19 janeiro 2026

Como ficamos



 António J. Seguro

É com satisfação vejo a vitória de AJS que, conforme já referi aí para trás, apoiei. Era o candidato mais adequando à função. Certo ser um pouco redondo, mas de agudos e retorcidos já estivemos servidos.

A ver o que se passa no PS. Para já é um “Incha, Costa!”, “Embrulha, Santos Silva!”, sendo que as probabilidades de Seguro vencer a 2ª volta dependem muito de quanto afastado se mantiver do aparelho do Rato.

Em 86, Mário Soares começou por disparar contra Salgado Zenha à sua esquerda, para poder passar à 2ª volta, e depois foi namorar o PC. Seguro começou a dizer que sim, era de esquerda, e agora vai certamente alegar que é de esquerda “ma non troppo”…

André Ventura

Sempre a subir, apesar de todos os equívocos quanto à natureza do cargo em disputa e um muito à-vontade quanto à distância entre o seu discurso e os fatos reais. Aqueles que o querem travar devem começar a pensar numa estratégia diferente da atual.

Não deverá ganhar, mas se o fizer será a implosão do partido, que fica sem líder a primeiro-ministro credível ou/e do sistema, já que irá continuamente procurar extravasar as competências do PR.

Veremos se continuará a pedir e a defender os 3 Salazares.

Cotrim de Figueiredo

Um bom resultado, muito à custa do PSD e do candidato oficial do partido, mas algum deslumbramento e mesmo um cheirinho de arrogância não ajudaram.

Começou no debate plenário em que decidiu menorizar os candidatos pior colocados, passou pela majestática declaração de que se calhar poderia apoiar Ventura na 2ª volta e acabou na agressiva reação à notícia da acusação de assédio. Podia ter toda a razão do mundo para sentir-se injustiçado, mas ao nível de um potencial PR não se reage a disparar em todas as direções.

Ainda sobre a acusação, se a mesma já tem dois anos, porque ficou a marinar na IL? É para isto que os canais de denúncia (e de boas práticas publicados) servem? Se calhar não será caso único.

Gouveia e Melo

Na terra dos cegos, quem tem um olho é rei. O extraordinário relevo dado a GM na campanha das vacinas, só confirma o quanto as expetativas são baixas relativamente ao desempenho de quem o Estado nomeia.

Quando o aroma apetitoso do poder cresceu à sua volta, muitas moscas atraiu, algumas francamente pouco recomendáveis, o que não perfumou positivamente a campanha.

Depois, faltou-lhe o segundo olho para nos convencer do que poderia mesmo fazer no futuro.

Marques Mendes

Falou-se bastante de Sá Carneiro nesta campanha e o partido fez algo semelhante à opção do antigo líder na de 1981. Um enorme erro de “casting”. Soares Carneiro não tinha pose nem carisma para convencer o “povo”, Marques Mendes também não. Era difícil de adivinhar? Acho que não…

É muito curioso que nem MM nem o PSD darem indicação de voto para a 2ª volta. Para Montenegro é indiferente ter Seguro ou Ventura em Belém? Olhe que não, olhe que não… E só estou a falar nas facilidades/dificuldades da governação, sem entrar pelos “princípios”. Mais tarde ou mais cedo o PSD terá que decidir e assumir com quem quer preferencialmente estar. Se com o PS expurgado do Costismo (herdeiro do Pinto de Sousa) ou do Chega. Decidam e assumam

Dos restantes não é relevante falar!


2 comentários:

jorge neves disse...

Montenegro deve "desaparecer" até á próxima votação. Ele está como o caipira, " se fugir o bicho mata se ficar o bicho come".

Carlos Sampaio disse...

Pois está, mas para fazer de morto já vai tarde... :)
De quem não tem coragem para decidir e assumir, não reza a história
E parece-me que o "drama" de LM não vai encerrar no dia 8/2, vai continuar...