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21 fevereiro 2023

Eclética e religiosa


O Carnaval, o último dia antes da Quaresma, o da carne que se vai, tem uma referência claramente religiosa na sua origem e data. Mas é um pouco também uma antítese da mesma. 

Ao marcar o início de uma interdição, ele abre as portas a extraordinárias permissões, onde se poderá ser o que no resto do ano não é possível. As máscaras físicas ou de atitude são um escape, como uma última longa inalação de oxigénio antes de um grande mergulho em apneia.

Da simplicidade ancestral e algo rude de Lazarim ou Podence à sofisticação de Veneza; da exuberância tropical e deslumbrante do Rio às caricatas e provocadoras imagens, muitas vezes de gosto duvidoso, o fundo da motivação é o mesmo. Ser diferente e talvez um pouco como no fundo se gostaria de ser.

Não sou de corsos, nem de participar nem de assistir, * mas reconheço que a energia que move tantas militâncias nesta causa tem algo de regenerador e vital.

* Nota adicional em 22/2: aqui faltou acrescentar "nem de correr o farrapão".

23 setembro 2019

Ambiente e política, ignorância e hipocrisia



Sobre a necessidade de fazer algo urgentemente sobre a sustentabilidade do planeta, poucos terão dúvidas. Ver nota anterior aqui.

A necessária mudança de hábitos e de modos de vida, uma empreitada tão complexa e gigantesca, obriga a um estudo científico e social detalhado, gerando um plano de ações lógicas, viáveis e eficazes e a serem cumpridas com rigor. Obviamente que de pouco servem as medidas voluntariosas e avulsas do tipo “O ministro quer…”.

O que os políticos querem, no fundo, é ganhar as eleições e tomar o poder. Se, para isso, for necessário assumir que a Terra pode não ser redonda, certamente muitos não hesitarão em fazê-lo, sendo aqui as culpas partilhadas entre o político sem formação e/ou escrúpulos e o eleitor ignorante e/ou estúpido.

Isto vem a propósito do fervor de propostas “pró-ambientais” agora na aproximação das eleições e concretamente o banir a carne da alimentação humana. É fácil estar de acordo que o consumo de carne dever ser reduzido, mas entre fazer uma canja com um frango criado ao ar livre ali na porta ao lado ou consumir peixes originários de uma piscicultura intensiva localizada a uns valentes quilómetros de distância, onde está o impacto ambiental maior…? 


Convém sempre fazer as contas todas e tão ou mais importante do que a natureza do alimento é as voltas que ele dá até nos chegar. Muito mais importante ainda é a quantidade que é ingerida. Frugalidade em cada dose, em cada interruptor e em cada torneira… Assumir uma boa consciência a partir de medidas simplistas que dão belos títulos nas noticias, é ignorância e/ou hipocrisia.

10 fevereiro 2016

E o Carnaval?

Pois é, já passou. Já estamos nas cinzas. Do Carnaval mesmo, genuíno, recordo-me de na infância sair pela rua com os meus primos a “correr o farrapão”, não esfarrapados mas pouco menos. Havia também uma tradição na grande família de organizar um “assalto” a casa de um feliz contemplado em cada ano… Entrava toda a gente mascarada e os anfitriões forçados lá tinham que se esforçar para identificar quem é quem. Mérito para os últimos a serem reconhecidos, já quase pelo princípio da exclusão de partes.

Mais tarde, foi uma data que, juntamente com o S. João e a Passagem de Ano, constituía a “troika” das festas de garagem. A data servia de motivo e de desculpa, sem uma entidade característica muito marcada.

Acredito existirem terras e pessoas para quem esta festa tem e terá um significado forte e profundamente enraizado na sua cultura e identidade coletiva. Assim seja… No entanto, há um carnaval que não me agrada: o do espetáculo pelo espetáculo, o dos corsos gelados e pingados pela inversão das estações do ano entre o local origem e a triste cópia. Tão pouco gosto da festa “obrigatória” nas escolas para os pequenos (a minha fantasia é mais chique do que a tua…), que até já importaram uma tal de “Halloween” que nunca conheci.

Como não crente, até estou muito à vontade para o dizer: sendo o Carnaval o adeus à carne antes da quaresma, acho que quem não a faz, também não o devia celebrar…

PS: E não é que em 54 000 fotografias arquivadas, aparentemente não encontro nenhuma que de carnaval? A semana santa de Braga, também serve…

14 fevereiro 2015

Carnaval e quaresma


Se, esquecendo eventuais raízes mais profundas, o Carnaval representa a “última festa” antes da Quaresma, fará sentido festejar o Carnaval e depois ignorar a Quaresma?

22 fevereiro 2012

Cinzas

Da mesma forma que acho que só deve gozar férias quem trabalha, também acho que só deveria gozar o Carnaval – Carne Vale – Adeus à carne - quem a seguir realmente fizer quaresma. Grande heresia ? Talvez: ao fim e ao cabo toda a gente tem o direito de se divertir e o motivo de fundo é secundário…!

Estarei a exagerar, um pouquinho. Obviamente que para lá de os antecedentes do Carnaval poderem estar para lá desse antes da quaresma, também a sua história mais recente terá enraizado e contraído um significado próprio e desligado do pré-jejum.

Conheci um alemão que um mês por ano resolvia fazer um jejum de : álcool, tabaco, café e chocolate. Ignoro se fazia uma despedida no último dia antes de iniciar o ciclo, mas era uma forma de se convencer que podia viver sem esses 4 “vícios”.

Não, não o faço e também não celebro o Carnaval, mas no fundo não posso deixar de estar de acordo que o valor de muita coisa só se clarifica na sua carência/quaresma.

E, pode não ter muito a ver mas lembrei-me de um álbum do grande Chico Buarque de 1978 em que durante a ditadura el falava num “cálice”, invocando a censura do “Cale-se” e que incluía uma belíssima música de Silvio Rodrigues que só mais tarde aprendi a ler aquela história dos mortos da felicidade:

Vivo en un país libre
cual solamente puede ser libre
en esta tierra, en este instante
yo soy feliz porque soy gigante.
Amo a una mujer clara
que amo y me ama
sin pedir nada
o casi nada,
que no es lo mismo
pero es igual

Y si esto fuera poco,
tengo mis cantos
que poco a poco
muelo y rehago
habitando el tiempo,
como le cuadra
a un hombre despierto.
Soy feliz,
soy un hombre feliz,
y quiero que me perdonen
por este día
los muertos de mi felicidad.