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09 agosto 2012

Um convite...

Sim, pois, eu não gosto de andar atrás das efemérides, eu sei. Por isso não devia estar aqui a referir Hermann Hess que faleceu faz hoje 50 anos – ainda por cima, é a morte !

A homenagem já está para aí atrás, é só procurar pela etiqueta do autor. Esta está actualizada.

Fica portanto o convite: comecem pelo “Siddharta” como aperitivo, passem para o “Lobo das Estepes” para ganhar lanço e terminem no “Jogo das Contas de Vidro”, uma das coisas mais impressionantes que já li. Depois, se calhar, fica vontade de ler mais, mas essa parte será opcional.

03 setembro 2007

Ainda e sempre, simplesmente genial

Não é muito difícil descrever o carácter complexo de intelectuais que podemos analisar e desconstruir; mas apenas um grande artista conseguiria reproduzir um indivíduo simples, sólido, ingénuo e primitivo.

Herman Hess in "A Casa da Paz"

16 agosto 2007

Ainda e sempre, Hess

“À nossa volta irrompem discursos, prédicas e discursos sobre a ciência, a cultura, a beleza e a individualidade. Mas parecemos ter esquecido por completo que estas coisas valiosas apenas podem florescer no silêncio e na vigília nocturnas.”


Conto: “Sobre os tempos antigos”, Hermann Hess 1908

07 janeiro 2007

A mais perigosa

Ó juventude rica e incompreendida! Um amigo mais velho, um pedaço de liberdade, um vislumbre de pátria ter-te-ia sido bastante, e no entanto sentias ânsias doentias por entre colegas rudes e insípidos mestres-escola! Dentro de tais limites perdi rapidamente a minha alegre inocência e descobri a sede de conhecimento e de prazer; ao mesmo tempo, aprendi a dor da existência, a sensação de alheamento e a mais perigosa de todas as doenças da alma, a pena de mim mesmo.

Hermann Hesse in “Contos sublimes”

19 junho 2006

O Jogo das Contas de Vidro



Em homenagem a um dos mais profundos, densos e assombrosos romances que já li, deixo aqui um dos poemas de Josef Knecht, protagonista de “O Jogo das Contas de Vidro” de Hermann Hesse. Uma obra nem sempre fácil de ler mas verdadeiramente genial.


Degraus

Assim como as flores murcham e a juventude
Cede à velhice, também os degraus da vida,
A sabedoria e a virtude, a seu tempo,
Florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração estar pronto
A despedir-se e a começar de novo
Para, com coragem e lágrimas, se dar
A outras novas ligações.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver.
Serenos transponhamos espaço após espaço,
Não nos prendendo a nenhum como a um lar;
Ser-nos corrente ou parada não quer o espírito do mundo
Mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Mal nos habituamos a um círculo de vida,
Íntimos ameaça-nos o torpor;
Só aquele que está pronto a partir e parte
Se furtará à paralisia dos hábitos.

Talvez também na hora da morte
Nos lance, jovens, para novos espaços,
O apelo da vida nunca tem fim…
Vamos, coração, despede-te e cura-te.



Nota: A imagem incluída é uma fotografia “normal”. Num cenário nocturno e com um longo tempo de exposição, a câmara foi deslocada propositadamente, criando este efeito dinâmico.

24 maio 2006

A Idade do Folhetim

“[…] Ao que parece, os “folhetins” eram produzidos aos milhões como elemento especialmente apreciado da matéria da imprensa diária, constituíam o alimento principal dos leitores desejosos de se instruírem, informarem, ou melhor, “conversarem” sobre mil objectos do saber […]

Tinham títulos como “Friedrich Nietzche e a moda feminina de 1870” ou “Os pratos favoritos do compositor Rossini” ou “O papel do cão de regaço na vida das grandes cortesãs” e assim por diante. […]

Quando lemos os títulos de semelhantes verborreias […] surpreende-nos menos a circunstância de haver pessoas que as devoram como leitura diária do que o facto de autores de prestígio, com classe e boa formação, ajudarem a “alimentar” este gigantesco consumo de curiosidades sem valor […]

Havia alturas em que eram particularmente apreciadas as perguntas feitas a personalidades conhecidas sobre assuntos da ordem do dia […] em que se punha por exemplo químicos ou virtuosos do piano a falar sobre política, enquanto autores em voga, ginastas, aviadores e até mesmo poetas eram postos a dar a sua opinião sobre as vantagens ou inconvenientes do celibato, sobre as causas presumidas das crises financeiras, etc. O que importava, apenas, era associar um nome conhecido a um tema realmente actual […]

Mudasse de dono um quadro famoso, fosse leiloado um manuscrito valioso, ardesse um castelo antigo, envolvesse-se num escândalo o possuidor de um nome aristocrático antigo, e os leitores encontrariam em milhares de folhetins não só os factos como também receberiam, no próprio dia ou no seguinte, uma quantidade de material anedótico, histórico, psicológico, erótico e outro sobre o assunto […]

Essas pessoas […] estavam quase indefesas perante a morte, o medo, a dor, a fome, já não encontravam consolo nas igrejas nem conselho no espírito. Eles, que liam tantos artigos e ouviam tantas conferências, não se concediam nem o tempo nem o esforço de se fortalecerem contra o medo, de combaterem neles mesmo o medo da morte, viviam a tremer e não acreditavam em amanhã nenhum.”

Parece familiar e actual?
É um extracto do romance “O Jogo das contas de vidro” de Hermann Hesse publicado em 1943. Apesar de ser ficção, esta "Idade do Folhetim" é colocada nos inícios do século XX.
Tão modernos estes antigos; tão antigos estes modernos.

29 abril 2006

Do "Tratado do Lobo das Estepes"

"Imaginemos um jardim, com centenas de árvores das mais variadas, milhares de flores das mais variadas, centenas de frutos e de ervas das mais variadas. Se se dá o caso de o jardineiro desse jardim não conhecer outra diferenciação botânica que não seja a de “comestível” e “erva daninha”, então não saberá lidar com nove décimos do seu jardim, arrancará as flores mais encantadoras, abaterá as arvores mais nobres ou pelo menos há-de odiá-las e olhá-las de través. Assim age o Lobo da Estepes para com os milhares de flores da sua alma. O que não cabe nas rubricas “Homem” ou “Lobo”, isso nem sequer vê. E a quantidade de coisas que atribui ao “Homem”!? Todas as cobardias, macacadas, idiotices e mesquinhices, desde que não sejam propriamente bestiais, tudo isso faz caber no humano, do mesmo modo que refere ao lupino tudo o que é força e nobreza, unicamente porque ainda não foi capaz de se tornar o seu senhor."
De: "O Lobo das Estepes", Hermann Hesse

Afinal, o Pessoa com aquela das duas vidas estava a ser demasiado redutor… Também, ao ter mais heterónimos do que vidas, já estava a deixar uma pista.