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01 janeiro 2022

Novo ano


Porque é que marcamos um novo ano, cada ano? Face à linearidade do tempo, necessitamos de marcar ciclos, fazer balanços e projetar objetivos? Talvez.

Um momento de nos miramos num espelho, imperfeito, e avançarmos em direção à luz? Mesmo com passos são frágeis e o terreno não muito claro.

Entre refletir, considerar e valorizar, avançar.

É só mais um ano, mas sendo apenas um, é suficientemente grande. Deixando os balanços, venham os objetivos.

Bom Ano 2022

22 junho 2012

O melhor será...?

Certamente que já todos deixamos alguma vez algo importante esquecido em cima de uma mesa de restaurante ou café ou, pelo menos, um guarda-chuva abandonado num local qualquer.

Um destes dias aconteceu-me algo curioso numa daquelas fases em que sonho, sem ter a certeza se estou mesmo a dormir ou se simplesmente assisto a uma sequência imaginada, que me corre sem esforço e sem controlo, e da qual sou uma espécie de espectador (atenção que espetador é outra coisa, apesar do acordo ortográfico).

Sonhei, ou imaginei, ou o que quer que seja, que num país daqueles em que não se entra e sai com duas tretas, me tinha esquecido da mochila “com tudo” num restaurante. Ainda por cima com vários espectadores prontos a espetarem-me a evidência da enorme estupidez, sem apelo nem agravo. Ao dar-me conta da falta, regresso a correr ao restaurante, mas, desafortunadamente, a mochila tinha desaparecido, com o PC portátil em que a última cópia de segurança (in english backup) era um pouquito antiga, o passaporte e mais uma tralha de coisas que muita falta faziam.

Fiquei siderado com tamanha estupidez, realmente encravado pela falta do passaporte, como vou regressar, tenho que pedir um provisório na embaixada, que grande contratempo, que grande confusão…, e com os irónicos e pseudo-solidários espe(c)tadores bem presentes…. Um daqueles momentos em que apetece desaparecer no buraco mais ao pé. Que chatice… como vou sair desta, como … que porra! Qual a melhor forma de resolver isto!? Nessa altura o espectador eu-próprio interveio e disse lá para dentro: “O melhor agora, o melhor mesmo… será acordar!” e, quando dei conta, já não estava num país estranho sem passaporte, abanando desesperadamente a cabeça, mas tinha-a tranquilamente pousada num travesseiro familiar!

Continuo sem saber se teria sido mesmo um sonho, mas agradeci aos meus reflexos pragmáticos terem-me poupado o prolongamento da angústia, mesmo em estado de consciência duvidoso. E fiquei com a lição e o exemplo: Por vezes, o melhor mesmo é acordar!

21 julho 2011

17 julho 2009

No meu tempo...


Testemunho antigo:

"Nascemos com a Lua aos pés, trazida em transmissões directas..."

Nos 40 anos da viagem histórica da Apolo 11, quem imaginaria que poderíamos dizer hoje aos nossos filhos e mais tarde aos nossos netos, com um toque de nostalgia:

“No meu tempo... no meu tempo... no meu tempo o homem caminhava na lua!!”

Valeu a pena? Se a nossa vida actual não seria muito diferente se o homem não tivesse chegado à Lua, a alma, essa sim, estaria mais pequena.

Dizia Gedeão que é o sonho que faz o mundo pular e avançar. Mas não basta. Para mexer mesmo a sério, é preciso mais. Sem a motivação gerada pela Guerra Fria USA/URSS, em cuja contabilidade também contavam as bandeiras científicas tecnológicas, nunca a exploração espacial teria tido o mesmo ritmo, empenho e amplitude.
Por outro lado, e mais concretamente, 8 anos antes de 1969 John Kennedy tinha definido o grande obectivo de colocar um homem na Lua antes do final da década de 60. E, sem esse objectivo claro e a grande pressão associada, a NASA teria feito o melhor possível mas não necessariamente antes do final da década.

Para terminar fica a natureza da motivação. Quando um enorme desafio é lançado, o que motiva e mobiliza vontades para atingir esse “impossível”? O chicote? O cheque? A vergonha da humilhação de falhar? O simples prazer e satisfação de cumprir? A vaidade e o orgulho pessoal ou colectivos? Tanta coisa e tão diversa que nos perdemos. O certo é que é na natureza dessa motivação que se define a qualidade de um individuo, grupo ou nação e o que realmente vale a pena valer a pena.
Foto extraída do site da Nasa

11 maio 2009

O K.

O K. é o “manager” do restaurante italiano do Sheraton de Alger. Sempre impecavelmente aprumado e correcto, de tez clara e rosto comprido poderia ser português, judeu ou cabil.

Após uma ausência prolongada, tenho direito a uma recepção tipo regresso de filho pródigo. Um comentário sobre a baixa frequentação do restaurante traz à cena a famosa crise mundial. O Karim acha que a quebra do preço do petróleo foi uma manobra concertada para reduzir os proveitos dos países produtores. Tento explicar que não. Daí passa para a taxa de inflação na Argélia bastante baixa para quem “importa tudo”. Explico que o resto do mundo até está a entrar em deflação e passamos a falar em geral, e mal, da Argélia. Assunto sensível. Como em muitas outras paragens, os locais não poupam adjectivos para se auto-flagelarem, mas são extremamente susceptíveis quanto a avaliações negativas exteriores. Ele parece encaixar bem as notas que vou deixando e acha que tudo, mas mesmo tudo, é uma questão de cultura. Partimos para uma longa conversa que nunca o distrai da necessidade de manter o meu copo no nível correcto. Chama o inglês para marcar o seu cosmopolitismo. Acha que não está o “right people no right place” mas eu contradigo-o de novo: se fosse apenas isso bastava rodar o “people”: o problema é a estrutura e os conteúdos dos “places” ser deficiente: não resolve nada instalar óptimos pneus num automóvel que apenas tenha três rodas. Não tenho pachorra para falar em duas línguas à mesma pessoa e peço-lhe a conta em flamengo – acho que fui mauzinho. Acaba por, meio envergonhado, meio orgulhoso, confessar que tem um curso de gestão hoteleira, um curso de informática e um curso de economia e está a ali a dirigir pessoas para as mesas

No final lá confirmo que é cabil e lanço provocador que a Argélia só evoluirá a sério quando Tizi Ouzou for a sua capital. Ele acha isso impossível mas tem a certeza de que é e sempre foi a capital cultural. É onde há uma identidade bem definida e ancorada.

Apesar de alguma contenção, o meu jantar terá representado cerca de 3 dias do vencimento dele. Tem uma namorada mas não consegue ganhar para uma casa e um carro. A bússola aponta para o Canadá onde, aí sim, existe e funciona o elevador social que premeia o mérito e o esforço.

13 novembro 2008

Sonhos vão...

A palavra “sonhos” é umas das mais fortes da literatura e tão nobre e elevada que nada a belisca.
  • “Tenho em mim todos os sonhos do mundo…”
  • “ O sonho comanda a vida…”.
“Sonhar” é associado a um outro "fazer" ou, se quisermos, a um seu sucedâneo. Fala-se dos sonhos como se fossem o lugar onde conscientemente tomam forma os anseios mais fundos, os projectos mais arrojados; tudo de acordo com os mais irrepreensíveis ideais. Nessa espécie de sala de cinema fechada e privada seríamos reis de tudo o que não aconteceu no dia que terminou e previsivelmente também não chegará amanhã.

Evidentemente não tenho nada contra este contar de histórias ao espelho, onde escrevemos o guião da “vida” sem restrições e com controlo total sobre a mesma. Muito pelo contrário, quem não “sonha” e não desenha anseios nem projecta ambições é forçosamente um ser muito limitado.

Agora, o que me parece é que chamar a isso “sonho” é desadequado, pelo menos no meu caso. Para começar há aquela frase de transição entre a vigília e o sono em que as coisas correm na cabeça de forma anárquica misturando tempos e cenários, numa verdadeira senilidade temporária. Depois os sonhos quando os há e os recordo, não passam duma desarrumação de coisas que aparecem, fogem e se atropelam. Sinceramente não gostaria nada que os meus sonhos se tornassem realidade. Seria um mundo fantástico que, se tem o mérito de me surpreender com desenvolvimentos inesperados e incríveis, contrariando aquela ideia de que somos mestres dos nossos sonhos, é um contexto de uma desarrumação insuportável.

Não sei se o meu caso será raro ou único, mas para mim esta palavra tem uma deriva no significado realmente impressionante.