28 dezembro 2005

Talvez me tenha reconciliado…


Quando José Saramago ganhou o Nobel em 1998, senti uma grande satisfação. Apreciador da sua obra que tinha lido praticamente na íntegra, a leitura recente do “Todos os nomes” proporcionara-me um enorme prazer.

O que se seguiu, fez-me perder rapidamente essa satisfação. Desde o partido a tentar tomar posse do prémio até aos conservadores católicos ressuscitando a polémica do “Evangelho”, polémica essa típica de quem nunca o terá lido. Saramago reage de forma infeliz à pressão dos holofotes mediáticos. De repente, toda a gente começa a falar e a comentar “Saramago”, mesmo aqueles que não tinham passado das três primeiras páginas do “Memorial do Convento”. Profundamente irritante.

Seguiu-se “A Caverna” que achei fraco e algo repetido sem nova graça. O “Homem Duplicado” prometia muito mas, enquanto em “Todos os nomes”, Saramago nos deslumbra a partir de um enredo singelo, neste o enredo promete mas o desenvolvimento desilude.

Estava na dúvida sobre o futuro a dar a este autor na estante das minhas preferências quando foi editado o “Ensaio sobre a lucidez”. A forma como ele chegou foi suficiente para desanimar qualquer um. Proliferação de comentários e de declarações infelizes de quem sabe e de quem não sabe.

Decidi não o ler. Corria o risco de contaminar a análise de uma obra literária com tanta a poeira que à volta dela esvoaça. Esperava mais tarde conseguir desligar a sua qualidade intrínseca daquela ruideira que em nada dignifica a Literatura.

Agora arrisquei “As Intermitências da Morte” e acho que Saramago regressou. Tive o cuidado de não ouvir nem ler previamente nenhum comentário nem opinião, nem sequer do autor. Não será o melhor livro dele, na minha opinião, mas gostei. Duas curiosidades. Uma, a enorme diferença de ritmo e de estilo narrativo que divide claramente livro em duas partes. A segunda, quando eu pensava que desta vez não teríamos uma mulher jovem atraída irresistivelmente por um homem maduro, Saramago dá a volta e seduz nem mais nem menos do que a própria morte. É obra!!!

2 comentários:

CLÁUDIA disse...

O "Todos os Nomes" é um dos livros da minha vida. Li-o duas vezes e palpita-me que ainda não fica por aqui...Fascinou-me de tal maneira que andei durante não sei quanto tempo a pensar nele.
Ainda não li nenhum destes dois últimos mais recentes por isso não posso opinar.

Beijinho grande ***

Anónimo disse...

Espero q 2006 te traga mais modestia e tolerância. Q a arrogância, amargura e frieza q te caracterizam te abandonem lentamente....:-)