08 julho 2016

Os Lesados


Não tenho nenhuma simpatia nem admiração especial por Pedro Passos Coelho, antes pelo contrário. Quando ele assumiu a liderança do governo até o achei algo “curto” de preparação para a função. A forma como ele governou e a aplicação do memorando da troika não foi substancialmente diferente da que seria feita por outro primeiro-ministro ou outro partido. O mal principal vinha de trás, por muito que o PS o queira esquecer.

Há, no entanto, um momento fundamental em que Passos Coelho agiu de forma diferente ao expetável. Foi quando disse ao Sr. Ricardo Salgado, Dono Disto Tudo ou, mais precisamente, Patrão Deles (quase) Todos, que a CGD não ia oferecer ao grupo Espírito Santo os empréstimos que este exigia. E, na minha opinião, fez muitíssimo bem.

Quando vejo ainda hoje tanta animosidade contra PPC, mesmo dentro do seu próprio partido, não consigo deixar de a relacionar com essa nega de Junho de 2014, que não lhe é perdoada por todos os Lesados (com maiúscula) do BES/GES e demais assalariados do Patrão Deles (quase) Todos.

Este movimento nacional “consensual” que não perdoa a PPC parece-me ser mais o protesto de uma confraria do que uma contestação politica. A realçar que o Patrão Deles (quase) Todos não tinha cor política, viajava habilmente pelo “arco-íris” do poder.

2 comentários:

Jorge Neves disse...

Independentemente de ser habitual "chefe apeado ser chefe contestado "ainda está por apurar se a resposta do PPC ao DDT foi a correta. A ideia de que os contribuintes não pagariam é a maior anedota dos últimos tempos. O valor da fatura está longe de estar apurado

Carlos Sampaio disse...

Aqui e na reacapit da CGD o "sem custos para o contribuinte" é uma história que se conta às criancinhas para dormirem descansadas, depois logo se verão os "imprevistos".
Acredito que da forma que o GES/BES estavam, quanto mais dinheiro lá caísse, mais ardia e, proporcionalmente ao BPN, por exemplo, os "custos para o contribuinte" foram inferiores.

Quanto ao PPC é um facto que o líder perdedor é pressionado, mas aqui é algo diferente. Costuma ser logo no rescaldo das eleições, ou quando cheira a próximas e com um desafiador claro. Por acaso, ele perdeu o poder mas não perdeu as eleições.

Quando ouço Marecelo R Sousa dizer que o maçom Luis Montenegro daria um bom líder do PSD... dá-me comichieira!