04 outubro 2026

Narcos (2ª edição)


Muitos terão visto aquelas produções, meio históricas, meio romanceadas, sobre a vida e obra dos narcotraficantes da Colômbia ou do México. É extremamente chocante o nível de violência, opulência, falência das instituições e, sobretudo, desumanidade.

Essas coisas passavam-se muito longe, do outro lado do Atlântico, geográfica e culturalmente demasiado afastadas para as imaginarmos parte do nosso quotidiano. Será que esse nível de violência e marginalidade é e continuará a ser uma realidade longínqua?

Em cidades como Marselha ou Bruxelas soam pistolas metralhadores e corpos jazem no solo em poças de sangue, consequência de ajustes de contas e disputas territoriais associadas ao tráfego de droga. Nas nossas costas as lanchas rápidas desafiam quase impunemente as forças policiais. Na Suécia há menores contratados como sicários.

Dizer que o dinheiro compra tudo pode não ser absoluto, mas muito dinheiro compra muita coisa e ao dinheiro “ilimitado” quase nada resiste, seja pela aliciação, seja pela coação.

Esta guerra contra os narcotraficantes parece não ter vitória para as forças da lei. Com tantos recursos financeiros disponíveis, os narcos encontrarão sempre buraco por onde furar e chegar aos seus clientes, muitos deles socialmente respeitáveis, deixando pelo caminho as vítimas e os cadáveres que for necessário.

Podem-se encontrar fortes semelhanças com a lei seca de há um século atrás, sabemos como foi e como terminou. Por mais chocante e perigoso para a saúde pública possa parecer liberalizar a cocaína, não estará na altura de aplicar remédio análogo? Provavelmente um mal menor.

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