03 outubro 2026

Judaicofobia


Um destes dias tropecei neste delicioso texto de José Diogo Quintela (ex Gato Fedorento) sobre o inefável engenheiro Guterres e as suas curiosas capacidades matemáticas.

O cessante SG da ONU declarou que o conflito em Gaza teve “uma escala de morte e destruição sem paralelo com o que testemunhei em todos os meus anos como Secretário-Geral”. É só alguém fazer as contas e o colunista deu-se ao trabalho de as fazer. Assim podem-se listar alguns dos conflitos mais mortíferos presenciados pelo engenheiro.

  1. Na Ucrânia mais de meio milhão.
  2. Na região do Tigré, na Etiópia, idem
  3. No Sudão, entre 140 e 400 mil mortos.
  4. No Afeganistão perto de 200 mil,
  5. Em Myanmar 104 mil,
  6. Na Síria 78 mil,
  7. No Iémen 75 mil.
  8. Em Gaza, 74 mil pessoas

(para mais detalhes, ver o texto completo)

Cada morto em guerra, especialmente entre civis, é um morto a mais e sem desvalorizar as barbaridades ocorridas em Gaza, as declarações de Guterres são de um ridículo absoluto e de uma falsidade indesculpável.

Quando alguém generaliza a violência associada a alguns movimentos islâmicos para todos os muçulmanos do mundo, chamamos-lhe, negativamente, islamofobia. O atual SG da ONU não sofrerá de uma espécie de judaicofobia?

Condenar Netanyahu é uma coisa, generalizar para todos os israelitas é outra, avançar para todos os judeus do mundo é antissemitismo básico, de má memória. Culpar Israel por todos os males que por aqueles lados ocorrem é ignorância e/ou manipulação potenciado por gente pouca séria. Talvez se lhe possa chamar Ocidentofobia, algo análogo às doenças autoimunes, em que o organismo se baralha e se ataca a si próprio…

Vamos recuar um pouco no tempo e recordar a situação de um país governado em ditadura, sem liberdade nem respeito pelos direitos humanos, envolvido numa guerra colonial. Deveria ser expulso de todos os eventos culturais e desportivos? Simone e Tonicha fora da Eurovisão, Amália e Carlos do Carmo cancelados das grandes salas, Eusébio, António Livramento e respetivas equipas excluídos de competições internacionais. Numa perspetiva de coerência, seria assim que os atuais severos juízes de Israel veriam Portugal pelo mundo antes de 1974.

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