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24 dezembro 2025

E Natal


É fácil desejar Bom Natal, faz todo o sentido dizê-lo e não é preciso acrescentar muitas considerações adicionais. Depois de tantos anos e tantos Natais será também difícil encontrar coisas para dizer que ainda não tenham sido ditas…

Gosto do Natal, do calor humano e das luzinhas. Nos campanários das igrejas, nos arcos improvisados sobre as ruas, nas varandas e nas janelas das casas, até mesmo em jardins e em escolas (ainda se pode). É muito difícil objetivamente maldizer o Natal. Certo que alguns o vivem um pouco demasiado consumista e superficial, mas não vamos matar o todo por causa de uma parte.

Tem uma matriz religiosa, se não quisermos recuar a considerações sobre celebrações pagãs de solstícios, mas, e isto sou eu a achar, toca positivamente muita gente não crente, não havendo absolutamente nenhuma razão para afetar negativamente outros crentes… está para lá disso. Quem assim não achar, é livre para tal, mas não mate nada, porque o Natal não tem nada a ver com mortes.

Feliz Natal

24 dezembro 2024

Ainda Natal


Neste solstício de Inverno, onde o ciclo solar recomeça e, sem ser por acaso, o ano civil muda, supostamente celebramos a data de nascimento de um tal nazareno. Há para muitos uma dimensão religiosa que não terá discussão, haverá para outros a fragilidade e o questionável rigor histórico da data e, mantendo-nos na dimensão histórica, algo mais pode ser evocado.

Em setembro 2023 percorri Israel, parte dos “últimos turistas” antes da eclosão da guerra. Um dos locais visitado foi o monte das Bem-Aventuranças, onde num cenário belíssimo face ao mar da Galileia, esse tal nazareno terá realizado um sermão e que acabou por fazer mudar meio mundo. Só por isto, já impõe respeito e reflexão.

Mas, há algo que se pode acrescentar e continuando na dimensão histórica. Num mundo intolerante e impiedoso ele disse que “Quem nunca pecou que atire a primeira pedra”, num mundo de olho por olho, dente por dente, que por vezes passa a dois dentes por um olho e três olhos por dois dentes, ele sugeriu sair pela exposição da outra face; num mundo de clãs e tribos ele disse que “Todo o homem é meu irmão” e que todos, mesmo os mais pobres e desfavorecidos têm valor e direito ao respeito e à dignidade.

Se isto não é uma precoce declaração universal dos direitos humanos, parece. Com ou sem fé à mistura, há algo associado a esta figura histórica que merece ser celebrado. Feliz Natal !

29 novembro 2023

Habituem-se ?


França é um país que preza muito a laicidade do Estado. Desde há uns tempos para cá que existe larga polémica sobre onde e como se podem montar presépios de Natal em espaços públicos e, seja por opção voluntária de autarcas, seja por decisão de tribunal, a probabilidade de nos cruzarmos com um presépio exposto em zona pública é cada vez mais remota.

As iluminações ditas de Natal parecem ser os próximos alvos. Na progressista cidade de Nantes, este ano houve inovação. As decorações chamam-se “Voyage en Hiver” (Viagem no Inverno), fugindo à palavra polémica, e em vez das habituais e festivas iluminações sobre ruas e praças, há umas coisas coloridas agarradas a algumas fachadas…

Será que um não crente se sente chocado por ver um presépio ou sobre a sua cabeça iluminações ditas de Natal? Será isso suficiente para desinfetar a quadra de toda referência religiosa, mesmo quando isso constitui uma fortíssima tradição cultural no sentido amplo da palavra? Vamos evoluir para um quadro social em que estas referências devem ser completamente apagadas de um espaço público asséptico? Certo que a sociedade e os costumes evoluem e o futuro, o futuro o dirá. Agora, pelo menos neste momento, parece-me bastante forçado… e muito menos bonito!



05 janeiro 2023

Quando um homem quiser


O Natal já lá vai, o Ano Novo também, já só falta o Baltazar, o Gaspar e o Melchior para fecharmos a quadra, bem recheada de votos e de boas intenções.

Como se diz por vezes, Natal é quando se quiser, ou assim deveria ser. Por isso, fora do dia, mas dentro da quadra, que afinal é suposto ser todo o ano, que 2023 seja para cada qual e cada um melhor do que 2022, que esse melhor seja para aquilo que realmente conta e perdura e que o solstício dos dias que recomeçam a crescer em luz, possa ser um renascer luminoso.

Vamos em frente !

24 dezembro 2021

Natal Torga


Apesar de poder não o parecer à primeira vista, eu acho que Natal rima muito com Torga:

Natal.

E, só pelo facto de o ser, o mundo parece outro. Auroreal e mágico. O homem necessita cada vez mais destas datas sagradas. Para reencontrar a santidade da vida, deixar vir à tona impulsos religiosos profundos, comer e beber ritualmente, dar e receber presentes, sentir que tem família e amigos, e se ver transfigurado nas ruas por onde habitualmente caminha rasteiro. São dias em que estamos em graça, contentes de corpo e lavados de alma, ricos de todos os dons que podem advir de uma comunhão íntima e simultânea com as forças benéficas da terra e do céu. Dons capazes de fazer nascer num estábulo, miraculosamente, sem pai carnal, um Deus de amor e perdão, contra os mais pertinentes argumentos da razão.

Miguel Torga, in Diário (1985)

Natividade 

Nascer e renascer...
Ser homem quantas vezes for preciso.
E em todas colher,
No paraíso,
A maça proibida.
E comê-la a saber
Que o castigo é perder
A inocência da vida.
Nascer e renascer...
Renovar sem descanso a condição.
Mas sem deixar de ser
O mesmo Adão
Impenitentemente natural,
Possuído da íntima certeza
De que não há pecado original
Que não seja o sinal doutra pureza.

Miguel Torga in Diário XIII




 

26 dezembro 2017

Uma selfie que apela à morte?


Estas duas belas jovens, que quase parecem irmãs, Adar à esquerda e Idan à direita, tiraram uma selfie e, como é prática corrente, a foto foi publicada nas chamadas redes sociais, coisa suficiente para provocar sérias ameaças de morte, quem diria!

Passou-se no concurso “Miss Universo” e o grave problema veio do facto de Adar ser representante de Israel e Idan do Iraque, dois países que, como todos sabem, não se entendem. Só que os países, mesmo esses, são feitos de pessoas que, num mundo não tribal, não precisam de se odiarem automaticamente, muito pelo contrário. Elas estariam conscientes do terreno que pisavam e Idan ilustrou a foto com a frase “Paz e Amor de Miss Iraque e Miss Israel”.

Não correu bem. Poucos dias depois, a organização do seu país exigiu-lhe retirar a publicação, sob pena de perder o título. Na tempestade seguinte, ela e a sua família, estas coisas da tribo, foram ameaçadas de morte, decidindo estes sair do país. As autoridades iraquianas, dubiamente, acharam por melhor não tornar pública nenhuma posição.

Eu acredito que o desanuviamento eficaz e consolidável vem muito mais das pessoas conhecerem pessoas do outro lado, como elas, do que de resoluções internacionais ou esforços diplomáticos. Virá muito mais de quando (esperemos que não tão cedo) as forças armadas do país de Adar, atacarem o país de Idan, Adar saber que do lado de lá não está gente inimiga indiscriminada, mas também a sua amiga Idan e certamente outras tantas assim.

A humanização como forma de amaciar os conflitos, lembra-me a história das tréguas no Natal de 1914, quando os homens dos dois lados das trincheiras suspenderam a barbaridade para confraternizarem e jogaram futebol. O episódio não foi apreciado, obviamente, pelos altos comandos respetivos, sem distinção, que arranjaram forma de evitar a repetição de uma tal anormalidade. É mais fácil matar gente sem rosto e a intensidade da guerra depende exatamente dessa capacidade de não humanizar o inimigo. É esse o objetivo dos senhores da guerra e Paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade.

21 dezembro 2017

E Boas Festas :) !


Era uma pequena cidade do interior, de ruas estreitas, calçadas a pedra miúda, onde ainda não tinha chegado a estilização das iluminações esquisitas e ou envergonhadas. Não que estas fossem espetaculares, eram até bastante simples, mas evocavam-me um tempo que parece querer desaparecer. Acima das golas subidas pelo frio, entrava nos ouvidos o “Silent Night”, ou “Noite de Paz”, conforme o gosto. Numa varanda privada, um presépio mostrava-se ao público, inundando e baralhando de cores a camara do telefone.

Tudo normal, nestes tempos de frio e de noites longas, onde nos encolhemos para atravessar mais um inverno. Tudo normal, sentir esta soalheira brisa de luz e música nesta quadra onde é suposto nascer a boa vontade. Tudo normal, antes de hibernar receber um pouco de calor, do outro.

Para acabar o dia de hoje, não o hoje em que escrevo, mas o hoje que foi ontem, quando este texto nasceu, recebi inesperadamente dois “…e Boas Festas!!”, com sorrisos grandes, bonitos e genuínos. Tudo certo, quando assim é, verdadeiro. Obrigado e em Paz sigamos, pela noite grande.

23 dezembro 2016

Natal plural


É nesta mesma lareira, e aquecido ao mesmo lume, que confesso a minha inveja de mortal sem remissão por esse dom natural, ou divina condição, de renascer cada ano, nu, inocente e humano como a fé te imaginou, Menino Jesus igual ao do Natal que passou.
(Miguel Torga).

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio. Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a cave, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. Das mãos dadas talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada.
(David Mourão Ferreira).

Natal... Na província neva. Nos lares aconchegados, um sentimento conserva os sentimentos passados. Coração oposto ao mundo, como a família é verdade! Meu pensamento é profundo, estou só e sonho saudade. E como é branca de graça a paisagem que não sei, vista de trás da vidraça do lar que nunca terei!
(Fernando Pessoa).

Natal é sempre o fruto que há no ventre da mulher
(Ary dos Santos)

16 julho 2016

Antevisão do próximo Natal?


Apanhei esta imagem no Le Soir no final do ano passado e apeteceu-me evocá-la hoje, sem mais comentários.

25 dezembro 2015

Natal fora da igreja


Neste mundo das questões, interrogações e polémicas, o Natal não há exceção.

A Igreja contesta a sua dessacralização e o consumismo associado. Confesso não apreciar muito aquela coisa do pessoal enfiar um barrete vermelho na cabeça, como quem enrola um cachecol no pescoço em dia do jogo da seleção.

Por outro lado, nalguns lugares, a sua matriz original religiosa incomoda outras comunidades de outros credos, sobretudo quando se manifesta fortemente na vertente social.

Desculpem-me os religiosos puros, o pessoal dos barretes e os outros incomodados. Bem ou mal, certo ou errado, o Natal tem uma força que vai para lá dessas polémicas todas. Se tem a marca de um começar, é também um momento inquestionável e insubstituível de reencontro. Nenhuma outra data do calendário arrasta uma emoção tão forte, de calor e de família. Venha o próximo e com todos cá.

13 dezembro 2014

Se forem insultados, não estranhem

Os funcionários da TAP estão a planear uma greve para a época Natalícia, com o objectivo de “sensibilizar o governo” para não avançar com a privatização. Provavelmente nunca trabalharam fora de Portuga e possivelmente nem sequer passaram por outra empresa que não esta e pública. O efeito da sua acção de sensibilização não afecta apenas os portugueses que estão lá fora, mas para esses, é muito triste.

Não neste momento, mas já vivi fora de Portugal por duas temporadas e sei e entendo o que é vir passar o Natal à terra. É organizado com muita antecedência. Não é fácil depois arranjar bilhetes e muito menos com preço em conta. O tempo planeado em Portugal, para estar com a família, reencontrar amigos, rever o sol e o mar, a comida cá feita e colocar a respirar uma casa hibernada é precioso. Qualquer percalço que ponha em risco ou afecte esse tempo é dramático. Todos os potencialmente afectados com esta acção de sensibilização estarão a dirigir palavrões a esses funcionários e com razão.

Mesmo que acabe por ser apenas pólvora seca e a greve não se concretize, o pessoal que se lembrar disto vai para o ano evitar escolher a TAP. Com a vinda à terra no Natal não se brinca, mesmo até preferindo à partida usar um avião em que já “cheira” um pouco a casa.

O resultado desta “sensibilização” é que o governo deve mesmo vender a TAP e rapidamente. A continuarmos assim ainda vai acabar por ter que pagar para alguém ficar com os destroços duma empresa que os seus funcionários, não exclusiva mas determinantemente, estão a destruir.

01 julho 2011

É quando um homem quiser?

Como se costuma dizer que “Natal é quando um homem quiser”, estou a pensar em tentar convencer a minha empresa a pagar-me o dito subsídio antes ou depois de Dezembro e assim escapar ao tal imposto extraordinário. Julgo que não a conseguirei convencer mas estou certo de que, mesmo que tal sucedesse, o nosso fisco estaria atento e não deixaria de encontrar uma forma de me cobrar o dito cujo imposto extraordinário e seria justo… ou pagam todos…

No entanto, no final do ano passado, uma série de empresas grandes e idóneas anteciparam o pagamento de dividendos aos seus accionistas para assim escaparem ao novo regime fiscal. E até nem teria sido nada difícil ao tal fisco detectar e corrigir essas habilidades, de valor bem mais significativo do que o meu simples subsídio de Natal. Qual a diferença?

24 dezembro 2008

Solstício de Natalidade



A história de Natal foi colocada neste solstício. Em que os dias começam a crescer (e que me desculpe o hemisfério Sul).
Marca de nova gente e de novo caminho a percorrer.

25 dezembro 2007

Postal de Natal

Olha, olha, e se fosse verdade ? Se ele tivesse nascido realmente em Belém, num estábulo. Olha, e se fosse verdade? Se os reis magos tivessem realmente vindo de longe, de muito longe, para lhe trazer o ouro, a mirra e o incenso?



Olha, e se fosse verdade? Se fosse verdade tudo o que escreveu Lucas, Mateus e os outros dois? Olha, e se fosse verdade? Se fosse verdade a história das bodas de Canã e a história de Lázaro?


Olha, e se fosse verdade? E se fosse verdade o que eles contam às crianças à noite antes de dormirem, quando eles dizem Pai Nosso, quando eles dizem Nossa Senhora? Se fosse verdade tudo isso? Eu diria sim, seguramente eu diria sim, porque é tão belo tudo isso quando se acredita que é verdadeiro.

Jacques Brel, “Dites, si c’était vrai” em tradução livre. Transpira das palavras que ele próprio não sabe se acredita, um certo distanciamento racional, mas rendendo-se à beleza da história, mesmo em ficção. Dá vontade de dizer: é pena os desvios da instituição que a herdou, a opulência, a arrogância e as outras coisas más que a mancharam ao longo dos séculos. Porque, realmente, é uma bela história!