29 abril 2017

Dança


Na praça aquecida ao Sol, uma rapariga pôs-se a dançar
Ela roda continuamente, como as bailarinas da antiguidade
Na cidade muito quente, homens e mulheres sonolentos
Espreitam pela janela esta rapariga que dança ao meio dia

Assim, certos dias parecem uma chama aos nossos olhos
Na igreja onde eu ia, chamar-lhe-iam o Bom Deus
O enamorado chama-lhe o amor, o mendigo a caridade
O Sol chama-lhe o dia e o homem bravo a bondade.

Na praça vibrante de ar quente, onde nem sequer um cão aparece
Ondulante como erva ao vento, a rapariga saltita, vai e vem
Nem guitarra nem pandeireta para acompanhar a dança
Ela apenas bate palmas para marcar a cadência

Assim, certos dias parecem uma chama aos nossos olhos
Na igreja onde eu ia, chamar-lhe-iam o Bom Deus
O enamorado chama-lhe o amor, o mendigo a caridade
O Sol chama-lhe o dia e o homem bravo a bondade.

Na praça onde tudo está tranquilo, uma rapariga pôs-se cantar
E o seu canto plana sobre a cidade, hino de amor e de bondade
Mas na cidade demasiado quente, para não mais ouvir o seu canto
Os homens fecham as janelas, como uma porta entre mortos e vivos

Assim certos dias parecem uma chama nos nossos corações
Mas nunca queremos deixar brilhar o seu brilho
Tapamos as orelhas e fechamos os olhos
Não apreciamos muito os acordares
De um coração já envelhecido

Na praça um cão ainda uiva, porque a rapariga se foi
E como o cão uivando a morte… choram os homens a sua sina!

Para marcar o dia, mais uma tradução livre… de quem…? 
Só podia ser do grande Jacques !
"Sur la Place"

2 comentários:

Jorge Neves disse...

Não há duvida que o Brel é o seu grande ídolo

Carlos Sampaio disse...

Não sei se é "o", mas "um" é seguramente!

Curiosamente conheço há bastante tempo o Brel "clássico"; quando fui para a Bélgica, aquilo tinha mais dois "Bs" - Bruxelas e Brel; mas agora ao ouvir a obra toda e especialmente os temas mais antigos, encontro letras fantásticas.
Haverá mais !