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28 agosto 2018

Prerrogativas

Em plena crise de disponibilidade e fiabilidade do transporte ferroviário, leio que o operador deu prioridade a um comboio fretado pelo partido do governo, atrasando outros serviços, os do povo.

Certamente que, na imensidão dos problemas que enfrentam diariamente os utilizadores daquele meio de transporte, os distúrbios provocados por aquele “deixem passar quem é mais importante” foram uma pequena gota de água. No entanto, dizem muito da (má) forma como os governantes em geral deste país se situam relativamente aos serviços públicos do mesmo.

Gostaria muito que na outra grande embrulhada em curso neste nosso jardim que é a degradação do nosso Serviço Nacional de Saúde, bastante mais grave pelo que está em causa, gostaria que ministros e restantes apoderados o utilizassem mesmo como um cidadão lambda, já que o direito à saúde é indiscutivelmente universal. Gostaria que quem de direito e de poder se apresentasse nas urgências do hospital mais próximo, tentasse marcar uma consulta ou uma cirurgia. Gostaria que sentisse na pele e na saúde, na dor e na ansiedade o que sente o vulgar cidadão “não prioritário”, para quem eles também governam e a quem devem respeito e outras obrigações.

Obviamente que isso nunca sucederá. Da mesma forma que o seu comboio tem a prerrogativa de passar à frente dos demais, nunca eles sentirão esses problemas, que não são os deles. Enquanto isso não sentirem, não governam, governam-se.

08 dezembro 2017

Afirma Shalom


Afirma Shalom que o Trump é um tonto, que não sabe o que faz, mas que já não há pachorra para tanta palestinofilia. Afirma Shalom que os territórios ocupados por Israel o foram na sequência de una guerra começada e perdida pelos outros. Muito longe de ser caso único na história da humanidade, como a Europa central pode testemunhar.

Afirma Shalom que os demais árabes inicialmente deixaram os palestinianos perder, para depois a sua ajuda solidária poder ser cobrada com mais valia. Correu mal porque, em tantos dias quantos o Senhor criou o mundo, o seu país acabou com essas veleidades.

Afirma Shalom que, se quisermos ir à história, Jerusalém do rei David é muito mais judaica do que muçulmana, religião nascida a 1500 km de distância e cujo fundador apenas visitou a cidade em sonhos, teletransportado.

Afirma Shalom que já não há pachorra para tanta infantilidade daqueles ocidentais, inimigos acérrimos do tudo o que é imperialista e capitalista, solidários pouco seletivos de toda a causa terceiro-mundista e sempre disponíveis para o proclamarem e partilharem em iPhones e iPads.

Afirma Shalom que deviam viver um mês em cada país da região e a seguir formarem uma opinião. Para mulheres, bastaria uma semana.

Afirma Shalom que já não há pachorra para tanta belicosidade e martiriofilia do Hamas, sempre mais disponível para gastar as ajudas recebidas em rockets do que em escolas e hospitais.

Afirma Shalom que eles não sabem ou não querem viver em paz. Quando perderam a guerra com Israel foram para a Jordânia e tentaram matar o rei hospedeiro. Foram corridos para o Líbano e assim começou o fim da “Suíça do Oriente”.

Afirma Shalom que o Trump é um tonto, que não sabe o que faz, e que tem más companhias, mas fazer um caso mundial e pretender uma guerra por esta coisa do estatuto de Jerusalém é coisa de quem gosta mesmo muito de guerra.

Não concordo com tudo o que ele diz, mas ...

30 maio 2015

Não gosto deste…

Este ano o rali de Portugal passou a uma meia dúzia de kms do local onde me encontrava e não o pude ir ver. Tive pena, como também tenho pena que os carros atuais sejam um bocado para o “minorca”, quando comparados com os monstros históricos. Também parece que os saltos estão na moda, mas, por mais metros que tenha o voo, não me diz nada comparado, por exemplo, com as curvas alucinantes do final da antiga “Carvalho de Rei”…

Sebastian Ogier podia igualar o número de vitórias na prova do querido Markku Alen, ainda e sempre o finlandês mais famoso em Portugal. Não o conseguiu, impôs-se outro finlandês e, derrotado, o francês disse esta gracinha:

“Eu sei que é um dia feliz para muita gente, porque aparentemente é aborrecido quando é sempre o melhor que ganha. Assim, este fim-de-semana não foi o melhor que ganhou, mas de qualquer forma foi um grande rali para mim”.

O homem até pode ser o melhor e o mais galardoado, mas dizer isto…? E viva a Finlândia e o Latvala que permitiu manter o record do Alen!

25 abril 2013

Mais um ..

Por ter ido ouvir uma actuação musical acabei por, sem querer, assistir a umas comemorações do 25 de Abril. E é algo triste. Triste não pela tristeza dos tempos em que vivemos em si, triste pela evocação da causa-efeito entre o “não” 25 de Abril e a situação a que chegamos. A data da revolução é uma data querida para mim e não gosto de a ver apropriada desta forma porque aqueles que clamam por outro Otelo. Para já não falar dos que vão mais atrás ao Regicídio de 1908 e dos que continuam a achar que se não tivesse havido 25 de Novembro é que estaríamos bem.

Se todos os problemas da situação em que estamos fossem devidos apenas à malvada direita teríamos apenas metade deles! Onde estamos e como estamos é consequência de uma falha com origem em muitas latitudes. É abusivamente simplista e pouco sério suspirar, ou gritar, por outro Abril.

Depois, é uma falácia insistir na tecla da distribuição da riqueza como se fossemos simples recolectores. O nosso problema principal é pouca criação de riqueza que não se cria sozinha. Recorrendo à tal linguagem, para isso são necessários trabalhadores, de todos os tipos, e também investidores e capital. Com seriedade e respeito. Se há algo que quero pedir neste Abril é isso mesmo: seriedade e respeito.

08 julho 2009

Mais um na choldra

Li numa entrevista recente que o Sr Miguel Sousa Tavares está a pensar seriamente em abandonar este país corrupto, decrépito e resignado para se instalar no jovem e pujante Brasil. Faz-me um pouco lembrar os “vencidos da vida” e a história da “choldra”.

Bom, antes de mais, o paralelo fica por aí porque se este senhor publica livros com muito sucesso não é um escritor ao nível dos “vencidos” do século XIX. De qualquer forma, o objectivo não é discutir méritos literários e muito menos comparar o padrão cívico brasileiro com o nosso.

Eu acho que, no fundo, o sr Miguel Sousa Tavares está é vencido por si próprio. Vejamos. Por muitos defeitos que tenha, Portugal não é um país asfixiante. Se o senhor não se vê como possível exemplar "governador" ou simples presidente de uma câmara, poderia sempre, recursos não lhe faltam, promover algo ele próprio. Escreve-se mal, há falta de formação cívica, há deficiências no jornalismo? Não me parece difícil encontrar um campo em que o senhor pudesse aplicar o seu esforço para fazer evoluir o país. E, em caso de sucesso, seguramente que o seu ego ficaria maior do que o enorme Brasil.

Mas não. É mais fácil invocar a “choldra”, mesmo sem usar a palavra específica, e partir. E neste caso, a partida é fundamentalmente uma desistência.

01 abril 2008

Não gosto deste!

Este aqui da fotografia (extraída do Times online) é o espanhol Fernando Alonso, bicampeão do mundo de Formula 1. E eu não gosto dele. No ano passado foi batido, demasiadas vezes para o seu gosto, pelo seu colega de equipa estreante e não o conseguiu digerir com um mínimo de elegância ou dignidade.

Até dizem que foi ele quem ajudou a aparecerem as provas para a condenação final da Mclaren, amuado por não ter recebido o estatuto de primeiro piloto com prioridades face ao seu colega de equipa. Sem espaço na Mclaren, saiu para a Renault onde era muito querido por aí ter sido campeão em 2005 e 2006.

Bom. As duas primeiras corridas não correram bem. A Renault não está ao nível dos melhores. Ainda faltam muitas corridas e um bom piloto é, tem que ser, um bom desenvolvedor de carros, veja-se o caso de Schumachaer. Mas, o que disse este menino à imprensa do seu país? Que com a Renault “não ia lá”, que o seu lugar é no melhor automóvel da actualidade, que é o Ferrari, que ele até tem uma opção para sair da Renault no final da época e o F. Massa da Ferrari nem tem sido nada feliz nestas duas primeiras corridas! Ou seja, o menino condena já a sua equipa, diz para onde quer ir e até já nomeia quem vai ter que saltar para lhe dar o lugar! Não tem mesmo nível!!!

Porra! Deveria era a Renault deixar de lhe pagar o vencimento por arruinar o moral da equipa, a Ferrari fazer-lhe um manguito e ele ir correr para os karts!

E garanto que não é por ele ser espanhol. O Carlos Sainz, da mesma nacionalidade era, e é, um senhor de humildade e de ponderação.

07 fevereiro 2006

Ingenuidade arrogante

Declaro, para começar e ser claro, que gosto muito de viver na Europa e que não gostaria nada de viver na Síria ou no Irão.

Se houver uma disputa em curso, não há duvida nenhuma de que estamos muito à frente economicamente e humanisticamente e, por isso mesmo, não devemos, nem necessitamos, ser arrogantes. Eles sabem bem que estamos à frente e pode ser muito perigoso humilhar quem se sente diminuído. Os grandes devem ser magnânimos, não mesquinhos, e firmeza não se deve confundir com altivez.

Os desenhos controversos foram publicados em Setembro passado. A contestação aparece agora no momento em que a comunidade internacional aperta a Síria pelo seu programa nuclear. Será coincidência? Ao deixar crescer a polémica e ao comprar esta guerra estamos a ser ingénuos.

Há gente perigosa do “lado de lá”, mas também há muita gente muito miserável. E é para estes últimos que temos que olhar e decidir se estamos contra ou se estamos com eles. Invocamos a liberdade de expressão à mesa de um café. Importantíssimo, claro! Mas, esquecemos que gastamos mais nesse café do que os desgraçados que queimam as bandeiras da Dinamarca têm para se alimentarem cada dia. Falamos da bondade da nossa democracia, quando esse democracia, nesses países, não parece conduzir a nada de bom. Uma vez mais, ingénuos.

Há um problema em curso que pode ter repercussões terríveis conforme Nova Iorque, Madrid e Londres já testemunharam,. E é um problema tão grande que não deveria dar espaço para ingenuidades.