Trump não foi à Venezuela “extrair” Maduro para proporcionar
democracia, liberdade e bem-estar ao povo venezuelano, nem teve o cuidado de o
declarar ou insinuar, mesmo que isso possa eventualmente ser um efeito
colateral. Os EUA intervieram na Venezuela para evitar que o petróleo fosse
para a China, Rússia ou Cuba. Não foi certamente a primeira intervenção feita por
eles (e por outros) ao arrepio das normas internacionais e fundamentalmente para
proteção dos seus interesses.
A argumento do “narcotráfico” tornou-se necessário unicamente
para um mínimo de enquadramento “legal”, sendo que antes de ir pescar pessoas à
Venezuela, muitos grandes peixes estão aí ao lado no México e com muito mais
impacto no seu país.
A diferença em Trump não será muito por estes atos, mas pela
forma como ele assume frontalmente a verdadeira motivação. A ignóbil reação
dele ao assassinato de Rob Reiner prima também pela “transparência”. Muitos
outros antes dele terão tido arrogâncias e desrespeitos análogos, mas apenas em
privado.
O fato de a diferença de Trump ser mais na comunicação do
que na ação não é um aspeto de menor importância. Os seus antecessores, ao
terem assumido no passado nobres causas e motivações “humanistas”, expunham-se
a serem desmascarados por hipocrisia. Com Trump é diferente. A insolência e o
desrespeito públicos tornam-se politicamente aceitáveis.
Algo que me parece substancialmente diferente com Trump é a sua aparente “subordinação” a Putin, como se este soubesse algo que o pudesse comprometer.

Sem comentários:
Enviar um comentário