15 dezembro 2025

Quanto o T perde o I

 

Iot significa “Internet of Things” e a designação aplica-se às coisas que se ligam à internet. Já aqui atrás falei de alguns casos em que coisas se ligam algures, mesmo sem os seus utilizadores saberem, podendo se tratar de automóveis, autocarros, pneus e outras que nem se imagina...

Outro campo é dos “gadgets” (propositadamente deixado em inglês) tecnológicos cuja conexão, controlo, atualização e respetiva app são apresentados como uma mais-valia apreciada pelos utilizadores. Podemos falar de bicicletas, sistemas de iluminação, de rega ou segurança, sensores e de todo o tipo de eletrodomésticos, como, por exemplo, aspiradores…

Recentemente a americana Roomba, criadora do popular aspirador IRobot entrou em processo de falência, submergido pela concorrência chinesa. Parece que vai ser salva pela empresa que lhe fabricava os aparelhos, a Picea Robotics, chinesa…

O drama potencial nestes processos surge quando o aparelho é tão dependente da app e dos serviços da empresa, que em caso de falência técnica e ou económica do fabricante fica órfão e inútil.

VanMoof é uma marca de bicicletas conectadas extremamente particulares, com design exclusivo e muitas particularidades tecnológicas. Chamavam-lhe a “Tesla das bicicletas”. A empresa faliu em 2023, entretanto foi retomada, mas no seu período de agonia foi um calvário para os proprietários dos brinquedos caros. As especificidades mecânicas e eletrônicas implicavam que os problemas apenas podiam ser respondidos pelo fabricante e este não conseguia dar resposta.

Em conclusão, para lá de todas as questões de privacidade e de se ter uma coisa com olhos e ouvidos em casa ou no bolso, procurem garantir que o fabricante irá sobreviver ao tempo de vida esperado do dispositivo. Se não for o caso, convém que este consiga resistir decentemente às exéquias do seu fundador.


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