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03 julho 2017

Titus Andronicus



Por cantos e esquinas do Museu da Imprensa, no Porto, deambulamos de novo atrás das “Produções Suplementares”, para mim, a terceira a que assisti.

Se é verdade que a primeira foi-me mais marcante, talvez pelo efeito novidade, foi de novo um gosto e um prazer seguir os vários quadros, numa encenação onde não há palco, onde o público se mistura com os atores, onde se vive a representação sem aquela barreira vincada entre a plateia e o palco.

Para além disso, bem feito, na minha opinião e com muita gente jovem. Mais uma vez, parabéns e duas recomendações: assistam e vão agasalhados!

29 maio 2016

Por aqui, por favor…


Se as contas não me falham terão sido nove as vezes em que ouvimos uma instrução destas, para mudarmos de local, à frente, atrás ou no meio dos atores que iam percorrendo vários locais no interior e no exterior do Museu Nacional da Imprensa no Porto.

Apesar de uma quebra aqui e acolá de ritmo e de uma pequena falta de “afinação” aqui e acolá no elenco, apesar de a inspiração no romance “O Idiota” de Dostoivesky ser algo longínqua e não me trazer muito ao espírito o espírito do enorme escritor russo, apesar disto, foram duas horas e meia de uma experiência excelente e diferente.


A proximidade dos atores, o estar dentro do cenário cria uma atmosfera que muito pouco tem a ver com a tradicional da plateia de um lado e o palco elevado do outro. Mesmo quando nesse contexto clássico os atores atravessam pontualmente a plateia, não deixa de ser apenas uma espécie de invasão, uma breve incursão no espaço do público, mantendo-se os dois espaços dissociados.

Ali não era assim. O espaço, por vezes íntimo, por vezes desconfortável, era mesmo único e partilhado. Eu gostei bastante e recomendo vivamente!

PS: Continua em cena até 5/6.

09 março 2015

Microcultura ou demasiada pouca coisa?

“Que ficará da microcultura?”. Era o título de um artigo que li há uns tempos e que me ficou a ecoar … falava de microteatro, microrelatos, micropoetas e outras formas de expressão minimalistas… As frases curtas, expressivas e significativas não são uma novidade. Há uma variedade enorme e interessantíssima de aforismos com várias origens, desde os simples ditados populares até às citações de Confúcio, passando pelas “frases célebres de pessoas famosas”… muito anteriores ao tempo do twitter.

O curto e conciso pode ser uma forma muito eficaz de transmitir uma ideia, expressar uma emoção… de criar. A interrogação que fica, e o problema que coloco, é se não estaremos a evoluir para um tempo em que não teremos paciência para ouvir uma sinfonia completa, assistir a mais de 15 minutos de teatro ou ler mais do que uns “tweets”. Vivemos assediados por informação, solicitações e ruidosas banalidades, num excesso difícil de gerir. Por vezes comportamo-nos como se, face a uma mesa farta, provássemos de um prato, mas, ao ver outro ao lado, cuspíssemos o que já tínhamos na boca, para passar ao seguinte e continuar... Tocando em tudo e não saboreando a sério nada. Quantos podemos ou conseguimos passar uma hora em concentração exclusiva num livro, por exemplo, sem interrupção, sem recebermos ou procurarmos uma interacção qualquer com o exterior?

A “cultura do rápido” como complementar é interessante, como exclusiva é perigosa. Porque há mais mundo para lá dos aforismos.

07 setembro 2014

30 agosto 2014

Mãos que voam


Studio 8 Faculty of Public Health Disponegro Univerty - Indonésia, em Viana do Castelo

01 novembro 2009

Três cantos

Um atraso na definição da disponibilidade quase me atirava de novo para os galinheiros lá em cima, neste caso não por limitação de orçamento mas por escassez de lugares disponíveis. Sobrou um camarote ali ao lado do palco, com 6 lugares pagos e em que apenas 4 pessoas podiam ver a cena sentadas. Um som abaixo das expectativas e do mínimo exigível. Para quem busca ouvir cantantes de palavras e não as consegue entender, é frustrante.

Uma selecção de temas que necessariamente sabe a pouco, tal é o tamanho da obra de cada um. Alguns temas datados, mais datados para uns do que para outros, naturalmente. Mas sobretudo um belo momento de música e cultura portuguesa. Os últimos trabalhos de fundo de originais de cada um daquele trio já têm uns anos, mas mesmo que o melhor já tenha passado, são três pessoas que optaram arriscadamente pela música dando um contributo assinalável a sermos o que somos e a sabermos quem somos.

Herdeiros à vista não há. Mesmo o Rui Veloso de outra meia geração à frente parece ter parado. Os tempos são diferentes. Nos tempos actuais mais facilmente se gasta em “shots” numa simples noite do que num CD original, considerado caro. Se há 20-30 anos atrás fosse assim tão fácil “descarregar” música sem pagar, será que eles teriam tido condições para criar e viver da música? Não sei. Sei que ainda recentemente comprei o último álbum de Rão Kyao, “Em Cantado”, porque gosto e porque sim!

07 maio 2007

Simples e completo




Acho que a apreciação de uma obra de arte é fortemente influenciada pelo contexto pessoal em que é visitada. Se eu tivesse lido “O Estrangeiro” pela primeira vez hoje e não aos 16 anos, talvez ele representasse menos para mim. O primeiro livro que li há muitos anos de Steinbeck, “A um deus desconhecido”, não me soou com a mesma intensidade com que, mais tarde, os restantes me fascinaram. Até acho que, às tantas, um dia, quem sabe, ainda hei-de olhar para uma barra de ferro ferrugenta dobrada numa exposição de arte plástica moderna e achá-la ao mesmo nível estético da “Vénus de Milo” (?!).

Tudo isto a propósito do filme “Paris Texas” que revisitei recentemente, a partir de um DVD de saldo, no PC portátil, em cima dos joelhos. Acho que quando o vi pela primeira vez, com as condições todas, tinha gostado. Mas, agora, deslumbrou-me. Um história com tanto de simples como de completo, magistralmente contada e com uma fotografia que é um regalo para os olhos da primeira à última cena.
Uma obra prima!