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26 junho 2025

Se isto não é promover o Chega…

 “Peritos do Conselho da Europa, a Comissão contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) instam as autoridades portuguesas a assegurar condições de habitabilidade a longo prazo decentes e seguras às pessoas de etnia cigana” (relatório publicado a 18/6/2025).

Desculpem lá, mas qual a razão para as nossas autoridades se preocuparem especificamente com habitação digna para os ciganos? Os não ciganos que tratem e façam pela vida e respetiva habitação decente e segura por eles próprios? Por que razão cidadãos que estão há dezenas de anos e há várias gerações estabelecidos em Portugal, necessitam de discriminação positiva?

Sobre os imigrantes, poder-se-á entender ser necessário uma “ajuda” na integração, mas, mais uma vez, com peso e medida. Se há tantos residentes em Portugal a ter dificuldade em obter habitação decente e viável, faz sentido dar prioridade a quem acabou de chegar para entregar pizzas ao domicílio, baratinhas?

30 janeiro 2025

Nem tudo é caso de polícia

Se a imigração passou recentemente a ser tema sensível e até “fraturante” não é por acaso, nem por mera moda ideológica. É porque, menos em Portugal do que noutros locais, há transformações sociais em curso que preocupam quem se deve preocupar com a sociedade em que queremos viver.

Venissieux é uma localidade na periferia de Lyon, em França. Em agosto passado, na padaria da praça central, uma empregada enganou-se e em vez de uma quiche de queijo, entregou uma quiche lorena, que inclui toucinho. Os clientes, ultrajados, quando descobriram o engano, voltaram para agredir a empregada e tentar vandalizar o estabelecimento. Felizmente o proprietário estava presente e conseguiu acalmar os ânimos, sendo o incidente encerrado sem consequências de maior.

Na sequência deste acontecimento, o proprietário decidiu banir a carne de porco do estabelecimento e colocar o mesmo à venda. O principal supermercado tradicional do bairro já migrou para uma versão “halal. Os cafés e restaurantes retiram as bebidas alcoólicas da sua oferta. As professoras receiam apresentarem-se nas escolas com saias que possam “provocar”.

Não há aqui necessariamente um problema legal, mas, a densidade e a pressão de uma comunidade que forçam uma mudança no quadro social e cultural tradicional, sendo que essas mudanças constituem um retrocesso nos direitos, especialmente das mulheres, cerceando liberdades e tantas coisas que fizerem o sucesso deste nosso mundo.

Para evitar entrar por esse caminho devíamos definir e balizar hoje a sociedade em que queremos viver. Deixar rolar até haver uma outra maioria que imponha outros valores não será o ideal e não terá final feliz.

30 maio 2024

E/Imigrantes


Por estes dias, o nosso governo aprovou um conjunto de medidas em favor dos jovens, nomeadamente para procurar reter os qualificados cá no país e evitar o nosso empobrecimento em recursos humanos.

Ao mesmo tempo, há quem clame que devemos receber na Europa todos os que quiserem para cá vir, pela necessidade de termos mais gente a trabalhar e a criar riqueza, independentemente do que isso possa implicar de empobrecimento nos seus países de origem. Falta de coerência ou simples egoísmo/oportunismo?

Migrações sempre houve e haverá na história da humanidade e o respetivo enquadramento não se resume a uma palavra, ou duas: integração e asilo. Uma jovem afegã a quem foi vedado o acesso aos estudos não pode ser tratada da mesma forma que um quadro superior magrebino que procura melhores condições económicas. E muito menos do que um originário não importa de onde que queira simplesmente usufruir do guarda-chuva social europeu.

Não podemos fechar a porta a toda a gente, nem abrir de par em par. Devíamos estar de acordo que a prioridade das prioridades é proporcionar condições de vida digna para todos, no local onde nasceram e isso não passa obviamente por esvaziá-los dos seus recursos humanos valiosos. A Europa cometeu certamente erros no seu passado, mas que esteja condenada a uma expiação coletiva de todos dever receber como penitência, não. O erro maior está principalmente nas carências nos governos dos países de onde os emigrantes querem sair, mas pôr isso em causa pode ser classificado de ingerência e “neo-colonialismo”.

E não falei dos choques culturais de (des)integração que não são um problema menor, nem se resolvem com ignorância e ingenuidade.

21 julho 2018

Habitats e migrações

Sim, existe um animal chamado ser humano, a mesma espécie em vários continentes e latitudes; sim, teoricamente tem direitos universalmente reconhecidos, independentemente da raça, credo, género, etc; sim, ele pode viajar e migrar pelo planeta; sim, mas… também possui uma dimensão cultural e social que não é igual em todo o mundo, nem pode ser ignorada.

Com maior ou menor dependência, com maior ou menor facilidade de adaptação, todos temos um habitat sócio – cultural específico onde estamos integrados. Cada qual e cada um, imagine-se deslocado para as estepes da Ásia Interior e pense se seria feliz a viver aí para o resto da sua vida. Não somos todos iguais, não reagiríamos todos da mesma forma, mas uma larga maioria, certamente, não se sentiria “em casa”.

Migrações. Há que distinguir o contexto temporário, sequência de uma guerra ou catástrofe natural, da situação definitiva. Por muita compaixão que tenhamos por quem vive mal, e devemos tê-la e mobilizarmo-nos para melhorar a vida de todos os seres humanos, um ser humano não pode ser encarado como um infeliz animal abandonado, do qual temos pena e que trazemos para casa. E não pode sê-lo por várias razões. A primeira é existir uma enorme probabilidade de ele não se sentir feliz num habitat, eventualmente materialmente melhor e mais seguro, mas diferente do seu original. Os problemas que se vivem nas “comunidades” por essa Europa fora, têm muito a ver com isto, apesar de todos os esforços de integração realizados. Não pode ser feito em grande escala, porque isso equivale a retirar recursos aos seus locais de origem e empobrece-los adicionalmente. E também porque uma chegada massiva altera o habitat destino, tornando-o estranho para todos, os que chegam e os que lá estavam. Não confundir com xenofobia.

Os nossos habitats evoluem, mas, uma vez mais de forma variável conforme cada qual e cada um, essa mudança tem uma velocidade limite aceitável e integrável. Se for demasiada rápida, será vista como uma rutura de referência. Isto não é xenofobismo.

A missão e obrigação de melhorar sustentavelmente a sorte dos mais desfavorecidos deste planeta não passa por trazê-los todos para nossa casa.

04 março 2016

A Selva de Calais


Na periferia norte desta cidade do norte de França, próximo do acesso ao porto donde saem os ferries que atravessam a Mancha, concentraram-se milhares de migrantes que, mais do que simplesmente fugirem dos seus países para a Europa, pretendiam especificamente atravessar o canal e entrar em Inglaterra.

O seu acampamento improvisado, caótico, sem condições mínimas ficou conhecido por “selva de calais”. A situação era insustentável em vários pontos de vistas, tanto para quem vivia dentro, como para quem vivia fora… e não faltavam protestos solidários. França decidiu, muito logicamente, arrasar aquilo e, como estamos em França e não num país de opereta, oferecendo alojamento alternativo em vários centros distribuídos pelo seu território.

Ora bem, muitos habitantes da “selva” não querem sair. Por um lado por ficarem mais longe do seu destino almejado e, por outro lado, ao sair são forçosamente recenseados e registados. Os mesmos que faziam comércio político com a existência do local, são agora solidários, de novo, com os que não querem sair e criticam o uso da força policial… não há pachorra para tanta imaturidade (ou oportunismo…) e “polémicalice”.



Imagem do “The Guardian” – Sim, é  na Europa. 

05 agosto 2015

Querido mês na terra


É apenas um mês, talvez nem completo, mas é muito e é pouco. Muito em importância. Seja no interior abandonado, seja na grande metrópole; seja gente que trabalha com as mãos, a quem se chama emigrante, seja gente mais formada, e a quem se chama expatriados, o apelo de vir cheirar a terra natal é muito forte. E é pouco, porque o tempo planeado para estar com a família, reencontrar amigos, rever o sol e o mar, a comida cá feita e, tantas vezes, colocar a respirar uma casa hibernada é sempre curto.

Por muito que se maldiga a desdita nacional, que se desdenhe a nossa sorte e se questione o sentido do nosso fado, Portugal é uma terra e um valor querido que emociona os seus. Nem sempre é fácil a chegada. Aquela palavra fora de sítio, eventualmente apenas escapada clandestina, mas que, para quem a ouviu, foi uma picada infeliz e parva. E há a noção de que faltaria um pouco de vontade para fazer um mundo de caminho e o país continuar a ser o mesmo, mas completo. Sem ser necessário voltar a fechar a casa no fim de Agosto, nem esperar pela reforma para a gozar a tempo inteiro.

Se o mundo é cada vez mais global, os mesmos produtos encontram-se em todo o lado, as facilidades de comunicação encurtam (algumas) distâncias, este pedaço de terra continua a ser nosso e único. Podem chamar-lhe nostalgia retrógrada, podem até culpar esse espírito por parte do atraso que sofremos. Eu não concordo. Identidade forte pode e deve ser uma vantagem. Penso também que esse sentimento é muito mais claro para quem já fez a experiencia de ter apenas um querido mês na terra. Sejam bem-vindos.

20 abril 2015

Pensar na verdadeira origem do drama...

Está nas primeiras páginas e na agenda dos políticos europeus a questão dos naufrágios no Mediterrâneo. Os “humanitários” de serviço acham que a culpa é da Europa por fechar as portas à imigração legal, forçando a clandestinidade. A Europa é capaz de ter alguma culpa, mas a solução não é certamente abrir as portas de par em par. Sem querer generalizar, aqueles que na viagem atiraram pela borda fora os membros de outra crença religiosa diferente da sua, não são bem-vindos.

Uma boa parte desses clandestinos embarcam na Líbia, um país que não tem o mínimo de administração ou controlo. Que inclusivamente até está parcialmente controlado por aqueles tipos das bandeiras pretas, para quem a vida de uma pessoa vale muito pouco e para atacar o ocidente vale tudo. Uma parte dos refugiados foge da Síria onde uma guerra foi declarada e apoiada pela Europa, já lá vão 4 anos. Não tenho/tinha nenhuma simpatia por Khadafi ou Bachar El Assad, mas obviamente que estas intervenções militares pesadas contra os “tiranos maus” criam muitos problemas deste género.

Neste momento está a começar mais uma, no Iémen. Há quem a ache aceitável. Quando um barco de iemitas naufragar no Mediterrano, vamos continuar a achar que a Europa é culpada, pelo facto de fechar as suas fronteiras… ?

Imagem picada em motor de busca

13 dezembro 2014

Se forem insultados, não estranhem

Os funcionários da TAP estão a planear uma greve para a época Natalícia, com o objectivo de “sensibilizar o governo” para não avançar com a privatização. Provavelmente nunca trabalharam fora de Portuga e possivelmente nem sequer passaram por outra empresa que não esta e pública. O efeito da sua acção de sensibilização não afecta apenas os portugueses que estão lá fora, mas para esses, é muito triste.

Não neste momento, mas já vivi fora de Portugal por duas temporadas e sei e entendo o que é vir passar o Natal à terra. É organizado com muita antecedência. Não é fácil depois arranjar bilhetes e muito menos com preço em conta. O tempo planeado em Portugal, para estar com a família, reencontrar amigos, rever o sol e o mar, a comida cá feita e colocar a respirar uma casa hibernada é precioso. Qualquer percalço que ponha em risco ou afecte esse tempo é dramático. Todos os potencialmente afectados com esta acção de sensibilização estarão a dirigir palavrões a esses funcionários e com razão.

Mesmo que acabe por ser apenas pólvora seca e a greve não se concretize, o pessoal que se lembrar disto vai para o ano evitar escolher a TAP. Com a vinda à terra no Natal não se brinca, mesmo até preferindo à partida usar um avião em que já “cheira” um pouco a casa.

O resultado desta “sensibilização” é que o governo deve mesmo vender a TAP e rapidamente. A continuarmos assim ainda vai acabar por ter que pagar para alguém ficar com os destroços duma empresa que os seus funcionários, não exclusiva mas determinantemente, estão a destruir.

21 dezembro 2011

Este parte, aquele parte ...

“Galiza ficas sem homens que possam cortar teu pão”. Assim escrevia Rosalía de Castro o que muito foi cantado. Há também a fotografia de Gérald Bloncourt da menina portuguesa com a boneca, na lama de um bairro da lata de Paris, muito recentemente identificada, que foi e é outro símbolo. Quando o governo sugere a emigração é natural que a evocação desta fase miserabilista desperte repulsa e reacções fortes.

Não tem que ser assim, uma diáspora de qualidade a funcionar em rede pode ser um enorme factor potenciador do desenvolvimento do país e não há nenhuma dívida de que a experiência internacional é um importante factor de valorização pessoal. Ou seja: a saída do país construtiva e ambiciosa é positiva; a saída para simplesmente fugir à miséria, não.

Da mesma forma que se incentivam as empresas a saírem, será lícito que o governo faça o mesmo com as pessoas? Acho que não. Não gostaria de ver um ministro no vale do Ave a sugerir aos desempregados têxteis que façam as malas e que partam para o Paquistão. O que gostaria era de ter visto o governo a dizer aos seus “boys” para irem gerir hospitais para Angola e para o Brasil em vez de ter substituído as administrações em Portugal para lhes dar lugar.

O problema do emprego em Portugal e na Europa não se resolve carregando barcos de gente; resolve-se com fábricas, mas isso está fora de moda.

24 junho 2005

Os imigrantes

Sabemos que somos um país de emigrantes e estamos a descobrir que lidamos mal com os imigrantes que nos chegam.

Uma característica fundamental dos Portugueses é uma aparente inconsistência dos extremos que se tocam. Como emigrantes tendemos a criar família em qualquer lado e, ao mesmo tempo, a manter a casa em Portugal. Entendemos e seguimos com alguma facilidade as regras alheias mas sem nunca verdadeiramente lhes "vestir a pele".

Temos uma diversidade genética de culturas tal que ainda muito recentemente pouco se notavam cá os imigrantes. Vamos comparar a "visibilidade" dos magrebinos em França ou na Bélgica com a sua visibilidade cá? Por outro lado, tendemos a descair para um primarismo epidémico em situação de crise.

Os emigrantes económicos normalmente não são felizes. A relativa prosperidade sai-lhes muito cara. O momento mais feliz é provavelmente quando vão a caminho da "terra".

Já repararam na cara dos magrebinos ao descer as auto-estradas do Sudoeste de França no mês de Julho com os carros pejados de tralhas? Acho que raramente se vê gente tão feliz. Só na ida. Uma vez chegados vão estar impreparados para lidar com um choque com os que ficaram. As "fífias" dos emigrantes em férias são fundamentalmente uma manifestação de insegurança e de desconforto gerida de forma infeliz por quem é "meio estrangeiro" em todo o lado.

Já reparam na cara dos que aterram de regresso em Bruxelas, Paris ou Frankfurt sob um céu de chumbo depois do Natal na Terra? Uma boa imagem para angústia.

Abertura total: não. Co-responsabilização pela melhoria das condições nos países de origem: óbvia. Com os que cá estão, aprender e ensinar. É fácil ser intolerante com quem é diferente; é fácil ser inconveniente em ambiente diferente. É lamentável evoluir para a segregação que se auto-alimenta e amplifica como já se vê nalguns países da Europa Ocidental. Será enriquecedor cruzar experiências e culturas e resistir à tentação de que a “culpa” é do diferente e que, quanto mais diferente, mais óbvio que é culpado.