Muitos terão visto aquelas produções, meio históricas, meio romanceadas, sobre a vida e obra dos narcotraficantes da Colômbia ou do México. É extremamente chocante o nível de violência, opulência, falência das instituições e, sobretudo, desumanidade.
Essas coisas passavam-se muito longe, do outro lado do
Atlântico, geográfica e culturalmente demasiado afastadas para as imaginarmos parte
do nosso quotidiano. Será que esse nível de violência e marginalidade é e continuará
a ser uma realidade longínqua?
Em cidades como Marselha ou Bruxelas soam pistolas
metralhadores e corpos jazem no solo em poças de sangue, consequência de
ajustes de contas e disputas territoriais associadas ao tráfego de droga. Nas
nossas costas as lanchas rápidas desafiam quase impunemente as forças
policiais. Na Suécia há menores contratados como sicários.
Dizer que o dinheiro compra tudo pode não ser absoluto, mas
muito dinheiro compra muita coisa e ao dinheiro “ilimitado” quase nada resiste,
seja pela aliciação, seja pela coação.
Esta guerra contra os narcotraficantes parece não ter
vitória para as forças da lei. Com tantos recursos financeiros disponíveis, os
narcos encontrarão sempre buraco por onde furar e chegar aos seus clientes, muitos
deles socialmente respeitáveis, deixando pelo caminho as vítimas e os cadáveres
que for necessário.
Podem-se encontrar fortes semelhanças com a lei seca de há
um século atrás, sabemos como foi e como terminou. Por mais chocante e perigoso
para a saúde pública possa parecer liberalizar a cocaína, não estará na altura
de aplicar remédio análogo? Provavelmente um mal menor.

Sem comentários:
Enviar um comentário