A tragédia que
estamos a assistir em Moçambique, tem por vilão uma entidade intitulada “frente
de libertação”. Este movimento e outros análogos, protagonizaram uma luta pela emancipação
de povos oprimidos, evocando projetos de liberdade e de democracia. Poucos
foram, no entanto, os que a seguir cumpriram minimamente as promessas e muito
especialmente quanto à democracia.
Depois de ganharam a legitimidade de representarem o povo a
libertar, adotaram o princípio do “ganhamos, é nosso”. Nos casos de não ter
sido possível encontrar unicidade nessa representatividade revolucionária,
seguiu-se guerra civil pela primazia “libertadora”. Nestes processos houve, é
certo, influencias externas cujo objetivo era basicamente que as populações
“mudassem de dono”. Pode ter havido alguma precipitação nos processos de
independência, mas o resultado final é muito longe de brilhante e positivo para
as populações objeto dessa “libertação”.
Há uma parte disto que é história, que não podemos mudar,
mas talvez aprender. A benevolência ingénua com que os “colonizadores” olharam
para o que se prenunciava e, apesar disso, daí lavaram as mãos: Querem
autodeterminação? Levem-na!
Hoje a discussão não é essa, mas a pobreza do governo de
muitas frentes Ex libertadoras é um problema para as suas populações, para a
humanidade em geral e para a Europa em particular, onde uma parte da opinião pública
ainda se crê devedora de pecados passados, passíveis de expiação recolhendo
massivamente as populações desfavorecidas. Não acredito ser isso a preferência
deles, nem o melhor caminho para a humanidade, nem para o desenvolvimento
desses países. Entretanto, continuamos a lavar as mãos face às barbaridades,
não queremos ser acusados de neocolonialismo.