15 agosto 2025

Barbie apagada na cidade-luz


O filme Barbie, independentemente da qualidade e do apreço que poderemos ter por eles em termos exclusivamente cinéfilos, tem um histórico de polémicas por supostos atentados à moralidade e promoção da homossexualidade, pelo menos na ótica de certas culturas, estando mesmo proibido nalguns países.

Na passada semana foi objeto de uma nova censura. Uma projeção ao ar livre, promovida por uma autarquia foi cancelada porque um grupo de fundamentalistas, que se opunham à exibição, ameaçaram abortar a projeção pela força.

A sessão foi então anulada por preocupações de segurança (medo...). Passou-se na Arábia Saudita, Qatar, Argélia …? Não, foi em França, Noisy-le Sec, a uma escassa dúzia de quilómetros do centro da cidade-luz e da catedral de Notre-Dame.

Se a condenação clara deste facto dispensa qualquer “nuance”, e o mesmo deveria ser objeto de séria preocupação, é extraordinário como o presidente da câmara, comunista, considera que a amplitude das críticas é injustificada e desproporcional, assim como a sua “apropriação” pela extrema-direita racista e islamofóbica (estará a fazer contas para as próximas eleições !?). Se condenar veementemente estas derivas inaceitáveis no nosso modelo social é ser extrema-direita…

Quanto a alianças entre comunistas e islamistas, basta olhar para o Irão e o que aconteceu aos progressistas depois da vitória da revolução “comum”.

Uma pequena provocação: os LGBT+ que arvoram bandeiras da Palestina, têm consciência da inconsistência da sua posição?

Um urso no Alasca


Meio mundo aguarda com expetativa o resultado da próxima cimeira no Alasca entre Trump e Putin, naturalmente. Aquela guerra precisa de acabar e considerando que já passaram mais de 24 horas depois da tomada de posse do presidente dos EUA…

Eu estou expectante, mas também cético. Supondo que até corre bem, as armas se calam e vamos a caminho de um acordo de paz, que garantias há de que Putin não inventa mais uma “ameaça” qualquer para relançar a ofensiva.

De recordar que este conflito foi iniciado sem que a Ucrânia tenha atirado uma simples pedra no território russo ou planear fazê-lo. A menos que a ocidentalização e liberalização de uma antiga colónia fosse uma pedra no sapato dos senhores do Kremlin.

Aparentemente o objetivo era “desnazificar” Kyiv e, se esse argumento legitimava a “operação especial” há três anos, porque não esse ou outro poderão ser de novo invocados? De recordar que em 1994 a Ucrânia entregou o arsenal nuclear soviético em seu poder, em troca de garantias de segurança e…

Quem começa uma guerra desta forma, não parece confiável para manter a paz sem uma forte coação militar e/ou económica. Todos aqueles que acreditam que as promessas de paz destes brutais senhores da guerra garantem algo, podem revisitar a história dos acordos de paz de Munique de 1938 e do que se seguiu.

Atualizado em 16/8 com a publicação no "Público"


13 agosto 2025

O que é uma nação

Nos tempos atribulados que vivemos quanto a estrangeiros, migrações e nacionalidades, falta muita reflexão objetiva, racional e, aparentemente, aquela coisa que toda a gente proclama ter, que é o bom-senso.

Migrações e evoluções sociais e culturais na sequência da chegada de gente diferente, sempre houve na história da humanidade, mas, mas… quando essas mudanças são demasiado rápidas (a velocidade é relativa, certo), os “mudados” passam a sentir que aquela “casa” já não é a sua e temos um problema “legitimo”. Pessoalmente, não tenho nenhuma questão com a tez da pele das pessoas, mas tenho sim com os códigos sociais, quando eles são radicalmente diferentes das nossas referências. Já vivi em outras paragens e não gostaria que alguns comportamentos que lá são normais passem a ser norma aqui. 

A definição dos limites de uma nação é complexa. Não é apenas geográfica, embora muitas vezes as cadeias montanhosas se transformem em fronteiras naturais e uma boa parte da nossa fronteira com Espanha ser fluvial. Não é apenas pela língua, já que existem nações multilinguísticas e outras vizinhas que partilham a língua, mas que se diferenciam. Não é também religiosa, apesar de em muitos casos as nações terem sido construídas precisamente sobre a homogeneidade religiosa.

Não há uma definição simples e abrangente do que é integrar uma nação. Penso que passa muito por uma conjugação no plural de um “somos” e um “fomos”, oportunamente desvalorizando/olvidando o que nos separa/separou e recordando/promovendo o que nos pode orgulhar e unir.

Por isso, para alguém poder ser português, não basta preencher um formulário, nem tão pouco genéticas e credos deverão ser condições de exclusão. O que deve ser obrigatório sim, são as referências culturais. É partilhar o “somos” e o “fomos”. Desculpem lá a pequena provocação, mas, como exemplo, quem desconhece Camões não pode ser português.


Atualizado a 14/8 com o recorte da publicação no "Público", com a última frase omitida... falta de espaço...(ideológico?)



11 agosto 2025

Firmwares canídeos


Alguns cães, chamados “de guarda”, têm uma programação mental que os faz desatar a ladrar e a avisar cada vez que algo “suspeito” se aproxima a menos de algumas dezenas de metros do seu “território”.

Caso estejam num monte alentejano, onde passará alguém perto uma vez por dia e o ladrar só chega ao “intruso” e aos donos, tudo bem… O problema é quando existem dessas espécies em ambiente urbano, num jardim de moradia ou mesmo no terraço de um apartamento que desatam a “avisar” cada vez que passa outro cão, um gato atravessa a rua ou vêm uma pessoa que achem indevida.

Isto acontecendo várias vezes por hora e, ainda por cima, despertando a solidariedade sonora dos restantes membros da espécie do bairro, é uma praga. Talvez os donos estejam habituados e seja para eles tão natural como ouvir o ronronar do frigorifico.

Tenho a sorte de ter um destes no 1º andar do prédio em frente e outro na casa ao lado. Significa que se um deles estiver distraído e não vir o intruso, o outro prontamente avisa e lá partem os dois em sonora investida estereofónica, o tempo de a ameaça permanecer no campo de visão de um deles…

Não se lhes pode mudar o chip para uma versão mais urbana e civilizada e com uma definição mais rigorosa do seu território? Ensina-se…?

05 agosto 2025

De la frontera


Ali para os limites da Andaluzia, existe uma dúzia de topónimos que incluem na sua designação “de la frontera”. Trata-se naturalmente da antiga fronteira entre o cristão e o mouro.

É uma linha que foi avançando para Sul acompanhando a reconquista, deslocando-se do vale do Douro, para o Tejo e depois Guadiana e acabando finalmente no Mediterrâneo… Penso que uma boa parte destas terras “de la frontera” estão associadas ao longo período de 2 séculos entre a tomada de Córdova, Sevilha (e o nosso Algarve) a meados do século XIII e a conquista de Granada, já nos finais do século XV.

Hoje, na península ibérica ficamos com esta “frontera” apenas no diretório do código postal, mas não é assim por todos os lados. Um dos locais onde uma fronteira destas está bem visível é em Chipre, onde ao longo de toda a ilha, de costa a costa, existe uma “zona tampão” fechada, se bem que atualmente mais fácil de transpor do que foi durante décadas. Mesmo a capital Nicósia está dividida, apesar de hoje ser possível atravessar facilmente a pé, mostrando apenas o passaporte (atenção a não comprar e trazer produtos de contrafação do Norte para o Sul).

No extremo leste da linha, zona turca, está uma das principais cidades da ilha, Famagusta, e logo ali ao lado o bairro/praia de Varosha, no passado um dos mais famosos e distintos destinos turísticos do mediterrâneo oriental. Com a entrada das tropas turcas em 1974, tudo foi abandonado precipitadamente, transformando o local numa zona deserta e fantasma durante décadas. Um verdadeiro monumento às novas fronteiras criadas neste mundo.

Mais recentemente as autoridades cipriotas turcas decidiram aproveitar o potencial turístico da cidade-fantasma, apesar de um certo vazio e polémica quanto à propriedade e direitos sobre os imóveis.

Bem asfaltadas as ruas principais, disponibilizadas para aluguer trotinetas elétricas e outros meios de transporte, os “turistas” singram pelo bairro, sorrindo e enquadrando as indispensáveis “selfies”, numa mistura muito exótica de prédios, hotéis e equipamentos em ruínas, instalações militares não fotografáveis e tranquilos veraneantes disfrutando das areias e águas que no passado fizeram a fama de Varosha. Coisas da frontera.

02 agosto 2025

Estado a mais ou Estado a menos


Os recentes anúncios por parte de vários países de reconhecimento de um Estado Palestiniano parecem-se ser principalmente uma tentativa de pressão/castigo sobre Israel, que merece certamente ser forçado a mudar de atitude.

Se esse reconhecimento proporcionará um avanço consistente na pacificação da região, é outra questão. Em primeiro lugar, os defensores do “from the river to the sea…” dizem claramente que Israel não tem direito a existir e não é com esses que a paz chegará. A história está cheia de migrações na sequência da constituição dos Estados Nações, por exemplo após a queda dos impérios (vejam o Otomano, com os gregos e os arménios) e no final das guerras (vejam os milhões no centro da Europa após a II Grande Guerra). No entanto, não há mais nenhum lugar no mundo em que as feridas dessas deslocações fiquem abertas tanto tempo e com netos de refugiados a continuar a usufruir do estatuto de “refugiados”.

Certo que as mortes de civis em Gaza têm que acabar, mas decretar um Estado, a menos de alguma influência indireta sobre Israel, que dará na prática? Esse Estado que representatividade terá, que governação terá, que segurança trará? Em 2006 houve eleições na Palestina, ganhas pelo Hamas, que deu guerra civil e administração separada das duas zonas, Gaza pelo Hamas e Cisjordânia pela Fatah. Depois disso não voltou a haver eleições e não foi Israel quem o impediu.

O que fez o Hamas livre em Gaza desde a retirada completa de Israel em 2005? Preparou nova guerra. Podem decretar que o Hamas ficará agora excluído, mas quem o financia encontrará certamente um Hamas-bis que retomará a cartilha e a ação.

Na minha opinião, o fundo do conflito é haver fações árabes que não aceitam menos do que a hegemonia árabe e muçulmana na região. Todas as guerras neste conflito foram iniciadas pelos árabes: 1948, 1967, 1973 e 2023. Com o tempo, líderes responsáveis, a começar por Sadat em 1978, foram progressivamente entrando num processo de normalização e de aceitação de Israel, mas “sobra” sempre alguém que retoma a atitude agressora. Certo que Israel, tem muitas ações condenáveis na sua história, mas é óbvio que, com o seu modelo de sociedade, se tiver a sua segurança garantida, será fácil encontrar solução. Outubro 2023 provou que deixar Gaza livre durante 17 anos não foi caminho para a paz.

PS: Atualizado a 7/8 com o recorte da publicação no Público

01 agosto 2025

Estes tempos


“[…] a nossa capacidade de integração dos imigrantes na comunidade política nacional. Devemos manter as portas abertas da nossa comunidade com moderação e dentro das regras legais que regulam a aquisição da nacionalidade, e portanto, dos direitos políticos próprios da cidadania. Também devemos exigir uma demonstração real da vontade de integração desse imigrantes na nossa comunidade nacional. A contrapartida da nossa abertura é a rejeição firme dos isolacionismos religiosos e culturais. Não podemos dar direitos políticos a minorias que recusam os nossos valores e não acatam as nossas leis. Queremos receber dignamente, isso sim, os cidadãos livres que escolheram partilhar o nosso destino coletivo e respeitar a nossa ordem jurídica”.

O texto acima é capaz de provocar alguma urticária em alguns setores políticos, culturais e sociais atuais e até ser linearmente carimbado como digno de uma extrema-direita xenófoba e racista. Ora bem, o texto não é de hoje, é de 2002 e foi proferido pelo Presidente da República Portuguesa da altura, Jorge Sampaio, que certamente não ficou na história como um inspirador de André Ventura.

A forma como o discurso não foi polémico na altura e hoje faria rasgar vestes, é sinónimo de que estamos a andar para trás e a cair em simplificações e radicalizações que não são sinónimo de bom-senso nem de inteligência.

Está subjacente que o designado multiculturalismo tem limites. Um país, uma sociedade, não é uma macedónia de legumes onde tudo se pode acrescentar livremente. Há coisas que não combinam. Por exemplo, e para não fazer muito complicado, o estatuto da mulher nalgumas sociedades não é compatível com os seus direitos constitucionais em Portugal. O eventual problema com quem chega não é a cor da pele, é o respeito pelos códigos sociais (para lá dos jurídicos, obviamente) que fazem a nossa identidade e o quadro em que queremos e decidimos viver.

Que hoje em dia, se possa ser insultado por “gente de elite” ao expressar o mesmo ponto de vista de Jorge Sampaio de 2002, é altamente preocupante para o estado da nação e da sua evolução.

29 julho 2025

O negativo na discriminação positiva

Havendo um histórico de discriminação negativa, imerecida, relativamente a um dado grupo, faz sentido que se tente compensar e procurar repor alguma justiça através de uma discriminação positiva posterior.

Isso pode ser conseguido dando prioridade a esse grupo num processo de seleção e, no limite, até exclusividade em situações pontuais. Nada contra. Agora, parece-me que relativamente ao desempenho posterior, a palavra-chave deverá ser igualdade. Função igual, exigência igual, avaliação igual, retribuição igual.

O risco e o desvio aparecem quando se insiste em continuar a considerar alguma discriminação posteriormente. Quando o selecionado, em vez de assumir o desafio e ir a jogo de igual para igual, aprendendo e evoluindo, assume uma postura de vitimização cada vez que é questionado… Quando a hierarquia vê com condescendência e tolerância q.b. os erros e deficiências, numa atitude paternalista que tende a perpetuar um estatuto de inferioridade, não sendo certamente esse o objetivo último do processo.

Este contexto pode ainda degenerar para uma arrogância de quem se sente especialmente protegido e criar uma tribo de “eternas vítimas”, hostilizando os demais. Quando chegamos aqui, a discriminação positiva falhou completamente o seu propósito.

27 julho 2025

Luís Guimarães


Para mim e para outros companheiros de estrada, Bastos Viegas foi sinónimo do primeiro grande desafio profissional enfrentado, horas de sono perdidas e inúmeras “peregrinações” a Guilhufe, Penafiel, a todas as horas e muitas vezes fora de horas.

Para a recém-nascida “Automação e Robótica” da Efacec, esse projeto foi a porta de entrada numa maioridade tecnológica, que depois por outras paragens e continentes singrou. A oportunidade foi proporcionada pelo senhor Luís Guimarães, dono e gestor da empresa, que com uma coragem e frontalidade no limite do desconcertante acreditou e nos fez acreditar.

Nas longas horas e semanas que tivemos de teste e afinação do “bebé”, ele muitas vezes se sentou ao meu lado, interessando-se, sugerindo e avançando hipóteses para a razão das arestas que iam surgindo (entre algumas nuvens de fumo dos seus cigarros 😊).

Visitei de novo a empresa umas décadas depois, diferente, mas sempre vibrante.

Num mundo tantas vezes comandado por frias e distantes formalidades, o senhor Luís Guimarães foi um Senhor. Fazem falta Pessoas destas…

21 julho 2025

Barracas, não obrigado

Supondo que uma família portuguesa se desloca para Londres e não tendo condições económicas para se instalar dignamente, resolve improvisar uma barraca num dos parques da cidade. Estão a ver essa “construção” a ser tolerada e a manter-se de pé muito tempo? Estão a ver a “opinião publicável” local insurgir-se contra a demolição e a pedir uma humanitária manutenção da mesma? Não, não estou a ver nada disso acontecer e ainda bem, porque não é aceitável nem digno. O que fariam as autoridades locais e quais os apoios sociais existentes desconheço, mas a menos de situações transitórias, cada qual é responsável por criar e manter condições de vida digna para si e para os seus.

Supondo que em Portugal uma família “tradicional” perde a sua casa e constrói uma barraca algures lá no bairro, sem condições sanitárias nem de segurança mínimas. Naturalmente que a vizinhança esperará que a mesma seja demolida e não estou a ver muita tinta “solidária” a correr por esses editoriais e demais colunas publicáveis.

Sim, é necessário haver paraquedas sociais para aliviar transitoriamente dificuldades, independentemente de credos e origens, mas sistematicamente não e barracas não. Piedades infantis ou manipulações oportunistas de última hora não são solução para nada. 

19 julho 2025

Cavalo à solta


No pico do Monge, um dos pontos culminantes da serra de Sintra, descansa o meu cavalo. Com pouco mais de 20 meses de idade acumula quase 7800 kms de caminho percorrido. Aqui não estamos muito longe do local onde em 1966 25 militares faleceram ao combaterem um brutal fogo florestal. Na altura não havia o argumento das alterações climáticas, caso ocorresse hoje, certamente que a “culpa” seria atribuída às mesmas…

Alguns estarão talvez já a dizer, elétrica é para preguiçosos… e eu explico. Esta montada tem 3 modos de andamento. Não, não se trata de passo, trote e galope. É exercício, onde que com um pouco de assistência a compensar o peso e esquecendo o motor, se pode fazer exercício a sério, haja disciplina e vontade; passeio, com uma assistência mais generosa e reforçada nas subidas, terraplanando os percursos e diversão, com a assistência no máximo pelo monte acima.

Há aqueles que numa dada fase da vida pensam em comprar um Porsche, ou sucedâneo. Eu comprei esta máquina e tenho dúvidas de que seja menos interessante de utilizar. Vai a todo o lado e sai de qualquer “buraco” ou aperto. Seja perdendo-se nos caminhos da Bioria, seja atravessando a serra de Santa Luzia, cumprimentando os garranos, seja o que for e por onde for… passa sempre.

17 julho 2025

As comichões da ética

Empresa que se preze e preocupada em passar uma bela imagem a acionistas, decisores e público em geral tem uma lista de itens a garantir na sua imagem pública.

Preocupações com diversidade e equidade, ambiente e sustentabilidade em geral, altos padrões de ética e de integridade, preocupações de responsabilidade social e outras coisas mais que tal.

Mais do que mostrar preocupação é necessária apresentar iniciativas e estruturas, comissões e portais, objetivos e métricas, tudo sem mancha de pecado.

O problema real pode aparecer com a efetiva realidade. A título de exemplo, tive conhecimento de uma situação concreta e recente. Tendo sido enviada a uma dessas comissões uma exposição com uma dezena de pontos relevando e documentado atos ocorridos não conformes com o que se espera de quem anuncia altos padrões éticos, mesmo contrários à legislação em vigor e sendo solicitado um posicionamento da mesma, a resposta foi curiosa.

Depois de um mês de reflexão, ponderação, averiguação e eventual comichão, a tal comissão respondeu que o “assunto tinha sido reencaminhado internamente, que nada mais iriam fazer e passe bem”. Pelos vistos entendendo não ser necessário posicionar-se como solicitado nem tomar ações para evitar eventuais repetições.

Impressionante como um bom “Photoshop” consegue transformar em modernaças imagens e arrogâncias de realidades dignas do período do Estado Novo.

15 julho 2025

O processo que falta


Dentro deste vergonhoso folhetim da operação Marquês, parece-me faltar um processo, que seria o da família de Carlos Santos Silva contra o próprio.

Alguém “emprestar” centenas de milhares de euros e realizar outras “liberalidades”, com tanta informalidade e ausência de seguranças, a um individuo desempregado, sem ativos relevantes, só pode significar que por demência ou outra incapacidade qualquer ele está irresponsavelmente a desbaratar o seu património.

Para isso existe uma figura legal que se chama, salvo erro, inabilitação e que visa proteger os bens de alguém que declaradamente se mostra incapaz de o fazer. Na minha opinião, e de acordo com a “narrativa” apresentada, estariam reunidas todas as condições para Santos Silva ser inabilitado pela sua própria família.

11 julho 2025

Saber ou não saber


Quando em 2017 Pedro Sanchez se lançou á reconquista do PSOE, efetuou um longo périplo pelo país, no seu automóvel, acompanhado por três figuras próximas: José Luis Ábalos, futuro todo-poderoso ministro do “Fomento”, Santos Cédran homem forte da organização do PSOE e Koldo Garcia, o motorista, e posteriormente assessor de Ábalos.

Para lá de partilharem essa volta à Espanha a promover Sanchez, essas três figuras estão a braços com a justiça, gravemente implicadas num enorme escândalo de corrupção e de outras más práticas, relacionadas com o partido e o governo. Pedro Sanchez diz angelicamente que nada sabia e que para o futuro será mais prudente na escolha dos seus colaboradores próximos.

Por cá temos um ex-primeiro ministro em tribunal e esperemos que o processo seja rápido porque de espetáculos asquerosos já estamos cheios. Está bem que ainda não foi jugado, porque o tem tentado impedir de todas as formas, mas quem cabritos vende e cabras não tem… Além de outras práticas pouco habituais a quem gasta transparentemente o que ganhou decentemente.

No caso português, o problema parece ser apenas com o líder, e todos os seus colaboradores próximos nada viram, nada sabiam. Um mundo de diferença, ou talvez não…

06 julho 2025

O que matou Diogo Jota?


Dentro do largo noticiário e “comentariado” sobre a morte dos dois irmãos, há algo que me parece ausente, que é a razão do acidente. Certamente que conhecer as causas não os traz de novo à vida, mas o “positivo” das tragédias é, depois de identificar as causas, evitar a sua repetição.

Ouvi falar em rebentamento de um pneu e tal poderia ter a consequência ocorrida, mas, que diabo, não estamos a falar de um camião de uma empresa de transportes em insolvência cujos camiões usam pneus poli, multi recauchutados. Um desportivo topo de gama de um proprietário financeiramente são pode rebentar assim um pneu sem nenhum “ajuda” externa?

Não sei, não conheço suficientemente de pneumáticos nem do histórico de manutenção do Lamborghini, mas uma coisa conheço bem, é a infame A52 naquele troço e respetivo pavimento. Este é extremamente irregular e pleno de remendos mal-amanhados, que a tornam muito desconfortável, no mínimo.

Que um carro levezinho a alta velocidade tenha levantado voo numa daquelas irregularidades é extremamente fácil e provável. Foi isso, não sei, mas, se foi, a onda de solidariedade podia enviar alguns fundos para o governo espanhol colocar um piso decente naquela autoestrada e assim evitar novas tragédias. E, saber que foi isso, seria um sinal a navegadores futuros.