Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens

07 setembro 2014

08 outubro 2013

Imigração, misérias e responsabilidades

A recente tragédia nas costas de Lampedusa, foi isso mesmo: uma tragédia. Daí a pretender que estes acontecimentos deveriam fazer a Europa repensar a sua política de imigração, é estabelecer uma relação causa-efeito que me ultrapassa. A larga maioria dos africanos que tentam entrar ilegalmente na Europa, não são refugiados em busca de liberdade. São imigrantes económicos que desistiram dos seus países. E, como é evidente, a Europa não consegue evitar que, algures no norte de África, 500 pessoas se atirem para dentro uma embarcação precária, nem pode abrir as portas sistematicamente a esses 500, 5 mil ou 5 milhões.

Repito e insisto: o que se passou em Lampedusa foi uma tragédia que impressiona pela concentração, por ter ocorrido num acontecimento único. Muitos outros 400 já faleceram e de infelizmente muitos outros se seguirão. Outros milhares morreram e morrerão nos seus países de origem. Isto é um problema da humanidade, não é de hoje nem de ontem e não tem solução feita à pressão sob a emoção da visão dos cadáveres alinhados.

Dizer ou argumentar que neste naufrágio há uma falha da Europa é uma postura típica de uma certa Europa paternalista, mas é preciso ser claro: a responsabilidade básica por esta tragédia é dos traficantes que embarcam os africanos nestas condições, ajudados pela ignorância/ingenuidade de quem assim é enganado.

Em complemento, há também responsabilidades claras dos (des)governos nos países de origem, que potencia o fenómeno, Ainda, e do ponto de vista geo-político, podemos dizer que a Europa se calhar não fez tudo o que podia para os estabilizar, mas não está sozinha nesse campo. Junte-se, pelo menos, os EUA, a Rússia, o Brasil e a China. Colocar o custo destas tragédias na conta da política de imigração europeia, é que não faz sentido nenhum e é escamotear as reais causas e desresponsabilizar os verdadeiros culpados.

04 julho 2012

Belíssimo


Numa tarde agreste de Março, corre um vento húmido e frio na vertente Sul da Serra das Meadas. É dia de Rally, dos antigos, dos duros, a sério, não dos novos de agora que são uma espécie de voltinha de fim-de-semana em horário de escritório. A classificativa é mais caminho para tractores do que para automóveis. E, realmente, aos Audi de 4 rodas motrizes só lhes falta trazer o arado atrelado, de tal forma eles parecem lavrar aquela terra. Maior contraste não pode haver com o Lancia 037. Branco, elegante e delicado sobre aquele castanho da terra e pedregulhos áridos e brutos. Parece impossível que ele consiga sobreviver a tamanho maltrato, de tal forma ele salta e bate no chão de todas as formas e feitios. Estávamos em 1984, o Lancia era o último tracção atrás e o Audi era o primeiro tracção às quatro rodas, conceito que acabaria por se impor naquela prova e no futuro. O Lancia não quebrou e com as unhas e dentes de um tal Markku Alen terminava em 2ª a 27 segundos do Audi de Mikkola, após mais de 7h30m de tempos cronometrados.

Que tem este Lancia 037 em comum com os Ferrari 250, F40, Testarossa, Enzo e tantos outros, com o Fiat 124 Sport Spider, os Alfa Romeo Spider, GTV, C8 e tantos outros belos automóveis? A casa Pininfarina. Lembrei-me disto a propósito da morte esta semana de Sérgio Pininfarina. Por coincidência a Turbo publicou no último número o resultado de uma escolha entre jornalistas e designers dos 50 mais belos carros do mundo e, contas por alto, acho que a Pininfarina tem uns 7 ou 8, incluindo este 037. Se consideramos que o designer da Mercedes escolheu 4 Mercedes e um Porsche e que muitos avaliaram mais o arrojo e a inovação do design do que propriamente a estética, a percentagem sobe. Se juntarmos a Bertone, a Guigiaro e os gabinetes das próprias marcas, sem dúvida que são os italianos quem sabe desenhar belas máquinas. Apesar de o primeiro lugar ter ido por larga vantagem para o “very british” Jaguar E…


Nota: Foto googleada ilustratativa, o contexto real era bastante mais agressivo.

09 abril 2009

Nocera, Todi e Aquila


O centro de Itália não tem o esplendor da Toscana e da sua Florença, nem o charme histórico de Roma, nem o romantismo do norte dos lagos, de Verona e Veneza, mas é a minha zona preferida. Já passei várias vezes pela Umbria em férias e em trabalho e sempre com o mesmo prazer. Sendo Peruggia e Assis os locais mais conhecidos, não faltam outras belíssimas povoações encavalitadas no alto daquelas doces colinas, das quais destaco Gubio e Orvietto.

Mas é uma zona sísmica. A foto acima é de Todi, do verão passado, de que me recordei por semelhança ao ver imagens de Aquila, mais a sul no Abruzzo, agora sinistrada.

Em Setembro de 1997 um terramoto na mesma falha sísmica esvaziou a aldeia de Nocera Umbra, um pouco a leste de Assis. Passei lá em 2005, ou seja 8 anos depois e guardo uma impressão muito forte dessa visita. A povoação continuava em ruínas, vazia, como se os habitantes a tivessem abandonado na véspera, apenas com um pouco mais de pó, com as paredes das casas fendidas e as postas escancaradas para um interior caótico. 8 anos depois é assustador. Os habitantes continuavam em casas pré-fabricadas no fundo do vale, 8 anos depois.
Passados os focos mediáticos e enterrados os mortes, Nocera Umbra ficou ao tempo e ao pó e a sua gente em habitações provisórias. Esperemos que desta vez seja diferente.

18 agosto 2008

Ó da guarda!!!

Mais um morto em Loures em confusões em que a maioria da população não se reconhece. Mais polícia? Um polícia em cada esquina? Acho que não. Acho que a omnipresença das forças de segurança pode dar um aumento de segurança percepcionada ao “comum dos inocentes”, mas não é a vista de um “sinaleiro” que trava os marginais, até eventualmente, os espicaça.

E depois, quando não houver mais polícias para todas as esquinas? Trazemos o exército para a rua como fez o Sr. Berlusconi recentemente em Itália? Sentir-nos-emos mais seguros assim?

E depois? Fazemos como no Texas em que os professores serão autorizados a levar as armas para a escola? (estou a tentar imaginar a evolução do caso do Carolina Michaelis e outros idênticos com gente armada…).

Não. Definitivamente a guarda é outra e, desculpem a heresia, um bocadinho de “social” a menos. A ociosidade é mãe de todos os vícios e se todo aquele pessoal tivesse que se levantar cedo para “vergar a mola” e chegasse ao final do dia cansadito, talvez se dispensasse a guarda…