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09 junho 2012

Os mineiros dos montes de Leão


Minas são sempre uma riqueza temporária e insustentável. É tirar enquanto houver e for viável, o que quer dizer até o dia em que o custo de retirar for superior ao preço do mercado do minério e se perder a rentabilidade económica.
Poderá prolongar-se um pouco a viabilidade com “ajudas”, que é como quem diz o geral do contribuinte ou o consumidor pagar o diferencial dos custos. E é isto que tem acontecido no carvão no norte de Espanha e que agora acaba.
Os protestos dos mineiros espanhóis estão nas primeiras páginas com estradas cortadas, barricadas e arremesso de pedras. Um cenário mais ou menos habitual, por vários motivos e em diversas geografias. Ao procurar no mapa onde ocorriam exactamente aqueles protestos em “Leão e Astúrias”, encontrei, não longe, Villablino, que não deve dizer nada a muita gente.
Villablino é uma povoação nos montes de Leão onde, salvo erro em 1988, numa iniciativa algo invulgar e louvável, Fernando Reino, na altura Embaixador de Portugal em Madrid, resolveu colocar as comemorações locais do 10 de Junho, dado o elevado número de imigrantes portugueses mineiros lá instalados. Estive lá nessa altura, integrado no grupo que foi levar alguma cor e animação aquela terra tão escura, tão enterrada lá longe, de difícil acesso, e em que as pessoas literalmente se enterravam.
Recordo gente a quem ouvíamos espantados e arrepiados a idade real, anunciando uns 20 anos menos do que a aparente; gente para quem um pesqueno corte, em contacto com o minério, deixava uma mancha escura indelével na pele, relatos terríveis de gente com vida muito, muito difícil…
Não voltei lá; não fica no caminho para nenhum lugar. Mesmo a nova auto-estrada entretanto construída passa longe. Penso que haverá bastante menos portugueses e talvez as minas em actividade tenham condições de trabalho menos duras. No entanto, definitivamente, aqueles protestos dos mineiros lá dos montes de Leão, soam-me diferentes dos dos jovens urbanos simplesmente “indignados”.

27 maio 2010

Refém

Por azar ou desatenção fiquei ontem preso, e pela segunda vez, num “protesto” pela introdução das portagens nas scuts. Se ficar preso num engarrafamento é desesperante, quando se sabe que é voluntariamente provocado, a raiva dispara. Não está em causa o nível de pertinência do protesto. Também não está em análise a sua eficácia. Se bem que imagino que, confortavelmente instalado num gabinete de Lisboa ou num hotel de Nova Iorque, quem tem poder decisão sobre o assunto não terá ficado muito impressionado ou sensibilizado com o espectáculo.

O que está em causa é com que direito num estado de direito, uma iniciativa destas pode fazer refém uma multidão provocando prejuízos de vária ordem. Não seria possível fazer um protesto visível, fundamentado e não primário como este? Aliás, é semelhante às greves de alguns sectores públicos, cuja “força” reside precisamente na capacidade de incomodar vulgares cidadãos.

Não, decididamente não. Um estado de direito não deve funcionar assim. Quem pretender pode protestar da forma como entender mais adequada mas sem tomada de reféns. Isso é próprio de terroristas.

08 novembro 2008

Lusos Negócios


Este BPN e os seus lusos negócios fizeram discretamente um caminho, no mínimo atípico.

Com eles na primeira página dos jornais fui investigar um pouco e tentar juntar algumas peças. Em primeiro lugar encontrei aquela famosa adjudicação precipitada do Siresp (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) de seiscentos milhões de euros, por um governo PSD, três dias após ter perdido as eleições, à Sociedade Lusa de Negócios. O governo PS seguinte anulou o negócio e renegociou-o para 485 milhões.

O site da SLN mostra uma colecção de empresas assinalável. Parece que coleccionaram empresas como quem colecciona pacotes de açúcar, sem um fio condutor ou uma estratégia. A tal ponto que, recém-empossado, Miguel Cadilhe decidiu alienar aquilo que ele próprio chamou “activos extravagantes”. Ora bem, quando o dinheiro custa a ganhar, não se aplica assim em extravagâncias, muito menos numa empresa. Donde que, ou não custou a ganhar, ou os seus donos andaram muito distraídos….

Um governo PS nacionaliza um reduto PSD criando leituras políticas. Resumindo e não concluindo: temos uns lusos “affaires”, sem saber muito de onde nascem e com uma extravagante gestão. Muito mais do que um caso político, é certamente um caso de polícia. Haja coragem política de ir até ao fim…