09 janeiro 2026

Segurando o PS


A degradação do nosso regime (não só do nosso, mas por hoje focamo-nos aqui) e a erosão dos partidos tradicionais são, a prazo, um retrocesso e um risco para o sistema democrático em que nos habituamos a viver, em liberdade.

Por muito eco que as propostas extremistas possam ter em gente séria, bem-intencionada e com motivos concretos e válidos para estar desiludida com o “sistema”, é evidente que a sua eventual colocação em prática não irá nada resolver, muito pelo contrário.

Os radicais de esquerda podem invocar bons-sentimentos e projetos de uma humanidade mais justa e generosa, mas a sua implementação sempre falhou, tanto na vertente económica, sem geração de riqueza não há milagres, como no próprio campo que lhes é teoricamente caro, o da liberdade. Os de direita, podem apelar à salvaguarda de valores tradicionais e uma certa ordem e segurança, mas também trazem o risco de uma discriminação injusta e até violenta.  Em ambos os casos, a prazo, não haverá tolerância, segurança e sucesso.

Parece-me claro que o modelo que funciona melhor é o atual e o problema não está nos seus princípios, mas sim nos seus intérpretes. Dentro dos protagonistas recentes que se distinguiram pelas piores razões, está obviamente o PS. Falamos de Sócrates e dos seus órfãos e afilhados, assim como dos coitados por ele “enganados”, que nada viram. Também não há anjos, longe disso, mas o PS leva a medalha de ouro (?!) de longe no campeonato da degradação e descredibilização do nosso sistema.

A candidatura de AJ Seguro às Presidenciais não é certamente um toque mágico que tudo pode resolver, mas o seu sucesso, que sinceramente gostaria de ver acontecer, seria um grande passo na regeneração de um dos partidos fundamentais do nosso regime. Sou eu a ser otimista, mas às vezes é preciso.

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