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30 julho 2017

Este homem é de esquerda!


A extensão típica destes textos é largamente insuficiente para elencar todas as coisas esquisitas por onde o mundo de Ricardo Salgado viajou. A maior parte das pessoas informadas já terá uma ideia e, se não tiver, uma simples pesquisa permite encontrar matéria mais do que suficiente para passar a ter. Poucas operações polémicas no país foram estranhas ao Sr PDT (Patrão Deles Todos).

Recentemente veio dizer, muito aristocraticamente, como convém a alguém de tal estirpe, que não é por culpa dele que há lesados do G/BES. Ele tinha intenção de pagar… só que a provisão acabou por ir parar a outro buraco. Também teria tido intenção de pagar aqueles 900 milhões extorquidas à PT e que desvalorizaram a empresa, agora tão na mira da classe política, mas por outros motivos, politicamente mais relevantes? Sim, porque para os nossos políticos uns milhares de milhões a mais ou a menos é irrelevante, alguém acabará por pagar; agora a propriedade dos meios de comunicação social é assunto muito mais sensível.

O mais curioso, sem dúvida, é o Sr PDT afirmar (crítica ou elogio?) que nenhum outro governo lhe teria tirado o tapete como fez Pedro Passos Coelho. Se outro governo tivesse aceite lá colocar mais uns mil milhares, seriam mais uns mil milhares evaporados. À luz do maniqueísmo vigente, entre pafiosos e geringonceiros, só posso concluir que Ricardo Espírito Santo, afinal, é um homem de esquerda!

11 setembro 2012

Experiência em curso

Eu, e creio que muitos mais, estamos de acordo com o princípio de fazer os sacrifícios necessários, desde que justos, claros e bem explicados. E, neste campo, a última declaração do nosso primeiro-ministro não ajuda nada. Em primeiro lugar, a famosa questão da igualdade exigida pelo TC não está satisfeita – é necessário que seja “permitido” a instituições públicas terem salários em atraso, fazerem despedimentos colectivos e até mesmo falirem!

Depois, o malabarismo do sobe e desce das contribuições para a Segurança Social entre trabalhadores e empregadores fundamentalmente não é uma medida de redução de défice público. Uns pagam mais 7%, outros menos 5,75%, e o saldo é apenas de 1,25%. Porque é que não se fez um simples aumento de 1,25% em vez desta redistribuição brutal? Para que serve este alívio da contribuição para as empresas: para dar viabilidade a empresas em desespero, para aumentar competitividade e exportações, para remunerar melhor os accionistas, para comprar um Mercedes novo ou para atrair investimento estrangeiro? O assunto é demasiado sério e o impacto dos 7% nos trabalhadores, quando tantos já estão individual ou familiarmente com pouca folga, é demasiado importante para se justificar com uma vaga declaração de boas intenções.

Atendendo ao contexto e ao histórico deste tema, eu encontro uma justificação: é o FMI que quer ver os efeitos na economia de um país que a redução da contribuição patronal representa e nós podemos ser um bom caso de teste. E como dependemos deles para mais tempo e/ou mais dinheiro, aceitamos ser cobaias. Eu sei que é uma especulação, mas é plausível e enquanto não me explicarem a real razão, considero-a a mais provável. E é um jogo muito perigoso, não para o FMI, é claro.

04 junho 2011

Dia de reflexão

Dia de reflexão para uns eleitores desesperados

- Então como é? Em quem votamos?
- Naquele que nos engana ou naquele que se engana?
- Queres dizer: no aldrabão ou no nabo?
- Nem tanto assim, mas pronto: em qual deles?
- E quem te garante que o nabo não é também aldrabão?
- Pois… mas o Sócrates, especialmente “pós-troika” tornou-se verdadeiramente impossível de aturar de tanta falta de humildade...
- Pois… e então em quem votamos?
- E o Passos Coelho não tem cara de quem consegue definir e manter um rumo. Flutua demasiado.
- Pois… e então em quem votamos?
- Venha o diabo e escolha!
- O diabo… votamos no Garcia Pereira ?
- Se calhar vamos votar no nabo…
- E daqui a seis meses, estaremos arrependidos…
- Seis meses? Optimista!

    04 dezembro 2008

    O país do brando clima

    Antes do advento das máquinas de fazer neve, dizia-se com ironia que a Serra da Estrela não era opção para praticar desportos de inverno porque na maior parte do tempo não tinha neve suficiente e quando a tinha a estrada de acesso fechava.

    Não somos um país que conviva com neve frequentemente, obrigando a uma organização eficaz nesse campo, mas, nas vezes em que ela aparece, demonstramos uma deficiência deplorável.

    Um caso concreto. No passado sábado dia 29/11 houve gente bloqueada no IP4 entre Amarante e Vila Real por mais de 7 horas. Os nevões são relativamente previsíveis. Para um eixo da importância do IP4 deveria ter sido realizada uma acção preventiva espalhando sal. Sem isso, ao começar a nevar com intensidade, sem a estrada estar preparada, deveria ter sido imediatamente cortada e não somente apenas após ficar repleta de veículos encravados.

    Durante essas 7 (sete) horas, ninguém de GNR, Protecção Civil ou Bombeiros deu o mínimo apoio aos bloqueados: têm combustível suficiente para manter o motor em funcionamento e o veículo aquecido? Têm que beber? Têm que comer? Nada! 7 horas é muito tempo e este abandono dos cidadãos à sua sorte nestas condições é coisa de terceiro mundo.

    No final, os bombeiros aproveitam para referir a sua crónica falta de meios. Sem questionar a abnegação e o esforço desses homens, interrogo sim o planeamento das suas aquisições. Quando se vê quartéis tão recheados, por vezes tão próximos e até em ligeira “concorrência”, fica a dúvida se existe alguma coordenação. E o exemplo de não possuírem aparelhos GPS parece muito mais um problema de gestão do que de disponibilidade de recursos.

    14 outubro 2008

    É que não aprendem!

    No momento em que o mundo “ocidental” assiste a um terramoto no seu sistema financeiro de com uma amplitude que tomou tudo e todos de surpresa, os “génios financeiros criativos” insistem em mostrar que não dormem nem desarmam!

    Um parêntese para recordar que há já uma dezena de anos, mais coisa menos coisa, se sabe que os EUA andam a gastar mais do que criam, alimentando esse consumo através da valorização contínua do imobiliário e da emissão de obrigações do Estado, algo de insustentável. E, por definição, o insustentável não dura sempre, sendo também verdade que, como alguns dizem na ressaca, o que fez mal foi apenas o último copo. No penúltimo ainda estava tudo bem…

    Depois deste estouro do crédito imobiliário imaginemos o que poderá ser o colapso do valor das suas obrigações e do dólar, isso sim, uma verdadeira bomba atómica na economia mundial. Oxalá não ocorra mas o que é lógico tem sempre uma probabilidade não negligenciável de ocorrer, não é?

    Voltando ao tema do parágrafo inicial, que vi eu num dos telejornais recentes? Que o banco Best tinha proposto um “produto inovador”, um depósito a prazo em que se indicava um palpite para o candidato vencedor das eleições americanas. Acertando, a remuneração seria de 8%, falhando ficariam uns meros 2%.

    Eu posso entender que a vitória do candidato “A” possa ter um impacto previsível positivo nas acções de um pacote de empresas "X" e a remuneração da minha aplicação tenha um resultado diferente, conforme ganhe “A” ou ganhe “B”. O que eu não consigo entender de forma alguma é que o resultado dependa de eu acertar com o palpite ou não. Parece-me mais próximo do totoloto do que de uma aplicação financeira. Em resumo, ao continuar com estas propostas “criativas” em que não se encontra nenhuma lógica entre o investimento e a remuneração, “eles” só estão a mostrar que não aprenderam nada!

    14 agosto 2006

    Serra do Soajo

    A estrada que vai do Mezio até Lamas de Mouro, pelo Soajo e pela Peneda, é um dos percursos mais deslumbrantes que conheço neste nosso belo país. A mata inicial não é de pinheiros nem de eucaliptos. É variada e densa, como deveriam ser muitas outras.
    Ainda há duas semanas a fiz calmamente de moto, completamente deliciado.
    Quando ouço falar de uma frente de incêndio desde Adrão até Gavieira, acho que nem quero saber mais nada. Há muito tempo que não me sentia tão incomodado com uma notícia de um incêndio.