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06 julho 2025

O que matou Diogo Jota?


Dentro do largo noticiário e “comentariado” sobre a morte dos dois irmãos, há algo que me parece ausente, que é a razão do acidente. Certamente que conhecer as causas não os traz de novo à vida, mas o “positivo” das tragédias é, depois de identificar as causas, evitar a sua repetição.

Ouvi falar em rebentamento de um pneu e tal poderia ter a consequência ocorrida, mas, que diabo, não estamos a falar de um camião de uma empresa de transportes em insolvência cujos camiões usam pneus poli, multi recauchutados. Um desportivo topo de gama de um proprietário financeiramente são pode rebentar assim um pneu sem nenhum “ajuda” externa?

Não sei, não conheço suficientemente de pneumáticos nem do histórico de manutenção do Lamborghini, mas uma coisa conheço bem, é a infame A52 naquele troço e respetivo pavimento. Este é extremamente irregular e pleno de remendos mal-amanhados, que a tornam muito desconfortável, no mínimo.

Que um carro levezinho a alta velocidade tenha levantado voo numa daquelas irregularidades é extremamente fácil e provável. Foi isso, não sei, mas, se foi, a onda de solidariedade podia enviar alguns fundos para o governo espanhol colocar um piso decente naquela autoestrada e assim evitar novas tragédias. E, saber que foi isso, seria um sinal a navegadores futuros.

06 julho 2024

Acho que… será que…?

O exercício de “achar que”, assim tipo palpite, sem conhecimento profundo do contexto é caminho perigoso… frequentemente a realidade não corresponde com o que a ignorância imagina… De forma que eu achar algo relativamente ao futebol é perigoso e será prudente passar para a forma interrogativa.

Será que tenho razão ao achar que uma grande parte dos jogos do Euro2024 têm sido chatos e enfadonhos?

Será que no passado havia/era dado mais espaço a jogadores virtuosos que fintavam em série e emocionavam o público?

Será que excessos de individualismo e desenvolvimento de táticas e estratégias, com prioridade com circulação ao primeiro toque mudaram o paradigma?

Terá sido principalmente a partir do Barcelona de Guardiola que passou a ser mais importante o jogar em equipa, dando mais relevo ao papel do treinador e conseguindo resultados razoáveis, mesmo para equipas sem vedetas?

Será que as táticas de defesa evoluíram e aquela coisa de fazer um carrocel à frente da área, esperando provocar uma desconcentração e uma falha no adversário já não funciona?

Será que sem iniciativas virtuosas, este esperar por uma falha que não aparece é o que torna os jogos enfadonhos, em que se prefere a segurança de trocar a bola sem avançar, a correr o risco de um contra-ataque?

Pois, não sei, mas a França chegar às meias-finais com 3 golos marcados, 2 de autogolo do adversário e um de penalti, sem um único golo marcado em jogo corrido deve ser algo inédito.

 

19 janeiro 2024

O 25 de Abril no (FC)Porto


 Já tive oportunidade de dizer aí para trás que não me entusiasmo sobremaneira com as quezílias tribais do futebol, que o meu “clube” foi uma herança familiar e que minha vida apenas vi na ao vivo meia partida por eles jogada, há umas boas décadas.

Também já referi que não identifico o espírito e valores da cidade do Porto com os do FCP e, por tudo isso, não tenho muito interesse pela disputa à sucessão de Pinto da Costa.

No entanto…. No discurso de apresentação do candidato André Villas-Boas há uma frase que é má demais a ser verdade: “cortar com o ‘status quo’ existente, onde impera o medo e não se pode exprimir livremente o que se pensa sem ser ameaçado ou censurado”. Isto, a ser verdade, e aparentemente as ameaças de que tem sido alvo o simples candidato vão nesse sentido, não são coisa deste nosso mundo…

50 anos depois, a liberdade do 25 de abril vai chegar ao principal clube da liberal cidade do Porto? Mais vale tarde do que nunca…

15 janeiro 2024

O silêncio e o respeito


De há uns anos para cá a fase final da supertaça espanhola é disputada na Arábia Saudita, vá-se lá saber porquê…

No passado dia 10 jogou-se uma das meias-finais entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid. Antes do início da partida estava programado um minuto de silencio, em homenagem ao grande futebolista alemão, Franz Beckenbauer, recentemente falecido.

Na prática não foi de todo um minuto de silêncio, dado que as bancadas resolveram assobiá-lo do princípio ao fim. Li, depois, tratar-se de uma questão cultural. Dizem que o silencio pelos mortos não é tradição na região. Pode não ser, mas…

Será tradição pelo menos dos convidados que estavam no relvado e, mesmo não o sendo dos “anfitriões”, o respeito pelas tradições dos outros, especialmente pelo luto alheio, é daquelas coisas que não devia ser necessário muito esforço para respeitar.

Há uns anos estive em Londres em novembro, durante as celebrações do armistício da I Grande Guerra. Com tantos milhares de pessoas na rua, assistir ao silencio absoluto daqueles dois minutos foi uma experiência impressionante. Certamente mesmo para quem não tenha vivido e sentido a guerra, para quem não tivesse o hábito de momento semelhante, não havia alternativa senão ficar imóvel e em… silêncio.

Diferenças culturais… eles compram tudo e não parecem aprender nada.

16 agosto 2023

O Estado paga?


Dentro das polémicas e contestações que se desenvolveram em torno das JMJ e da intervenção do Estado nas mesmas, existe questionamento sobre se este deve pagar infraestruturas ou serviços associados a um evento que não é dirigido a toda a população.

É uma discussão que teria bastante sentido se este evento fosse algo de recorrente e onde, ainda por cima, os seus participantes tivessem predisposição a criar confusão e a precisar de dispositivos de segurança reforçados. Não sendo o caso, nem pela frequência do evento, nem pela atitude dos participantes, parece-me algo despropositado inventar mais uma polémica com o caso.

Isto evoca-me, no entanto, uma outra situação, esta sim recorrente e com muitos participantes de comportamento pouco civilizado. Falo, naturalmente, do futebol profissional, um negócio pouco transparente. que de desporto já tem pouco e cujo contributo para a construção de uma cidadania responsável está próximo de nulo, para não dizer negativo.

Os dispositivos de segurança necessários para conter as hordas de vândalos que semana após semana buscam semear confusão por onde passam deveriam ser pagos por eles e por quem os fomenta, não pelo inocente contribuinte, certo?

Carlos JF Sampaio

Esposende

10 agosto 2023

Porque não aprecio muito o FCP


Nota introdutória: a todos os familiares e amigos, dragões ligeiros ou fervorosos, isto não é uma questão pessoal 😊. É uma reflexão

O nosso clube depende de fatores hereditários ou geográficos. Pela geografia eu devia ter simpatia pelo FCP, mas não tenho…

A culpa começa no Gabriel. Era um colega do 1º ano do ciclo (atual 5ª) que era dragão (? na altura talvez ainda não houvesse a correspondência …) ferrenho e para quem os resultados tinham duas leituras. Ou o Porto ganhara por ser o maior, ou perdera por ter sido roubado. Humildade para reconhecer que cometeu erros ou os outros tinham jogado melhor não havia. Não seria o único nem o único clube, mas era-o muito marcadamente.

Ontem, por acaso, vi 3/4 do jogo e claramente o Benfica (que também não está nas minhas predileções) jogou melhor, ganhou e mereceu ganhar. Ponto. Quando é assim, felicita-se o vitorioso. Não se inventam ombros que chegam ao cotovelo, não se aplaudem jogadores que agridem, nem se felicitam treinadores que se recusam a respeitar as regras vigentes.

Se o desporto é suposto ser uma escola, estes professores são maus exemplos e desculpá-los não é bonito.

Nota final: a todos os familiares e amigos, dragões ligeiros ou fervorosos, isto não é uma questão pessoal. Pensem um pouco, de novo.

27 novembro 2022

Serão mesmo universais?

A polémica com o Mundial do Qatar e o (não) respeito dos direitos humanos é uma boa oportunidade para refletir sobre a respetiva universalidade. No rescaldo da II Guerra Mundial, com a vitória das democracias sobre os totalitarismos, a recém-criada Organização da Nações Unidas proclamava uma Declaração Universal dos Direitos Humanas, que pretendia ser uma referência e um guia para uma nova era, de democracia e de liberdade.

Nesse baralho havia já algumas cartas atravessadas. Entre os vencedores não estavam apenas democracias. A União Soviética e os seus satélites abster-se-iam na votação da referida carta. Dentro da ONU sempre houve membros que formalmente apoiando, ou não, na prática não praticavam. Para lá do bloco de Leste, Portugal de Salazar e a Espanha de Franco são exemplos.

Prevaleceu o pragmatismo de ser preferível integrar membros não perfeitos e assim de alguma forma os condicionar do que os deixar pairando como párias. É também verdade que, só como exemplo, se para os combustíveis fosseis restringíssemos o seu aprovisionamento aos países respeitadores… sobrariam muito poucos. De todas as formas, sempre existiu o reconhecimento de que por princípio havia direitos humanos universais.

Recentemente, com uma certa moda de valorizar diferenças culturais e minorias, associada ao crescimento de regimes autoritários, vemos alguma crítica à suposta colonização cultural ocidental e apelos à necessidade de respeitar especificidades e diferenças…

Ao menos uma coisa seria relevante: questionar livremente os cidadãos desses países sobre se se acham no direito a serem respeitados. Não será tudo, mas um bom princípio, sendo que a pressão migratória para a Europa é já uma forma de votar… com os pés. 

20 novembro 2022

Uma vergonha mundial


A próxima suposta festa mundial do futebol, irá desenrolar-se num país que não a merece. O Qatar não respeita minimamente os direitos humanos e quem se sentar naqueles estádios deveria sentir o suor e a dor dos milhares dos quase escravos que os realizaram em condições desumanas, alguns com o preço da própria vida. Há mais tristes detalhes sobre o que se passa nesse país, facilmente acessíveis para quem quiser saber.

Lembram-se da África do Sul do tempo do apartheid e do boicote desportivo a que foi sujeita, por não respeitar os direitos humanos? Nessa altura a comunidade internacional era menos “esqueçamos isso e vamos à bola”, como muito pragmaticamente o nosso PR agora expressou?

O que vai acontecer no Qatar não é nem pode ser uma festa. O respeito pelo sofrimento e dignidade alheia deveria impedir a celebração de qualquer golo ou vitória. Sejamos coerentes e menos hipócritas e/ou básicos (para não usar outra expressão mais bruta).

11 julho 2021

Que grande surpresa, quem diria!?


O futebol profissional, tendo como base uma modalidade desportiva, é hoje um espetáculo que faz mover muitos milhões de fundos de forma pouco transparente, para lá do deprimente nível dos debates que proporciona. Para quem estiver minimamente atento, não faltam indícios de falta de higiene no meio, em diversas latitudes e várias cores de camisola.

Dificilmente os problemas de Luis Filipe Vieira com a justiça podem ser uma grande surpresa, atendendo ao meio em geral e ao personagem em particular. Até um marciano com escassas semanas de permanência no planeta não se espantaria. Infelizmente a tentação de aparecer na tribuna deste circo, qual imperador romano, parece levar o discernimento de alguns políticos abaixo do de um marciano recém-chegado.

Algo de novo neste processo é confirmar-se que o Novo Banco não foi assim tão novo de espírito, herdando muitos defeitos do seu progenitor, para mal da nossa saúde económica.

Para quem sabe quando a vida custa, estes milhões tresmalhados escandalizam e revoltam. Não se sai daqui com um “bola para a frente”, será necessário antes um “bola fora”. Fiscalizem eficazmente as origens e os circuitos desses milhões e depois talvez volte a haver desporto.

18 fevereiro 2020

É futebol, ninguém leva a mal!

O recente episódio com o jogador Marega em Guimarães é um caso lamentável e condenável de racismo. Sim! Não é caso inédito e isolado e apenas a reação inédita e louvável do jogador lhe deu todo este destaque.

No entanto, o problema de fundo não se esgota no racismo. Naquele contexto o insulto não se limita de todo a questões de raça. A ofensa e a agressividade são tão comuns nesse mundo bestial que recentemente um tribunal de primeira instancia, devidamente depois confirmado pela Relação de Lisboa, entendeu que um delegado a um jogo dizer ao treinador adversário “vá lá p’ra barraca, vai mas é pó caralho seu filho da puta”, é normal no mundo do futebol e citando : “é notório que, no mundo do desporto, e, em particular, do futebol, estão instituídas determinadas práticas que a generalidade das pessoas valora de uma forma mais permissiva, desde que tais condutas se desenvolvam no âmbito restrito do sub-sistema desportivo”.

Aproveitando a permissividade instituída: o mundo de futebol é um mundo de merda, onde todos os merdas podem dizer o que lhes apetecer, que nem as mais altas instâncias judiciárias tomam a sério essas merdas, já sem falar das individualidades que adoram ser convidadas, participar e acarinhar este meio nauseabundo.

Voltando ao caso Marega, a dimensão racial ajuda a amplificar a indignação. Ainda bem. Mas, se um treinador abandonar um jogo para não aturar mais insultos à sua mãe, será talvez e apenas um pequeno episódio, visto com mais ironia do que escândalo. No futebol é normal… mesmo a maior criminalidade ninguém leva a mal.

31 janeiro 2018

Bola preta


Parece que metade do país entrou em estado de choque porque a maldosa justiça entrou, e ao que parece a ferir, no futebol profissional, aquele negócio espetáculo a que se chama desporto, com bastante distorção.

Alguém minimamente atento ao que se passa neste mundo, estranha existir por ali jogo sujo e dinheiros com caminhos enviesados, não me estando a referir exclusivamente a Portugal? Será assim tão surpreendente que um dia apareça alguma porcaria à superfície, deste meio tão pouco recomendável? Só para quem andar ou quiser andar distraído.

Por essas e por outras, recomendaria a prudência que quem tem uma imagem pública a defender, guardasse alguma distancia destes ambientes. Por outro lado, não há crimes ridículos. Há leis genéricas, tão claras quanto possível, que enquadram e tipificam crimes e penas, com pesos previamente definidos. A justiça limita-se a aplicar essas leis, sendo terceiro mundismo vê-las em geometria variável, conforme os protagonistas ou o impacto internacional do caso.

Nesta borrasca, andam chocados, para lá dos distraídos genuínos, os tribalistas que não se conformam com verem afetados os da sua simpatia. É muito perigoso argumentar por aí, levaria à impunidade global. Enquanto o último ladrão estiver impune, é imoral condenar os que são apanhados??

14 dezembro 2017

Aqui, não se discute política … nem futebol!


Tenho uma vaga memória destas palavras de ordem, de tempos longínquos, quentes, onde a discussão de tais temas podia ser assunto “fraturante”, sendo de evitar para uma boa convivência entre amigos e familiares.

Deixemos o futebol sossegado, pode-se pode viver muito bem passando ao lado do mesmo. Precisamos apenas de esquecer o facto de os nossos impostos pagarem “dipositivos de segurança”, cuja necessidade é consequência da agressividade e da falta de respeito nas “discussões” entre especialistas arruaceiros, alguns até supostamente gente responsável. Nunca discuti futebol “a sério” e, se me identifico com a cidade do Porto, tenho alguma alergia ao “espírito” do FCP, precisamente pela forma como os seus dirigentes e apoiantes frequentemente o “discutem”.

Num encontro de ex-camaradas há pouco tempos atrás, soaram de novo as mesmas palavras de ordem, que eu julgava enterradas, principalmente para a política, por supostamente estarmos hoje numa sociedade mais madura, habituada a um pluralismo de opiniões e a alternância de políticas, num cenário bastante diferente do da década de setenta.

Será saudável esta censura da discussão pública, em troca da manutenção da cordialidade nas relações familiares e sociais? Pode, efetivamente, ser um mal menor, mas não deixa de ser um mal e grave! O exercício da cidadania plena passa por questionar e discutir a política, as opções e os atos de quem nos governa. É evidente que dentro de um natural pluralismo, haverá visões diferentes. A incapacidade de debater objetivamente essas diferenças, pela base, pela factualidade e, em vez disso, cair no discurso grosseiro e agressivo, procurar silenciar a toda a força a discordância ou fechar a discussão invocando um simples adjetivo, supostamente desqualificante… não é próprio de uma sociedade civilizada.

Estamos a regredir, a avançar numa direção triste. A intolerância autoritária começa no verbal e acaba onde a deixarmos acabar. Pode ser num sítio feio. Eu gostaria de enviar a fatura desta deriva a quem de direito. Sugestões?

08 agosto 2017

O Qatar é fixe?


Antes da polémica com a atribuição do Mundial de futebol de 2022 e com as condições desumanas nos estaleiros, muita gente teria dificuldade em distinguir o Qatar do Bharein ou até poderia presumir tratar-se de mais um emirato dos associados/reunidos.

Quem acompanhou o processo das primaveras árabes pela rama, terá ficado surpreendido por esse país ter participado ativamente e militarmente no derrube de Khadafi. Parecia estranho, num contexto supostamente meio fraterno. Quem viu de mais perto, identificou que o Qatar e o seu braço mediático, a Al-jazira, simplesmente cavalgaram a onda de contestação inicial, para ajudarem a derrubar os regimes “laicos” da região. Aqueles onde o Islão político, fundamentalmente inspirado e patrocinado pela Irmandade Muçulmana, estava severamente condicionado. Não foram os únicos, mas tomaram bastante protagonismo, muito graças à “compreensão” e aos “favores” de França, na altura liderada pelo Sr Sarkosy. As bombas caíam na Líbia e os petrodólares em França.

A influência do Qatar foi crescendo e isso, naturalmente, incomodou os Sauditas, guardiões dos lugares santos de Meca e Medina e putativos e pretensos líderes da comunidade muçulmana mundial. O boicote recentemente decretado por estes e pelos seus acólitos é inesperado e brutal. A propósito de brutalidade, podemos referir que a destruição inconsequente em curso no Iémen é também brutal e, neste caso, sobre a vida e a condição humana, bastante mais grave do que a diplomática e económica.

Neste mundo, onde tantos gostam de se posicionar entre amigos e inimigos, o facto de os Sauditas estarem nas boas graças do Mr Trump, traz alguma simpatia ao Qatar… e um certo crédito de modernidade, para já não falar do glamour de dar 200 milhões de euros por um miúdo famoso, para o pôr nuns retratos.

A acusação de suporte ao terrorismo, ou mais suavemente, de proximidade e apoio a fundamentalistas, cheira um pouco a de roto para rasgado. Incluir o fecho da Al-jazira no pacote das exigências, tem uma leitura clara: é um foco de influencia do Qatar no mundo, muçulmano e não só, que faz uma sombra incómoda para os Sauditas.

Desenganem-se os românticos, anti-trumps ou fans de qualquer coisa glamorosa. O Qatar faz sombra, sim, mas, no fundo e na copa, as árvores são muito parecidas, para não dizer iguais …


Foto da Reuters

08 agosto 2016

Coisas de ir ver a bola

De ir ver a bola há muito quem goste e que esteja disposto a fazer grandes sacrifícios para isso, de tempo (livre) e dinheiro. Se for possível ir vê-la no tempo de serviço e por conta de outrem, será ainda melhor, certamente.

Quando vejo nos grandes eventos futebolísticos, tanta mobilização de figuras, em suposta representação institucional de qualquer coisa, fico sempre com algumas dúvidas sobre qual a real motivação daquelas presenças. Que um deputado chame “trabalho político” a ir ver a bola, é um abuso, que invoque “motivo de força maior” é ignorância crassa ou desvergonha ilimitada.

Que membros de governo vão ver a bola a expensas de empresas privadas é não saberem o que é ser governo. Se a comunicação social fala no assunto e os presenteados a seguir devolvem o dinheiro, significa que reconhecem o erro e só (re)agiram pela exposição mediática.

Aquela gente toda que vai ver a bola, especialmente nos grandes eventos, não é necessária para a promoção dos encontros ou motivação da equipa. Há outras atividades que necessitam e merecem mais apoio institucional e visibilidade do que um campeonato da Europa de futebol. Há formas mais eficazes de promover o desporto e, já agora a cultura, que não passam por estar sentado a assistir. Há gente de mais a ver a bola, fazendo de conta que está “em serviço”, quando, na realidade, está apenas a ver a bola…

21 junho 2016

Portanto, nada de novo

“Portanto” é uma conclusão, mas podemos começar assim, dado que conclusões, mesmo conclusões, corremos o risco de não as vermos tão cedo.

O novo PM sugeriu aos professores de português que emigrem, pouco original. Uma deputada e ex-ministra (da cultura, parece ser sina) “desabafa inopinadamente” nas redes sociais, questionando porque uma jornalista ainda não foi despedida. Os “colegas” de Rodrigues dos Santos querem afastá-lo da função de pivot do telejornal da RTP1, está tudo danado por causa de um livro “satânico” que ele escreveu.

Há quem não queira trazer a público as origens do drama do buraco na CGD e o detalhe da “roupa suja” dos 4 mil milhões de euros de dinheiro público evaporados… ? O ex-PM negacionista de vocação já veio antecipar que ele não influenciou nada, mesmo nada… provavelmente nem sequer o seu camarada Armando Vara, um génio financeiro com um assombroso CV bancário.

Por aqui nada de novo, portanto….

Entretanto, o novo PR distribui afetos e selfies q.b. e só falta mesmo o Cristiano abrir o ketchup e começar a marcar uns golaços para o país subir ao sétimo céu. Infelizmente, a satânica economia parece ignorar este otimismo de caras e caretas e vai piorando. Maus tempos se anunciam para os jornalistas económicos.

08 junho 2015

O dinheiro, ai o dinheiro…

O futebol a nível mundial mobiliza milhares de milhões de espetadores. É um valor gigantesco para promoção tanto de produtos e serviços como de países em busca de notoriedade. Por outro lado, muitos há que não conseguem ver circular milhões à frente do seu nariz sem caírem na tentação de aproveitar alguns para benefício próprio. Dinheiro é dinheiro e quando é mesmo muito parece tudo poder comprar, a menos que…

Deserção de patrocínios? Enquanto o futebol continuar popular como atualmente, dificilmente faltarão patrocinadores. Pode a Europa, num assomo de dignidade, boicotar os campeonatos polémicos? Seria bonito, mas mesmo no momento mais alto da recente tormenta, o Sr Platini da UEFA apelava à demissão de Blatter e, em Zurique, o presidente da federação francesa votava em… Blatter! Aparentemente a teia é tão forte que só mesmo a justiça a pode quebrar. Saudemos pois os EUA que, apesar de atores recentes nesta arena, tiveram o mérito lançar as ações judiciais que estão a abalar a FIFA.

Há ainda os milhões das contratações de jogadores e treinadores, de difícil justificação. Quando não se vislumbra uma razão plausível, o mais certo é existirem outras, camufladas, e essas razões escondidas provavelmente também terão algum interesse para a justiça. Será necessário esperar que o fenómeno chegue aos EUA para ser investigado a sério?

Eu gostaria de viver num mundo que não se resuma a “o dinheiro, ai o dinheiro … “

04 junho 2015

Sporting – gente séria?

Sou de Sporting porque o meu pai era, mas nunca vi um jogo inteiro do clube ao vivo. Uma vez assisti a metade quando praticava atletismo no Espinho e no final do treino nos deixaram ver o resto de uma partida, que lá se disputava. As suas vitórias e derrotas não contribuem muito para a minha felicidade, nem nunca me vi em discussões acaloradas sobre estes assuntos.

Tenho alguns anticorpos contra o FCP. Não gosto aquele discurso do “somos os maiores, perdemos quando somos roubados”. Um pouco de humildade e respeito pelo mérito dos outros, quando devido, nunca fica mal. Já sem falar das saladas de frutas.

Tenho alguns anticorpos contra o SLB. Muito especialmente desde que Vale e Azevedo declarou que os contratos existiam para serem rasgados e o pessoal aplaudiu entusiasmado. Também, de certa forma o SLB representa o espírito nacional, no seu pior: “Já fomos grandes! Havemos de reencontrar as glórias passadas!”. O que fazer para lá chegar é que pode ser um pormenor secundário.

Costumo dizer, meio a brincar, que o Sporting é um clube de gente séria. É de realçar que foi da sua escola que saíram a grande maioria das vedetas nacionais que pisam/pisaram os relvados mundiais. No passado recente, a opção pela contenção dos custos e a recuperação de resultados conseguida nesse contexto é um excelente exemplo do caminho que o futebol deveria tomar.

Esta notícia de hoje, da contratação de Jorge Jesus, que irá para receber uns milhões “financiados” sabe-se lá de onde... não me agrada. Sem discutir ou especular sobre o potencial de sucesso ou insucesso, preferia ver o Sporting manter o caminho anterior.

23 maio 2015

A árvore e a floresta


Em 1981, Desmond Morris publicou “A tribo do futebol”, uma obra muito interessante sobre o fenómeno social do futebol e respetiva agressividade. O livro está hoje considerado desatualizado no seu contexto original, Inglaterra. Entretanto, ocorreram as tragédias de Hillsborough e do Heysel, foram aplicados pesados castigos aos clubes ingleses, tomadas várias medidas e, aparentemente, a situação mudou significativamente.

Por estes lados, podem os estádios cumprir todos os regulamentos de segurança, mas continua a imperar um espírito tribal e didática de boas maneiras é coisa que não existe. Não é normal o aparelho policial que se mobiliza ao longo do ano (uma boa parte à custa do contribuinte) e não são aceitáveis os atos de vandalismo sistemáticos. No caso da agressão do polícia ao adepto do Benfica, em Guimarães, a atenuante de ter sido provocado, de ter passado longas horas de elevado stress não é desculpa, mas também não é aceitável insultar e desrespeitar continuamente a polícia.

Entreposta entre duas tribos rivais, a polícia acaba reconhecida como uma tribo inimiga. Só que a polícia é naturalmente inimiga dos marginais. É com estes que os adeptos se querem identificar? Qual o objetivo e o significado de os écrans gigantes de Lisboa terem passado imagens dos confrontos com essa terceira tribo? Era uma batalha também a evocar?!

Esta situação tem que ser parada e independentemente do risco de um dia ocorrer uma tragédia maior. Responsabilizar e castigar, fechar os estádios, suspender o campeonato… o que for preciso. A solução não pode ser reforçar e reforçar a polícia. Até porque com a polícia de choque o problema fundamental não está na forma como intervém, o problema está na necessidade de intervir.

29 novembro 2014

Quanto vale uma cruz?


O NBAD, um banco de Abu Dhabi, nos Emiratos Árabes Unidos, estabeleceu um protocolo com o clube de futebol Real Madrid para usar a imagem deste numa linha de cartões bancários. As imagens acima são extraídas do site do banco.

Olhando com atenção nota-se uma curiosidade. O logotipo do clube está mutilado, desapareceu a pequena cruz do topo da coroa. A monarquia espanhola passou a laica? Não, nada disso, é uma questão de sensibilidades. Cruz - cristãos, Abu Dhabi – muçulmanos! Entende-se? Entende-se mas não se compreende.

A seguir, sempre que for “politicamente” correcto iremos retirar da nossa bandeira os escudos em cruz, símbolo das cinco chagas de cristo? Recordo-me de ver na catedral de Santiago de Compostela, escondidos sob umas flores, os mouros que jazem aos pés da estátua do guerreiro, passando este, assim, de bravo mata-mouros a pacato jardineiro. Vamos também, eventualmente, ter de retirar do nosso escudo os 7 castelos, aparentemente representando conquistas aos mouros, para não ferir susceptibilidades? A que preço/com que custo… !? (Por acaso até já foram pagodes chineses, mas isso foi por outros motivos …).

Sou agnóstico (de raiz cultural cristã), não concordo com os crucifixos nas escolas e em lugares públicos, mas considero que para alterar um símbolo histórico deve existir um valor muito forte e de natureza diferente da de um cheque.

E o CR7 que vá pensando em mudar o seu nome próprio…

26 junho 2014

Festa e feira

Não acompanho os futebóis, por isso não sei dizer se as escolhas de Paulo Bento foram as mais lógicas ou se era possível termos menos lesionados ao fim de dois jogos. Não me pronuncio sobre isso.

Mas sei que a “imagem de marca” da nossa selecção, pelo menos no passado recente, era, por um lado, uma defesa muito sólida e bem organizada e, por outro lado, uma grande dificuldade em marcar golos. Nos dois jogos até agora, a nossa defesa foi uma desgraça a correr de susto em susto… Isto parece-me mais falta de organização/preparação do que outra coisa.

Se pensarmos que uma boa parte da preparação foi gasta em exibições de feira onde em vez de se mostrar um urso exótico, andamos a exibir “o melhor jogador do mundo”…