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17 junho 2025

De coração ou raça


Ser português não significa possuir características “raciais” especificas. Somos fruto de uma miscigenação enorme e não há portugueses “de gema”, fisicamente definidos, como noutras latitudes onde existe um tipo físico tradicional e se faz a distinção face a outros “cidadãos” que não o cumprem. Aliás, geneticamente falando, somos na “maioria” muito mais parecidos com os berberes das montanhas do Norte de África do com que os nórdicos!

Isto não significa que qualquer um dos 8 bilhões de habitantes do planeta que aterrar por cá, possa imediatamente ser considerado português, já que não há filtragem racial. Ser português haverá de implicar ter um mínimo conhecimento da cultura e história do país e identificar-se com a mesma. Haverá que o sentir e não há muitos países no mundo em que esse sentimento de pertencer a uma nação seja tão antigo como ele é em Portugal.

Ainda sobre a História de Portugal e identidade, no passado 10 de junho Ramalho Eanes foi condecorado com o grande colar da ordem de Avis, uma grande honra e distinção. Na sua génese esta ordem era militar e religiosa e combateu os muçulmanos na fundação de Portugal. Ainda ninguém se lembrou de pedir para a crismarem com outro nome, mais laico, inclusivo e menos “agressivo” face a outras religiões? E todos os que receberam a Ordem de Santiago sentem-se bem ao ver o seu nome associado ao santo “mata-mouros”?

A riqueza, e histórica temos muita, passa por não banalizar, saber procurá-la e entendê-la. Viva Portugal de coração sem raça.

30 julho 2013

Níveis de segurança

Não parece haver dúvidas de que o acidente ferroviário na Galiza se deveu a excesso de velocidade na curva. Parece que o maquinista assumiu logo no momento que estava a circular muito acima do que devia. Os motivos para esse facto serão analisados e podem ser desatenção, indisposição ou outra coisa qualquer, mas escala à parte não deixa de ser equivalente a um condutor de autocarro que passou um sinal vermelho e provocou um grave acidente. Por aí deve ficar a investigação e daí sairão as conclusões.

Eu não entendo nada de comboios e posso estar a dizer um grande disparate, mas arrisco. Temos uma larga recta feita a 200 km/h e no final dela uma curva que deve ser abordada a 80 km/h. O maquinista saberia certamente disso, presumo que haveria instruções e sinalizações para o informar e avisar, mas… Para o que está em causa, faz sentido que essa operação depende exclusivamente da acção do maquinista e ser tratado de igual forma como o semáforo para o autocarro? Não era mais do que justificado haver algum tipo de segurança activa que antes da curva controlasse a velocidade do comboio e o travasse independentemente da distracção ou loucura do maquinista?

Aparentemente na zona de alta velocidade existe um sistema de seguimento e controlo da velocidade do comboio. Na zona do acidente em que ele estava na via antiga e convencional, o controlo é feito apenas por baliza pontuais, e a primeira baliza estava depois da curva…!

Certamente que não deve haver responsabilização criminal para quem não se lembrou de pôr uma baliza antes da curva, mas que isso traduz uma enorme ligeireza na abordagem à segurança, é inquestionável.

04 setembro 2012

De Matamouros a enérgico jardineiro

O culto de Santiago está muito associado à Reconquista Cristã e tem uma função motivadora bélica bem evidente na designação de Matamouros e na cruz transfigurada em espada. Na Catedral de Santiago de Compostela há uma estátua do dito a cavalo, com a dita cruz/espada em riste, fazendo jus ao cognome e dizimando alguns infiéis que caem a seus pés sem piedade.

Ora bem, hoje a estátua já não se lê assim. Agora apenas se vê o santo a cavalo e a sua espada investe violentamente mas contra umas pobres flores que escondem os sarracenos aos pés do cavalo. Questão de não ferir susceptibilidades? Por favor, haja respeito pela história e maioridade para lidar com ela, seja polémica ou não, “errada ou certa”.

Recordo-me de uma vez, ao circular na rotunda da Boavista com dois franceses, estes me questionarem sobre o significado do leão a dominar a águia lá no alto da coluna. Tive algum embaraço pelo politicamente incorrecto de ter que lhes explicar que aquele monumento glorificava a derrota e a humilhação do seu país. Comecei com um contexto histórico e apelando a uma certa compreensão. Eles interromperam-me prontamente para dizer com descontracção: “Não se preocupe! Nós somos bretões!!” .

Como nem todos os franceses são bretões, na dúvida é melhor retirar todas as referencias às derrotas napoleónicas, não vá o Sr Hollande zangar-se, idem para a nossa participação na Grande Guerra, pouco gloriosa é certo, mas não vá a Sra Merkel embirrar... e por ai fora!

25 agosto 2009

Caminho do Fim da Terra



Dizem que o corpo desembarcou na ria de Arosa, ali para os lados de Padrón, e que voou até se instalar onde agora é Santiago. Afonso II das Astúrias tomou o caminho “primitivo” de Oviedo até ao local miraculado.

Na época da reconquista em que a cruz era bandeira, a relíquia do apóstolo ali ao lado catalisava energias e aguçava vontades. Acabou a guerra há muitos séculos e o “mata-mouros” perdeu esse interesse táctico.

Até li recentemente que uma estátua do dito exposta na catedral, recebeu umas tácticas flores para esconder os sarracenos que jaziam aos pés do lutador, por causa das “sensibilidades e susceptibilidades” (piiiii de auto-censura para não acrescentar palavrões).

Ficou o caminho que, desde várias origens, até aquele Finisterra, fizeram de Compostela um burgo singularmente universal, daqueles em que cada esquina tem cheiro forte.

Para lá das cruzes do caminho, sem dúvida que aquele é um caminho, vários caminhos, como mais nenhum... até ao fim da terra.