Um destes dias tropecei neste delicioso texto de José Diogo Quintela (ex Gato Fedorento) sobre o inefável engenheiro Guterres e as suas curiosas capacidades matemáticas.
O cessante SG da ONU declarou que o conflito em Gaza teve “uma
escala de morte e destruição sem paralelo com o que testemunhei em todos os
meus anos como Secretário-Geral”. É só alguém fazer as contas e o colunista
deu-se ao trabalho de as fazer. Assim podem-se listar alguns dos conflitos mais
mortíferos presenciados pelo engenheiro.
- Na Ucrânia mais de meio milhão.
- Na região do Tigré, na Etiópia, idem
- No Sudão, entre 140 e 400 mil mortos.
- No Afeganistão perto de 200 mil,
- Em Myanmar 104 mil,
- Na Síria 78 mil,
- No Iémen 75 mil.
- Em Gaza, 74 mil pessoas
(para mais detalhes, ver o texto completo)
Cada morto em guerra, especialmente entre civis, é um morto
a mais e sem desvalorizar as barbaridades ocorridas em Gaza, as declarações de
Guterres são de um ridículo absoluto e de uma falsidade indesculpável.
Quando alguém generaliza a violência associada a alguns
movimentos islâmicos para todos os muçulmanos do mundo, chamamos-lhe,
negativamente, islamofobia. O atual SG da ONU não sofrerá de uma espécie de
judaicofobia?
Condenar Netanyahu é uma coisa, generalizar para todos os
israelitas é outra, avançar para todos os judeus do mundo é antissemitismo
básico, de má memória. Culpar Israel por todos os males que por aqueles lados
ocorrem é ignorância e/ou manipulação potenciado por gente pouca séria. Talvez
se lhe possa chamar Ocidentofobia, algo análogo às doenças autoimunes, em que o
organismo se baralha e se ataca a si próprio…
Vamos recuar um pouco no tempo e recordar a situação de um
país governado em ditadura, sem liberdade nem respeito pelos direitos humanos,
envolvido numa guerra colonial. Deveria ser expulso de todos os eventos
culturais e desportivos? Simone e Tonicha fora da Eurovisão, Amália e Carlos do
Carmo cancelados das grandes salas, Eusébio, António Livramento e respetivas
equipas excluídos de competições internacionais. Numa perspetiva de coerência,
seria assim que os atuais severos juízes de Israel veriam Portugal pelo mundo antes
de 1974.

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