É extremamente positivo que quem desempenhou cargos políticos consiga ter uma atividade profissional e rendimentos na vida que é a real para a esmagadora maioria dos cidadãos. De escrutinar será, não necessariamente a lista dos seus clientes, mas a natureza das prestações. Quando se evoca o manto diáfano (Eça está na moda…) da “consultadoria” é indispensável entender de que é que se fala exatamente. Porque é que uma empresa privada, que luta para sobreviver, que se calhar até gostaria de remunerar melhor os seus colaboradores, vai entregar recorrentemente uns milhares de euros a ex-políticos? Qual o retorno?
Alguém que cobra por consultadoria é alguém que tem um
conhecimento específico e muito especializado sobre uma dada matéria. Não
existem consultores “todo-o-terreno”. Daí ser um pouco surpreendente como
alguém que nasceu e sempre vivou na política possa ter esse valor para vender a
uma larga diversidade de empresas.
O que cheira é que as empresas precisarão de acesso a
informações e contactos com decisores que estão na agenda de contactos desses “consultores”
… Na minha opinião, esta necessidade não existirá num país eficiente e decente.
Quem precisa de informação e interação com o poder, deve ter acesso direto
claro e transparente, sem precisar de andar a pagar gorjetas a porteiros e
estafetas que os possam conduzir por corredores (propositadamente?) obscuros e
mal sinalizados.
Voltando ao valor de quem faz carreira na política, sendo
certo que políticos são necessários, talvez valesse a pena pensar em eliminar
os empregos partidários para jovens e as estruturas “jotas”. Todos deveriam
começar com uma atividade externa em concorrência e baseada nalguma
competência. Entenderiam melhor o país real e teriam também um sítio limpo para
onde regressar no dia em que saíssem da política ativa.

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