08 novembro 2007

Uma espécie de assalto

O nível de delinquência urbana na Argélia é elevado e a possibilidade de ser assaltado é grande, devendo ser sempre encarada como bastante provável. Hoje, cerca de 14 meses depois de cá chegar, fui assaltado pela primeira vez, mas não exactamente como esperaria.

Por estes lados a condução respeita poucas regras: passadeiras, traços contínuos e indicações de prioridade são pouco mais do que meros elementos decorativos. Há, no entanto, uma coisa para a qual a polícia é implacável: o telemóvel. Não tendo “mãos livres”, costumo falar em alta voz com o aparelho discretamente agarrado numa das mãos.

Hoje, ao circular assim, ouço uma sirene atrás de mim, nunca imaginando que me fosse dirigida. Para minha surpresa, uma pick-up decrépita atravessa-se à minha frente, como nos filmes, saindo dela um agente tosco que me inquire sobre aquela criminosa utilização do telemóvel ao volante.

Respondo em tom baixo, como é recomendado, argumentando que sou português, que não conhecia bem as regras locais e peço desculpa, mas com estes a táctica não parece funcionar. Multa e, como é usual em quase qualquer infracção e ao critério da “autoridade” no momento, carta apreendida! E lá me explicam que tenho que ir aos correios pagar a multa de 1500 dinars para me devolverem a carta. Eu continuo com o choradinho que não sei onde há correios, que não sou de lá e blá, blá, blá. Não falei do Figo e do Madjer mas pouco faltou. Sugerem-me então que os siga até aos correios. E lá partimos em procissão, lentamente; ainda aproveitam para parar e barafustar com outro condutor por uma coisa qualquer e acabam por estacionar numa zona muito tranquila sem nenhum posto dos correios próximo.

Saio e vou à janela do carro deles conferenciar e insistem para eu ir pagar aos “correios”. Sugiro então que, como não sei onde é, lhes dou os 1500 Dinars (Cerca de 15 Euros), eles dão-me a carta e vão lá pagar por mim! Respondem-me prontamente que é proibido e, acto contínuo, dizem para voltar ao meu carro e discretamente embrulhar os 150. Sabendo dos problemas locais com os zeros à direita, preparo 150 num bolso e 2000 no outro, pois não tenho trocado. Ficaram-me com os 2000 e claro que não me deram troco.

Uma vez em Amsterdão, aí há uns 20 anos, comprei a minha vida por 2,5 contos. Aqui comprei a minha carta de condução por cerca de 20 Euros. Não me deu gozo nenhum o expediente. Senti-me sem pachorra para aturar os atrevidos que, no trânsito denso, constantemente apontam e investem os narizes contra as nossas portas. Pus o belo compasso quaternário da Norah Jones do “Thinking about you” bem alto e rumei a casa, deixando a visita à feira do livro para uma outra vez, ou não.

07 novembro 2007

Acidentes acontecem

Pode-se discutir como minimizar o número de acidentes pela melhoria das infra-estruturas, pelo aumento do policiamento e repressão, pela evolução das atitudes e mentalidades e tudo o mais, mas eles nunca deixarão de ocorrer. O problema é que quando acontece um acidente sério com um autocarro as consequências são quase sempre trágicas. E talvez só não ocorram mais pela prudência que, de uma forma geral, os profissionais que os conduzem manifestam.

Porque é que os acidentes de autocarro se tornam tão facilmente em tragédias? Pensemos na evolução na segurança passiva e activa nos automóveis ligeiros nos últimos anos, nas almofadas de ar, nas deformações estudadas das estruturas e tudo o que foi feito para proteger os ocupantes, traduzido nas famosas estrelas NCAP que ser tornaram um argumento comercial fundamental. Que se passa com os autocarros? Alguns terão cintos de segurança, mas até que ponto os assentos se mantêm solidários com a estrutura em caso de acidente? A carroçaria em volta dos passageiros é assustadoramente ligeira e frágil. Comparado com os ligeiros, a diferença é abismal e, no entanto, partilham a mesma estrada e os mesmos riscos.

Pelas dimensões e vocação será difícil aos autocarros atingirem um nível de segurança passiva idêntico ao dos ligeiros, ou não. Enquanto for uma questão fora da agenda pública nunca o saberemos. Questão de custo?

05 novembro 2007

Perplexidade

A história da ONG francesa “Arca de Noé” e do salvamento/rapto de uma centena de órfãos/não órfãos do Chade/Sudão é uma daquelas situações em que a realidade desafia a mais inverosímil ficção e que faz brotar questões em catadupa.

Sabendo todos os controlos e restrições existentes no espaço Shengen à entrada de cada simples indivíduo, como conseguiriam entrar assim cem de uma vez? Como seria possível legaliza-los nas famílias de adopção? Como pode alguém ter considerado isto viável? Esta ONG padece de ingenuidade ou, pelo contrário, está rendida ao contrabando e do pior que existe?

As crianças ou uma parte das crianças não seriam sudanesas nem sequer órfãs. No entanto, quantos pais conscientes na África negra aceitariam de bom grado, com mais ou menos lágrimas nos olhos, e agradeceriam que os seus filhos fossem criados e se desenvolvessem na Europa, certos de que esse futuro lhes seria bem mais favorável do que continuar no seu país de origem?

Ainda se desconhece o desfecho para os intervenientes que muito provavelmente não será nada simpático. Agora, qual a mancha que este episódio deixará, para o futuro, na imagem de todas as outras ONG sérias e abnegadas que muito fazem para paliar à desgraça quotidiana nessas paragens? Será uma oportunidade para os “G” de governos porem um pouco de ordem nestas ONG’s, em que tantas delas tantas dúvidas levantam?

Por último: é claro que os estados são soberanos e que a acção em causa tem todos os ingredientes para configurar um crime grave que terá a correspondente condenação e expiação. Agora, quando metade do terceiro mundo se põe em bicos de pés para acusar rotundamente tamanho abuso e ingerência do primeiro mundo, não seria bom que pensassem no trabalho de casa em falta e falassem mais baixinho? Apesar de todas as limitações, será que estão, com a mesma veemência, a fazer tudo o que podem para que as suas crianças não tenham pais que de bom grado as deixam partir? O mais importante neste processo são as crianças e apenas castigar os aventureiros de boa ou má fé, não vai mudar radicalmente nada.

28 outubro 2007

Douro



Um espaço tão confinado de vales cavados e, ao mesmo tempo, tão aberto e tão gigante. Caminhos que se cruzam, desaparecem e renascem. Como se se circulasse preso em torno do leito encantado e, ao mesmo tempo, com liberdade para nos perdermos num recanto que faltava descobrir. Cada cabeço vigia os seus irmãos, onde a proximidade visual tantas vezes esconde uma inesperada e sinuosa lonjura.

Não haverá outro lugar tão vigorosamente transformado pelo homem, tão rude e tão harmonioso. O Douro é um espaço árido de pó e xisto agreste e magnânimo de frutos doces e olorosos.

E, por vezes, mais do que no assombro de uns socalcos íngremes ou na vista esmagadora do alto de uma fraga monumento, a emoção está simplesmente numa fila de oliveiras e num tapete de videiras.

(Podemos ir buscar todo o arsenal de vocabulário que quisermos e pudermos para caracterizar o Alto Douro que nos faltará sempre qualquer coisa...)

26 outubro 2007

É bem feito!




Eu sei que é um pouco feio troçar de quem está na mó de baixo, mas neste caso do BCP a tentação supera o meu pudor. Sempre olhei para este banco com alguma reserva. É que, independentemente dos méritos intrínsecos e inquestionáveis do seu projecto, há uma questão à qual não sabemos responder. Dentro do seu sucesso, qual a parte devida a esse mérito e qual a devida ao seu alinhamento com um bandeira e a sua postura de estandarte de um grupo de pressão? Teria conseguido ganhar dimensão crítica e consolidar-se com tanta rapidez se fosse apenas um bom banco?

Na nomeação de Paulo Teixeira Pinto transpareceu a impressão de que, nos critérios dessa escolha, mais importante do que a eficácia, carisma e capacidade de liderança, estaria o facto de pertencer ao grupo. Como se o grupo fosse tão forte, um rolo compressor indestrutível e auto-alimentado a quem nada pode afectar negativamente. A OPA ao BPI veio nessa linha do “é tudo nosso/tudo pode ser nosso”. Espalharam-se bem ao comprido e ainda não se levantaram. Ainda, para um guardião de princípios morais austeros e rígidos, os negócios e trapalhadas com o filho do presidente são muito indigestos.

Independentemente do resultado final, esta proposta de fusão agora avançada pelo BPI é aquele fazer engolir a arrogância altiva que se aprecia. E é bem feito!

21 outubro 2007

Um olhar português

Se é verdade que a raça (pode-se usar esta palavra?) portuguesa é fruto de uma grande miscigenação com grande variedade de cores, cabelos e íris, também é verdade que há qualquer coisa de característico e cúmplice no olhar que muitas vezes nos permite pressentir, em qualquer lugar do mundo, quando estamos face a um patrício.

À saída do aeroporto de Orly espero pelo táxi que me levará ao hotel nas traseiras do outro aeroporto, Charles de Gaulle. Vou especulando interiormente sobre o tipo de carro e de motorista que me sairá na rifa. Chega a minha vez e há algo no pestanejar do taxista que me faz estar quase certo sobre a sua nacionalidade. Após um telefonema meu dentro do carro que me trai a origem, pergunta-me ele se venho do Porto e que tempo por lá faz.

Vamos conversando ao longo da longa viagem e conta-me que está em França há 41 anos e que só espera que a esposa atinja também a idade da reforma para ir ocupar a tempo inteiro a sua casa na terra. Está contente por a França não ter passado à final do campeonato do mundo de Rugby. Não teria pachorra para aturar os festejos histéricos que não o deixariam trabalhar. Nota-se que não tem pachorra em geral para aquele país. Conta-me da filha que por aquelas terras gaulesas ficará, que se casou na “mairie” em França mas na igreja foi em Portugal. E vai-me contando ainda pequenas histórias das suas idas a Portugal e outras sobre o mesmo tema que passageiros que transportou lhe foram contando.

Já na área do aeroporto de Charles de Gaulle, nas suas traseiras, uma raposa lindíssima, tal qual o Dentuça da Disney, na placa interior de uma rotunda, fita espantada os faróis que a iluminam. Acha o meu motorista que ela não terá problemas de sobrevivência ali porque é uma zona com muitos coelhos. Efectivamente, 200 metros à frente, 3 orelhudos estão perdidos na berma da estrada. Ninguém diria que estamos na periferia de um dos mais movimentados aeroportos da Europa.

Chegados ao meu hotel, despeço-me desejando-lhe um bom retorno definitivo a Portugal. Ela suspende o movimento em curso de me retirar a bagagem da mala e com os olhos pisqueiros diz-me: “Sabe.. aqui, quando chega o frio, às vezes, dá assim uma vontade de um bacalhau, de umas favas...!”

19 outubro 2007

A história repete-se...?



Se dúvidas houvesse sobre a evolução futura do PSD após a eleição de Menezes, a ressurreição precoce de Santana Lopes para líder da bancada parlamentar do partido, desfá-las. A que propósito é que o PSD traz de novo para a primeira linha a figura mais destrutiva de toda a sua história? Para fazer oposição retórica e incisiva no Parlamento? Já não estamos fartos de tribunos grandiloquentes e implacáveis e em particular deste “picareta”?!? Eu não o consigo ouvir sem uma reacção de rejeição epidérmica e consequente mudança imediata de canal.

Se é verdade que muitas vezes a memória é curta, este caso parece mais configurar uma amnésia patológica e autista. Suponhamos que, improvavelmente na minha opinião, Menezes até se torna primeiro ministro e que por alguma razão pessoal é obrigado a resignar após dois anos de governo? Já estão a ver quem é o número dois pronto a herdar o posto??? Onde é que eu já vi isto?!?

A história repete-se e na segunda vez é uma farsa...

16 outubro 2007

Cantar com lágrimas



Não sou grande apologista de efemérides que nos tocam à campainha para nos recordarem coisas importantes. Acho que não necessitamos de andorinhas para nos lembrarmos da Primavera. Há alguns casos, porém, em que a efeméride nos cai bem, como quem diz “ainda bem que nos lembram disto!”.

Um desses casos gratos é a evocação dos 25 anos da morte de Adriano Correia de Oliveira. Apesar de não ter perdido o hábito de, de vez em quando, ouvir a “Canção com Lágrimas” e companhia, sabe bem parar por um momento e pensar na beleza da obra e na dimensão cultural deste cantante.

Fica, no entanto, algo de amargo na boca ao ouvir tanta unanimidade elogiosa de tantos amigos de Adriano. Tanta evocação da sua grandeza de alma e generosidade cai mal. E cai mal porque Adriano morreu amargurado e destruído, e com tal intensidade que o corpo seguiu rapidamente a morte do espírito, com apenas 40 anos de idade.

Ao falar hoje de Adriano, seria útil e didáctico não ficar só pelas consensuais, grandiloquentes e panegíricas afirmações politicamente correctas. Deveria ser também referido o lado “B” da história em que, na ressaca do 25 de Abril, um nobre de espírito dedicado a uma causa, vê-a ruir e vê-se ser excluído. Aqueles “amigos e companheiros de estrada” que lhe voltaram as costas e o viram partir pária para o buraco donde não regressou, deviam humildemente tomar a palavra e dizer qualquer coisa sobre isso. Indubitavelmente que ele o merece.

13 outubro 2007

Milagre, precisa-se!



Diz a comunicação social que estão a faltar um ou dois milagres, provados, para os dois pastorinhos de Fátima avançarem no seu processo de canonização. Todos os crentes de Fátima são convidados a fazerem um esforço adicional de fé para ultrapassar este contratempo.

Aqui, como noutras coisas, os nossos vizinhos irmãos são, e serão, muito mais expeditos e eficazes. Acredito que quando chegar a vez do Sr. Escrivá de Balaguer, haverá rapidamente uma boa dúzia de valencianas que irão cegar ao ver um casal homossexual beijando-se na rua e que somente recuperarão a vista após intervenção milagrosa do dito beato (que aliás foi também beatificado em tempo recorde!).

Ironias à parte, este processo de destacar as pessoas não pelo mérito das suas acções em vida mas pela influência/sugestão que posteriormente exercerão sobre um Toino uma Jaquina não me parece muito prestigiante para a igreja católica.

10 outubro 2007

Causas e Messias



Um dos livros “subversivos” que em tempos idos tive foi o “Diário” de Che Guevara, escrito pelo próprio no último período da sua vida, até poucos dias antes de ser preso e abatido pelo exército boliviano, faz agora 40 anos.

A imagem mais marcante que me ficou desse livro foi a generosidade. Provavelmente que hoje a minha leitura seria diferente, menos inocente. Mas, mais do que essa questão óbvia, talvez valha a pena perguntar o que seria o “Che” hoje e que leitura faria ele, ou um seu “sucessor”, da Cuba actual, ou da Venezuela, ou da Bolívia. Libertadas, é certo, das ditaduras militares da guerra fria mas governadas por “revolucionários” de esquerda, não necessariamente exemplares em termos de respeito pelas liberdades e direitos do homem.

Ter-se-ia tornado o Che um homem do “aparelho”? Penso que não. O seu afastamento de Cuba após a vitória da revolução o indicia.

Seria “Che” um revolucionário em luta contra essas ditaduras populares? E, se o fosse, em nome de quê?

Ou seria puramente um “velhinho” amargurado, vendo a causa pela qual ela tinha estado disposto a dar vida falida?
Ou não teria outra alternativa que não fosse ter morrido como morreu?

Com ingenuidade, claro, nos anos 60 era possível ainda acreditar em causas revolucionárias nobres de alma e ver esta figura quase romântica encarnar como o seu messias.

Qual a causa nobre dos dias de hoje e pela qual haja gente pronta a morrer?
Só estou mesmo a ver o islamismo com Bin Laden como o seu messias ...
Que tempos foleiros estes!

PS: Foto de Alberto Korda

07 outubro 2007

Convicções populares

As populações estão preocupadas com a proximidade das linhas de alta tensão. E, zelosamente, lá vem a comunicação social fazer eco das ditas inquietações. E lá conta o ti Manel que o Alfredo, cunhado da prima da falecida ti Maria, morreu de cancro e que ele tem a certeza que tal maleita foi fruto das linhas malvadas que ali estão. E a comunicação social lá nos põe a par das ditas convicções populares, e, na maior das vezes, sem um contraditório e sem o mínimo enquadramento científico.

Ninguém gostará de conviver com tamanhas enormidades ruidosas no seu jardim, mas garanto que muitos Manéis e Marias correm sérios riscos de desenvolver problemas de saúde, quanto mais não seja por sugestão e fruto destas amplamente divulgadas “convicções”.

Outra questão é o impacto na paisagem. Como já se conclui que não se pode construir em qualquer lugar, um dia, também, se há-de descobrir que o enquadramento destas e doutras volumosas infra-estruturas não é um pormenor de somenos importância. Um dia, ainda voltarei a ver virgem o alto do Vaqueiro no Alvão.

04 outubro 2007

O valor do burro sem dono

Tenho uns “alarmes” no google sobre a Argélia e que me trazem, por vezes, coisas bem curiosas. A última saiu no agência russa de informação Novosti. Diziam que na cidade de Tizzi Ouzou um vendedor e um comprador envolveram-se numa longa discussão de negociação sobre o preço de um burro. Até aqui, não há nada de estranho, é perfeitamente habitual. O problema surge quando o burro, apanhando-os distraídos, atira os dentes a uma saco deixado ali à mão pelo comprador e o mastiga, engolindo o seu conteúdo.

O que tinha o saco? O dinheiro com que o comprador iria pagar o burro!!! Como a nota de maior valor facial corresponde a, aproximadamenete, 10 Euros, é normal ter que carregar alguns “tijolos” para qualquer transação mais relevante.

A quem pertence o burro? O vendedor diz que não o vendeu e se o comprador deixou o burro comer as suas notas, não é seu problema. O comprador acha que não é assim e que o anterior dono do burro é responsável. Dois tribunais locais não se conseguiram pronunciar e, segundo a agência, o assunto subiu para o supremo tribunal nacional.

Aquele burro poderá não valer o seu peso em ouro, mas que parece saber quanto vale, isso sim!

01 outubro 2007

A caminho de ?



Ora bem... Não foi este o partido que se espalhou ao comprido quando resolveu apostar no seu “menino guerreiro”, garantido ganhador de todas as eleições desta e de outras galáxias, ao contrário do que o mínimo bom senso aconselhava? E não foi Menezes um dos mais assumidos e entusiasmados apoiantes do tal líder retórico, incompetente e de sangue quente? E não estava Marques Mendes, apesar de tudo, a procurar fazer regressar alguma credibilidade ao PSD, como, por exemplo, ao decidir pela corajosa exclusão das listas autárquicas de Isaltino Morais e Valentin Loureiro?

E agora?

Acredito que Menezes seja/tenha sido um bom autarca. Só quando sair é que se fará o balanço mais apurado. Agora, o PSD voltar a esse registo imediatista e populista do “levanta poeira”, o que se significa? Para o PS representa uma benesse, uma vez que não precisará de se esforçar muito para ganhar as próximas legislativas. Para o país é uma má notícia. É que, sem oposição credível e eficaz, não há bom governo que resista. Já estou mesmo a ver aquelas barrigas cheias de satisfação, de ostentação e de arrogância.