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20 setembro 2025

Pela candeeira


Perto do Redondo, mais ou menos a meio caminho entre passados largos domínios de monges paulistas da serra da Ossa, e os principais locais de veneração do deus Endovélico, o meu cavalo descansa (no canto da imagem…).

 E tem razão, porque logo ali ao lado não falta água !



21 maio 2025

Além Tejo, Alentejo


Formulou muito bem Orlando Ribeiro, que existem dois “portugais”, um Mediterrâneo e outro Atlântico. Para quem se interessa por entender o que é este país, o seu livro é obrigatório, mesmo.

Essa fronteira, que ouvimos na meteorologia como o sistema Montejunto-Estrela, teve no verão quente de 1975 um posto fronteiriço em Rio Maior, equipado com as famosas mocas, enfim… não faltam exemplos. Curiosamente esta clivagem nunca pôs em causa a unidade identitária do país nem levantou sérias veleidades separatistas.

O resultado destas últimas eleições é mais um exemplo quase perfeito dessa divisão do país. A particularidade é que este recorte eleitoral não é inédito na forma. No passado foi igual, com diferença apenas na cor. O sul do Tejo era vermelho comunista e agora é extrema-direita (populista).

Se eu fosso sociólogo atirava-me de cabeça a tentar entender como o Alentejo revolucionário abandonou os valores comunistas, para abraçar este populismo grosseiro. Os extremos tocam-se? Sim, um pouco, mas não será assim tão simples.

Durante anos o Alentejo foi para a esquerda uma espécie de puro e último reduto da “revolução”, objeto de devoção quase religiosa. Quando Henrique Raposo escreveu sobre a região, referindo as elevadas taxas de suicídios, não houve livros queimados na praça pública, mas pouco menos, tamanha foi a indignação da esquerda.

Enfim, não sei para mais e não quero entrar no terreno da especulação pura, mas gostava muito de entender o que existe neste Portugal mediterrâneo que um dia é comunista e no seguinte, dizem os ainda comunistas, fascista. Um mistério…?

07 março 2016

E se fosse com Trás-os-Montes?

São no mínimo surpreendentes as reações provocadas por um livro e um autor que escreveu/disse coisas com as quais alentejanos e seus amigos discordam. Uma petição pública para pedir a proibição do livro? Onde estamos, no Irão de Khomeini e a “fatwa” só não é mais violenta porque não se pode…?

Falando em “fatwa”, e desculpe-me quem é invocado aqui sem nada ter a ver com este assunto, parece efetivamente que para alguns o Alentejo é um território sagrado, intocável, inquestionável, a tratar com toda a deferência que merece um local de veneração.

Não tenho nada de especial contra o Alentejo mais do que a favor de Trás-os-Montes, mas de uma coisa estou certo. A acontecer uma coisa idêntica com os transmontanos, aposto que eles se ririam e virariam costas com ironia e altivez a algo que considerassem estúpido e despropositado. Não haveria nem um décimo de tanta excitação e muito menos aparato policial especial no lançamento do livro. Por favor, onde estamos?!

03 agosto 2015

Os trilhos do Alentejo


De férias em Évora, resolvi pegar na bicicleta para uma pequena viagem até à anta grande do Zambujeiro, imaginando não faltarem caminhos e trilhos para lá chegar. Calculei assim a olho o trajeto a seguir e arranquei. No sítio em que tinha previsto sair da estrada nacional, estava lá o caminho, sim senhor, mas com uma cancela fechada à frente. Na próxima alternativa, idem aspas… e circular de bicicleta pelas estradas nacionais do Alentejo não tem piada (nem segurança) nenhuma…

Visitada a anta, contava percorrer um estradão conhecido para fechar um triângulo com outra nacional, mas … lá me explicaram que um proprietário se tinha arreliado com a travessia dos seus terrenos e bloqueado o caminho, conforme a foto anuncia. Antes ia dar a Évora, agora não tem saída!

Parece que esta irritação e fecho de caminhos públicos é bastante frequente por aqueles lados. É muito grande o Alentejo, mas custa a crer que seja tão parco em caminhos públicos.

02 agosto 2015

Na rota de um deus pagão


Foi da pena do saudoso João Aguiar que me chegou a primeira referência ao Deus Endovélico. Aproveito para abrir um parêntesis e repetir o que já disse aí atrás. Foi um grande escritor, de quem eu li o pleno dos seus romances, e sempre com vontade para mais.

Porque a nossa história, o nosso passado e raízes, não se fazem apenas de reis e outras gentes, entendo que os Deuses não devem ser ignorados, para lá da relação de fé que se possa ter, ou não, com cada um. Os lugares sagrados têm algo intrínseco que ultrapassa os contextos espirituais concretos. Não é por acaso que, tantas vezes, vários credos se vão sucedendo no mesmo local.

Em tempos visitei pela primeira vez o lugar suposto do grande templo, significativamente hoje chamado de S. Miguel da Mota. Já nada resta de material, mas sim uma certa forma de respirar a paisagem, sintomática de ser um dos tais lugares sagrados.

Mais recentemente fui à Rocha da Minha, supostamente um local de culto do mesmo Deus, mas mais antigo e menos civilizado. Situada numas caprichosas curvas da ribeira de Lucefécit (que nome este… !), ela quase desenha um ómega no centro do qual está o santuário. É um sítio forte, que nos agarra. Fiz um voto de lá voltar. Quando a ribeira de nome mágico tiver água correndo, quero subir à fraga e ver aquela corrente circulando em torno de mim, seja qual for o Deus invocado.

13 abril 2009

Andando às Antas….


No meio do Alentejo, seguir uma indicação para uma anta pode ser uma boa aventura. Principalmente porque na maior parte das vezes a sinalização só manda sair da estrada principal e depois é uma questão de persistência, palpite e sorte. Pode não se ver nenhum monumento, pode-se avistar um lá ao fundo, bem protegido por várias linhas de arame farpado, mas acaba por ser um exercício de descoberta com o seu quê de divertido e a atirar-nos para lugares e cantos que doutra forma não descobriríamos.

Entre Marvão e S. Pedro do Corval, há uma dessas placas que por acaso até nem nos faz perder. A particularidade é que na zona dos monumentos está uma parada de oliveiras antigas impressionantes. A oliveira é sempre uma árvore bonita e sob um sol de manhã de primavera mais ainda. Naquela zona, no entanto, é uma verdadeira exposição de arte! Garanto que já visitei exposições de artes plásticas muito, mas mesmo muito, menos interessantes!

01 abril 2009

“Balboas”? Não, obrigado?


Em passagem recente por Monsaraz ouvi falar de novo na controversa refinaria prevista para Balboa, no outro lado da fronteira. Em primeiro lugar, o investimento parece algo atípico. Uma refinaria “movimenta” quantidades enormes de materiais e a localização economicamente mais lógica é junto a um porto, e dos grandes. Ali, perdida no meio da Estremadura, é estranho. Pensando que se trata de uma zona deprimida, com “incentivos” especiais ao investimento, pode ser apenas mais uma caça ao subsídio. Para estes valores de investimento e respectivo ciclo de vida parece caça grossa demais, mas enfim, eles lá saberão.

A polémica é sobre a componente ambiental. E lá vem um monte de gente afirmar que a poluição por ela emitida irá matar o Alqueva. Talvez possa não ser assim. O impacto de uma unidade deste tipo não pode ser comparado com o histórico do que acontecia há 20 anos. Actualmente existem soluções para tratar qualquer tipo de poluição e legislação para obrigar à sua aplicação. Obviamente que o custo varia conforme a exigência. Assim sendo e estando em causa uma zona tão sensível como a bacia do Alqueva, o Estado Português só tem que colocar a “fasquia” no ponto certo, exigir o seu cumprimento e prever multas bem dissuasoras para o caso de ocorrer um “problema”. Até poderia exigir acesso à monitorização em tempo real das emissões!

Com algumas semelhanças está o projecto da Cimentaurus para uma nova cimenteira em Figueiró dos Vinhos. Em primeiro lugar, com a situação actual na construção em Portugal e em Espanha, surpreende a necessidade de uma nova unidade de produção de cimento, mas eles lá saberão. Do ponto de vista ambiental, diz-se de tudo, até que porá em risco a saúde e a qualidade de vida das populações. De novo, está mal! Uma cimenteira pode ser limpa. Basta investir e isso já é obrigatório até. E, de passagem, recordo-me de quando um projecto de uma nova máquina de papel em Viana/Ponte de Lima ia “destruir” o bucólico rio Lima.

Há apenas um aspecto que pode não ser pacífico e que nem se aplica a Balboa que está 50 km para lá da fronteira. É o impacto visual. Se as emissões e os efluentes são medidos e tratados, uma grande unidade industrial pode estragar o “ambiente” do ponto de vista estético. Um dia alguém há-de pensar e legislar sobre a integração paisagística destas e doutras coisas como antenas, aerogeradores, etc.

01 abril 2007

Memória de uma viagem



Era primeiro de Abril e não era engano. Pela primeira vez, em muitos anos, tinha o tempo todo à minha frente e não me apeteceu começá-lo parado em casa. Peguei nuns pontos da Portugália, que em circunstâncias normais tinham tendência a expirar por não utilização dentro do prazo de validade, e que também servem para pagar hotéis, nuns contactos dumas pensões alentejanas, embrulhei umas tralhas, pus a bicicleta, a máquina fotográfica e o tripé na mala do carro e parti.

Cruzei calmamente o país até Vila Real de Santo António e regressei. Fui andando e parando, arriscando quelhos e adivinhando caminhos. A cada paragem carreguei a máquina e o tripé, avancei e recuei, acertando o enquadramento sem pressas e, por vezes, esperando mesmo pela luz mais adequada.

Guardo a memória de um Alentejo deslumbrante, até emocionante de tanta cor e tanto espaço vibrante. Bem diferente daquele espaço queimado e cansado que se atravessa a correr no Verão de janelas fechadas e ar condicionado ligado, lembrando de como era duro fazê-lo no tempo em que este luxo ainda não existia.

Guardo a memória das pequenas estradas do Sotavento Algarvio e de palmilhar praias e dunas desertas.

Guardo a memória de uma viagem de sonho bastante barata, mas como nunca até então tinha feito e como provavelmente tão cedo não poderei voltar fazer, pelo menos no mesmo ritmo. E guardo também as 600 fotos.