Certamente que haverá muita gente boa e bem-intencionada
associada ao movimento Opus Dei.
Quem se quiser informar (e não pelo “Código da Vinci”)
encontrará facilmente alguns detalhes que farão franzir sobrolhos. Uma
organização elitista focada no poder, abusos de poder e o degradante tratamento
das auxiliares, coerções e limitações das liberdades dos seus membros, mortificações
corporais e outros sacrifícios físicos algo medievais, manipulações tocando
gente demasiado jovem para ser embarcada nestes projetos, roturas familiares
pouco cristãs, altos jogos de xadrez no Vaticano apadrinhados por João Paulo II.
Enfim, muita coisa muito pouco enquadrável e abençoável pelos princípios
cristãos, sendo que, se Cristo voltasse à Terra, talvez os tratasse pior do que
fez aos vendilhões do Templo. E, mais uma vez, todos aqueles que participam e
acreditam estar num campeonato pio e meritório, tentem informar-se (se puderem) e ser
objetivos.
Sobre o pano de fundo do colapso do Banco Popular, este
livro faz uma viagem detalhada sobre a história da organização, visitando
muitos dos detalhes que em grande parte já se conheciam. O que me deixou muito surpreendido e mesmo chocado foi, particularmente relativamente aos EUA, a facilidade com que milhões e
milhões podem ser oferecidos e circularem sem o público saber bem quem paga o
quê e para quê. É conhecido que por lá os donativos para as campanhas eleitorais,
por exemplo, atingem dimensões astronómicas, chocando um pouco tentar imaginar
o que os doadores estão a (tentar) comprar que possa justificar tais valores.
Quanto à sua entrada e influência nos meios académicos,
entre estes e os wokes, o Diabo pode estar à vontade para escolher…!
Voltando ao Opus, resta esperar que o Papa Leão XIV continue
os passos do Papa Francisco, refreando os ímpetos e o poder da organização,
caso contrário parece-me existir um risco de vermos uma mutação da religião,
com José Maria Escriva a substituir Cristo como figura fundamental e este a
deslizar para partilhar o fundo da cena com Abrão.
Em conclusão o que me repugna fortemente são organizações,
esta e outras semelhantes, utilizarem boas causas como simples engodo para
projetos de poder, atraindo e enganando gente bem-intencionada.
Se alguém discordar, diga…
Sobre estas reflexões de há 20 anos, pouco mudou...

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