliás, vivemos recentemente um exemplo desta “democracia”: António Guterres. Guardo a imagem anedótica, mas representativa, de um “Contra-Informação” em que o Tonecas, desesperado com a polémica do nome a dar à futura ponte Vasco da Gama, decide fazer não uma mas várias pontes, uma por cada nome proposto, para ninguém ficar triste.

No outro extremo, se um governo democraticamente eleito, dentro do seu mandato, tiver uma política que desagrada a uma larga maioria da população estará a ser “anti-democrático”? Acho que não e este é um aspecto muito sensível. É que para fazer algumas coisas importantes pode ser necessário contrariar a opinião da maioria.

A história está cheia de exemplos de grandes iniciativas e de brilhantes inovações realizadas em “contra a corrente” e cuja real importância e impacto só mais tarde se revelaram. Se os timoneiros deste mundo tivessem sempre alinhado pela “maioria”, hoje estaríamos significativamente mais pobres em várias dimensões. Já quatro séculos atrás Camões nos brindava com a imagem do Velho do Restelo.

E não estou a insinuar que vivemos em Portugal um momento em que uma liderança brilhante e esclarecida está a ver e a seguir um caminho que o povo não entende. O que é claro é que vivemos um tempo em que um novo “Guterrismo” conduz rapidamente ao abismo. E isto acho que o “povo” ainda não entendeu. Veremos como ficaremos quando, na consequência de um PS autoritário e um PSD inconsequente, o Bloco de Esquerda entrar no governo. Vai ser uma “festa”!