11 janeiro 2026

Pobres políticos


É extremamente positivo que quem desempenhou cargos políticos consiga ter uma atividade profissional e rendimentos na vida que é a real para a esmagadora maioria dos cidadãos. De escrutinar será, não necessariamente a lista dos seus clientes, mas a natureza das prestações. Quando se evoca o manto diáfano (Eça está na moda…) da “consultadoria” é indispensável entender de que é que se fala exatamente. Porque é que uma empresa privada, que luta para sobreviver, que se calhar até gostaria de remunerar melhor os seus colaboradores, vai entregar recorrentemente uns milhares de euros a ex-políticos? Qual o retorno?

Alguém que cobra por consultadoria é alguém que tem um conhecimento específico e muito especializado sobre uma dada matéria. Não existem consultores “todo-o-terreno”. Daí ser um pouco surpreendente como alguém que nasceu e sempre vivou na política possa ter esse valor para vender a uma larga diversidade de empresas.

O que cheira é que as empresas precisarão de acesso a informações e contactos com decisores que estão na agenda de contactos desses “consultores” … Na minha opinião, esta necessidade não existirá num país eficiente e decente. Quem precisa de informação e interação com o poder, deve ter acesso direto claro e transparente, sem precisar de andar a pagar gorjetas a porteiros e estafetas que os possam conduzir por corredores (propositadamente?) obscuros e mal sinalizados.

Voltando ao valor de quem faz carreira na política, sendo certo que políticos são necessários, talvez valesse a pena pensar em eliminar os empregos partidários para jovens e as estruturas “jotas”. Todos deveriam começar com uma atividade externa em concorrência e baseada nalguma competência. Entenderiam melhor o país real e teriam também um sítio limpo para onde regressar no dia em que saíssem da política ativa.

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