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28 agosto 2024

Cronometrando as diferenças

Por estes dias irão começar os jogos paraolímpicos em Paris.

Começando por reconhecer e valorizar o empenho e o esforço daqueles que, apesar de uma desvantagem nascida ou posteriormente recebida, não baixam os braços e procuram ir mais longe e superar-se; continuando por louvar a justiça que esse(a)s bravo(a)s tenham um evento e um local onde possam mostrar ao mundo o resultado do seu ânimo e trabalho, fica-me a questão do cronómetro.

Será que a avaliação e a premiação se podem restringir ao cronómetro (ou pontos marcados), será que o ponto de partida de cada um é suficientemente equitativo, especialmente neste meio com tantas diferenças?

Se pensarmos, por exemplo, nos paraplégicos, parecer ser consensual reconhecer que a desvantagem é bastante uniforme e bem definida. Outros casos, nem tanto, mesmo sem entrar em situações claramente desonestas e aldrabadas. Em Sidney 2000, a seleção espanhola de basquetebol com deficiência mental ganhou a medalha de ouro, cilindrando os adversários porque, dos 12 jogadores, apenas 2 eram realmente deficientes; os outros 10 eram perfeitamente normais, até jogavam em competições “normais” e foi a própria federação quem criou a trafulhice para ter sucesso garantido - que verguenza ò hermanos !!

Diferentes pontos de partida, em que a sorte e a genética resultem em vantagens menos devidas ao mérito, existem, mesmo nas competições “normais”. Imane Khelif, a polémica boxeur argelina, pode ser perfeitamente uma mulher biológica, mas há ali hormonas ou outra coisa, nascidas ou acrescentadas, que lhe dão uma vantagem brutal, face às outras competidoras…

Sem dúvida que o sucesso tem uma parte de inspiração ou genética e uma enorme componente de transpiração. Sem suor, não se vai muito longe, mas, neste caso concreto dos paraolímpicos em particular, o juiz apenas cronómetro parece-me ser potencialmente cruel.

 

13 agosto 2016

Mais rápido, mais alto, mais forte?


Nunca assisti a uns jogos olímpicos. Atualmente parecem-me até estar um pouco afastados do espírito do Barão de Coubertin. É um grande espetáculo que movimento muito dinheiro e uma competição exacerbada onde, quase, vale tudo. A exclusão inédita dos atletas russos por evidência de dopagem apoio “institucional” é impressionante, embora também faça pensar se foram só eles e só agora. Não me surpreenderia nada que outros países, ciosos de reconhecimento internacional a todo o custo como, por exemplo, a China, fossem apanhados em idêntica malha.

Ao ler algo sobre o caso russo, encontrei esta foto da única atleta russa, Klishina, a quem foi permitido participar (os créditos da foto estão na própria imagem). É impressionante pela expressão muscular. Dir-se-ia que não existe um único músculo do corpo da atleta que não esteja mobilizado no objetivo. Fantástico de linguagem corporal.

E, claramente, as modalidades desportivas que mais admiro são estas, técnicas, como os saltos no atletismo, o voleibol, a ginástica e muito pouco as de força bruta e de técnica pouca.

21 agosto 2012

Nem tudo é mau


Comecemos pelo mau. A atleta acima à esquerda, Habiba Ghribi, é Tunisina e foi a primeira mulher do país a ganhar uma medalha olímpica, neste caso a prata nos 3000m obstáculos. Grande polémica no país, nomeadamente por mostrar o umbigo. Acho muito bem que protestem, que o digam e que o assumam para se ficar a saber quem são e o que são. Na Tunísia livre e democrática está a ser preparada uma nova constituição que dá à mulher um estatuto de “complementaridade” face ao homem. O ditador Bourguiga deve andar às voltas no túmulo. No mesmo país umas “brigadas” salafistas resolveram ser polícias, e violentos, dos ataques ao sagrado, perante alguma moleza das autoridades. Atacar e destruir obras de arte de uma exposição “moderna”, como aconteceu em Cartago em Junho passado, em que algumas tinham algum carácter provocador, é muito condenável mas mais ou menos previsível. Mais recentemente impediram a actuação de um grupo musical iraniano, por considerarem um “atentado ao sagrado” eles serem muçulmanos…. mas chiitas !! Fica claro quem está a alimentar este fogo.

Passemos ao bom. No norte do Mali controlado por islamitas, onde um casal foi morto por apedrejamento por terem filhos sem estarem casados, estava previsto o decepar em público a mão de um ladrão. Não aconteceu porque a população se mobilizou e o impediu. Podem tê-la cortado em privado mas o facto de a execução pública da sentença ter sido anulada é fantástico de significado. Em cima à esquerda está Rita Jahanforuz, provavelmente a cantora israelita actualmente mais popular e que … nasceu no Irão. No seu trabalho não renega as raízes e inclusive canta versões de temas tradicionais persas, como este. É adorada pelas pessoas dos dois países que se odeiam.

14 agosto 2012

69º lugar

Foi esta a posição final de Portugal no ranking das medalhas das Olimpíadas de 2012 (e por pouco, uma remada mal dada, teríamos era ficado a seco, em último). Por comparação, no recente mundial de futebol chegamos às meias-finais e no ranking da Fifa estamos em 5º lugar. Efectivamente há aqui uma grande diferença entre “futebol” e a restante paisagem desportiva. Não será simples acaso e quem de direito deverá tirar as relativas conclusões e, se possível, tomar a necessárias acções. Não me parece que esteja em causa o esforço, e sacrifícios, que muitíssimos atletas terão aplicado na preparação como também não me parece que seja uma questão de falta de apoios directos a estes atletas… a raiz do problema está mais funda.

Depois, para que servem estes jogos? Sinceramente parece-me festa e promoção a mais e espírito desportivo a menos. A começar e a acabar nos espectáculos de abertura e encerramento, o Reino Unido organizou os jogos para se promover descaradamente, sendo o desporto um simples veículo e embrulho. Aqueles espectáculos podiam ter servido para qualquer actividade…

E, ainda, se é fantástico o que o corpo humano pode realizar, e a foto acima da atleta que ganhou o ouro no salto em altura feminino diz tudo, quantos não haverá em que a dedicação mais que exclusiva e até a própria formação/deformação do corpo condicionam negativamente a vida para lá dos jogos? Sinceramente, não me parece que o espírito esteja certo.

PS: O golfe vai passar a ser desporto olímpico e o hóquei em patins não …!

09 agosto 2008

Jogos nos Jogos

Ontem, dia da abertura dos jogos li um artigo sobre o processo de selecção e preparação dos atletas chineses que mais parece um decalque do modelo soviético de há umas décadas atrás.

O utilizar dos Jogos Olímpicos como montra de regime evoca-me Berlim de 1936.

Se é improvável que a China venha a invadir militarmente Taiwan ou outro vizinho como o fez a Alemanha há 50 anos atrás, já não estou tão seguro sobre o resultado da comparação com a União Soviética. Se hoje a China cresce de forma impressionante e faz questão de o afirmar ao mundo, tenho muitas dúvidas de que um regime assim tão centralizado seja sustentável.

No mundo que eu penso que é o mundo vencedor haverá um momento em que a iniciativa individual, a liberdade de expressão e a criatividade fatalmente vencerão a organização marcial. Eu acredito que o humano inquieto e algo insubmisso a prazo se superioriza ao sistema completamente regulador.