Há poucos dias um descarrilamento e posterior choque de dois
comboios de alta velocidade, em Adamuz, próximo de Córdova provocou 43 a 45 vítimas
mortais. Ainda é cedo para conclusões finais, mas faltar uma parte do carril,
conforme fotografia acima, e marcas nas rodas do comboio descarrilado e noutros que
por ali circularam previamente, parece apontar para um defeito de soldadura.
Avarias podem sempre acontecer e é cedo para conhecer toda a
sequência de fatos que terá produzido a tragédia e apurar responsabilidades. Há,
por isso, algo que me irrita que é a imediata “gestão política” da desgraça,
por outras palavras, os putativos responsáveis a tentarem “sacudir a água do
capote”, ou a procurarem fazer circular “narrativas” de abrigo.
A ver vamos como isto fica à chegada. A Espanha institucional
não é muito famosa pela transparência na comunicação (lembram-se do “Prestige”
na Galiza, onde os galegos viam a TV portuguesa para saber o que se passava?),
mas os tempos são diferentes.
Aqui há algum perfume semelhante ao da tragédia do elevador da Glória, em Lisboa. Uma grande tragédia por uma falha estrutural que “não podia” acontecer e uma enorme distância entre os decisores de topo e os técnicos do terreno. Quando falo em distância, não me refiro a sequência de níveis hierárquicos, é pior do que isso. É existir gente política e/ou politicamente nomeada que não tem “ni puta idea” do que andam a fazer ou do que deveriam assumir e que, quando um desastre “fatalmente” acontece, a prioridade é correr para o abrigo.

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