21 janeiro 2026

Trump é diferente

Trump não foi à Venezuela “extrair” Maduro para proporcionar democracia, liberdade e bem-estar ao povo venezuelano, nem teve o cuidado de o declarar ou insinuar, mesmo que isso possa eventualmente ser um efeito colateral. Os EUA intervieram na Venezuela para evitar que o petróleo fosse para a China, Rússia ou Cuba. Não foi certamente a primeira intervenção feita por eles (e por outros) ao arrepio das normas internacionais e fundamentalmente para proteção dos seus interesses.

A argumento do “narcotráfico” tornou-se necessário unicamente para um mínimo de enquadramento “legal”, sendo que antes de ir pescar pessoas à Venezuela, muitos grandes peixes estão aí ao lado no México e com muito mais impacto no seu país.

A diferença em Trump não será muito por estes atos, mas pela forma como ele assume frontalmente a verdadeira motivação. A ignóbil reação dele ao assassinato de Rob Reiner prima também pela “transparência”. Muitos outros antes dele terão tido arrogâncias e desrespeitos análogos, mas apenas em privado.

O fato de a diferença de Trump ser mais na comunicação do que na ação não é um aspeto de menor importância. Os seus antecessores, ao terem assumido no passado nobres causas e motivações “humanistas”, expunham-se a serem desmascarados por hipocrisia. Com Trump é diferente. A insolência e o desrespeito públicos tornam-se politicamente aceitáveis.

Algo que me parece substancialmente diferente com Trump é a sua aparente “subordinação” a Putin, como se este soubesse algo que o pudesse comprometer. 

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