05 março 2006

Entre o Sal e a Lua



O Mel e o Sal, o Sol e a Lua.

A doce ternura do sucesso, abraça os braços inseguros, embala mil sonhos de criança e derrete o gume do engenho.

O sal do sonho incompleto, é um vento Norte agreste que aguça a cega expectativa, a dor sem dor agita.

O ganhador, não vive sem açúcar, viciado em qualquer xarope, que engole em contínuos sorvos, tem um hálito que enjoa.

O perdedor, tem de sal curtida a alma numa lenta e ácida secura. Goza uma intimidade com o infinito, enquanto o vento lhe ulcera a vista.

O normal, evita o mel em demasia, receia o sal que não domina, avança sem um reparo, sorri como quem chora.

O pensador, pensa que o sal e o mel algum pai hão-de ter, algum lar podem receber. E ignora os sentimentos que nascem órfãos em cada instante.

O poeta no início intoxicou-se de sal e destila na pedra filosofal lágrimas que partem vida abaixo. Para quem as bebe, trazem mel. E o poeta sorri arrepiado, incrédulo e reconfortado, pelo milagre da sua desgraça tornar o mundo mais doce

A vida, de sal e mel nos fustiga. Eterna montanha russa que só nos resta saborear nos intervalos mágicos entre o rir e o chorar.

3 comentários:

Anónimo disse...

Agostinho da Silva iria gostar de ler, talvez até comentar. Que encontro com as palavras! Elas vão-se encaixando, como se de um puzzle se tratasse. Gostas muito das palavras e de brincar com elas.
Gostei muito

Carlos Sampaio disse...

Brincar é salutar, não?

APC disse...

"Saborear nos intervalos mágicos entre o rir e o chorar"...
E saborear o rir, e o chorar também.
(E saborear coisas bonitas, como o que escreves;-)