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28 novembro 2014

Paint ball ou Dostoievsky ?

A minha última participação no Roda Pé Cultural do Centro Cultural do Alto Minho, cuja publicação agradeço.

26 dezembro 2012

O desafio da mudança

Para lá das diversas teorias da gestão empresarial sobre segmentação de negócios, eu acredito que há uma segmentação fundamental inicial e que divide as empresas em dois grupos: aquelas que no fim da cadeia de valor têm um consumidor e as outras que no final têm directa ou indirectamente um contribuinte. As primeiras têm por prioridade a competência, a excelência e a inovação, que as façam distinguir e sobreviver na selva de concorrência. As segundas têm a chave do sucesso no relacionamento, nas fidelidades e na, chamemos-lhe, gestão da informação.

Com a travagem brutal do investimento público em Portugal, a muitas empresas coloca-se um desafio duplo. Necessitam de encontrar novos negócios e, no caso provável de esse novo negócio ter um sistema de valores diferente, terão que se reestruturar em organização e em cultura para terem sucesso nesse novo contexto. Em muitos casos será muito mais difícil do que simplesmente obter encomendas.

18 julho 2011

Negócio indigno



Milly Dowler é o nome de uma jovem inglesa, foto acima, raptada em 21 de Março de 2002, com 13 anos, e assassinada. O chamado “jornal”, News of the World, contratou um detective particular para descobrir coisas sobre o caso, a história da vítima, a família, os amigos, etc, enfim tudo aquilo que o povo gosta de saber e que dá “business” aos média. Entre outras coisas, os jornalistas conseguiram ter acesso, obviamente ilegal, à caixa de correio de voz do telemóvel da vítima e ficaram a saber quem lhe tentava ligar e as mensagens que deixavam, obtendo assim informações muito interessantes para o seu “jornalismo”.

Ao fim de alguns dias ocorreu um problema: a caixa de correio encheu. Como não queriam perder a “fonte”, encontraram uma solução. Apagaram as mensagens antigas para permitirem o registo de novas, numa altura em que a vítima até já estaria morta. Além da eventual destruição de provas importantes para a polícia, o facto indiciava que ela ainda estava viva, dando falsas pistas à investigação e uma enorme esperança infundada à família, que até concedeu uma entrevista exclusiva ao dito cujo “jornal”, referindo-se à enorme alegria que esse “facto” lhes tinha proporcionado!!! Essa edição deve ter vendido muto bem ! E, por muito sincero que seja, o que vale hoje um pedido de desculpas para isto…?

Este caso de escuta é apenas um de muitos, mas tem um significado muito mais fundo do que o simples coscuvilhar a vida privada de uma “socialite” qualquer. Por um lado, ainda bem que foi na Inglaterra que tem alguma tradição em levar estas coisas ao fundo, doa a quem doer (não como cá com a nossa “Casa Pia”).

O proprietário do jornal e grande empresário do sector, Rupert Murdoch, encerrou o jornal. A última edição de despedida teve uma tiragem quase dobrada e esgotou os cerca de 4,5 milhões de exemplares. Nas imagens da despedida não vi claramente vergonha estampada na cara dos “jornalistas”, vi mais consternação e, apesar de tudo, um certo sentido de terem feito o seu trabalho, de dignos guerreiros derrotados. Este caso não se resume a um jornalista isolado e tresmalhado, mas ao espírito de todo um sistema “pragmático” que factura em cima de qualquer valor. Houve e continua a haver quem não hesita em invocar os direitos e o respeito que merece o jornalismo e, ao mesmo tempo, sem ter o mínimo pejo em recorrer a tudo, e mesmo tudo, a bem da tiragem/audiência. É possível sobreviver individualmente um jornalista e colectivamente um título sem se renderem? Não sei mas espero sinceramente , ingenuamente talvez, que tamanha monstruosidade conduza a alguma mudança consolidada nas práticas do sector.

Nota: Informação e foto recolhidas no "Guardian"

18 março 2011

A Pensão do Zé

Terá começado há cerca de 20 anos, mais coisa, menos coisa. Uns génios financeiros profícuos em previsões macroeconómicas que o futuro costuma confirmar pouco fiáveis, começaram a dizer ao Zé que os Estados iam deixar de poder garantir a sua pensão de reforma e que ele tinha que se precaver. O Zé assustou-se e floresceram os vários produtos financeiros de capitalização como seguros e PPR’s, criando uma enorme massa que anda por aí à solta, a ser gerida pelos tais génios.
Numa primeira fase compraram, espremeram e venderam empresas, tendo sido comparados a um bando de gafanhotos vorazes, mas agora encontraram terreno mais seguro. Aquela coisa de que se fala muito recentemente, os tais “mercados financeiros”, é em grande parte a aplicação dessas poupanças dos Zés, e até mesmo do próprio coordenador do Bloco de Esquerda que tanto vocifera contra os mesmos. Descontando uma certa ingenuidade dos Estados que pensavam ter acesso ilimitado a esses mercados, reconheço ter pouca simpatia por esses gestores e dou dois exemplos que me repudiam fortemente: quando na situação actual do Japão, a sua preocupação é tentar adivinhar a evolução do yen e assim “investir” na boa direcção, independentemente do que isso pode significar de agravamento na situação do país martirizado e quando reclamam o direito de conhecerem o estado real de saúde de Steve Jobs, se vai durar semanas ou meses, para assim optimizaram a gestão da sua carteira de acções da Apple.
Depois, voltando às pensões, temos ainda o exemplo do Chile em que os “Chicago boys” implementaram precocemente este esquema de pensões de reforma privado. Parece que há fundos que derreteram e como o dinheiro em geral não nasce, há gente que está a ver a sua reforma rateada a 30% do valor previsível, e é de assinalar que o Estado Chileno não faliu.
Veremos se eu entendi bem o circuito actual: para se proteger do Estado, o Zé entrega poupanças aos fundos, este emprestam aos Estados a boas taxas de juro e terão excelentes resultados, o Estado para servir essa dívida (além de ter que corrigir outros disparates) tem que reduzir as pensões que paga. Há algo que me escapa ou parece existir aqui alguma coisa estruturalmente errada?

11 janeiro 2011

Uma história de amor ?

Dizia alguma imprensa que o infeliz desfecho de Carlos Castro e Renato Seabra foi uma história de amor que acabou mal. Perdão!? Disse “amor” …???
Um jovem de 21 anos, “normal” segundo família e amigos, que sonha ser modelo e viver no mundo da moda é contactado por uma sumidade dessas andanças que o quer “ajudar” a singrar. Estão a ver o jovem apaixonado por aquela figura de 65 anos pastosa e repugnante?
Foi iludido, enganado, deixou-se enganar, pretendeu enganar, conseguiu enganar? Revoltou-se ou enlouqueceu quando se sentiu enganado ou que não podia enganar?
Ninguém merece morrer e muito menos daquela forma, mas para lá da morte ou especialmente por aquela morte, há aqui tema de reflexão e proporcionando falar de muita coisa, menos de amor. Há aqui um negócio em que alguém pagou e não recebeu ou alguém a quem foi pedido um preço excessivo para o que pretendia pagar.

27 outubro 2009

Alguém ainda tem pachorra para a gripe A?

Bolas....! Já não se pode ouvir falar mais nisto. No mesmo dia em que se inicia a campanha de vacinação em Portugal com reportagens em directo das picadelas “vips”, aprende-se que no hemisfério sul, onde o Inverno está a terminar, esta terrível pandemia não provocou mais mortes do que a gripe banal de todos os anos.

Durante este tempo em que se falou e falou e falou desta ameaça, quanta gente morreu de malária, por exemplo? Quanta gente morreu simplesmente de fome? A relação entre a atenção mediática dada a esta ameaça e os seus efeitos reais, não têm certamente paralelo, e pelo ridículo.

Quanto custou e quanto custará ainda esta cena toda? Quem pagou e quem ganhou?

14 outubro 2008

É que não aprendem!

No momento em que o mundo “ocidental” assiste a um terramoto no seu sistema financeiro de com uma amplitude que tomou tudo e todos de surpresa, os “génios financeiros criativos” insistem em mostrar que não dormem nem desarmam!

Um parêntese para recordar que há já uma dezena de anos, mais coisa menos coisa, se sabe que os EUA andam a gastar mais do que criam, alimentando esse consumo através da valorização contínua do imobiliário e da emissão de obrigações do Estado, algo de insustentável. E, por definição, o insustentável não dura sempre, sendo também verdade que, como alguns dizem na ressaca, o que fez mal foi apenas o último copo. No penúltimo ainda estava tudo bem…

Depois deste estouro do crédito imobiliário imaginemos o que poderá ser o colapso do valor das suas obrigações e do dólar, isso sim, uma verdadeira bomba atómica na economia mundial. Oxalá não ocorra mas o que é lógico tem sempre uma probabilidade não negligenciável de ocorrer, não é?

Voltando ao tema do parágrafo inicial, que vi eu num dos telejornais recentes? Que o banco Best tinha proposto um “produto inovador”, um depósito a prazo em que se indicava um palpite para o candidato vencedor das eleições americanas. Acertando, a remuneração seria de 8%, falhando ficariam uns meros 2%.

Eu posso entender que a vitória do candidato “A” possa ter um impacto previsível positivo nas acções de um pacote de empresas "X" e a remuneração da minha aplicação tenha um resultado diferente, conforme ganhe “A” ou ganhe “B”. O que eu não consigo entender de forma alguma é que o resultado dependa de eu acertar com o palpite ou não. Parece-me mais próximo do totoloto do que de uma aplicação financeira. Em resumo, ao continuar com estas propostas “criativas” em que não se encontra nenhuma lógica entre o investimento e a remuneração, “eles” só estão a mostrar que não aprenderam nada!

24 fevereiro 2008

O preço até era bom...

Ouvi ser referida mais do que uma vez no universo das PME familiares a imagem do “ o tipo não paga, mas, em compensação, o preço que lhe facturei foi bem alto!”. Para um “dono” de empresa sensível a que tão importante como ter um belo resultado de exploração, boas margens, é ter o dinheiro recebido no seu bolso esta anedota diz muito.

Os bancos, nomeadamente americanos, resolveram vender empréstimos a quem tinha dificuldades em pagá-los... a muito bom preço. Um pouco de acordo com o princípio do “quem arrisca, não petisca”. São os “subprime”, ou seja, não há prémio para quem contrata, mas sim um preço forte. E lá foram petiscando entretidos. Quer dizer, acreditando que petiscavam, porque o resultado real desses contratos só poderia ser avaliado no fim, quando o empréstimo fosse completamente reembolsado ao tal preço forte...

Esse excelente negócio cresceu, cresceu, mas com uma alteração do ciclo económico, e toda a gente sabe que a economia tem ciclos, aconteceu o previsível. Esses clientes de risco deixaram de poder pagar. Aquilo que era um bom negócio transformou-se num enorme buraco no sistema financeiro, que embora originário nos EUA, se propaga a nível mundial.

Quando se ouve nas notícias aquele expressão de que os resultados de um banco foram “afectados pela sua exposição à crise dos subprime”, o que isso quer dizer é que directa ou indirectamente esse banco estava a tentar petiscar e ficou “a arder”. Ou seja, o preço era bom, só que os clientes não pagaram. Tenho a certeza que uma série de proprietários de PME que conheço não teriam ficado tão deslumbrados assim com esse negócio, ou, ao menos, nunca se teriam exposto tanto.

12 março 2006

Definições de Capitalismo

Já há uns tempos grandes atrás, recebi um texto, de origem incerta, com umas definições de capitalismo que me parecerem muito adequadas, oportunas e didácticas. Transcrevo algumas das recebidas:

CAPITALISMO TRADICIONALTens duas vacas.
Vendes uma vaca e compras um boi.
A manada multiplica-se e a economia cresce.
Vendes a manada, reformas-te e vives dos rendimentos.
CAPITALISMO ENRONTens duas vacas.
Vendes três delas a uma das tuas empresas cotadas em bolsa, usando letras de crédito criadas pelo teu cunhado no banco.
Fazes o saldo da dívida através de uma oferta geral associada pela qual obtenhas as quatro vacas de volta, com isenção de impostos por cinco vacas.
Os direitos do leite das seis vacas é transferido através de uma intermediária para uma sociedade anónima nas Ilhas Cayman, detida pelo principal accionista que volta a vender os direitos das sete vacas à tua empresa cotada em bolsa.
O relatório anual diz que a tua empresa detém 8 vacas, com uma opção de compra de mais uma.
O público compra o teu boi.
NUMA EMPRESA AMERICANA...Tens duas vacas.
Vendes uma e forças a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Surpreendes-te quando ela cai morta.
NUMA EMPRESA CHINESA...Tens duas vacas.
Tens 300 pessoas a mugi-las, pelo que alegas taxa de desemprego zero, alta produtividade de bovinos e prendes o jornalista que revela os números.
NUMA EMPRESA PORTUGUESAHá 2 vacas.
A manada não se multiplica porque o Estado nunca mais fornece o boi.
Com toda a justiça moral, deixas de pagar os impostos porque o Estado “não faz nada!”.
As vacas fazem greve porque afinal elas é que dão o litro... e dizem que com mais duas vacas ao serviço só precisavam ser mungidas dia sim, dia não.
A produção vai pelas ruas da amargura; o distribuidor esfrega as mãos decontente, importa leite espanhol e até o vende mais barato. A empresa só não vai à falência porque iniciou um engenhoso negócio de facturas falsas
.

E acrescentei mais umas variantes, que não estavam no texto original:
NUMA EMPRESA BELGA
Há duas vacas. Uma flamenga e uma francófona. Não é possível trocar uma vaca por um boi porque isso destruiria o equilíbrio comunitário.
A manada estagna mas vive bem cobrando comissões aos agricultores que vão as Bruxelas negociar as suas quotas leiteiras.

NUMA EMPRESA FRANCESA
Tens duas vacas.
Crias um leite diferenciado e especialmente leve, mugindo as vacas de patas para o ar.
O rendimento não é grande por falta de colaboração das vacas e por perdas na recolha. No entanto, a PAC é generosa e cobre todos os prejuízos.

NUMA EMPRESA ARGENTINA
Há um boi e uma vaca!!!
Infelizmente o boi só gosta de vacas francesas e a vaca detesta bois do 3º mundo.
A empresa vai à falência porque tem que importar bezerros e pagá-los em dólares.

NUMA EMPRESA ESPANHOLA
Tens duas vacas.
As vacas produzem diariamente:
500 toneladas de chocolate ‘cacao-free’
1200 litros de azeite absolutamente virgem de azeitonas (0%)
800 kg de paté de fígado de batata
A empresa prospera e, no final, vendes as vacas como sucedâneo de touro para as touradas portuguesas.

12 dezembro 2005

“Grandes para quê?”

Esta pergunta foi utilizada por um fabricante de automóveis para promover um utilitário, procurando evidenciar que ele servia para a mesma função do que os outros maiores. Em parte, tinham razão. Infelizmente os estrategas da Ford e da General Motors nos EUA não viram o anúncio e acharam que se deveriam concentrar nos automóveis grandes, entregando o mercado dos “pequenos”, à escala deles, aos japoneses. Entretanto, os japoneses atacaram também os grandes e, com o aumento do preço do petróleo, os clientes descobriram que não necessitavam mesmo de automóveis grandes, criando um grave problema a esses construtores.

Falando nos preços altos do petróleo e na escassez dos recursos naturais, podemos falar também no efeito de estufa e nas quotas de CO2, das quais se começam a fazer os primeiros balanços, confrontar tudo isto com a obsessão económica pelo crescimento e questionar: crescer para quê?

Crescer! As empresas devem crescer para não serem engolidas pelos concorrentes; as economias dos países devem crescer para não perderem terreno. Mas … para que necessitamos de ter 10 cv mais nos nossos automóveis, cada ano que passa? Para que necessitamos de aumentar ainda mais a produção de produtos agrícolas, já excedentários e, ao mesmo tempo, sem conseguirmos acabar estruturalmente com a fome no mundo?

Razoabilidade na utilização dos recursos do planeta: Será razoável que, devido ao crescimento e ao embaratecimento dos voos aéreos, haja ingleses que voem para Girona, unicamente para comprar bebidas alcoólicas e regressem carregados de garrafas, de tal forma que a poupança “paga” a viagem? Ou que se exportem maçãs do Brasil em carga aérea, chegando aos supermercados europeus mais “baratas” do que as do vizinho que as deixa cair da árvore?

W. Churchill dizia que a guerra era um assunto demasiado sério para ser deixado exclusivamente ao cuidado dos militares. Eu acrescentaria que a economia é um assunto demasiado sério para ser deixado exclusivamente ao cuidado dos economistas.

Existe uma dinâmica de evolução intrínseca da natureza humana. Crescer sim mas: “Grandes em quê?”.

29 setembro 2005

Quem tem medo da Microsoft? (3)

Actualmente estamos como se houvesse um fabricante de automóveis, por exemplo, a GM, dominante com 95% do mercado. Que, explorando esse sucesso, também passou a ser dominante na construção e exploração das estradas, nos sistemas de portagens, nas áreas de serviço e no combustível fornecido. Seria também dominante nos camiões, autocarros e motociclos. Teria participações minoritárias noutros meios de transporte alternativos.

Quem tiver um GM abastece automaticamente. Quem não tiver terá problemas porque, quando a sua marca estiver adaptada ao sistema de abastecimento definido pela GM, esta mudá-lo-á. Esta exclusão “de facto” traduzir-se-ia noutros aspectos: Quem tiver um GM passa na ViaVerde; quem não tiver fará a fila para a portagem manual porque o seu veículo não se entende bem com o sistema GM da portagem. Quem tiver um GM dialoga com os semáforos e apanha mais verdes; quem não tiver apanha mais vermelhos. E por aí fora...

Quando a GM fosse instada a revelar a fórmula do combustível, diria que se trata de propriedade intelectual protegida e acrescentaria que não garante o correcto funcionamento dos seus automóveis com combustível não GM. Diria também que não garante a segurança das estradas em que os semáforos não sejam GM.

Dá para imaginar o problema enorme que esta situação representaria. Nas tecnologias de informação estamos parecidos. O “bug do ano 2000”, cuja história aliás não está totalmente contada, demonstrou que estamos dependentes social e economicamente dos sistemas informáticos muito mais do que imaginávamos.

Mais do que um problema comercial/jurídico ou Europa versus USA, a MS é um problema estratégico macroeconómico. Mais do que penalização, creio ser necessária regulação. Exactamente, como há para outros aspectos sensíveis, como a energia. Ninguém imagina um mundo em que o petróleo seja dominado por uma única companhia, pois não?

07 agosto 2005

Um herói


Escrevo este texto a pensar num caso concreto mas não é único nem específico de um sector. Refiro-me àquelas empresas que têm uma dimensão vinte vezes menor do que o mínimo, segundo os livros, absolutamente necessário para sobreviver.

Algumas já provaram que os livros tinham razão. Outras, como esta, ainda se movem. Tem máquinas antigas mas bem tratadas. Tem um dono que a vê como sua e preocupado com a sua perenidade. Conhece-lhe todos os cantos e todos os interruptores. E, dia após dia, lá vai inventando a sua forma de sobreviver fugindo e atacando qual guerrilheiro. Sempre esclarecido e sempre digno.

Trata-se de empresas que pagam salários a quem lá trabalha, que fazem coisas, coisas essas que são carregadas em camiões e enviadas para longe ou para perto. Ganham algum dinheiro. Não tanto como aqueles engravatados que fazem apostas sobre qual será o valor da taxa de câmbio euro-dólar dentro de três meses, o que é pouco mais do que um totobola financeiro. Provavelmente até ganharão menos do que alguns “investidores” que lá vão comprando terrenos e fazendo uns prédios muito bem construídos e lindos de morrer.

São empresas que também não durariam mais do que uma semana nas mãos dos gestores de fundo de pensões, esses que recebem as poupanças de quem receia que o Estado possa falir. O rendimento seria absolutamente insuficiente, de acordo com o que vem nos livros.

Provavelmente estão todas condenadas, ou não! Enquanto subsiste, aquele senhor empresário é, na minha opinião, um herói.